segunda-feira, 2 de outubro de 2006

Um Ano de Vida

completam-se 12 meses sobre o início de Toponímia Galego-Portuguesa e Brasileira. o que começou por ser um despretencioso blogue de apontamentos, com a finalidade única de reunir em suporte virtual as ideias que o tempo foi formando, revelou-se, afinal, algo mais ambicioso. a "rede" começou a interagir. do Brasil, da Galiza e de Portugal criou-se um grupo de frequentadores assíduos, cuja intervenção ditou, muitas vezes, o rumo do blogue. não posso esconder o encorajamento recebido de Jolorib (Br.), Calidonia (Gz.), Imprompto (Pt.), D'Noronha (Br.), Rua da Judiaria (Pt.), Homedareia (Gz.), Quitanda do Chaves (Br.), Da Condição Humana (Pt.), A Tola do Monte (Gz.), por esta ordem de chegada. sendo que a minha actividade principal não é esta, devo à Frota Honorária (e a mais algumas barquinhas de estimação) a energia afectiva necessária para manter o blogue activo até aqui.
muito obrigado a todos.





sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Raias e Fronteiras


o topónimo "Fronteira", simples ou composto, é mais frequente em Espanha (Andaluzia - An.) que em Portugal - e não se refere à linha divisória entre os dois países. é a cristalização de um período de relativa estabilidade na linha divisória entre o mundo cristão e o mundo muçulmano, sendo que, pela sua localização bastante a sul, corresponde a uma época já tardia do domínio muçulmano na Península (o Reino de Granada).
o topónimo Fronteira não o conheço na Galiza, nem junto a León nem perto de Portugal.
a fronteira luso-espanhola é conhecida por "Raia", que pode ser "sêca" se não for formada por um rio. em Goa, na antiga Índia Portuguesa, também existe o topónimo "Raia".
fronteira mais velha é a designada pela palavra "Extremadura" (Es.) ou "Estremadura" (Pt.), que significa, genericamente "o território que extrema", ou faz fronteira. no caso, com os reinos mouros tamém. mas, parafraseando a lápide da catedral de Zamora, esta é uma fronteira milenar que separa o Norte do Sul, que põe em contacto a Europa do norte com as sucessivas culturas das margens mediterrânicas.

sobre este assunto pode consultar-se ainda o post "Marcos, Malhões e Fronteiras"

exemplos:

Aguilar de la Frontera (An.)
Arcos de la Frontera (An.)
Castellar de la Frontera (An.)
Cerrado da Raia (Pt.)
Chiclana de la Frontera (An.)
Conil de la Frontera (An.)
Cortes de la Frontera (An.)
Extrema (Br.) - ver Comentº
Estremadura (Pt.)
Extremadura (Pt.)
Fronteira (Br.)
Fronteira (Pt.) - vila do distrito de Portalegre
Fronteira dos Vales (Br.)
Fronteiras (Br.)
Jerez de la Frontera (An.)
Jimena de la Frontera (An.)
Morón de la Frontera (An.)

Oliva de la Frontera (Est.) - esta localidade estremenha, junto à fronteira com Portugal, deverá constituir um dos poucos exemplos em que o termo "fronteira" se refere aos dois estados ibéricos

Palos de la Frontera (An.)
Raia (Goa)
Raia dos Vales (Pt.)
Raia Seca (Pt. e Gz.)
Salvaterra do Extremo (Pt.)
S. João da Fronteira (Br.)
Três Fronteiras (Br.)
Vila Verde da Raia (Pt.)


quarta-feira, 27 de setembro de 2006

Os Templos dos Castrejos

apresentado por Jolorib, depressa o blogue de Manuel Anastácio se me tornou de leitura regular. e dou hoje de caras com esta postada especial: "Pormenores: Suásticas Castrejas da Citânia de Briteiros". onde se fala tamém dessas construções enigmáticas como a que a foto nos mostra.
tema que me movimenta os miolos há uns anitos bons, levou a fazer-lhe um comentário em primeira mão.
reproduzo-o aqui, com algumas revisões e correções. a foto é do blogue d'A Condição Humana.


















tenho reparado, aqui e ali, na presença dessas construções castrejas, de que a de Briteiros, por força das minhas origens, é necessariamente a primeira.
porém está descontextualizada, por falta de continuidade histórica até hoje. e, sendo assim, fica à mercê da imaginação dos arqueólogos.
sem mencionar mais, lembro a pequena capela que existe nas Termas de S. Pedro do Sul, junto ao complexo balneo-religioso romano.
é uma capelinha minúscula feita sobre ruínas de pequenos templos anteriores - garantia de uma continuidade no tempo, no lugar e na função.

a construção mais antiga está representada por várias pedras, uma delas embutida naquilo que agora constitui a cabeceira exterior(*) da capela. à qual não há como roubar-lhe a sua proveniência castreja nem lhe negar o paralelo com Briteiros.
a questão é esta: os castros são povoados, vivia neles gente, famílias, clãs, talvez uma tribo inteira. a que corresponde uma religião, um culto, uma crença, uma cosmogonia, uma visão do mundo. os trísceles e suásticas são um aspecto simbólico dessa religião ou dessa cosmogonia. a minha escolha do tríscele como emblema do blogue tem que ver com isso.
mas onde tinham os castrejos os seus rituais, os seus marca-passos sezonais, as suas cerimonias que os re-ligasse, a sua relação formal com o divino? onde estão, simplesmente, os templos castrejos?

a mim nunca ninguém me falou neles, nem de boca nem de livro.
mas eu penso que estão precisamente aí, nessas capelinhas minúsculas, ao fundo dos povoados castrejos, perto de linhas de água.




fogo, fumo, fuligem, tochas, velas nos templos, queima de incenso? em quais é que não há? serão, só por isso, fornos crematórios?
lugar de cerimónias de iniciação e de outros rituais? que templos o não são?
são pequenos? não são ainda mais pequenos os sacrários e os nichos das religiões de hoje?

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(*)
existe uma tendência regular para que a parte exterior das cabeceiras das igrejas e capelas cristãs exiba a forma de culto, ou de invocação religiosa, mais antiga do local. quem quiser comprová-lo vá, por exemplo, ao exterior da cabeceira da sé de Braga. aí se depara com o nicho da Senhora do Leite, a invocação da Mãe Terra por excelência (depois Ísis, depois Santa Maria) .
e querem saber? nas escavações levadas a cabo na Sé apareceu a imagem de Ísis, culto equivalente trazido por soldados orientais integrados no exército de Roma. e a invocação actual da sé: Santa Maria!

terça-feira, 26 de setembro de 2006

Mesquitas e Mesquitelas a norte do rio Douro



é muito estranha a existência de "Mesquitas" e "Mesquitelas" na toponímia galego-portuguesa a norte do rio Douro ou mesmo a norte do Mondego, em lugares onde é quase seguro que não pararam os mouros tempo que chegasse para as construir, quanto mais para as frequentar à sexta-feira - como é de preceito.

e se há no norte de Portugal e na Galiza a possibilidade de seguirmos os templos pagãos e suevo-visigóticos, por que não haveríamos de saber onde ficavam situadas as almasjid?

há topónimos de origem árabe cujo significado é "a mesquita " (islâmica), como "Almoçageme".

e mais: o sobrenome "dá Mesquita" é uma anomalia de peso. parece pedir um "a", antes de "mesquita", ou seja "da Amesquita". é caso único nos sobrenomes de origem toponímica, o que torna praticamente irrefutável a sua origem num topónimo Amesquita (*). e, a ser assim, lá estará, uma vez mais, a escrita traindo a oralidade.

na Galiza, existe uma Mesquita, tamém há quem escreva ou escrevesse A Mezquita e La Mezquita (onde este z dá que pensar) - a qual, pela sua localização tão a norte, dificilmente terá sido alguma vez "o lugar de prostração"(al-masjid) dos muçulmanos. a existência do diminutivo Mesquitela põe-me tamém na retranca.
constato, porém, que os mestres acreditam na tese da mesquita islâmica.

fazendo uma incursão por todo o norte da Península, encontro o topónimo euskera "Amezketa", o mesmo que "azinhal" ou "carrascal", na Província de Guipúzkoa, País Basco.
ainda em Euskadi, encontramos "Amezaga" (Província de Araba ou Alava), de ametz+aga, com significado muito próximo do primeiro.
e "Amezkoa", Alta e Baixa (Província de Nafarroa ou Navarra), em que "-koa" tem carácter genitivo, como se disséssemos "A do Azinho" ou "A da Azinheira".
uma característica curiosa destes locais é a sua tendência para os vales e encostas abruptas.


e pode bem ser que esteja aqui o segredo bem guardado das Mesquitas a norte do rio Douro - ou mesmo a norte do Mondego.


o topónimo guipuscoano "Amezketa" situa-se em terreno abrupto, na encosta de um monte e tem um rio que corre lá embaixo. a palavra resulta de "ametz" (azinho, carrasco) e "k-eta" (sufixo abundancial e colectivo). este padrão paisagístico é comum em várias povoações do norte peninsular e mesmo em regiões das Beiras, em Portugal.

a sul do rio Douro, também há topónimos em "Mesquita", simples e compostos. mas a palavra "Mesquita" pode aqui ter proveniências diferentes, cuja evolução fonética acabou por convergir: "amezketa" (azinhal, carrascal) e "al-masjid" (a casa de oração). distinguir uma origem da outra irá começar pelo aspecto do local e pelo tipo de história da ocupação mourisca.

no Brasil, a "Mesquita" tem uma de duas origens: ou é transposição de toponimo português ou resulta de homenagem a alguém com esse sobrenome. o mesmo se existir "Mesquitela".

quanto à origem do sobrenome Mesquita, é basicamente lendária e brumosa, tal como a dos topónimos correspondentes, tentando casar "al-masjid" com "amezketa". na realidade, consegue-se extrair da lenda alguns elementos com que é possível trabalhar: 1- quatro cidades, Braga, Miranda, Lamego e Viseu - que seguram a mão de "amezketa"; 2-uma actividade militar no norte de África, com passagem por mesquitas - que segura a mão de "almasjid". o casamento é perfeito.
o problema é Mesquitela...

alguns exemplos de "Mesquitas":

A Mezquita (Gz.)

Mesquita (Pt., Gz. e Br.) - nem tudo se resume a almasjid e amezketa. alguns topónimos compostos resultam de um sobrenome, do proprietário por exemplo

Mesquitas - este plural é esquisito. já uma masjid é muito, que fará mais que uma...pode tratar-se, no entanto, do sobrenome de família dos (primeiros) proprietários

Mesquitela - os diminutivos, indicam, em geral, uma povoação derivada de outra. neste caso, seriam derivadas de uma povoação com nome de "Mesquita". ou podem indicar uma povoação que comparada com outra era menor na época em que foi assim chamada. esta hipótese convém a amezketa, mas não a almasjid

San Vitoiro da Mezquita (Gz.)



espero que tenham gostado desta nota. se não servir para mais, já que se trata apenas de uma pista, servirá de tópico a que não se dê importância apenas às componentes exóticas da língua, o latim, o árabe, etc. a componente nativa aborígene ainda se pode reconhecer. é preciso saber procurá-la. o euskera, ou basco, é uma excelente carta de navegação para encontrá-la.

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(*) o caso não é de somenos. em lugar de andarmos à procura de um significado "convincente" para "A Mesquita", seja ele qual for, parece-me mais prometedor caminho procurar o significado de "Amesquita". foi o que fiz.



segunda-feira, 25 de setembro de 2006

O Fracasso de Vila de Rei



de acordo com notícia do Sol (p. 40 e 41, pdf), dói-me ter de informar frequentadores e amigos deste blogue que o primeiro rebento do projecto de Vila de Rei sofreu abortamento espontâneo, por má qualidade da matriz. não sobra nada, só desadaptação, tristeza, fantasias perdidas e lágrimas que cheguem. não sei que novos filhos vão querer nascer de um projeto assim.

quando a esmola é muita ou a banana é muita, pobre sabido desconfia e macaco avisado também.
amigos, venham do jeito que costumam vir, não embarquem em navio iluminado que apareça por aí. pode ser pirata. pode ser negreiro. talvez a nave dos loucos... pode ser... sei lá o que pode ser!

...mas eu também acreditei...




quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Casas e Casinhas

a toponímia é um discurso sobre a oralidade. a passagem de um topónimo à escrita é fonte de imensos equívocos, hoje como ontem. as diferenças de pronúncia, por vezes subtis, tornam-se diferenças maiores quando passadas a escrito. veja-se o caso de "Caselhas" e "Coselhas". ainda mais perturbadora é a escrita do mesmo fonema em norma linguística diferente. escrever Casinhas ou Casiñas, assim como escrever Olivença ou Olivenza é exactamente o mesmo, mas não parece. a questão é que optar por uma grafia ou por outra significa uma escolha política prévia. se se está do lado da Meseta optar-se-á pelo ñ em lugar do nh, pelo z em lugar do ç e pelo ll em lugar do lh. e fica identificada a espécie de pessoa que escreve e o que pensa do mundo e de si mesma


Barracão (Pt. e Br.)
Cabana
Cabana de Bergantinhos (Gz.)
Cabanas (Pt. e Gz.)
Cabanas de Viriato
Cabanelas (Pt. e Gz.)
Cabaninha
Cabaninhas
Casa Branca (Pt. e Br.)
Casa do Sal
Casa Grande (Br.)
Casaínho
Casais (Pt. e Gz.)
Casal
Casalinho (Pt. e Gz.)
Casalta

Casa Nova (Pt., Gz. e Br.) - em basco ou euskera há o topónimo e sobrenome "Etcheberria", "Etcheverria", "Echeverria", "Etxebarria", que quer dizer, também, "casa nova". deste resultou
o topónimo navarro "Javier" (Xavier), origem deste nome e sobrenome, bem como do hagiónimo S. Francisco Xavier

Casas (Pt. e Gz.)
Casas Novas
Casas Velhas
Casa Telhada
Casebres
Casegas
Caselas
Casinhas

Catraia - pode fazer uma certa confusão a portugueses do norte, para quem "catraia" é o mesmo que "menina", "miúda", "moça muito jovem". mas aqui é o mesmo que "casinhota"

Catraia Cimeira
Catraia de S. Paio
Catraia de S. Romão
Catraia dos Poços
Catraias

Coselhas - uma das variante dos diminutivos de Casas : Casinhas; Casegas, Casicas; Caselas, Caselhas, Casillas (Cast.), Coselhas.

Mesão - em francês: "maison"
Mesão Frio - pronúncia "mesonfrio".
Mesonfrío (Gz.)
Palhaça
Palhais
Palheira
Palheiro
Palheiros
Palhoça (Br.)
Pousa (Pt. e Gz.)
Pousada (Pt. e Gz.)
Pousada de Saramagos
Pousadinha
Sá (Pt. e Gz.) - do germânico "Sala", passando por "Saa". em francês, "Salle"
Saa (Gz.)
Saavedra (Gz.)
Sala - ver Sá e Saa
Salas (Gz.)
Sás (Gz.)
Salzeda de Caselas (Gz.)


terça-feira, 19 de setembro de 2006

As Fontes




... pois começaria por perguntar o que vem a ser uma fonte. ...e a resposta é... boa pergunta!
pedindo ajuda à sinonímia, encontramos falsos sinónimos, tais como "emanação", "manancial", "nascente", "bica", que mais são variedades do que a mesma coisa. a água nasce como lhe calha melhor. e isso é uma fonte. mas a água não nasce toda igual: uma é fria, outra quente, outra nem fria nem quente, uma nasce numa charca, outra em bica, outra em sete, outra em mil. uma traz ferro outra não traz, uma é muita e outra é pouca. uma é santa e outra é mais. uma é boa e outra mata. e assim, consoantemente, vai tendo o nome que merece...ou nem por isso.
não faz muito tempo, ouvi contar que a inspeção sanitária se lembrou de fazer análises à qualidade da água milagreira de certa fonte santa. e encontrou o que ninguém quis: não sei quantas bactérias e venenos que, tudo somado, fazia uma poção bem perigosa. vai de selar a fonte e proibir a sua utilização. foi o bom e o bonito. o povo levantou-se, tirou a selagem, montou piquete, enfim, fez gato-sapato da inspeção sanitária e análises correlativas. a fonte santa continuou santa e o povo devoto da fonte. porque santidade é santidade, não se mede com análises nem de bata branca


Alcabideche - variante fónica de Alcabideque

Alcabideque - em árabe:"manacial", fonte. é uma charca onde borbulha a água que nasce, tal como em "Fonteminha" e tamém em "Ançã"

Bica

Chiqueda - é a nascente do rio Alcoa, em Alcobaça. tem longa fama de fonte sagrada. penso que "chiqueda" será equivalente de "charca"

Fonfría (Gz.) - ver "Fonte Fria"
Fonsagrada (Gz.)
Fonseca
Fontaínha (Pt., Gz. e Br.)
Fontaínhas (Pt., Gz. e Br.)
Fontaínho (Pt. e Gz.)
Fontanheira
Fontão
Fonte Arcada
Fontarcada
Fonte Boa (Pt., Gz. e Br.)
Fonte da Cheira
Fonte da Pulga

Fonte da Urina - não é o que parece. pronúncia popular: "fonte da ourina" (ou será "fonte dourina"?). alguém alvitrou ser uma confusão com "fonte taurina", hipótese académica pouco provável tendo em conta a fonética. merecia que lhe fosse corrigido o nome escrito

Fonte de Ançã - é um pleonasmo: "fonte da fonte". ver foto
Fonte de Martel

Fonte do Bispo
Fonte do Castanheiro
Fonte do Ídolo
Fonte do Ramilo
Fonte dos Clérigos
Fonte dos Olhos - aqui, "olhos" está por olhos-d'água
Fonte do Vale

Fonte Errada - trata-se de um equívoco de transcrição da fonética para a escrita, pelo que ficou errada duas vezes

Fonte Fria

Fonte Histórica - em Chelo, Penacova. é "histórica" porque está referenciada desde o século XII. fora isso, é uma "fonte santa" - motivo por que mereceu essa referência e por que continua a ser procurada

Fonteira
Fonteita - o mesmo que "fonte telhada"?
Fontela (Pt. e Gz.) - do latim "fontanella": fontinha
Fontelo (Pt. e Gz.) - pronúncia: "Fontêlo"

Fonteminha ou Fontemiña (Gz.) - à letra e na realidade: "nascente do Minho"

Fontenla (Gz.) - é a forma evolutiva imediatamente anterior a "Fontela"

Fonte Nova

Fonterma - será o contrário de "fonte fria"? ou é "fonte erma"? aqui decide a fonética, que desconheço: "fontèrma" ou "fontêrma"?

Fonte Santa
Fonte Seca (Pt. e Gz.)
Fonteseca (Gz.)
Fontiela
Fontinha (Pt. e Gz.)
Fontoura (Pt. e Gz.)
Milfontes
Sete Fontes

Torre - em certos casos, a "torre" está pelo euskera "iturri" (fonte). e pode bem suceder que "torre" e "iturri" coincidam, já que algumas nascentes estão defendidas por torres militares, dado o carácter estratégico de que se revestem ou revestiram. é o caso de "Alcabideque" (Condeixa)


domingo, 17 de setembro de 2006

Cidades Portuguesas e Brasileiras Homónimas (* )


os topónimos que se seguem são transposições para o Brasil de topónimos portugueses, em geral de cidades ou vilas de certa importância. significam, na maioria dos casos, que os seus fundadores seriam originários da localidade portuguesa homónima.
entre parêntesis o Estado ou Estados onde ocorrem os topónimos brasileiros

Alcobaça (Bahia)
Alenquer (Pará)
Alhandra (Paraíba)
Almeida (Minas Gerais)
Almeirim (Pará)
Alvarenga (Minas Gerais) - sobre Alvarenga portuguesa ver aqui
Amarante (Piauí)
Anadia (Alagoas)
Aveiro (Pará)
Baião (Pará)
Barcarena (Pará)
Barcelos (Amazonas)
Batalha (Alagoas) (Piauí)
Belmonte (Bahia) (Santa Catarina)
Borba (Amazonas)
Bragança (Pará)

Bragança Paulista (São Paulo) - é "Paulista" para se distinguir de "Bragança" (Pará). parece dever o seu nome à Casa Real Portuguesa e não à cidade homónima de Trás-os-Montes (Pt.)

Campo Maior (Piauí)
Cantanhede (Maranhão)
Carvalhos (Minas Gerais)
Caxias (Maranhão)
Chaves (Pará)
Coimbra (Minas Gerais)
Colares (Pará)
Crato (Ceará)
Espinho (Minas Gerais)

Extremoz (Rio Grande do Norte) - a grafia actual da cidade portuguesa é Estremoz

Faro (Pará)
Fátima (Bahia) (Tocantins)
Fundão (Espírito Santo)
Gouveia (Minas Gerais)
Granja (Ceará)
Guimarães (Maranhão)

Jerumenha (Piauí) - a grafia actual do topónimo em Portugal é Juromenha

Jurumenha (Ceará) - ver Jerumenha
Lages (Santa Catarina)
Lajes (Rio Grande do Norte)
Linhares (Espírito Santo)
Mafra (Santa Catarina)
Marialva (Paraná)
Marvão (Piauí) - actual Castelo do Piauí
Melgaço (Pará)
Miranda (Mato Grosso do Sul)
Monção (Maranhão)
Nazaré (Bahia) (Tocantins)
Óbidos (Pará)
Oeiras (Piauí) - antiga vila de Mocha
Oeiras do Pará (Pará)

Olivença (Alagoas) - Olivença, cidade portuguesa do Alentejo, encontra-se, com todo o seu concelho, sob administração espanhola desde a chamada "guerra das laranjas" (1801). a actual pressão para que o Reino Unido devolva Gibraltar a Espanha poderá ter como resultado paralelo, e de igual legitimidade histórica, a devolução de Olivença, e seu município, a Portugal. a construção da nova ponte sobre o rio Guadiana, que vem substituir, finalmente, a velha ponte arruinada de Nossa Senhora da Ajuda, será o princípio dessa (desejada?) reaproximação.

Ourém (Pará)
Paranhos (Mato Grosso do Sul)
Penalva (Maranhão)
Pinhão (Paraná) (Tocantins)
Pombal (Paraíba)
Portalegre (Rio Grande do Norte)
Portel (Pará) (Paraná)
Porto (Piauí)

Porto de Moz (Pará) - a grafia actual do topónimo português é Porto de Mós

Queluz (São Paulo)
Raposa (Maranhão)
Resende (Rio de Janeiro)
Rio Tinto (Paraíba)
Sagres (São Paulo)
Santarém (Pará) (Paraíba)

Santo António de Lisboa (Piauí) - muita gente diz "Santo António do Lisboa". mais do que apontar o erro, importa indagar a sua origem - que desconheço

São Gonçalo de Amarante (Ceará) (Rio Grande do Norte) - muita gente diz "São Gonçalo do Amarante". ver "Santo António de Lisboa"

São Paulo de Olivença (Amazonas) - ver "Olivença"

Sarzedo (Minas Gerais)
Silves (Amazonas)
Soure (Pará)
Tomar do Geru (Sergipe)
Valença (Bahia) (Piauí) (Rio de Janeiro)
Viana (Espírito Santo) (Maranhão)
Vila Flor (Rio Grande do Norte)
Viseu (Pará)

além destes casos, surgem cidades com nome antecedido de "Nova", como "Nova Fátima", por exemplo. outras vezes segue-se um qualificativo, como "Tomar do Geru"

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(*) o termo "cidade" tem conotação diferente em Portugal e no Brasil. pelo seu caráter mais genérico, utilizo aqui a acepção corrente no Brasil
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sábado, 2 de setembro de 2006

Portugal e Galiza: a Razão dos Nomes

até que se escreva coisa melhor sobre o assunto, remeto os frequentadores e amigos deste blogue para o Portal Galego da Língua (agal-gz.org), ano V, época 2006/2007, e o notável artigo de Luís Magarinhos Igrejas.
porque o saber ocupa menos lugar do que as certezas.




nota: podem também dar uma espiada no blogue gémeo, posts de 17/03/2006.

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Castelos e Castros Mil



em geral estes topónimos testemunham uma presença humana muito antiga, anterior aos romanos e aos celtas. são o indício dos primeiros povoados ou castros formados por habitações resistentes ao passo dos milénios. do ponto de vista tecnológico, esses povoados pertenciam ao que se convencionou chamar a Idade do Ferro. localizados em pontos altos e cercados por uma ou mais linhas de muralha, criaram imensas dificuldades aos sucessivos invasores.


Castelimo
Castelinho

Castelo da Maia (pronúncia: "Castêlo da Maia")

Castelo Velho

Castendo
Castragosa

Castrelo - diminutivo de Castro
Castrelos (Pt.) - (procure "freguesias")

Castrilhão
Castro da Cidá (Gz.)
Castro d'Aire
Castro da Ponte
Castro de Avelãs (Pt.)

Castro de Rei (Gz.) - segundo julgo saber, a maneira de dizer do povo é "Castro do Rei", com utilização do artigo definido.

Castromao (Gz.) - ver Castro Mau
Castro Marim
Castromaior (Gz.)
Castro Mau

Castromil - parece mas não é. pertence aos topónimos germânicos terminados em "-mil". parece uma forma alternativa de Crestomil e Creixomil. a evolução fonética para "Castro" e "Crasto" pode ter sido influenciada pela vizinhança de topónimos em "Castro".

Castrovães
Castro (Pt., Gz. e Br.)
Castro Verde (Pt. e Gz.) - verde= velho
Crasto
Crastomil - ver Castromil
Crestuma - de "Castrumia": "castro do Umia ou Uima" ("Uima": o ribeiro que lá passa)
Monte Castêlo


terça-feira, 22 de agosto de 2006

Topónimos Terminados em "-eses" ou "-ezes"



os topónimos terminados em "-eses" ou "-ezes" referem-se, regra geral, à proveniência geográfica da população que lhe deu o nome. a terminação "-eses", de origem leonesa (como "portugueses", "franceses", "ingleses") indica que o topónimo - bem como a migração populacional a que se refere - é da época medieval tardia. a terminação "-ense", hoje mais usada, embora linguisticamente menos evoluída, é de origem recente e foi introduzida pelos eruditos. de tal jeito que toda a gente que se preza é alguidarense, parvalheirense e assim por diante.
"-eses" é a evolução galego-portuguesa e leonesa para a terminação latina "-ensis". assim sendo, a grafia correcta será "-eses". no entanto, até não há muito tempo, escrevia-se "portuguezes", "francezes", "inglezes", "chinezes", sem que daí viesse mal de maior à segurança pública - e sem que esta nota constitua um incentivo a que se escreva à vontade dos fregueses.
estou para saber como se auto-denominam os habitantes de "Abraveses", "Astureses", "Cambeses". e assim por diante. será "abravesenses", "asturesenses", "cambesenses"? se assim for, é um curioso pleonasmo.

exemplo de topónimos em "-eses":

Abraveses ou Abravezes (Pt.) - como a terra em si tem uma longa História, o topónimo corresponde a um re-povoamento, por gente oriunda de "Abrav..."

Astureses (Gz.) - gente oriunda das Astúrias. com o mesmo significado existe "Estorãos" (Pt.)

Cambeses (Pt. e Gz.) - gente oriunda de "Camb..." como há vários topónimos em "Cambas" (Cambas, Ribeira de Cambas, Santana de Cambas, Vilarinho de Cambas,...) e existe "Cambás" (Gz.), todos muito antigos, é difícil saber a qual deles se refere o termo "Cambeses", embora a origem mais nortenha seja a provável. com o mesmo significado existem os topónimos Cambões (Pt.) e Cambeiros (Pt. e Gz.) - palavras que, retiradas do seu contexto toponímico, significam outra coisa.

Canaveses -

Gemeses ou Gemezes (Pt.) - gente oriunda de Gemes (Pt.) ? este topónimo está ainda longe de ser pacífico.

Guilhadeses (Pt) - gente oriunda de Guilhade, na Galiza

Lanheses (Pt.) - gente oriunda de Lanhas. há Lanhas em Portugal e na Galiza. a proveniência galega é a provável. ou será gente oriunda de Lanha (Gz.)?

Marco de Canaveses (Pt.) - ver Canaveses

Meneses ou Menezes (Pt.) - gente oriunda de Mena (Astúrias, Es.)

Merideses ou Meridezes (Pt.) - gente oriunda de Mérida (Extremadura, Es.). com o mesmo significado existe "Meridãos" (Pt.).

Repeses ou Repezes
Urgeses ou Urgezes (Pt.) - ver Comentº.

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

A Ilha das Três Indústrias

é uma ilha muito, muito antiga, povoada ininterruptamente desde a Idade da Pedra. a sua toponímia revela vestígios das línguas mais antigas do planeta e os seus campos ainda mostram antas e menires, inúmeras grutas e desfiladeiros escondem antigos rituais, pinturas rupestres, desenhos misteriosos. gente de um fino humor povoa a ilha.
sempre o povo utilizou armas, tomou chás, bebeu cerveja, sidra e vinho, fumou ervas, soube usar o fogo. tudo isso na exata medida do necessário, a contenção devida, a noção do perigo associado. porque os acidentes sempre podem aparecer quando se usa uma arma, quando se usa uma droga, quando se usa o fogo.
mas eis que,de repente, a ilha foi invadida por gente sem nome nem rosto. o povo sabe que "eles" chegaram, mas não sabe quem são, como são, onde moram. apenas que estudaram os três costumes da ilha e com eles montaram três indústrias. que, aliás, ninguém sabe aonde funcionam.
ninguém os vê fabricar o que fabricam nem vender o que vendem. mas o negócio parece próspero.
começaram a surgir armas na ilha. é claro que armas sempre houve, mas não como aquelas, tão modernas e mortíferas. a gente, até aí cordata e de fino trato, começou a resolver questões recorrendo às novas armas. o número de efetivos policiais aumentou, para tentar travar a onda de crimes. a população prisional cresceu também, por via da criminalidade, e o recrutamento de guardas de cadeia aumentou em flecha. e isso foi achado bom. aumentou o emprego e fez desenvolver a economia da ilha. os agentes policiais e guardas de cadeia tinham agora geladeira, televisão e um carrinho em bom estado. as autoridades pensaram que seria melhor legalizar as armas. haveria mais crimes, mais prevenção, mais repressão, mais o que fazer com gente presidiária. haveria mais emprego e mais pessoas poderiam comprar televisão, carro em bom estado e, talvez, um telefone portátil.
a droga também começou a aparecer pela ilha. drogas sempre a ilha tinha conhecido, mas não tão modernas, de efeito tão forte ou de uso tão à descrição. isso tornou-se evidente pelo comportamento estranho de muita gente, sobretudo jovens. andavam doentes, macilentos, delirantes, sem rumo, necessitados de um cuidado qualquer. e isso foi achado bom. surgiram clínicas, com médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, profissionais de secretaria, telefonistas, professores de ginástica, terapeutas ocupacionais, diretores-gerais, chefes de divisão, pregadores e mesmo charlatães. nunca na ilha tinha havido tanto emprego nem de tanta qualidade. as pessoas agora já tinham computador, televisões plasma, carros novos e telefones portáteis de terceira geração. nunca tal ilha tinha atingido um tão faustoso bem-estar.
as autoridades pensaram que seria melhor legalizar as drogas. haveria mais consumo, mais doentes, mais gente perdida. haveria mais clínicas, mais salas de pregação, mais prevenção, mais reabilitação e, por via disso, mais emprego. e mais pessoas poderiam comprar carro novo, aparelhagem de televisão tipo cinema em casa, telefones de terceira geração e acções na Bolsa.
finalmente, chegaram os incêndios. é claro que fogos sempre tinha havido naquela ilha, por aqueles motivos vulgares, artesanais, que todo o mundo sabe. mas nunca desses fogos científicos, de elevada tecnologia e dimensão de catástrofe. cidades inteiras foram rodeados de chamas, de fumo e de vento assustador. e isso foi achado bom. surgiram aviões enormes, helicópteros, carros de combate ao fogo, escadas magirus de último modelo. nunca na ilha se vira uma coisa assim. pessoas houve que tiveram emprego como simples vigilantes de floresta, outras como bombeiros, outras ainda como pilotos, motoristas, sapadores. a ilha foi filmada de lés a lés por várias cadeias de televisão e as fotografias por satélite mostravam as cidades e aldeias rodeadas de manchas escuras de desolação. alguns compravam agora terrenos devastados por um quarto do preço para depois vender por dez vezes mais. e assim compravam vivendas de luxo e um iate para movimentar os portos. e tudo isso foi achado bom.
as autoridades pensaram legalizar os fogos. haveria mais incêndios, mais movimento de aviões e de helicópteros, mais carros de combate aos incêndios, mais prejuízos, mais seguros, mais vigilantes da floresta, mais polícias e guardas no terreno. e as pessoas poderiam sonhar com vir a ter uma vivenda, um mercedes, um barco num dos portos.
talvez legalizando tudo isso se pudesse saber quem faz o quê. e se pudesse cobrar uma receita fiscal nunca imaginada. e com essa riqueza se pudesse levantar uma Civilização nova e faustosa, que ofuscasse todas as obras e monumentos do passado. seria mais tarde - pensavam - conhecida como a Gloriosa Civilização da Ilha das Três Indústrias.
e quando a ilha estava atingindo o topo de sua fulgurante economia, eis que um não previsto fenómeno ocorreu. os seus habitantes desapareceram, passados pelas armas, sumidos pelas drogas, queimados pelas chamas. e o fogo rasou a terra e tudo o que nela havia: não ficou de pé nem geladeira nem carro em bom estado, nem telefone de terceira geração, nem iate no porto. todos os empregos ficaram vagos. o dinheiro já não teve mais ninguém que o usasse. ninguém chegava na ilha por porto ou aeroporto, pois já não valia a pena chegar em nenhum sítio.

quinta-feira, 10 de agosto de 2006

Fornos



a maior parte dos topónimos "Fornos" e derivados refere-se à produção de cal. em alguns deles há uma continuidade evolutiva histórica e tecnológica que manteve a atividade extratora e transformadora até aos dias de hoje.



Alfornelos
Fornaria
Fornelos (Pt. e Gz.)
Fornelos de Montes (Gz.)
Forninhos
Fornos
Fornos de Algodres
Fornos de Maceira d'Ão

alguns "fornos" tenhem outra origem. ver Comentº de Capeloso e resposta

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Águas, Banhos, Caldas e Termas


desde a mais remota antiguidade que os seres humanos estabelecem uma relação particular com estas emanações da terra. a estas águas, com caraterísticas físicas e químicas fora do padrão comum, foi atribuída uma proveniência divina, com propriedades terapêuticas que reportam ao reino do sagrado. o qualificativo de "santa" ou o padroado de uma divindade pagã, de um anjo, de um santo ou de uma santa são muito frequentes no mundo termal. um reino ambíguo e ambivalente, em que o que hoje cura pode matar amanhã. neste processo tem a palavra o psiquismo mais profundo, que pode determinar o apogeu e a queda de uma estância termal. as mesmas termas podem hoje curar doenças difíceis de tratar, como podem amanhã constituir um perigo para a saúde. o exemplo de Águas Radium, em Caria, é apenas um entre muitos. ali, a descoberta dos malefícios da radioatividade instilou o medo que fez passar para plano inferior os benefícios terapêuticos da mesma radioatividade. noutros casos, a perda da crença, ou o desaparecimento dos crentes, fez perder a virtude curativa. noutros casos ainda, dá-se um súbito renascer do potencial de cura de uma certa fonte.
de início, todas as caldas, termas e fontes eram gratuitas e ao ar livre. mas os Impérios e os Estados sempre procuraram controlar esses lugares de culto e de cura, acrescentando-lhes uma envolvência de lazer e de prazer do espírito e do corpo (*). os Gregos, os Romanos, os Árabes, os Reis e as Repúblicas construiram edifícios e parques em redor dos quais nasceram cidades importantes ou se arrumaram povoações que, de outro modo , não teriam surgido. a toponímia ainda nos revela, aqui e além, a intervenção dos poderosos no reino das águas: Caldas da Rainha, Caldas de Reis, Caldas do Bispo, Chaves, Termas da Imperatriz...

"Termas" (do grego) e "Caldas" (do latim) são sinónimos. significam "(águas) quentes".
hoje em dia as termas tornaram-se um destino interessante para gente urbana a contas com o stress e maleitas associadas.


uma tentativa de listagem das termas galegas, portuguesas e brasileiras deverá incluir:

Águas de Chapecó (Br.) - Chapecó pronuncia-se à maneira galego-minhota: "tchapecó". parece significar "carreiro", "trilha", "sendeiro", caminho no mato

Águas de Lindóia (Br.)
Águas do Alardo
Águas Mornas (Br.)

Águas Radium (Pt.)- abandonadas pela sua excessiva radioatividade. nota: onde no link se diz "Curia", deve querer dizer-se "Caria" - freguesia a que pertence a aldeia de "Quarta-Feira" em que se situam as termas

Alcafache (Pt.)
Arnoia (Gz.)
Arteixo (Gz.)
A Sulfúrea (Pt.)
A Toxa (Gz.)
Banho (Pt.)

Baños (ou Banhos - g.i.) de Bande (Gz.) - estão desativadas estas termas, que foram importantes na época romana sob o nome de "Aquis Querquennis", isto é, "as termas dos Kwerkenoi", nome de uma tribo galaica. estavam no trajeto da estrada romana de Braga a Astorga. a divindade tutelar local, Bandua, perpetua-se no topónimo atual.

Baños (ou Banhos - g.i.) de Molgas (Gz.)
Brión (Gz.)
Burga do Muiño (Gz.) - grátis, ao ar livre
Burgas (Gz.)
Caldas da Cavaca
Caldas da Rainha (Pt.)
Caldas da Saúde (Pt.)
Caldas das Taipas

Caldas de Aregos (Pt.) - povoado pré-romano, com o nome da tribo que o habitava ("Arecos")

Caldas de Barbalho (Br.)
Caldas de Moledo
Caldas de Reis (Gz.)
Caldas de S. Jorge (Pt.)

Caldas de Vizela (Pt.) - (ver no enlace a homepage de Sara Abreu). sobre "Vizela" ver post "Hidrónimos ou Nomes de Rios"

Caldas do Bamburral (Br.)
Caldas do Bispo (Gz.) - ver "Chavasqueira"
Caldas Novas (Br.)
Caldelas - é diminutivo de "Caldas"
Caldelas de Tui (Gz.)

Cambuquira (Br.) - de "caá" (planta, folha) + "ambyquyra" (grelo, rebento). é palavra tupi-guarani que significa "grelo, rebento ou broto de planta rasteira, nesse caso "abóbora". lugar (úmido) onde há abóboras. tamém pode significar "(lugar onde há) mato rasteiro"

Carballo (ou Carbalho - g. i.) (Gz.)
Carvalhal
Carvalhelhos (Pt.) - ou "Caldas Santas de Carvalhelhos"
Castelo de Vide

Caxambu (Br.) - ver Comentº. "Cachambú" não é tupi-guarani, mas sim de uma língua africana (?)

Chavasqueira (Gz.)- tamém chamadas "Caldas do Bispo"

Chaves (Pt.) - cidade fundada em 78, deve o seu nome às "águas" e ao imperador romano da gens "Flavia", Tito Vespasiano, que a fundou. seu nome latino: "Aquis Flavis". como Aquis Querquernis (Banhos de Bande), estavam situadas no trajeto da estrada romana de Braga a Astorga.

Curia (Pt.) - as antigas Acquae Curiva
Entre-os-Rios -
Fadagosa (Pt.) -
Felgueira (Pt.) -
Fervença(Pt.) -
Guitiriz (Gz.)  -
Laias (Gz.)  -

Lambari (Br.) - do tupi-guarani "arambaré": "o longe brumoso", "a distância enevoada". em tupi-guarani não existem os sons "l" nem "lh"

Lobios (Gz.)

Longroiva (Pt.) - "Longroiva" parece derivar de "Lango Briga", palavra híbrida com "lango" pré-céltico e "briga" ("monte fortificado", "monte forte" ou "monforte") de origem celta

Lugo (Gz.) - os primeiros edifícios públicos datam do Império Romano - séc. I

Luso (Pt.) - "Luso" parece uma palavra pré-céltica, que significa "lugar alto"

Manteigas  -
Melgaço  -
Monção  -
Monchique  -
Mondariz (Gz.)  -
Monte Real (Pt.) -
Niza (Fadagosa)  -

Ourense (Gz.) - ver "Burgas". merecem ser vistas as fontes do Fervedoiro, ao ar livre (Burga de Abaixo)

Outariz (Gz.) - em recuperação. ao ar livre
Pedras Salgadas
Piratuba (Br.)- de "pira" (peixe) + "tyba" (muito): "lugar onde há muito peixe"
Poços de Caldas (Br.)
Quilombo (Br.)
Rio do Pouso (Br.)
Sangemil (Pt.) - ver post "Topónimos Terminados em "-mil"

S. Gemil - designação equívoca, já que não existe nenhum santo chamado "Gemil". ver "Sangemil"

S. João do Sul (Br.)
S. Pedro do Sul
Termas da Imperatriz (Br.)
Termas da Ladeira de Envendos (Pt.)
Termas da Piedade - ver "Fervença"

Termas de Araxá (Br.) - à letra, "araxá" significa "a vista do mundo", equivalente a "bela vista"

Termas de Cró (Pt.) - abandonadas. é possível que "Cró" tenha origem celta, como "Cro-Magnon" (Fr.), e signifique "mina", "gruta". dizer ou escrever "Termas do Cró" é totalmete arbitrário

Termas de Monfortinho (Pt.) - tem a "Fonte Santa"

Termas do Gravatal (Br.)
Tinteiro (Gz.)
Touca - águas sulfúreas

Treze Tílias (Br.) - no Estado de Santa Catarina, em ambiente do Tirol austríaco

Verin (ou Verim - g.i.) (Gz.)
Vidago
Vimeiro

...................................................................
(*) uma nota a quem procure Termas no Brasil: além das estâncias termais de que estamos falando, pode encontrar outra coisa (sauna, relax, diversão erótica, massagem, enfim, todo um mundo de oportunidades para vários gostos e feitios).

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Topónimos Terminados em "-ões"



estes topónimos têm diversas origens: uns referem-se a fenómenos migratórios, em geral sob a hégide de monarcas em urgência de repovoar o reino (ver post "Topónimos Relacionados com Migrações); outros são genitivos de antropónimos, indicando a quem pertencia a respectiva propriedade; outros, ainda, são (?) plurais de substantivos em "-ão". como na Galiza não se dá a nasalação em ões, estes topónimos só ocorrem em Portugal.

Adões - parece o genitivo de "Ado", antropónimo germânico
Alfolões -
Arengões - gente oriunda de Arenga

Arões - se é o genitivo de "Aaron" (Aarão), indica que o senhor destes lugares seria judeu. mas será? a pronúncia, tanto quanto sei, é com a fechado e não "Àrões". e, se não é o genitivo de um antropónimo, indica gente proveniente e uma terra ou região cujo nome contém a palavra "Aro" (de origem pré-céltica).

Avões
Azões - (?)
Cabanões - gente oriunda de Cabanas (qual?)
Castelões - gente oriunda de Castela
Cavalões
Ceidões - gente vinda de Ceide
Coimbrões - gente oriunda da região de Coimbra
Donões -
Esporões
Fajões
Famões
Farilhões

Feirões - será gente oriunda da Feira? de qual, se este topónimo existe tanto no Norte de Portugal como na Galiza?

Fermentões
Ferrões - será gente oriunda de Ferro?
Gasparões - (?)

Gatões - pode ser gente oriunda de "Gato", topónimo muito frequente na Galiza e em Portugal. (também existe no Brasil por transposição). pode ser equivalente ao topónimo "Gatios". a relação com o animal doméstico "gato" não me parece admissível, pois gatos há-os em toda a parte e arredores.

Lafões
Leitões - (?)
Limões - gente oriunda do vale do rio Lima
Marcões - gente oriunda de Marco (vários)
Melcões
Midões - genitivo de "Mido"
Mões - (?)
Mourilhões - gente oriunda de "Mourilhe"?
Mourões - gente oriunda de "Moura", ou de "Moure"?

Negrões - etimologia pouco clara. de "Nigrán" (Gz.) ? ver "Negrelos", no post "Topónimos terminados em -elos"

Nevões - topónimo de evolução irregular, já que seu nome anterior era "Nevoanes". se a realidade desse ouvidos aos eruditos, a terra chamar-se-ia "Nevoães". influência de um topónimo próximo em "-ões", ou má transcrição fonética?

Novões - será "gente oriunda de Nóvoa (Gz.)" ?
Pendões

Rebordões - possivelmente será equivalente aos topónimos "Rebordãos", "Rebordainhos" e "Rebordeiros", indicando gente oriunda de ... (...será "Rebordo"?)

Segões
Seidões - gente de Seide?
Tedões - genitivo de um antropónimo, "Tedo", possivelmente germânico
Telões - genitivo de "Telo"
Tenões
Terrões
Toulões
Vascões - gente do País Basco

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Minas, Minerais e Mineração



desde muito longe no tempo, o homem procurou as jazidas de metais. navios e caravanas percorreram milhares de quilómetros em demanda do ferro, do cobre, do estanho, do ouro, da prata e do carvão que alimentaram as civilizações da borda mediterrânica: Creta, Egipto, Grécia, Roma e Islão. o ocidente, em especial o eixo atlântico Galiza-Portugal, foi sempre um especial destino dessa busca. mas não fomos apenas meros extratores da matéria-prima, por conta de clientes estrangeiros. o Norte de Portugal e a Galiza albergaram também os lugares da sua transformação: ourives, prateiros, ferreiros, artesãos do cobre e do estanho construiram escola e tradição própria, de que são testemunho ainda vivo alguns lugares do Noroeste. em Portugal, Febres, Gondomar e a tradição da filigrana e das arrecadas minhotas dão boa conta de si.
um lugar à parte fica reservado para Santiago de Compostela, lugar de transformação da matéria e do espírito.
a presença de metais, de minas, de restos de mineração, de escória, enfim, de vestígios dessa extração, transformação e comércio, deixou marcas na Toponímia, assim como na Onomástica (sobrenomes "Ferreiro" - Gz. -, "Mineiro", "Prata", "Pratas", ...).
uma vez aberto ao estabelecimento de colónias europeias, o Brasil logo se revelou como um novo e prodigioso destino na busca de minérios, metais e pedras preciosas. a toponímia brasileira de origem portuguesa tem larga participação de palavras que se referem à mineração, desde pequenos lugares até cidades e ao nome de grandes Estados.


Abrantes (?)- ver Comentº
Alfarela (?) - vocábulo relacionado com "barro" ou terreno com sedimentos

Alfarela de Jales - as minas de Jales forneceram muito ouro às civilizações do Mediterrâneo

Alfarelha - ver "Alfarela"
Algar - do árabe: barroca, caverna, cova, escavação(*)
Algares - plural híbrido de al-gar(*)
Algueirão - de árabe (plural de al-gar): covas, galerias, escavações(*)
Almada - do árabe al-ma'adanâ: mina, minério
Almada de Ouro - ver "Almada"
Almadanim - variante dialectal de "Almada"
Almadeina - variante dialectal de "Almada"
Almádena - variante dialectal de "Almada"
Alumínio (Br.) - ver Comentº
Argirita (Br.) - ver Comentº
Barroca Grande
Berilo (Br.)
Caverna (Pt. e Br.) - algumas minas de estanho tenhem este nome
Cavernas (Pt. e Br.) - ver "Caverna"
Conceição dos Ouros (Br.) - ver Comentº
Cova dos Mouros
Covilhã (?)
Crisólita (Br.) - ver Comentº
Escorais
Escoura - o mesmo que "escória"
Escoural - de "escória". em castelhano: "Escorial"
Escourão
Escouras - o mesmo que "escórias"
Escoureda (Pt. e Gz.)
Escouredo (Pt. e Gz.)

Ferradal (Pt. e Gz.) - local onde há minério de ferro. o mesmo que "Ferral"

Ferral (Pt. e Gz.) - ver "Ferradal"
Ferraria (Pt., Gz. e Br.) - local de extracção e mineração do ferro
Ferrarias
Ferreira (Pt., Gz. e Br.) - mina de ferro
Ferreiras
Ferrel
Ferreria (Gz.) - o mesmo que "Ferraria"

Ferro (Pt., Gz. e Br.) - pelo menos em alguns dos casos, refere-se ao minério
Ferros (Br.) - ver Comentº

Garimpeiro (Br.) - é nome de ribeiro aurífero no Estado de Minas Gerais

Garimpo (Br.) - é nome de ribeiros auríferos nos Estados de Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais

Lavras (Br.) - no sentido de lugares onde se extraía o ouro

Mina
Minador do Negrão (Br.)
Minas
Minas Gerais (Br.)
Minas Novas (Br.)

Oeiras (Pt.) - numa região de uma ancestral actividade extractora, o topónimo parece dever-se à presença do ouro no rio Tejo, noutras épocas

Oura
Ourense (Gz.)
Ourentã
Ourentela (Pt.) - diminutivo de Ourentã ("Ourentanela")
Ourinhos (Br.)
Ourique (?)
Ouro Branco (Br.)
Ouro Fino (Br.) - ver Comentº
Ourolândia (Br.)
Ouro Preto (Br.)
Ouro Verde de Minas (Br.) - ver Comentº
Penacova (?)

Praça de Obradoiro (Gz. - Santiago) : as interpretações a que o nome desta praça se tem prestado, desde "estaleiro das obras" (da Catedral Medieval) até "lugar onde se realiza ou completa a Obra Alquímica" ou Obra d'Oiro...

Prata (Br.) - ver Comentº
Pratinha (Br.) - ver Comentº
Pratópolis (Br.) - ver Comentº
Rua da Prata
Rua do Ouro
Rua dos Azevicheiros (Gz. - Santiago)
Rua dos Ourives
Rua dos Prateiros (Gz. - Santiago)
S. Pedro da Cova
Tresminas




.........................................................
(*) não é topónimo exclusivo de lugar de mineração






segunda-feira, 31 de julho de 2006

Topónimos Terminados em "-elos"


Os topónimos com esta terminação são, regra geral, diminutivos de outros topónimos, indicando tratar-se de uma povoação derivada da primeira ou mais pequena que ela. noutros casos indica tratar-se de gente oriunda de um país ou de uma região. algumas excepções não desvirtuam a regra




exemplos:

Alfarelos - não é diminutivo. "lugar onde há fabricantes de loiça de barro". ver post

Alfornelos - ver Comentº. é um topónimo híbrido, do artigo árabe al e fornelos (forninhos). é o diminutivo de Fornos

Alvelos

Amarelos - não creio que se refira a uma côr, ao contrário dos mestres. ver post

Barcelos - ver post. existe o duplo diminutivo "Barcelinhos". mas "Barcelos" deve ser "gente oriunda de O Barco" (Gz.), e não diminutivo de "barcos"

Cacabelos (Gz.) - ver "Carcavelos"

Campelos (Pt. e Gz.) - diminutivo de "Campos"

Carcavelos - o verdadeiro nome seria "Cacabelos", como na Galiza e em León. a origem deste topónimo é muito antiga, provavelmente pré-céltica (isto é, nativa). significado incerto: "terreno pedregoso"?

Cativelos - topónimo obscuro
Cepelos (Pt. e Gz.) - diminutivo de "Cepos"
Currelos (Pt. e Gz.) - diminutivo de "Curros" ( ? )
Fermentelos - diminutivo de "Fermentões"
Fornelos - diminutivo de "Fornos"
Fradelos (Pt. e Gz.) - refere-se à presença de frades ("fradinhos")
Francelos - diminutivo de "Francos", "gente oriunda de França"

Gondifelos - parece provir de um genitivo de um antropónimo germânico em "Gond-". existe o diminutivo "Gondifelinhos"

Mancelos - parece um genitivo do antropónimo "Mâncio" (Mantius), que também deu o topónimo "Manços". ou será o diminuitivo desse "Manços"

Massarelos - o topónimo galego homónimo é "Mazarelos", pelo que a grafia correcta deveria ser "Maçarelos": como se sabe, o z em Espanha tem o valor de ç (ts) em Portugal. topónimo de etimologia desconhecida

Mazarelos (Gz.) - a grafia reintegracionista será "Maçarelos". ver "Massarelos"

Molelos- existe também o duplo diminutivo "Molelinhos"

Mozelos - pronúncia "Mòzèlos"

Negrelos (Pt. e Gz.) - etimologia desconhecida. terá algo que ver com "Nigrán" (Gz.)?

Sargadelos
Sedielos - diminutivo de ...?

Vasconcelos - diminutivo de Vasconços (bascos). terra povoada por gente vinda do País Basco.


terça-feira, 4 de julho de 2006

Topónimos Terminados em "-ar" (*)



também esses loiros cavaleiros deixaram rasto na Toponímia por terem possuído terras e suas gentes. com a exceção de "Tomar", que é um caso à parte, todos esses topónimos se situam, mais uma vez, a norte do rio Mondego:

Abermar - ver "Avermar"
Aldoar - genitivo de um antropónimo germânico
Ansemar (Gz.) -
Armamar - genitivo de um antropónimo germânico

Avermar - não pertence aos genitivos de antropónimos, germânicos ou outros. por se encontrar ao pé do mar, junto à Póvoa de Varzim, este topónimo tem sido objecto das grafias mais imaginativas, como a célebre "A-ver-o-mar", que antecedeu a actual "Aver-O-Mar". a pronúncia da gente local é "Abremar" ou "Abermar". já foi "Abonemar" e "Avenomar". trata-se de um verdadeiro quebra-cabeças. supõe-se uma origem pré-latina (celta?).
como nada se sabe, a melhor grafia é a que reproduz a pronúncia

A-ver-o-mar - ver "Abermar"
Aver-o-mar - ver "Abermar"
Balasar (Pt. e Gz.) - genitivo de Belisari(u), antropónimo germânico

Baltar (Pt. e Gz.) - genitivo de Baltari(u), antropónimo germânico - que tamém deu "Balteiro"

Belsar (Gz.) - variante dialectal de Balasar?
Bolfiar - genitivo de um antropónimo germânico
Gonçar (Gz.) - graf. altern: Gonzar
Gondar (Pt. e Gz.) - ver post

Gondomar (Pt. e Gz.) - ver post


Gualtar - genitivo de Gualter/Walter, antropónimo germânico
Loimar (Gz.) - ver "Lomar"

Gulfar (Gz.) -

Lomar - pronúncia: "Lòmar". genitivo de Leodemar(u), antropónimo germânico. tem as formas próximas "Loimar" (Gz.) e "Loumar" (Pt.)

Loumar (Pt.) - ver "Lomar"
Portomar - topónimo enigmático, como "Abermar"/"Avermar"
Santar (Pt. e Gz.) - genitivo de Santari(u), antropónimo germânico

Tomar - caso único na toponímia galego-portuguesa. como foi sede dos Templários, há quem veja neste topónimo desígnios insondáveis e significações esotéricas. diz-se que Tomar seria o rio hoje chamado Nabão. mas o problema é que ambos os hidrónimos radicariam em línguas celtas, sendo então Tomar parente de Tambre (Gz.) e Nabão parente de Navia (Gz.) e Neiva (Pt.), o que torna tudo muito confuso e pouco económico. como "mar-" é "cavalo" em muitas línguas germânicas, e "thiuda"/"toda" é "povo", será Tomar a cidade do "Povo Cavaleiro" ou, simplesmente, "dos Cavaleiros"? nesse caso, seria um neologismo inventado na hora da sua fundação, no séc. XII

Vacalar - já teve a grafia "Bacalar".
Xermar (Gz.) -


.....................................................................................................................
(*) - há topónimos terminados em "-ar" que não fazem parte deste grupo. é o caso de:

Açumar - ver "Assumar"
Aguiar
Alfafar - ver post
Assumar - a sul do rio Mondego. do árabe "aç-çumar": "junco"
Avelar
Miramar
Montelavar - a sul do rio Mondego. mesma origem linguística de "Lavre"



sexta-feira, 30 de junho de 2006

Topónimos Terminados em "-im"/ "-ín"





estes topónimos indicam também que o local foi pertença de um senhor, cujo nome aparece no genitivo. a terminação "-im"/ "ín" indica um genitivo em "-ini", como é vulgar nos patronímicos italianos. linguisticamente falando, a maior parte destes topónimos não é de origem germânica.





alguns exemplos:

Abedim (Pt.) -
Aboim (Pt. e Gz.) - genitivo de "Abolin(u)". na Galiza aparece grafado "Abuín". origem linguística?

Abuín (Gz.) - ver "Aboim"
Aguim - de "villa aquilini": a quinta de Aquilino
Albín (Gz.) - ver "Alvim"
Alvim - genitivo de Albin(u). na Galiza é "Albín"
Amorim (Pt. e Gz.) -
Arentim - genitivo de "Arenti(u)", antropónimo de origem romana (?)

Badim (Pt.) - ver Padim
Baguim (Pt.)
Baguim do Monte (Pt.)

Bensafrim - não pertence ao grupo dos restantes. "Ben", em árabe, significa "filho de", aplicável a tribos. neste caso falta saber o que significa "safrim" e de que tribo ou povo se trata

Bermoim (Pt. e Gz.) - ver "Vermoim"

Bermuín ou Bermoim (grafia integracionista - gi) (Gz.) - ver "Bermoim" e "Vermoim"

Castro Marim (Pt.) -

Cedrim - pronúncia: "Cèdrim". genitivo de "Ceterin(u)". não parece de origem germânica

Constantim (Pt. e Gz.) - genitivo de "Constantinu" (Constantino), antropónimo de origem grega, que aqui chegou pelo latim. é um antropónimo cristão. graf. altern. (Gz.): Constantin

Donim
Fregim

Godim - genitivo de "Gut...", antropónimo germânico. pronúncia "Gudim"

Gondelim - genitivo de "Gondelin(u)", antropónimo germânico

Gondim - genitivo de "Gund(u)", antropónimo germânico. a pronúncia dominante é "Gundim"

Gontim - ver "Gondim"
Gudín (Gz.) - ver "Godim"

Gundín (Gz.) - ver "Gondim"

Lalim (Pt. e Gz.) - pronúncia: "Làlim". genitivo de "Llall". origem celta
Lalín ou Lalim (gi) (Gz.) - ver "Lalim"
Landim (Pt. e Gz.) - de "Nandin(u)". provável origem germânica
Landín ou Landim (gi) (Gz.) - ver "Landim"

Merelim
Mondim (Pt. e Gz.) - pode ser de origem celta e tamém germânica. de "Munds" (germ.)?, de "Mund-" (celta)? terá relação etimológica com "Mondego"?

Mondín ou Mondim (gi) (Gz.) - ver "Mondim"

Nandim

Padim (Pt. e Gz.) - genitivo de "Palatin(u)"? se assim for, deveria pronunciar-se "Pàdim" (de Palatini, Paadim), o que não oiço nem escuto

Sendim (Pt. e Gz.) - genitivo de "Sendin(u)", antropónimo germânico

Senhorim (Pt. e Gz.) - genitivo de "Senior", nome próprio. ver "Senhoriz", no post

Señorín ou Senhorim (gi) - ver "Senhorim"
Tadim - genitivo de "Tadin(u)". origem linguística?

Trevim - pronúncia: "Trèvim". não é genitivo de antropónimo. ver post

Valezim (Pt.)

Varzim - genitivo de "Veraci(u)": "Veracini" ou "Euracini", com "u" no valor de "v". não parece antropónimo germânico. a "Póvoa de Varzim" é, pois, um duplo genitivo: "Póvoa de".. "de Veracio". é um disparate dizer ou escrever "Póvoa do Varzim".

Verim (Pt. e Gz.) - pronúncia: "Vèrim". genitivo de "Verin(u)", antropónimo latino

Verín ou Verim (gi) (Gz.) - ver "Verim"

Vermoim - genitivo de "Ver-Mud(u)" ou "Bermud(u)". será um nome Vikking?

Vilar Torpim - "Torpim" é genitivo de um antropónimo (Turpino ?)

domingo, 25 de junho de 2006

Topónimos terminados em "-mil"



não seriam muitos, mas não há dúvida que vieram para possuir a terra. ao contrário dos romanos, que administravam territórios com a cobertura do poderio militar (sendo proporcionalmente poucas as villae, quintas ou fazendas de romanos de raiz), os novos senhores germânicos instalaram-se aqui para fazer da nossa terra a terra deles tamém. como senhores, é bom de ver. a toponímia galego-portuguesa não me deixa mentir: os "...ar", "...ães", "...ufe", "...ulfe", "...inde", "...ende", "...iz", e agora os "-mil", não serão milhares mas são realmente muitos. traduzem uma vivência rural, uma opção pelo campo em desfavor das cidades - onde os romanos vencidos tinham preferido viver até então. colapsam as "Bragas" e "Idanhas", desaparecem cidades, perde-se o fio à meada no Itinerário de Antonino. a vida retorna à terra-mãe, ao seio da natureza. as relações de poder de tipo administrativo passam agora para relações de poder de carácter ético e moral.
da língua deles, incompreensível a nativos e romanos (que lhes chamavam bárbaros, por causa do blá-blá inentendível que soltavam das goelas), restam estes topónimos no genitivo latino: "(propriedade) de f..."
aprenderam o latim, mas como os romanos já não mandavam para os corrigir, o latim deles, mais o dos nativos, deu em galego-português. e não está nada mal, ficou até legal. bem melhor que o inglês, que o diabo o fez (*).

alguns exemplos:

Argomil -
Bermil (Gz.) - de "Belmir", actual "Belmiro"
Candamil (Gz.)
Candemil (Pt.)
Castromil
Contomil (Gz.) - ver Contumil
Contumil - tem muitas variantes dialectais, em Portugal e na Galiza.
Contumilo - ver Contumil
Cregimil (Gz.) - ver Creixomil
Creixomil - possível origem germânica (?). de Cristemir(u)? de Crexemir(u)?
Enchemil
Fermil
Germil (Pt. e Gz.) - genitivi de "Gelmir"
Gondomil (Pt. e Gz.) - ver Contumil
Gontomil (Pt.) - ver Contumil
Guadramil (Pt.) - genitivo de um antropónimo germânico
Guntimil (Gz.) - ver Contumil
Guntumil (Gz.) - ver Contumil
Lantemil
Lentemil (Gz.) - ver Lantemil
Lentomil (Gz.) - ver Lantemil
Leomil - genitivo de "Leomir"
Leomir - ver Leomil
Quindimil (Gz.)
Saamil (Gz.) - ver Samil

Samil (Pt. e Gz.) - ver Comentº. (pronunc. "Sàmil"). genitivo de antropónimo germânico: "Salamiro", de "sala"+"mereis"

Sandomil (Pt. e Gz.)

Sangemil - genitivo de antropónimo germânico. aparece também sob as formas "Sanjomil" (Pt.) e "Sanjumil" (Gz.). não vai há muito muito tempo que vi o nome das termas de Lageosa do Dão grafado "S. Gemil"

Vermil (Pt.) - ver Bermil





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(*) tendo em conta que essa erva-daninha se tornou obrigatória nas culturas em Portugal desde a escolaridade básica, e que já ninguém é capaz de escrever coisa que se veja senão nessa espécie de língua, calcula-se que as próximas Comunicações de Ano Novo dos senhores Presidente da República e Primeiro Ministro sejam proferidas em Inglês, para poupar dinheiro ao Défice e evitar calinadas, pontapés na gramática e os inefáveis "controlos" e "impactes".