quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Pinheiros e Pinhais



já falei de "Pinheiro" no post Tem Nome de Árvore Mas Não É Árvore.
aí, "Pinheiro" significava "no cimo", "no alto", "no pino" ou, sob a forma de adjectivo, "cimeiro". aqui aparece como fitónimo, sob a forma de substantivo comum singular ou plural , indicando a árvore desse nome, ou do substantivo colectivo "pinhal" ou "pinheiral". ao contrário dos "pinheiros" e "pinhões" anteriores, aqui é fácil descobrir a razão do nome.
neste sentido fitonímico, os topónimos "pinheiro", "pinhal", "pinheiral" são muito mais frequentes em Portugal e no Brasil do que na Galiza.


Araucária (Br.) - árvore, araucaria brasiliensis, agora araucaria augustifolia, da família "Pinheiro", muito frequente no Brasil. também chamada "pinheiro do Paraná"

Curitiba (Br.) - em língua tupi-guarani significa "muitos pinheiros", "pinhal", "pinheiral". ver post

Espírito Santo do Pinhal (Br.)
O Piñeiral (Gz.)
Pinhal
Pinhalão (Br.)
Pinhal da Serra (Br.)
Pinhal de Baixo
Pinhal de Cima
Pinhal de Coina
Pinhal de Frades
Pinhal de Leiria

Pinhal de Marrocos - nesta zona da cidade de Coimbra se instalou o Pólo II da Universidade

Pinhal de São Bento (Br.)
Pinhal do Concelho
Pinhal do Inglês
Pinhal do Monte
Pinhal do Rei
Pinhal Grande (Br.)
Pinhal Novo
Pinhal Redondo
Pinhalzinho (Br.)
Pinheiro do Marco
Pinheiro Manso
Pinheiral (Br.)
Pinheiros Altos
Ribeirão do Pinhal (Br.)
Santo Antônio do Pinhal (Br.)
São José dos Pinhais (Br.)
Três Pinheiros (Pt. e Br.)



segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Fajã, Fajão, Fajões



"fajã" é uma pequena chã ou terreno plano muito adaptável à agricultura, que se formou por quebradas ou por deposição de detritos junto à foz de ribeiras. é muito frequente nos Açores (Aç.), Madeira (Md.) e Cabo Verde (CV), onde o vulcanismo favoreceu a formação de montes abruptos de onde penderam ou desceram as terras que deram origem a estas leiras.
a origem da palavra "fajã" é desconhecida. existem em Portugal Continental (Ct.) os topónimos "Fajão" , "Fajões" e "Fajó", cuja relação com "Fajã" não é certa.
as "Fajãs" insulares estão quase todas voltadas para o mar, embora algumas, poucas, possam estar orientadas para o interior da ilha. neste caso, as "Fajãs" confundem-se com as "Achadas", de que já falei noutro post.
há quem queira que "fajã" provenha de "faixa chã", coisa que não me convence.

Fajã d'Água (CV)
Fajã da Areia (Aç.)
Fajã da Caldeira (Aç.)
Fajã da Nogueira (Md.)
Fajã da Ovelha (Md.)
Fajã da Praia (Aç.)
Fajã das Almas (Aç.)
Fajã de Além (Aç.)
Fajã de Baixo (Aç.)
Fajã de Cima (Aç.)
Fajã de Domingas Bentas (CV)
Fajã de João Dias (Aç.)
Fajã de Lopo Vaz (Aç.)
Fajã de Santo Cristo (Aç.)
Fajã de S. João (Aç.)
Fajã de Vasco Martins (Aç.)
Fajã do Calhau (Aç.)
Fajã do Ginjal (Aç.)
Fajã do Mar (Md.)
Fajã do Ouvidor (Aç.)
Fajã do Penedo (Md.)
Fajã do Sanguinhal (Aç.)
Fajã dos Cubres (Aç.)
Fajã dos Padres (Md.)
Fajã dos Tijolos (Aç.)
Fajã dos Vimes (Aç.)
Fajã Grande (Aç.)
Fajã Isabel Pereira (Aç.)
Fajanzinha ou Fajãzinha (Aç.)
Fajão (Ct.) - situada "numa espécie de concha rodeada de montanhas"
Fajã Pequena (Aç.)
Fajã Rasa (Aç.)
Fajã Redonda (Aç.)
Fajó (Pt. e Gz.) - parece o diminutivo de "Fajã".
Fajões (Ct.)
Ponta da Fajã da Madeira (Aç.)
Praia da Fajã (Aç.)


sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

A Santa Natureza

aqui é a Natureza, pura e simples, ou algum aspecto particular da Natureza, que merece o qualificativo de "santa" ou "santo": pode ser um monte, um vale, uma fonte, enfim, algo que merece respeito, reserva e, eventualmente, culto. não no sentido que hoje é comum de uma religião extra-natural, mas de uma visão da Natureza impregnada do sagrado. numa só palavra, uma visão Pagã, panteísta, do Universo. esta veneração ou divinização da natureza manifesta-se também sob a forma de "senhora" ou "senhor", como a "Senhora da Peneda", a "Senhora da Lapa", o "Senhor da Serra", etc. já me referi a esses topónimos noutro local.

exemplos:

Água Santa
Águas Santas

Augas Santas - forma oral de "Águas Santas", própria do norte de Portugal e da Galiza

Cabeça Santa - já me referi, noutro post, às cabeças santas, que, em alguns casos, evoluiram para "santas da cabeça" (ver "Santa Eulália", "Santa Quitéria", ...)

Cabeço Santo - o mesmo que "Cabeça Santa"
Fonte Santa
Moita Santa
Monsanto
Vale Santo




quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Chousas e Devesas - uma vez mais a ruralidade



é impressionante o peso da ruralidade na topononímia galego-portuguesa, e europeia em geral, traduzindo a longa supervivência da civilização saída do modelo de sociedade dito "neolítico". "chousas" e "devesas", simples, compostas e derivados, abundam no espaço galego e norte-português, indicando terrenos cercados, mas sem indicação de pertença individual ou familiar.
"chousa" é a evolução galego-portuguesa do latim clausa, isto é, "fechada", "encerrada", "cercada".
"por sua vez,"devesa" é uma idêntica evolução do latim defensa, quer dizer, "proibida", "interdita", "demarcada", "cercada", um souto ou uma carvalheira, um terreno fechado com árvores ou com pasto para o gado. ao fim e ao cabo, parece tratar-se de sinónimos, com a ressalva de que sinónimos só existem dentro de cabeças preguiçosas.
"devesa" encontra-se em França sob as formas "Devèze" e "Ladevèze".
em nenhum dos casos se refere ou indica "quem" proíbe, quem cerca, quem demarca - como se se trate de uma propriedade mais colectiva que individual ou familiar. há, claro, algumas excepções, como a "Chousa do Fidalgo", "Chousa do Henrique", e eventualmente outras.

exemplos:

A Chousa (Gz.)
Bairro da Chousa
Chausela - diminutivo de "Chausa", forma evolutivamente anterior de "Chousa"

Chousa (Pt. e Gz.)
Chousa das Agras (Gz.)
Chousa de Baixo
Chousa de Cima
Chousa de Soutelo (Gz.)
Chousa de Volta - será "Chousa Devolta"?
Chousa do Fidalgo
Chousa do Henrique
Chousa do Vale Caseiro
Chousa Nova
Chousas (Pt. e Gz.)

Chousa Velha (Pt. e Gz.) - na Galiza pode aparecer sob a grafia "Chousa Vella", sem alteração da oralidade

Chousela (Pt. e Gz.)

Chouselas - creio não andar longe da verdade se disser que "Souselas", anteriormente "Sauselas", é uma variante dialectal de "Chauselas" / "Chouselas". significaria, então, um conjunto de pequenos quintais ou de pequenas chausas ou chousas, o que parece mais de acordo com o local do que qualquer das explicações alternativas - que, aliás, não são muitas nem muito elucidativas. não sei quem escreveu isto, mas vejo que teve a mesma ideia que eu.

Chouso" (Pt. e Gz.)
Cruz de Chousa (Gz.)
Debesa (Gz.)
Devesa (Pt. e Gz.)
Devesas
Deveseira
Devesela (Gz.) - diminutivo de "Devesa"

Devesinha (Pt. e Gz.) - diminutivo de "Devesa". na Galiza pode encontrar-se a grafia "Devesiña", sem qualquer alteração da oralidade

Devesinhas
Entredevesas
Pia da Chousa
Quinta da Chousa
Rechousa
Vale da Chousa



quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Agra, Agrela, Agro - ainda a ruralidade na toponímia

trata-se de topónimos comuns à Galiza e a Portugal. "Agra" significa "campo", lavrado, mal lavrado ou por lavrar. "Agro" tem mais a conotação de "campo lavrado". são muitos os aumentativos, os diminutivos e os derivados e compostos de um e de outro

Agra (Pt. e Gz.)
Agra da Portela
Agra do Amial
Agra do Castro
Agrafonte
Agraínhas - diminutivo da "Agras"
Agrão - aumentativo de "Agro"
Agra Velha
Agrela (Pt. e Gz.) - diminutivo de "Agra"
Agrêlo (Pt. e Gz.)- diminutivo de "Agro"
Agrelos (Pt. e Gz.)
Agriboa - (?)
Agro
Agroal
Agrobom
Agrochão - significa "campo plano"
Agrocovo
Agro de Baixo
Agro de Cima
Agro de Garcia (Gz.)
Agro de Meios
Agro de Moinhos
Agro de Monteiros (Gz.)
Agro de Nogueira (Gz.)
Agro de Rolo (Gz.)
Agrolongo -
Agromau
Agromorto
Agros (Pt. e Gz.)
Agro Velho
Alminhas da Agra
Areal da Agra
Campo da Agra - é um pleonasmo: "campo do campo"
Chousa das Agras (Gz.)
Quinta da Agra - é tamém um pleonasmo


segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Um Problema com os Comentários

por razões que desconheço, tem sido impossível postar Comentários neste blogue.
alguns leitores têm optado por fazê-lo via e-mail.
outros, simplesmente, enviam-me e-mails dando-me conta da situação.
sou o primeiro a lamentar o que está acontecendo, já que os Comentários são a energia deste pequeno trabalho.
coisas do blogger?

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Foz de...



a palavra "Foz ", que designa a desembocadura dos rios num rio de importância imediatamente superior ou no mar, significa originariamente "boca". nem todas as fozes são importantes em Toponomástica, pois a toponímia depende, antes do mais, do estabelecimento, fixação e desenvolvimento de uma dada população. em inglês, as fozes dos rios designam-se "Mouth" (boca) e dão também lugar a um grande número de topónimos, como "Plymouth", "Portsmouth", etc.


Figueira da Foz - sobre "Figueira" ver post
Foz (Gz.)
Foz Côa
Foz do Arelho - sobre "Arelho" ver post
Foz do Caneiro
Foz do Cobrão - sobre "Cabrão" e "Cobrão" ver post
Foz do Dão
Foz do Douro - também conhecida apenas por "Foz"
Foz do Iguaçu (Br.)
Foz do Lisandro - sobre "Lisandro" ver post
Foz do Neiva - sobre "Neiva" ver post
Foz do Sousa

Fuzeta - de "Fozeta": diminutivo de "Foz" (no caso, da Ribeira do Tronco)



terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Campos e Lezírias

uma "lezíria" é um campo plano formado pela deposição de sedimentos de um lado e de outro de um rio e, habitualmente, inundado por cheias sezonais. é um termo meridional, mais frequente na bacia do Tejo e do Sado. no Ribatejo, o termo "lezíria" pode ocorrer em alternativa com "campo" e "borda d'água". há quem defenda que "lezíria" provém do árabe "al-jazira" - "a ilha" -, o que não me parece muito conforme à realidade dos terrenos, que são alagadiços mas não são cercados de água. em certo sentido, se ocorressem mais a norte, estes campos bastante extensos chamar-se-iam "campo" (exemplo: "os campos do Mondego"), "veiga" ou "várzea" - ver post anterior.


Campo da Ribeira (Gz.)
Campo das Fontes (Gz.)
Campo de Besteiros
Campo do Bolo (Gz.)
Campo do Lago (Gz.)
Campo Grande
Campo Maior
Campo Pequeno
Campo Redondo
Campos
Camposancos (Gz.)
Ciôga do Campo - sobre "Ciôga" ver post

Esteiro da Lezíria - este topónimo algarvio é curioso, já que dá a entender que o "esteiro" se formou na "lezíria", e não o inverso

Figueiró do Campo - sobre "Figueiró" ver post
Lezíria
Lezíria do Tejo
Lezíria Grande
Pereira do Campo - sobre "Pereira" ver post
Ponte da Lezíria
Reveles do Campo
São João do Campo
São Martinho do Campo
Vila Pouca do Campo - sobre "Vila Pouca" ver post
Zouparria do Campo - sobre "Zouparria" ver post


segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Veigas e Várzeas




"Veiga" e "Várzea", ou "Vargem", são campinas ou terrenos férteis e planos que ladeiam o curso de rios. em geral, a "Várzea" é mais aberta e ampla, enquanto que a "Veiga" se situa mais em vales relativamente profundos. são palavras pré-latinas, significando "veiga" um "terreno que costuma ser inundado", enquanto "várzea", no seu sentido original, se refere ao depósito de sedimentos arrastados pelo rio. "Várzea" é mais frequente em Portugal e no Brasil, enquanto "Veiga" ocorre por igual de um lado e do outro do rio Minho.


A Baxe (Gz.) - variante de "A Varcia" ou "A Várzea"
A Veiga de Ançós (Gz.)
Barranco da Cruz da Várzea
Cabo da Veiga (Gz.)
Campo da Várzea
Casal da Veiga
Monte da Várzea
Outeiro da Várzea
Quinta da Várzea
Quinta da Veiga

Rairiz de Veiga (Gz.) - a primeira parte do topónimo, "Rairiz", refere-se a um genitivo de um proprietário germânico
Várzea Cova
Várzea d'Abrunhais
Várzea da Serra
Várzea de Candosa
Várzea de Mesiões
Várzea do Douro
Várzea do Homem
Várzea do Itaí (Br.) - sobre "Itaí" ver post
Várzea do Poço (Br.)
Várzea do Rio (Br.)
Várzea dos Amarelos
Várzea dos Cavaleiros
Várzea do Tietê (Br.)
Várzea Grande
Varziela - diminutivo de "Várzea"
Veiga

Veiga da Mira - neste local, no concelho de Caminha, existe uma ponte romana

Veiga de Abaixo (Gz.)
Veiga de Arriba (Gz.)
Veiga de Penso
Veiga de Pontelinhares (Gz.)
Veiga do Lila
Veigas
Veiguinha



quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Vinhais, Vinhas e Vinhós. Nem Tudo É o Que Parece





Portugal e Galiza produzem bons vinhos, têm Regiões Demarcadas, há vinhas e vinhais por aqui e por ali. por isso, será de esperar que a Toponímia faça eco de uma atividade que os puristas da saúde a todo preço querem banir da face da terra em menos de três dias. essa gente quer chegar aos cem anos de vida ou menos, a troco da ausência completa de prazeres. mas dos perigos de viciação receio bem que o maior de todos venha a ser o vício da saúde.

mas... nem tudo o que reluz é oiro, nem tudo o que balança cai...
é que nem todos os topónimos em "vinha", "vinhais" e derivados dizem respeito a esse ramo da atividade agrícola. uma curiosa evolução fonética convergente fez com que alguns orónimos de origem linguística pré-celta tenham dado "vinhas" e "vinhais" quando significam "monte" ou "montanha".

assim, nem todos os topónimos que se seguem dizem respeito à Arte de Noé:


Alto das Vinhas
Arruda dos Vinhos
Avinhó
Barranco de Vale da Vinha
Entre-Vinhas
Figueiró dos Vinhos
Moinhos de Entrevinhas
Monte das Vinhas
Monte Trás das Vinhas
Outeiro da Vinha
Praia de Vinha da Areia (S. Miguel, Açores)
S. Cibrao das Viñas (Gz.) - "Cibrao" = "Cipriano"
San Cristóbal de Entreviñas (Zamora, Espanha)
Vale da Vinha

Vide Entre Vinhas - quer "Vide" quer "Entre Vinhas" apontam para uma paisagem montanhosa, como é o caso

Vinha (Pt. e Gz.) - na Galiza pode ter a grafia Viña
Vinha da Rainha

Vinhais - há "Vinhais" e "Vinhais". a vila de Trás-os-Montes deve o nome a Veniatia, assim se chamava uma cidade romana que havia por ali. mas o nome é anterior aos romanos e até aos celtas. vem de "ven-"/ "vin-", que significa "monte(s)"

Vinhas
Vinheiros

Vinhó (Pt. e Gz.) - diminutivo de "Vinha". mas que espécie de "vinha"? as "Vinhó" que eu conheço ficam junto de montanhas. além disso, é costume os diminutivos terem o termo de comparação relativamente perto - o que não vejo acontecer com estas "Vinhó"

Vinhós
Viñogrande (Gz.)
Viñopequeno (Gz.)
Viños (Gz.)
Vioño ou Vionho (Gz.) - ?

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Quinta, Quintã, Quintela, Quintanilha. Ainda o Mundo Rural

o mundo rural tem um grande peso na toponímia galego-portuguesa. uma parte substancial dos topónimos refere-se a um estilo de vida centrado na actividade agrícola e nas relações de propriedade. a propriedade rural representa a parte de leão. já vimos isso a respeito dos topónimos de origem germânica, latina e árabe. passamos, depois, pelas instalações agrícolas propriamente ditas: as "granjas", as "vilas", os "vilares", os "vilarinhos" e os "casais". vemos aí como as relações de posse foram evoluindo, se foram lentamente fragmentando, como proliferam os diminutivos e os diminutivos duplos. como uma instalação agrícola se forma dentro de uma anterior, de maior dimensão. ao passar por esses topónimos verificamos como a sorte de cada um depende mais das vicissitudes históricas do que do seu significado inicial: algumas "vilas" sumiram-se em lugarejos menores, enquanto alguns "vilarinhos" vieram a adquirir estatuto urbano de relevo principal. o contrário também sucedeu: a importante cidade romana da Idanha é hoje pouco mais que um lugarejo e outras simplesmente desapareceram.
hoje é a vez de falar das "Quintas".
a verdade é que, "sendo o mundo composto de mudança, tomando sempre novas qualidades", as "Quintas" deixaram de ter valor como parte de um mundo rural que ficou inexoravelmente para trás. o seu interesse económico é hoje medido pelo quadrado do metro. estão no mercado da construção urbana. dão o nome a complexos habitacionais mais ou menos pretenciosos, a que chamam "Urbanizações" ou "Condomínios".

Duas Quintas
Quinta

Quintã (Pt. e Gz.) - de "Quintana". na Galiza aparece a grafia "Quintán"

Quintá (Gz.) - o mesmo que "Quintã"
Quinta da Bacalhoa
Quinta da Boavista - uma "urbanização" de Coimbra
Quinta da Maia - uma "urbanização" de Coimbra
Quinta da Romeira - uma "urbanização" de Coimbra
Quinta da Rosa - uma "urbanização" de Coimbra
Quinta das Parcelas
Quinta das Quintãs
Quinta da Várzea
Quinta da Veiga
Quinta de Belomonte - uma "urbanização" de Coimbra
Quinta de S. Jerónimo - uma "urbanização" de Coimbra
Quinta do Barranco da Estrada
Quinta do Bispo
Quinta do Conde
Quinta do Moinho
Quinta do Sargaçal
Quinta dos Lilases
Quinta dos Malheiros - uma "urbanização" de Coimbra

Quintana (Br.) - influência espanhola, ou mirandesa? é o mesmo que "Quintã"

Quintanas -
Quintanelas - variante saloia de "Quintelas"

Quintanilha - diminutivo de "Quintã", por influência asture-leonesa (área do bable mirandês). é, pois, o mesmo que "Quintela" ("Quintanilha", de: "Quintanella")

Quintão (Pt. )
Quintarelhos - diminutivo plural (depreciativo?) de "Quinta"
Quintas (Pt. e Gz.)
Quintela - de "Quintanella", diminutivo de "Quintã"
Quintelinha (Pt. e Gz.)
Quintenla (Gz.) - variante dialectal de "Quintela" (de: "Quintanella")
Quintinha - diminutivo recente de "Quinta"


domingo, 7 de janeiro de 2007

casal

o topónimo "Casal" refere-se a um pequeno povoado com poucas casas, por vezes nas redondezas de uma povoação maior. pode funcionar como sinónimo de "lugar habitado" ou "lugarejo". outras vezes, refere-se a uma propriedade rural que não é o lugar da residência. embora ocorra no Norte de Portugal e na Galiza, é muito mais frequente no Centro e Sul de Portugal.


Casais
Casais da Fonte Nova
Casais d'Alcaria
Casais da Póvoa Nova
Casais das Amarelas
Casais das Areias
Casais de Folgosinho
Casais do Campo
Casais de Advagar
Casais d'El-Rei
Casais Luizes
Casais Novos
Casais Velhos
Casal Águas de Verão
Casal da Comenda
Casal da Fraga
Casal da Igreja (*)
Casal da Légua
Casal d'Além
Casal d'Álvaro
Casal d'Anja
Casal da Rainha (*)
Casal da Ribeira
Casal da Rosa
Casal das Aldeias
Casal da Serra
Casal da Sobreira (*)
Casal de Cambra
Casal do Abade
Casal do Ermio
Casal do Frade
Casal do Rei (*)
Casal dos Abades (*)
Casal dos Bernardes (*)
Casal dos Secos (*)
Casalinho - diminutivo de "Casal"
Casalinho da Ajuda
Casalinho da Azenha
Casalito - diminutivo de "Casal"

Casalminjoão (*) - A. H. Neves dá "Casal Domingos João" como designação alternativa. será?

Casal Novo
Casal Novo do Rio
Casal Pinheiro (*) - o mesmo que "casal do alto"
Casal Velho
Casal Ventoso


(*) - contributo de A.H. Neves por e-mail

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

vilar, vilarinho, vilaroco



"vilar" era uma parte da quinta, ou "villa", que o proprietário cedia a terceiros para exploração agrícola. a frequência dos topónimos "Vilar" e seus derivados na Toponímia galega e portuguesa indica a extensão e a continuidade dessa prática.

exemplos:

Almoinha - como dizer a coisa noutra língua: árab.: "casal agrícola com especial vocação para exploração hortícola"

Areias de Vilar
Praia do Vilar (Gz.)
Quinta de Vilar - um pleonasmo
Quinta de Vilar d'Allen
Torre Vilarinho (Gz.)
Vilar (Pt. e Gz.)
Vilaranda
Vilarandelo - diminutivo de "Vilaranda"
Vilar Barroco
Vilar da Luz
Vilar d'Arca
Vilar de Amargo
Vilar de Andorinho
Vilar de Besteiros
Vilar de Cans (Gz.)
Vilar de Cunhas
Vilar de Ferreira (Gz.)
Vilar de Ferreiros
Vilar de Figos
Vilar de Frades - ver "Areias de Vilar"
Vilar de Lomba
Vilar de Maçada
Vilar de Mouros - sobre "mouros" ver post
Vilar de Murteda
Vilar de Nantes
Vilar de Ossos
Vilar de Perdizes - sobre "perdizes" ver post
Vilar de Peregrinos
Vilar de Pinheiro
Vilar de Prazeres
Vilar de Rei
Vilar de Santos (Gz.)
Vilar de Toba (Gz.)

Vilardevós (Gz.) - antiga "Vilar Dabós". há quem defenda como boa a grafia "Vilar de Avós"

Vilar do Monte
Vilar do Paraíso
Vilar d'Ouro
Vilareda - parece um colectivo de "Vilar"
Vilarejo - diminutivo de "Vilar" (variante dialectal)
Vilarelho (Pt. e Gz.) - diminutivo de "Vilar" (variante dialectal)
Vilarelho da Cota (Gz.)
Vilarelho da Raia
Vilarelho de Donis (Gz.)
Vilarelhos (Pt. e Gz.) - diminutivo plural de "Vilar"
Vilares (Pt. e Gz.)
Vilar Formoso
Vilar Grande
Vilarim (Gz.)
Vilarinho (Pt. e Gz.) - diminutivo de "Vilar"
Vilarinho da Castanheira
Vilarinho da Furna - a forma "Vilarinho das Furnas" está errada
Vilarinho da Raia
Vilarinho da Ramalhosa (Gz.)
Vilarinho das Azenhas
Vilarinho das Poldras (Gz.)
Vilarinho de Agrochão
Vilarinho de Batán (Gz.)
Vilarinho de Conso (Gz.)
Vilarinho de Freires
Vilarinho de Nemenzo (Gz.)
Vilarinho do Alva
Vilarinho do Bairro
Vilarinho dos Galegos
Vilarinho Frio (Gz.)
Vilarinho Pequeno (Gz.) - duplo diminutivo de "Vilar"
Vilar Maior - aqui "maior" no sentido de "grande"
Vilarmaior (Gz.)
Vilarmosteiro (Gz.)
Vilaroco - diminutivo de "Vilar" (variante dialectal)
Vilarouco - variante de "Vilarouco"
Vilarpiñeiro ou Vilar Pinheiro (Gz.) - "vilar que fica no cimo"
Vilar Seco
Vilar Seco de Lomba
Vilartão - é "Vilar" mais o genitivo do proprietário (Attani)
Vilartó (Gz.) - variante dialectal de "Vilartão"
Vilar Torpim
Vilharelhos - variante dialectal de "Vilarelhos"
Viloira (Gz.) - ou como se fala de toponímia num belo blogue

(quando a grafia difira da portuguesa, os topónimos galegos vão com a grafia integrada. exº: "vilarinho" em vez de "vilariño" e "vilarelho" em lugar de "vilarello")



terça-feira, 2 de janeiro de 2007

vila acima, vila abaixo




o topónimo "vila" tem dois sentidos: o primeiro, refere-se a uma instalação agrícola com zona residencial, de serviços e agro-pecuária. é o equivalente a "quinta", "sítio" (Br.), "monte" (Pt. Alentejo).
o segundo sentido refere-se à zona central de um núcleo urbano. este sentido prevaleceu em Francês para designar "cidade" (ville); em Portugal designa, hoje em dia, um núcleo urbano secundário.
aqui interessa-me referir as "villae" agrícolas. grande parte delas foram já referenciadas nos topónimos de origem germânica, em que perdurou a forma genitiva do nome do proprietário original. também há genitivos de proprietários romanos ou com nome latino. e, finalmente, há os casos em que sobreviveram a "villa" e o nome do seu proprietário no genitivo (exº "Vila Nune").


vão aqui alguns exemplos dessas "villae":

Bela Fria - variante dialectal (Algarve) de "Vila Fria"
Cabo da Vila
Cimo de Vila
Cinco Vilas
Fondevila (Pt. e Gz.) - o mesmo que "Fundevila"
Fundevila - ver "Fundo de Vila"
Fundo de Vila
Vil - forma apocopada de "vila"
Vila Alva

Vila Boa - "Vila Boa de Goiás" era o nome de uma cidade brasileira, hoje chamada apenas "Goiás"

Vila Boa de Ousilhão
Vila Boim - "villa" de um senhor que tinha por sobrenome "Aboim"

Vila Cã - oficialmente "Vila Chã" até 2003, o seu nome foi corrigido em 22 de Agosto daquele ano

Vilaça - forma aumentativa de "vila"
Vilaças
Vilacete - também grafado "Vila Cete". ver post
Vila Chã - o mesmo que "quinta plana"
Vilacoba (Gz.) - ver "Vila Cova"
Vila Cova
Vila Cova a Coelheira
Viladala

Vila de Milho - ao que se diz, é a forma anterior de "Verdemilho" (ver Comentº de Gundibaldo). fui investigar. parece que sim. mas há autores de nomeada que ignoraram o facto e tentaram explicar a forma actual à maneira deles. no entanto, "Vila de Milho" resolvendo um problema levanta dois: o primeiro é que provavelmente se pronunciaria "Vildemilho" e não "Vila de Milho", caso contrário não se explica facilmente a evolução para "Verdemilho"; o segundo é o que quer dizer "Milho". inclino-me para supôr que seja o nome do proprietário inicial: "Emílio". como se sabe, a palavra "Milho", seus derivados e parentes levantam muitas questões em Toponímia.

Vila d'Este -
Vila de Suso (Gz.) - o mesmo que "quinta de cima". ver post
Vila do Mato
Vila Fernando
Vila Fresca
Vila Fria
Vila Garcia (Pt. e Gz.)
Vila Lobos
Vila Longa
Vilalva
Vila Maior - aqui "maior" no sentido de "grande"
Vilamar
Vila Marim - "villa" e o genitivo do antropónimo "Marino"

Vilameá (Gz.) - reproduz melhor a pronúncia nortenha (Pt.) de "Vila Meã". ver "Vila Meã"

Vila Meã - o mesmo que "quinta mediana", ou a meia altitude em relação a outras (as "susãs" e as "jusãs")

Vila Mende - a "villa" e o genitivo do antropónimo "Mendo"
Vila Monim - a "villa" e o genitivo do antropónimo "Múnio"
Vila Nova (Pt. e Gz.) - por oposição a outras mais antigas
Vilanova (Gz.)
Vila Nova de Anços
Vila Nune
Vila Pouca (Pt. e Gz.) - o mesmo que "quinta pequena"
Vila Rara - antiga "Villa Ralla". "rala" no sentido de "dispersa"?

Vilariça - a Toponomástica tem destas coisas. parece mas não é. não se trata de uma "villa", mas de um "valle": "Valle Aritia"

Vila Ruiva
Vilasanche (Gz.) - "villa de sancho"
Vilas Boas
Vilas Covas
Vilas Ruivas
Vila Seca
Vila Senhor (Gz.) - graf. altern. "Vilaseñor"
Vila Susã - o mesmo que "quinta de cima". ver "Vila de Suso"
Vila Suso - ver "Vila de Suso"
Vila Vedra - o mesmo que "quinta velha (antiga)"
Vila Velha (Pt. e Gz.) - ver "Vila Vedra"
Vila Verde (Pt. e Gz.) - ver "Vila Vedra"
Vilaxusá (Gz.) - o mesmo que "Vila Jusã" ("quinta de baixo"). ver post
Vil de Covas
Vil de Matos
Vil de Moinhos
Vildemoinhos
Vil de Souto
Vilela (Pt. e Gz.) - forma diminutiva de "vila"
Vilelas
Vil Montes
Vilouchada (Gz.) - do lat. "villa ustulata" : "quinta, ou fazenda, queimada"



sábado, 30 de dezembro de 2006

dois, três, quatro, cinco e nove




estes numerais são tamém importantes nas Toponímias Galega, Portuguesa e Brasileira. de um modo geral, a sua formação é evidente. bom, na verdade, não tão evidente assim. em alguns deles merece a pena parar para pensar.

As Cinco Calhes (Gz,) - graf. altern: As Cinco Calles
Catro Caminhos (Gz.) - . graf. altern. "Catro Camiños". ver "Quatro Caminhos"
Cinco Ribeiras
Cinco Rodas - lugar que deve o seu nome à presença de rodas de moinhos
Cinco Vilas
Dois Córregos (Br.)
Duas Igrejas
Duas Quintas
Nove Fontes (Gz.) - graf. altern. Novefontes
Os Catro Ventos (Gz.) -

Ponte das Três Entradas - é uma curiosa ponte em "Y", da qual já me ocupei noutro post. mais curioso é que seja "das três entradas" e não "das duas saídas". o nome foi posto de cima da ponte, e não de fora.

Ponte dos Três Concelhos -
Quatro Águas -

Quatro Caminhos - habitualmente é um lugar de onde partem ou onde confluem quatro caminhos. o nome seria o mesmo que "encruzilhada", não fôra aqui o cruzamento ser povoado por gente viva e não por almas do outro mundo

Quatro Estradas - ver "Quatro Caminhos"

Três Corações (Br.) - é mais um caso em que a origem etimológica de um topónimo se perde rapidamente. embora muito recente, este topónimo já tem muitas teorias para a sua origem

Três Irmãos (Pt. e Br.) - os "irmãos" podem ser montes, rios, cachoeiras...

Três Marias (Br.) - é verdadeiramente notável a rapidez com que se perde a memória da origem dos nomes

Tresminas - parece "três minas", mas há quem diga que não é...

Três Paus -
Três Pontas (Br.)

Três Povos - é muito frequente na Geografia Humana e na História, no Passado e no Presente, a proximidade e a miscigenação de três povos. no caso da aldeia de "Três Povos", concelho do Fundão, o nome deve-se a ser formada por três povoados independentes.

Três Rios (Br.) -



quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

o número sete na toponímia galego-portuguesa e brasileira




sete ventos, sete mares, sete partidas do mundo, sete pedras, sete quedas, sete rios, sete fontes.
o numeral "sete", além de traduzir um plural expressivo, indica simultaneamente um número de perfeição, de obra acabada. segundo se diz, é o número da eficácia da fala. nas tradições ocidentais, com Sua voz o Arquiteto Supremo concebeu e construíu o mundo em sete dias. sete dias tem a se(pti)mana e outros tantos cada fase da lua. sete é o número de estrelas que cada Ursa tem. sete, ainda, são os países celtas. Lisboa tem sete colinas. o gato tem sete fôlegos. e há quem tenha sete ofícios e quem não tenha nenhum. há os que na vida pintam o sete e há os que fazem da vida um bicho de sete cabeças. e a luz tem sete cores, sete notas tem a música. o ano que vem é dois mil e sete... e termino aqui o post porque vou levantar às sete!


Bairro de Sete Céus

Cête - povoação muito antiga, é uma vila do concelho de Paredes (Pt.). a grafia "Cête", em lugar de "Cete", é a que respeita a pronúncia local. não tem qualquer relação com o numeral "sete". ver Comentº de Nóbrega

Lagoa das Sete Cidades
Mata dos Sete Montes
Passa Sete (Br.)

Sete (Pt. e Gz.) - não creio que se trate do numeral "sete". de notar que no Languedoque existe a cidade de Sète (Fr.), que já foi grafada "Cette", e que em Portugal também existe "Cête" (ver acima)

Sete Alcarias - o mesmo que "sete (i. é, várias) aldeias", topónimo híbrido

Sete Bicas
Sete Caminhos
Sete Capelas
Sete Casas
Sete Castelos
Sete Cidades (Pt. e Br.)
Sete Fontes
Sete Igrexas (Gz.) - grafia integrada: "Sete Igrejas"
Sete Lagoas (Br.)
Sete Lagos (Br.)

Sete Léguas (Br.) - e no Brasil "Sete Léguas" é tamém uma marca de botas e alpergatas...

Sete Lombas (Br.) - é um sítio muito particular
Sete Pedras
Sete Quedas (Br.)
Sete Rios
Seteventos (Gz.)
Sete Voltas (Br.)

Setiais - há quem diga que significa "Sete Ais", pois que as condições do local favoreceriam a formação de eco, transformando um grito em sete. mas é uma explicação simplista e improvável. mais certo é tratar-se do plural de "seteal", um termo próprio da paisagem rústica, tal como o "Sete" isolado(ver acima)

Vilacete - ver "Vila Cete"
Vila Cete - forma antiga: "villa Setti" (genitivo de um antropónimo germânico)



Barranco, Barrancos

a palavra "barranco", no seu sentido mais comum, significa "cova", "precipício", "ribanceira". como topónimo, é frequente no Algarve e Baixo Alentejo. em muitos "barrancos" correm ribeiras sezonais de enxurrada. e em alguns casos adquire a função de hidrónimo.

Barranca
Barrancão
Barranco da Amoreira
Barranco da Cruz
Barranco da Cruz da Várzea
Barranco da Horta Velha
Barranco da Pomba
Barranco das Belharucas
Barranco das Canas
Barranco das Figueiras
Barranco das Vinhas
Barranco da Vaca
Barranco de Água Velha - como hidrónimo é um pleonasmo
Barranco de Brejões

Barranco de Mata Filhos - grafia mais correcta: "Barranco de Matafilhos"?
Barranco de Vale da Vinha

Barranco do Arroio - como hidrónimo é um pleonasmo
Barranco do Banho

Barranco do Cadavaio - é um pleonasmo, Cf. "Cádabo", "Cadaval", "Cádavo", "Cávado"

Barranco do Calvário
Barranco do Cão
Barranco do Carneiro
Barranco do Carvalho
Barranco do Justo
Barranco do Lobo
Barranco do Mexilhão
Barranco do Monte Clérigo
Barranco do Monte Velho
Barranco do Nuno
Barranco do Porco
Barranco do Preto
Barranco do Sambro
Barranco dos Pisões
Barranco do Velho
Barrrancos
Barrancosa
Barranco Silvestre
Barranquinha
Barranquinho
Praia do Barranco
Quinta do Barranco da Estrada



sábado, 23 de dezembro de 2006

Topónimos Brasileiros Que Fazem Sorrir

aqueles que se interessam pela Taxonomia toponímica têm aqui a oportunidade de inventar um nome grego para uma gaveta classificativa relativamente pacífica. se bem que o sentido de humor varie muito de pessoa para pessoa, ainda assim será mais consensual que a oro e a fitotoponímia, por exemplo.

aqui tenhem alguns topónimos brasileiros que fazem sorrir, tal como existem topónimos portugueses e galegos que fazem sorrir também. e uma curiosa lição que se tira deste apontamento é que a razão de ser, o significado original, de um topónimo esquece muito depressa. muitos dos nomes de cidades que se seguem não tenhem nem cem anos de existência e já possuem várias explicações alternativas. e o mesmo aconteceu em topónimos galegos e portugueses:

Braço do Trombudo (Santa Catarina) - ainda se discute a quem pertence a tromba

Capão Bonito (São Paulo) - embora bonito, este "capão" não foi comprado na Feira de Freamunde. é mais um exemplo de homofonia e hibridismo entre duas línguas, neste caso o tupi-guarani e o português. "Capão", aqui, é palavra nativa que significa "mato redondo", ou seja, uma zona de mato isolada num panorama mais árido

Carrasco Bonito (Tocantins)
Deserto do Além (São Paulo)
Feliz Deserto (Alagoas)
llha Solteira (São Paulo)
Lagoa da Confusão (Tocantins)
Laranja da Terra (Espírito Santo)
Milho Verde (Minas Gerais)

Pareci Novo (Rio Grande do Sul) - na realidade pareci, mas não pareço. poderia ser "Novo Parecy". e "Parecy" é o nome de uma tribo indígena. destas homofonias e hibridismos entre línguas diferentes está a Toponímia cheia.


Passabém (Minas Gerais)
Passa Quatro (Minas Gerais)
Passa Sete (Rio Grande do Sul)

Passa Tempo (Minas Gerais) - além do nome, esta cidade tem o particular de estar situada numa região de assombrações e UFO (OVNIS)

Passa-Vinte (Minas Gerais)
Passa-Vinte Velho (Minas Gerais)

Porto Ferreira (São Paulo) - em Portugal, "Porto Ferreira" é uma conhecida marca de vinho do Porto

Santa Rita do Passa Quatro (São Paulo) - essa é uma explicação para o nome "Passa Quatro". mas tem mais

São João dos Patos (Maranhão)
São José dos Ausentes (Rio Grande do Sul)
São Miguel do Passa Quatro (Goiás)

São Thomé das Letras (Minas Gerais) - vale a pena conhecer a história desta cidadezinha mineira e a explicação do seu nome. tal como "Passa Tempo", é zona de misticismo e de suspeitas de contacto extra-terrestre

Trombudo Central (Santa Catarina)
Varre-Sai (Rio de Janeiro)
Venha Ver (Rio Grande do Norte)
Vila Nova dos Martírios (Maranhão)
Vitória da Conquista (Bahia)

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Lá como Cá

já tratei em postagens anteriores das cidades brasileiras homónimas de cidades e vilas portuguesas, bem como dos topónimos em língua portuguesa relacionados com "pedra".
trato agora de topónimos que, não sendo cá nomes de cidades, vilas ou freguesias importantes, nem estando propriamente relacionados com "pedra", se encontram transpostos ou criados para nomes de cidades no Brasil.
em alguns casos (Andorinha, Antas, Cruz, Mazagão, etc.) a simples transposição faz com que se perca a relação semântica com o topónimo galego-português original.
quero dizer, transpôs-se o topónimo mas não o seu significado. este fenómeno tem de ser considerado quando estudamos topónimos de origem exterior, por exemplo, os topónimos celtas, sardos, gregos e fenícios em Portugal ou na Galiza.
vejamos o topónimo "Antas", no Brasil: não existem "antas" no Brasil, pelo que foi transposto o topónimo tendo em conta alguma terra portuguesa ou galega com esse nome, mas a relação com o seu significado (o monumento megalítico correspondente) já não existe.
nos casos em que um topónimo em português não tenha um significado óbvio, em face da realidade brasileira local, o seu significado original deve ser procurado na toponímia galego-portuguesa.
desta vez vou esforçar-me por uma lista bem comprida.


exemplos:

Água Boa (Mato Grosso, Minas Gerais)
Água Fria (Bahia)
Alagoa (Minas Gerais)
Aldeias Altas (Maranhão)

Almenara (Minas Gerais) - "al-menara" é "atalaia", em árabe

Andorinha (Bahia)
Antas (Bahia) - ver Comentº de Jolorib
Arcos (Minas Gerais)

Areia Branca (Rio Grande do Norte, Sergipe) - em Portugal há "Praia da Areia Branca"

Areal (Rio de Janeiro)
Atalaia (Paraná)
Baixio (Ceará)
Balsas (Maranhão)
Barra (Bahia)
Barracão (Paraná)
Barreira (Ceará)
Barreirinha (Amazonas)
Barreirinhas (Maranhão)
Barreiros (Pernambuco)
Barrinha (São Paulo)
Barro (Ceará)
Barrocas (Bahia)
Barroso (Minas Gerais)
Bela Vista (Maranhão)
Bicas (Minas Gerais)
Boa Vista (Roraima)
Bom Jardim (Maranhão)

Bom Sucesso (Minas Gerais, Paraíba) - em Portugal, "Bom Sucesso" ocorre em Aveiro e na Figueira da Foz, duas cidades ligadas à faina da pesca

Bonfim (Minas Gerais, Roraima)
Bonito (Pernambuco)
Brejo (Maranhão)
Brejões (Bahia)
Cabeceiras (Goiás)
Cabedelo (Paraíba)
Cabo Frio (Rio de Janeiro)
Cabo Verde (Minas Gerais)
Campo Alegre (Alagoas, Santa Catarina)
Campo do Meio (Minas Gerais)
Campo Grande (Alagoas, Rio Grande do Norte)
Canas (São Paulo)
Candeal (Bahia)
Candeias (Bahia, Minas Gerais)
Canta Galo (Minas Gerais)

Cantagalo (Paraná, Rio de Janeiro) - na Ilha Terceira, Açores, é um orónimo

Capela (Alagoas)
Casa Nova (Bahia)
Casinhas (Pernambuco)
Castelo (Ceará)
Castro (Paraná)
Cedro (Ceará)
Chã Grande (Pernambuco)
Chã Preta (Alagoas)

Cidreira (Rio Grande do Sul) - há uma "Cidreira" aqui bem perto de Coimbra

Cruz (Ceará)

Cruz Alta (Rio Grande do Sul) - há uma "Cruz Alta" no Bussaco

Currais (Pernambuco)
Encruzilhada (Bahia)
Entre Rios (Bahia, Santa Catarina)

Estrela Dalva (Minas Gerais) - em Portugal há "Estrela d'Alva", perto de Penacova

Farol (Paraná)
Feira da Mata (Bahia)
Feira de Santana (Bahia)
Feira Nova (Pernambuco, Sergipe)
Ferreiros (Pernambuco)
Figueira (Paraná)
Fonte Boa (Amazonas)
Fortaleza (Ceará)
Fronteira (Minas Gerais)
Gavião (Bahia)
Igreja Nova (Alagoas)
Ilhéus (Bahia)
Junqueiro (Alagoas)
Lagoa Grande (Pernambuco)
Laranjal (Paraná)
Laranjeiras (Sergipe)
Linhares (Ceará)
Macieira (Santa Catarina)
Mãe d' Água (Paraíba)
Marco (Ceará)
Mata (Rio Grande do Sul)
Mata de São João (Bahia)
Mata Grande (Alagoas)
Matinha (Maranhão)
Matinhos (Paraná)
Mazagão (Amapá)
Mercês (Minas Gerais)
Mesquita (Minas Gerais)
Montanha (Ceará)
Monte Alto (São Paulo)
Monte Santo (Bahia)
Mundo Novo (Bahia)
Olho d' Água (Paraíba)
Olho d' Água das Flores (Alagoas)
Olho d' Água do Casado (Alagoas)
Olho d' Água Grande (Alagoas)
Ortigueira (Paraná)
Palmares (Pernambuco)
Palmeira (Santa Catarina)
Palmeiras (Bahia)
Paraíso (São Paulo)
Paranhos (Mato Grosso do Sul)
Pé de Serra (Bahia)
Pesqueira (Pernambuco)
Pinhais (Paraná)
Pinheiros (Ceará)
Pintadas (Bahia)
Pocinhos (Paraíba)

Ponta Grossa (Paraná) - para quem se interesse pela Taxonomia, "Ponta Grossa" é o antónimo de "Ponta Delgada"

Pontal (São Paulo)
Porto Velho (Rondónia)
Prado (Bahia)
Praia Grande (Santa Catarina, São Paulo)

Prainha (Pará) - embora a grafia correcta seja "Praiinha", em Portugal tamém já é rara

Queimadas (Bahia)

Raposa (Maranhão) - pode ser tradução do tupi-guarani "Gambá"

Rio Largo (Alagoas)
Rio Novo (Minas Gerais)

Rio Quente (Goiás) - em Portugal, Ilha de S. Miguel, Açores, há "Ribeira Quente"

Rio Real (Bahia)
Rio Tinto (Paraíba)
Salgueiro (Pernambuco)
Salto (São Paulo)
Seara (Santa Catarina)
Serra do Navio (Amapá)
Serrinha (Bahia)

Serro (Minas Gerais) - embora errada, em Portugal é frequente a grafia "Cerro"

Sobradinho (Bahia)
Tanque Novo (Bahia)
Tanquinho (Bahia)
Várzea (Paraíba)
Várzea do Poço (Bahia)
Várzea Nova (Bahia)
Vereda (Bahia)
Vila Boa (Goiás)
Vila Rica (Mato Grosso)
Vila Velha (Ceará)
Vista Alegre (Rio Grande do Sul)




quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Os Frades na Toponímia Galego-Portuguesa e Brasileira




tal como os bispados ou dioceses, também os mosteiros de frades e freiras tiveram uma importância histórica fundamental, que se traduziu na concessão de privilégios e territórios dos quais restam vestígios na toponímia.
os mosteiros tiveram, além disso, um papel fulcral no repovoamento e no desenvolvimento de técnicas de agricultura, doçaria, fruticultura, horticultura e pecuária.

porém, nem todos os "frades" são monges. o facto de haver topónimos derivados, incompatíveis com o sentido de "monge", indica que a palavra "frade" de onde derivam teria outro significado. e a existência dos hidrónimos "ribeira dos Frades" e "rio de Frades" parece confirmar essa impressão. por estranha coincidência, "Dona" (e "Donas"), que tamém pode querer dizer "freira", em alguns casos também é hidrónimo.

Aldeia das Donas - ver "Donas"
Aldeia Nova das Donas

Almas de Freire - (?). a questão aqui é o "freire", já que "almas" se refere a "alminhas", "cruzamento". é um "freire" complicado, pois que, se se referisse a um monge, estaria na contramão: o lugar foi de "freiras".

Azenha dos Frades

Bouças Donas - em Portugal ocorre pelo menos duas vezes. topónimo estranho. será Bouças d'Onas? e se for? cf. com "Saldonas" e "Tardonas"

Caminho das Donas

Casal do Frade - povoação muito antiga, do Município de Arganil, onde - há quem diga - se fala "português corretamente, sem qualquer sotaque" (?!). é obra! (tenho que lá ir, um dia destes, no meu vagar, para ver como é isso de falar sem sotaque...)

Chão das Donas
Corte das Donas
Coto do Frade (Gz.)

Curral das Freiras (Madeira) - corresponde a uma antiga cratera vulcânica

Dona (Pt., Gz. e Br.) - os topónimos brasileiros referem-se a antropónimos femininos Dona Fulana, Dona Beltrana). os portugueses e galegos parecem hidrónimos. ver "Ribeira da Dona"

Donas (Pt. e Gz.) - em geral, refere-se a "freiras", mas nem sempre. há "Donas" de origem mais antiga que a presença das freiras. Em Castilla-León e em Castilla-La Mancha existem os topónimos "Dueña" e "Campillo de Dueñas", respectivamente. ora sucede que a forma "Dueña" aponta para uma etimologia diferente de "Doña" (esta, sim, a correspondente à nossa "Dona", no sentido de "senhora" ou de "freira"). "Donas" também pode ser hidrónimo, o que aponta para um parentesco com os hidrónimos europeus "Don", "Danúbio", etc.

Figueiredo das Donas
Fradeira - topónimo sem relação com "frades" monges

Fradellos (Le.) - localidade da Província de Zamora, León, perto de Miranda do Douro. é uma terra muito antiga, onde existe um castro. diminutivo de "frades". que "frades"?

Fradelos - diminutivo de "frades". mas que "frades"?
Frades (Pt. e Gz.)

Fradizela - mais um topónimo em que o "frade" dificilmente teria sido um monge. parece pressupor um topónimo "Fradiça", de que seria diminutivo, topónimo esse que nada tem que ver com monges.

Fratel - a relação com o latim "frater" é muito duvidosa. há um certo consenso sobre reconhecer-lhe uma origem obscura

Freira (Pt. e Br.)
Freiras (Pt. e Br.)
Freire (Pt., Gz. e Br.)
Freiria - (?)
Freirigo - antropónimo germânico: o mesmo que "Frederico"
Freirinha
Freiriz - genitivo de Frederico: "a propriedade de Frederico"
Ilha do Frade (Br.)
Maçãs de Dona Maria - ver post
Oliveira de Frades
Pai das Donas - sobre "Pai" (aldeias) ver post
Pinhal de Frades
Poço da Dona
Ponte dos Frades
Porto Frade (Br.)

Ribeira da Dona - parece um pleonasmo, se "Dona" aqui for hidrónimo: "ribeira da ribeira". ver "Dona" e "Donas"

Ribeira das Donas - aqui "Donas" é hidrónimo. e, então é um pleonasmo. ver "Donas"

Ribeira de Frades
Ribeira de Frades - aqui é hidrónimo
Ribeira dos Frades - é hidrónimo
Rio de Frades - outro hidrónimo enigmático
Saldonas - ?
S. Martinho de Frades (Gz.) - tamém grafado "S. Martiño de Frades"
S. Paulo de Frades
Tardonas - ?
Torre dos Frades
Valado de Frades
Valdonas
Vale das Donas
Vale de Frades
Vila de Frades
Vila dos Frades (Br.)
Vilar de Frades (Gz.)
Vilarinho de Freires
Vitorino das Donas


(...a continuar...)