quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Casas e Casinhas

a toponímia é um discurso sobre a oralidade. a passagem de um topónimo à escrita é fonte de imensos equívocos, hoje como ontem. as diferenças de pronúncia, por vezes subtis, tornam-se diferenças maiores quando passadas a escrito. veja-se o caso de "Caselhas" e "Coselhas". ainda mais perturbadora é a escrita do mesmo fonema em norma linguística diferente. escrever Casinhas ou Casiñas, assim como escrever Olivença ou Olivenza é exactamente o mesmo, mas não parece. a questão é que optar por uma grafia ou por outra significa uma escolha política prévia. se se está do lado da Meseta optar-se-á pelo ñ em lugar do nh, pelo z em lugar do ç e pelo ll em lugar do lh. e fica identificada a espécie de pessoa que escreve e o que pensa do mundo e de si mesma


Barracão (Pt. e Br.)
Cabana
Cabana de Bergantinhos (Gz.)
Cabanas (Pt. e Gz.)
Cabanas de Viriato
Cabanelas (Pt. e Gz.)
Cabaninha
Cabaninhas
Casa Branca (Pt. e Br.)
Casa do Sal
Casa Grande (Br.)
Casaínho
Casais (Pt. e Gz.)
Casal
Casalinho (Pt. e Gz.)
Casalta

Casa Nova (Pt., Gz. e Br.) - em basco ou euskera há o topónimo e sobrenome "Etcheberria", "Etcheverria", "Echeverria", "Etxebarria", que quer dizer, também, "casa nova". deste resultou
o topónimo navarro "Javier" (Xavier), origem deste nome e sobrenome, bem como do hagiónimo S. Francisco Xavier

Casas (Pt. e Gz.)
Casas Novas
Casas Velhas
Casa Telhada
Casebres
Casegas
Caselas
Casinhas

Catraia - pode fazer uma certa confusão a portugueses do norte, para quem "catraia" é o mesmo que "menina", "miúda", "moça muito jovem". mas aqui é o mesmo que "casinhota"

Catraia Cimeira
Catraia de S. Paio
Catraia de S. Romão
Catraia dos Poços
Catraias

Coselhas - uma das variante dos diminutivos de Casas : Casinhas; Casegas, Casicas; Caselas, Caselhas, Casillas (Cast.), Coselhas.

Mesão - em francês: "maison"
Mesão Frio - pronúncia "mesonfrio".
Mesonfrío (Gz.)
Palhaça
Palhais
Palheira
Palheiro
Palheiros
Palhoça (Br.)
Pousa (Pt. e Gz.)
Pousada (Pt. e Gz.)
Pousada de Saramagos
Pousadinha
Sá (Pt. e Gz.) - do germânico "Sala", passando por "Saa". em francês, "Salle"
Saa (Gz.)
Saavedra (Gz.)
Sala - ver Sá e Saa
Salas (Gz.)
Sás (Gz.)
Salzeda de Caselas (Gz.)


terça-feira, 19 de setembro de 2006

As Fontes




... pois começaria por perguntar o que vem a ser uma fonte. ...e a resposta é... boa pergunta!
pedindo ajuda à sinonímia, encontramos falsos sinónimos, tais como "emanação", "manancial", "nascente", "bica", que mais são variedades do que a mesma coisa. a água nasce como lhe calha melhor. e isso é uma fonte. mas a água não nasce toda igual: uma é fria, outra quente, outra nem fria nem quente, uma nasce numa charca, outra em bica, outra em sete, outra em mil. uma traz ferro outra não traz, uma é muita e outra é pouca. uma é santa e outra é mais. uma é boa e outra mata. e assim, consoantemente, vai tendo o nome que merece...ou nem por isso.
não faz muito tempo, ouvi contar que a inspeção sanitária se lembrou de fazer análises à qualidade da água milagreira de certa fonte santa. e encontrou o que ninguém quis: não sei quantas bactérias e venenos que, tudo somado, fazia uma poção bem perigosa. vai de selar a fonte e proibir a sua utilização. foi o bom e o bonito. o povo levantou-se, tirou a selagem, montou piquete, enfim, fez gato-sapato da inspeção sanitária e análises correlativas. a fonte santa continuou santa e o povo devoto da fonte. porque santidade é santidade, não se mede com análises nem de bata branca


Alcabideche - variante fónica de Alcabideque

Alcabideque - em árabe:"manacial", fonte. é uma charca onde borbulha a água que nasce, tal como em "Fonteminha" e tamém em "Ançã"

Bica

Chiqueda - é a nascente do rio Alcoa, em Alcobaça. tem longa fama de fonte sagrada. penso que "chiqueda" será equivalente de "charca"

Fonfría (Gz.) - ver "Fonte Fria"
Fonsagrada (Gz.)
Fonseca
Fontaínha (Pt., Gz. e Br.)
Fontaínhas (Pt., Gz. e Br.)
Fontaínho (Pt. e Gz.)
Fontanheira
Fontão
Fonte Arcada
Fontarcada
Fonte Boa (Pt., Gz. e Br.)
Fonte da Cheira
Fonte da Pulga

Fonte da Urina - não é o que parece. pronúncia popular: "fonte da ourina" (ou será "fonte dourina"?). alguém alvitrou ser uma confusão com "fonte taurina", hipótese académica pouco provável tendo em conta a fonética. merecia que lhe fosse corrigido o nome escrito

Fonte de Ançã - é um pleonasmo: "fonte da fonte". ver foto
Fonte de Martel

Fonte do Bispo
Fonte do Castanheiro
Fonte do Ídolo
Fonte do Ramilo
Fonte dos Clérigos
Fonte dos Olhos - aqui, "olhos" está por olhos-d'água
Fonte do Vale

Fonte Errada - trata-se de um equívoco de transcrição da fonética para a escrita, pelo que ficou errada duas vezes

Fonte Fria

Fonte Histórica - em Chelo, Penacova. é "histórica" porque está referenciada desde o século XII. fora isso, é uma "fonte santa" - motivo por que mereceu essa referência e por que continua a ser procurada

Fonteira
Fonteita - o mesmo que "fonte telhada"?
Fontela (Pt. e Gz.) - do latim "fontanella": fontinha
Fontelo (Pt. e Gz.) - pronúncia: "Fontêlo"

Fonteminha ou Fontemiña (Gz.) - à letra e na realidade: "nascente do Minho"

Fontenla (Gz.) - é a forma evolutiva imediatamente anterior a "Fontela"

Fonte Nova

Fonterma - será o contrário de "fonte fria"? ou é "fonte erma"? aqui decide a fonética, que desconheço: "fontèrma" ou "fontêrma"?

Fonte Santa
Fonte Seca (Pt. e Gz.)
Fonteseca (Gz.)
Fontiela
Fontinha (Pt. e Gz.)
Fontoura (Pt. e Gz.)
Milfontes
Sete Fontes

Torre - em certos casos, a "torre" está pelo euskera "iturri" (fonte). e pode bem suceder que "torre" e "iturri" coincidam, já que algumas nascentes estão defendidas por torres militares, dado o carácter estratégico de que se revestem ou revestiram. é o caso de "Alcabideque" (Condeixa)


domingo, 17 de setembro de 2006

Cidades Portuguesas e Brasileiras Homónimas (* )


os topónimos que se seguem são transposições para o Brasil de topónimos portugueses, em geral de cidades ou vilas de certa importância. significam, na maioria dos casos, que os seus fundadores seriam originários da localidade portuguesa homónima.
entre parêntesis o Estado ou Estados onde ocorrem os topónimos brasileiros

Alcobaça (Bahia)
Alenquer (Pará)
Alhandra (Paraíba)
Almeida (Minas Gerais)
Almeirim (Pará)
Alvarenga (Minas Gerais) - sobre Alvarenga portuguesa ver aqui
Amarante (Piauí)
Anadia (Alagoas)
Aveiro (Pará)
Baião (Pará)
Barcarena (Pará)
Barcelos (Amazonas)
Batalha (Alagoas) (Piauí)
Belmonte (Bahia) (Santa Catarina)
Borba (Amazonas)
Bragança (Pará)

Bragança Paulista (São Paulo) - é "Paulista" para se distinguir de "Bragança" (Pará). parece dever o seu nome à Casa Real Portuguesa e não à cidade homónima de Trás-os-Montes (Pt.)

Campo Maior (Piauí)
Cantanhede (Maranhão)
Carvalhos (Minas Gerais)
Caxias (Maranhão)
Chaves (Pará)
Coimbra (Minas Gerais)
Colares (Pará)
Crato (Ceará)
Espinho (Minas Gerais)

Extremoz (Rio Grande do Norte) - a grafia actual da cidade portuguesa é Estremoz

Faro (Pará)
Fátima (Bahia) (Tocantins)
Fundão (Espírito Santo)
Gouveia (Minas Gerais)
Granja (Ceará)
Guimarães (Maranhão)

Jerumenha (Piauí) - a grafia actual do topónimo em Portugal é Juromenha

Jurumenha (Ceará) - ver Jerumenha
Lages (Santa Catarina)
Lajes (Rio Grande do Norte)
Linhares (Espírito Santo)
Mafra (Santa Catarina)
Marialva (Paraná)
Marvão (Piauí) - actual Castelo do Piauí
Melgaço (Pará)
Miranda (Mato Grosso do Sul)
Monção (Maranhão)
Nazaré (Bahia) (Tocantins)
Óbidos (Pará)
Oeiras (Piauí) - antiga vila de Mocha
Oeiras do Pará (Pará)

Olivença (Alagoas) - Olivença, cidade portuguesa do Alentejo, encontra-se, com todo o seu concelho, sob administração espanhola desde a chamada "guerra das laranjas" (1801). a actual pressão para que o Reino Unido devolva Gibraltar a Espanha poderá ter como resultado paralelo, e de igual legitimidade histórica, a devolução de Olivença, e seu município, a Portugal. a construção da nova ponte sobre o rio Guadiana, que vem substituir, finalmente, a velha ponte arruinada de Nossa Senhora da Ajuda, será o princípio dessa (desejada?) reaproximação.

Ourém (Pará)
Paranhos (Mato Grosso do Sul)
Penalva (Maranhão)
Pinhão (Paraná) (Tocantins)
Pombal (Paraíba)
Portalegre (Rio Grande do Norte)
Portel (Pará) (Paraná)
Porto (Piauí)

Porto de Moz (Pará) - a grafia actual do topónimo português é Porto de Mós

Queluz (São Paulo)
Raposa (Maranhão)
Resende (Rio de Janeiro)
Rio Tinto (Paraíba)
Sagres (São Paulo)
Santarém (Pará) (Paraíba)

Santo António de Lisboa (Piauí) - muita gente diz "Santo António do Lisboa". mais do que apontar o erro, importa indagar a sua origem - que desconheço

São Gonçalo de Amarante (Ceará) (Rio Grande do Norte) - muita gente diz "São Gonçalo do Amarante". ver "Santo António de Lisboa"

São Paulo de Olivença (Amazonas) - ver "Olivença"

Sarzedo (Minas Gerais)
Silves (Amazonas)
Soure (Pará)
Tomar do Geru (Sergipe)
Valença (Bahia) (Piauí) (Rio de Janeiro)
Viana (Espírito Santo) (Maranhão)
Vila Flor (Rio Grande do Norte)
Viseu (Pará)

além destes casos, surgem cidades com nome antecedido de "Nova", como "Nova Fátima", por exemplo. outras vezes segue-se um qualificativo, como "Tomar do Geru"

......................................
(*) o termo "cidade" tem conotação diferente em Portugal e no Brasil. pelo seu caráter mais genérico, utilizo aqui a acepção corrente no Brasil
......................................


sábado, 2 de setembro de 2006

Portugal e Galiza: a Razão dos Nomes

até que se escreva coisa melhor sobre o assunto, remeto os frequentadores e amigos deste blogue para o Portal Galego da Língua (agal-gz.org), ano V, época 2006/2007, e o notável artigo de Luís Magarinhos Igrejas.
porque o saber ocupa menos lugar do que as certezas.




nota: podem também dar uma espiada no blogue gémeo, posts de 17/03/2006.

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Castelos e Castros Mil



em geral estes topónimos testemunham uma presença humana muito antiga, anterior aos romanos e aos celtas. são o indício dos primeiros povoados ou castros formados por habitações resistentes ao passo dos milénios. do ponto de vista tecnológico, esses povoados pertenciam ao que se convencionou chamar a Idade do Ferro. localizados em pontos altos e cercados por uma ou mais linhas de muralha, criaram imensas dificuldades aos sucessivos invasores.


Castelimo
Castelinho

Castelo da Maia (pronúncia: "Castêlo da Maia")

Castelo Velho

Castendo
Castragosa

Castrelo - diminutivo de Castro
Castrelos (Pt.) - (procure "freguesias")

Castrilhão
Castro da Cidá (Gz.)
Castro d'Aire
Castro da Ponte
Castro de Avelãs (Pt.)

Castro de Rei (Gz.) - segundo julgo saber, a maneira de dizer do povo é "Castro do Rei", com utilização do artigo definido.

Castromao (Gz.) - ver Castro Mau
Castro Marim
Castromaior (Gz.)
Castro Mau

Castromil - parece mas não é. pertence aos topónimos germânicos terminados em "-mil". parece uma forma alternativa de Crestomil e Creixomil. a evolução fonética para "Castro" e "Crasto" pode ter sido influenciada pela vizinhança de topónimos em "Castro".

Castrovães
Castro (Pt., Gz. e Br.)
Castro Verde (Pt. e Gz.) - verde= velho
Crasto
Crastomil - ver Castromil
Crestuma - de "Castrumia": "castro do Umia ou Uima" ("Uima": o ribeiro que lá passa)
Monte Castêlo


terça-feira, 22 de agosto de 2006

Topónimos Terminados em "-eses" ou "-ezes"



os topónimos terminados em "-eses" ou "-ezes" referem-se, regra geral, à proveniência geográfica da população que lhe deu o nome. a terminação "-eses", de origem leonesa (como "portugueses", "franceses", "ingleses") indica que o topónimo - bem como a migração populacional a que se refere - é da época medieval tardia. a terminação "-ense", hoje mais usada, embora linguisticamente menos evoluída, é de origem recente e foi introduzida pelos eruditos. de tal jeito que toda a gente que se preza é alguidarense, parvalheirense e assim por diante.
"-eses" é a evolução galego-portuguesa e leonesa para a terminação latina "-ensis". assim sendo, a grafia correcta será "-eses". no entanto, até não há muito tempo, escrevia-se "portuguezes", "francezes", "inglezes", "chinezes", sem que daí viesse mal de maior à segurança pública - e sem que esta nota constitua um incentivo a que se escreva à vontade dos fregueses.
estou para saber como se auto-denominam os habitantes de "Abraveses", "Astureses", "Cambeses". e assim por diante. será "abravesenses", "asturesenses", "cambesenses"? se assim for, é um curioso pleonasmo.

exemplo de topónimos em "-eses":

Abraveses ou Abravezes (Pt.) - como a terra em si tem uma longa História, o topónimo corresponde a um re-povoamento, por gente oriunda de "Abrav..."

Astureses (Gz.) - gente oriunda das Astúrias. com o mesmo significado existe "Estorãos" (Pt.)

Cambeses (Pt. e Gz.) - gente oriunda de "Camb..." como há vários topónimos em "Cambas" (Cambas, Ribeira de Cambas, Santana de Cambas, Vilarinho de Cambas,...) e existe "Cambás" (Gz.), todos muito antigos, é difícil saber a qual deles se refere o termo "Cambeses", embora a origem mais nortenha seja a provável. com o mesmo significado existem os topónimos Cambões (Pt.) e Cambeiros (Pt. e Gz.) - palavras que, retiradas do seu contexto toponímico, significam outra coisa.

Canaveses -

Gemeses ou Gemezes (Pt.) - gente oriunda de Gemes (Pt.) ? este topónimo está ainda longe de ser pacífico.

Guilhadeses (Pt) - gente oriunda de Guilhade, na Galiza

Lanheses (Pt.) - gente oriunda de Lanhas. há Lanhas em Portugal e na Galiza. a proveniência galega é a provável. ou será gente oriunda de Lanha (Gz.)?

Marco de Canaveses (Pt.) - ver Canaveses

Meneses ou Menezes (Pt.) - gente oriunda de Mena (Astúrias, Es.)

Merideses ou Meridezes (Pt.) - gente oriunda de Mérida (Extremadura, Es.). com o mesmo significado existe "Meridãos" (Pt.).

Repeses ou Repezes
Urgeses ou Urgezes (Pt.) - ver Comentº.

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

A Ilha das Três Indústrias

é uma ilha muito, muito antiga, povoada ininterruptamente desde a Idade da Pedra. a sua toponímia revela vestígios das línguas mais antigas do planeta e os seus campos ainda mostram antas e menires, inúmeras grutas e desfiladeiros escondem antigos rituais, pinturas rupestres, desenhos misteriosos. gente de um fino humor povoa a ilha.
sempre o povo utilizou armas, tomou chás, bebeu cerveja, sidra e vinho, fumou ervas, soube usar o fogo. tudo isso na exata medida do necessário, a contenção devida, a noção do perigo associado. porque os acidentes sempre podem aparecer quando se usa uma arma, quando se usa uma droga, quando se usa o fogo.
mas eis que,de repente, a ilha foi invadida por gente sem nome nem rosto. o povo sabe que "eles" chegaram, mas não sabe quem são, como são, onde moram. apenas que estudaram os três costumes da ilha e com eles montaram três indústrias. que, aliás, ninguém sabe aonde funcionam.
ninguém os vê fabricar o que fabricam nem vender o que vendem. mas o negócio parece próspero.
começaram a surgir armas na ilha. é claro que armas sempre houve, mas não como aquelas, tão modernas e mortíferas. a gente, até aí cordata e de fino trato, começou a resolver questões recorrendo às novas armas. o número de efetivos policiais aumentou, para tentar travar a onda de crimes. a população prisional cresceu também, por via da criminalidade, e o recrutamento de guardas de cadeia aumentou em flecha. e isso foi achado bom. aumentou o emprego e fez desenvolver a economia da ilha. os agentes policiais e guardas de cadeia tinham agora geladeira, televisão e um carrinho em bom estado. as autoridades pensaram que seria melhor legalizar as armas. haveria mais crimes, mais prevenção, mais repressão, mais o que fazer com gente presidiária. haveria mais emprego e mais pessoas poderiam comprar televisão, carro em bom estado e, talvez, um telefone portátil.
a droga também começou a aparecer pela ilha. drogas sempre a ilha tinha conhecido, mas não tão modernas, de efeito tão forte ou de uso tão à descrição. isso tornou-se evidente pelo comportamento estranho de muita gente, sobretudo jovens. andavam doentes, macilentos, delirantes, sem rumo, necessitados de um cuidado qualquer. e isso foi achado bom. surgiram clínicas, com médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, profissionais de secretaria, telefonistas, professores de ginástica, terapeutas ocupacionais, diretores-gerais, chefes de divisão, pregadores e mesmo charlatães. nunca na ilha tinha havido tanto emprego nem de tanta qualidade. as pessoas agora já tinham computador, televisões plasma, carros novos e telefones portáteis de terceira geração. nunca tal ilha tinha atingido um tão faustoso bem-estar.
as autoridades pensaram que seria melhor legalizar as drogas. haveria mais consumo, mais doentes, mais gente perdida. haveria mais clínicas, mais salas de pregação, mais prevenção, mais reabilitação e, por via disso, mais emprego. e mais pessoas poderiam comprar carro novo, aparelhagem de televisão tipo cinema em casa, telefones de terceira geração e acções na Bolsa.
finalmente, chegaram os incêndios. é claro que fogos sempre tinha havido naquela ilha, por aqueles motivos vulgares, artesanais, que todo o mundo sabe. mas nunca desses fogos científicos, de elevada tecnologia e dimensão de catástrofe. cidades inteiras foram rodeados de chamas, de fumo e de vento assustador. e isso foi achado bom. surgiram aviões enormes, helicópteros, carros de combate ao fogo, escadas magirus de último modelo. nunca na ilha se vira uma coisa assim. pessoas houve que tiveram emprego como simples vigilantes de floresta, outras como bombeiros, outras ainda como pilotos, motoristas, sapadores. a ilha foi filmada de lés a lés por várias cadeias de televisão e as fotografias por satélite mostravam as cidades e aldeias rodeadas de manchas escuras de desolação. alguns compravam agora terrenos devastados por um quarto do preço para depois vender por dez vezes mais. e assim compravam vivendas de luxo e um iate para movimentar os portos. e tudo isso foi achado bom.
as autoridades pensaram legalizar os fogos. haveria mais incêndios, mais movimento de aviões e de helicópteros, mais carros de combate aos incêndios, mais prejuízos, mais seguros, mais vigilantes da floresta, mais polícias e guardas no terreno. e as pessoas poderiam sonhar com vir a ter uma vivenda, um mercedes, um barco num dos portos.
talvez legalizando tudo isso se pudesse saber quem faz o quê. e se pudesse cobrar uma receita fiscal nunca imaginada. e com essa riqueza se pudesse levantar uma Civilização nova e faustosa, que ofuscasse todas as obras e monumentos do passado. seria mais tarde - pensavam - conhecida como a Gloriosa Civilização da Ilha das Três Indústrias.
e quando a ilha estava atingindo o topo de sua fulgurante economia, eis que um não previsto fenómeno ocorreu. os seus habitantes desapareceram, passados pelas armas, sumidos pelas drogas, queimados pelas chamas. e o fogo rasou a terra e tudo o que nela havia: não ficou de pé nem geladeira nem carro em bom estado, nem telefone de terceira geração, nem iate no porto. todos os empregos ficaram vagos. o dinheiro já não teve mais ninguém que o usasse. ninguém chegava na ilha por porto ou aeroporto, pois já não valia a pena chegar em nenhum sítio.

quinta-feira, 10 de agosto de 2006

Fornos



a maior parte dos topónimos "Fornos" e derivados refere-se à produção de cal. em alguns deles há uma continuidade evolutiva histórica e tecnológica que manteve a atividade extratora e transformadora até aos dias de hoje.



Alfornelos
Fornaria
Fornelos (Pt. e Gz.)
Fornelos de Montes (Gz.)
Forninhos
Fornos
Fornos de Algodres
Fornos de Maceira d'Ão

alguns "fornos" tenhem outra origem. ver Comentº de Capeloso e resposta

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Águas, Banhos, Caldas e Termas


desde a mais remota antiguidade que os seres humanos estabelecem uma relação particular com estas emanações da terra. a estas águas, com caraterísticas físicas e químicas fora do padrão comum, foi atribuída uma proveniência divina, com propriedades terapêuticas que reportam ao reino do sagrado. o qualificativo de "santa" ou o padroado de uma divindade pagã, de um anjo, de um santo ou de uma santa são muito frequentes no mundo termal. um reino ambíguo e ambivalente, em que o que hoje cura pode matar amanhã. neste processo tem a palavra o psiquismo mais profundo, que pode determinar o apogeu e a queda de uma estância termal. as mesmas termas podem hoje curar doenças difíceis de tratar, como podem amanhã constituir um perigo para a saúde. o exemplo de Águas Radium, em Caria, é apenas um entre muitos. ali, a descoberta dos malefícios da radioatividade instilou o medo que fez passar para plano inferior os benefícios terapêuticos da mesma radioatividade. noutros casos, a perda da crença, ou o desaparecimento dos crentes, fez perder a virtude curativa. noutros casos ainda, dá-se um súbito renascer do potencial de cura de uma certa fonte.
de início, todas as caldas, termas e fontes eram gratuitas e ao ar livre. mas os Impérios e os Estados sempre procuraram controlar esses lugares de culto e de cura, acrescentando-lhes uma envolvência de lazer e de prazer do espírito e do corpo (*). os Gregos, os Romanos, os Árabes, os Reis e as Repúblicas construiram edifícios e parques em redor dos quais nasceram cidades importantes ou se arrumaram povoações que, de outro modo , não teriam surgido. a toponímia ainda nos revela, aqui e além, a intervenção dos poderosos no reino das águas: Caldas da Rainha, Caldas de Reis, Caldas do Bispo, Chaves, Termas da Imperatriz...

"Termas" (do grego) e "Caldas" (do latim) são sinónimos. significam "(águas) quentes".
hoje em dia as termas tornaram-se um destino interessante para gente urbana a contas com o stress e maleitas associadas.


uma tentativa de listagem das termas galegas, portuguesas e brasileiras deverá incluir:

Águas de Chapecó (Br.) - Chapecó pronuncia-se à maneira galego-minhota: "tchapecó". parece significar "carreiro", "trilha", "sendeiro", caminho no mato

Águas de Lindóia (Br.)
Águas do Alardo
Águas Mornas (Br.)

Águas Radium (Pt.)- abandonadas pela sua excessiva radioatividade. nota: onde no link se diz "Curia", deve querer dizer-se "Caria" - freguesia a que pertence a aldeia de "Quarta-Feira" em que se situam as termas

Alcafache (Pt.)
Arnoia (Gz.)
Arteixo (Gz.)
A Sulfúrea (Pt.)
A Toxa (Gz.)
Banho (Pt.)

Baños (ou Banhos - g.i.) de Bande (Gz.) - estão desativadas estas termas, que foram importantes na época romana sob o nome de "Aquis Querquennis", isto é, "as termas dos Kwerkenoi", nome de uma tribo galaica. estavam no trajeto da estrada romana de Braga a Astorga. a divindade tutelar local, Bandua, perpetua-se no topónimo atual.

Baños (ou Banhos - g.i.) de Molgas (Gz.)
Brión (Gz.)
Burga do Muiño (Gz.) - grátis, ao ar livre
Burgas (Gz.)
Caldas da Cavaca
Caldas da Rainha (Pt.)
Caldas da Saúde (Pt.)
Caldas das Taipas

Caldas de Aregos (Pt.) - povoado pré-romano, com o nome da tribo que o habitava ("Arecos")

Caldas de Barbalho (Br.)
Caldas de Moledo
Caldas de Reis (Gz.)
Caldas de S. Jorge (Pt.)

Caldas de Vizela (Pt.) - (ver no enlace a homepage de Sara Abreu). sobre "Vizela" ver post "Hidrónimos ou Nomes de Rios"

Caldas do Bamburral (Br.)
Caldas do Bispo (Gz.) - ver "Chavasqueira"
Caldas Novas (Br.)
Caldelas - é diminutivo de "Caldas"
Caldelas de Tui (Gz.)

Cambuquira (Br.) - de "caá" (planta, folha) + "ambyquyra" (grelo, rebento). é palavra tupi-guarani que significa "grelo, rebento ou broto de planta rasteira, nesse caso "abóbora". lugar (úmido) onde há abóboras. tamém pode significar "(lugar onde há) mato rasteiro"

Carballo (ou Carbalho - g. i.) (Gz.)
Carvalhal
Carvalhelhos (Pt.) - ou "Caldas Santas de Carvalhelhos"
Castelo de Vide

Caxambu (Br.) - ver Comentº. "Cachambú" não é tupi-guarani, mas sim de uma língua africana (?)

Chavasqueira (Gz.)- tamém chamadas "Caldas do Bispo"

Chaves (Pt.) - cidade fundada em 78, deve o seu nome às "águas" e ao imperador romano da gens "Flavia", Tito Vespasiano, que a fundou. seu nome latino: "Aquis Flavis". como Aquis Querquernis (Banhos de Bande), estavam situadas no trajeto da estrada romana de Braga a Astorga.

Curia (Pt.) - as antigas Acquae Curiva
Entre-os-Rios -
Fadagosa (Pt.) -
Felgueira (Pt.) -
Fervença(Pt.) -
Guitiriz (Gz.)  -
Laias (Gz.)  -

Lambari (Br.) - do tupi-guarani "arambaré": "o longe brumoso", "a distância enevoada". em tupi-guarani não existem os sons "l" nem "lh"

Lobios (Gz.)

Longroiva (Pt.) - "Longroiva" parece derivar de "Lango Briga", palavra híbrida com "lango" pré-céltico e "briga" ("monte fortificado", "monte forte" ou "monforte") de origem celta

Lugo (Gz.) - os primeiros edifícios públicos datam do Império Romano - séc. I

Luso (Pt.) - "Luso" parece uma palavra pré-céltica, que significa "lugar alto"

Manteigas  -
Melgaço  -
Monção  -
Monchique  -
Mondariz (Gz.)  -
Monte Real (Pt.) -
Niza (Fadagosa)  -

Ourense (Gz.) - ver "Burgas". merecem ser vistas as fontes do Fervedoiro, ao ar livre (Burga de Abaixo)

Outariz (Gz.) - em recuperação. ao ar livre
Pedras Salgadas
Piratuba (Br.)- de "pira" (peixe) + "tyba" (muito): "lugar onde há muito peixe"
Poços de Caldas (Br.)
Quilombo (Br.)
Rio do Pouso (Br.)
Sangemil (Pt.) - ver post "Topónimos Terminados em "-mil"

S. Gemil - designação equívoca, já que não existe nenhum santo chamado "Gemil". ver "Sangemil"

S. João do Sul (Br.)
S. Pedro do Sul
Termas da Imperatriz (Br.)
Termas da Ladeira de Envendos (Pt.)
Termas da Piedade - ver "Fervença"

Termas de Araxá (Br.) - à letra, "araxá" significa "a vista do mundo", equivalente a "bela vista"

Termas de Cró (Pt.) - abandonadas. é possível que "Cró" tenha origem celta, como "Cro-Magnon" (Fr.), e signifique "mina", "gruta". dizer ou escrever "Termas do Cró" é totalmete arbitrário

Termas de Monfortinho (Pt.) - tem a "Fonte Santa"

Termas do Gravatal (Br.)
Tinteiro (Gz.)
Touca - águas sulfúreas

Treze Tílias (Br.) - no Estado de Santa Catarina, em ambiente do Tirol austríaco

Verin (ou Verim - g.i.) (Gz.)
Vidago
Vimeiro

...................................................................
(*) uma nota a quem procure Termas no Brasil: além das estâncias termais de que estamos falando, pode encontrar outra coisa (sauna, relax, diversão erótica, massagem, enfim, todo um mundo de oportunidades para vários gostos e feitios).

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Topónimos Terminados em "-ões"



estes topónimos têm diversas origens: uns referem-se a fenómenos migratórios, em geral sob a hégide de monarcas em urgência de repovoar o reino (ver post "Topónimos Relacionados com Migrações); outros são genitivos de antropónimos, indicando a quem pertencia a respectiva propriedade; outros, ainda, são (?) plurais de substantivos em "-ão". como na Galiza não se dá a nasalação em ões, estes topónimos só ocorrem em Portugal.

Adões - parece o genitivo de "Ado", antropónimo germânico
Alfolões -
Arengões - gente oriunda de Arenga

Arões - se é o genitivo de "Aaron" (Aarão), indica que o senhor destes lugares seria judeu. mas será? a pronúncia, tanto quanto sei, é com a fechado e não "Àrões". e, se não é o genitivo de um antropónimo, indica gente proveniente e uma terra ou região cujo nome contém a palavra "Aro" (de origem pré-céltica).

Avões
Azões - (?)
Cabanões - gente oriunda de Cabanas (qual?)
Castelões - gente oriunda de Castela
Cavalões
Ceidões - gente vinda de Ceide
Coimbrões - gente oriunda da região de Coimbra
Donões -
Esporões
Fajões
Famões
Farilhões

Feirões - será gente oriunda da Feira? de qual, se este topónimo existe tanto no Norte de Portugal como na Galiza?

Fermentões
Ferrões - será gente oriunda de Ferro?
Gasparões - (?)

Gatões - pode ser gente oriunda de "Gato", topónimo muito frequente na Galiza e em Portugal. (também existe no Brasil por transposição). pode ser equivalente ao topónimo "Gatios". a relação com o animal doméstico "gato" não me parece admissível, pois gatos há-os em toda a parte e arredores.

Lafões
Leitões - (?)
Limões - gente oriunda do vale do rio Lima
Marcões - gente oriunda de Marco (vários)
Melcões
Midões - genitivo de "Mido"
Mões - (?)
Mourilhões - gente oriunda de "Mourilhe"?
Mourões - gente oriunda de "Moura", ou de "Moure"?

Negrões - etimologia pouco clara. de "Nigrán" (Gz.) ? ver "Negrelos", no post "Topónimos terminados em -elos"

Nevões - topónimo de evolução irregular, já que seu nome anterior era "Nevoanes". se a realidade desse ouvidos aos eruditos, a terra chamar-se-ia "Nevoães". influência de um topónimo próximo em "-ões", ou má transcrição fonética?

Novões - será "gente oriunda de Nóvoa (Gz.)" ?
Pendões

Rebordões - possivelmente será equivalente aos topónimos "Rebordãos", "Rebordainhos" e "Rebordeiros", indicando gente oriunda de ... (...será "Rebordo"?)

Segões
Seidões - gente de Seide?
Tedões - genitivo de um antropónimo, "Tedo", possivelmente germânico
Telões - genitivo de "Telo"
Tenões
Terrões
Toulões
Vascões - gente do País Basco

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Minas, Minerais e Mineração



desde muito longe no tempo, o homem procurou as jazidas de metais. navios e caravanas percorreram milhares de quilómetros em demanda do ferro, do cobre, do estanho, do ouro, da prata e do carvão que alimentaram as civilizações da borda mediterrânica: Creta, Egipto, Grécia, Roma e Islão. o ocidente, em especial o eixo atlântico Galiza-Portugal, foi sempre um especial destino dessa busca. mas não fomos apenas meros extratores da matéria-prima, por conta de clientes estrangeiros. o Norte de Portugal e a Galiza albergaram também os lugares da sua transformação: ourives, prateiros, ferreiros, artesãos do cobre e do estanho construiram escola e tradição própria, de que são testemunho ainda vivo alguns lugares do Noroeste. em Portugal, Febres, Gondomar e a tradição da filigrana e das arrecadas minhotas dão boa conta de si.
um lugar à parte fica reservado para Santiago de Compostela, lugar de transformação da matéria e do espírito.
a presença de metais, de minas, de restos de mineração, de escória, enfim, de vestígios dessa extração, transformação e comércio, deixou marcas na Toponímia, assim como na Onomástica (sobrenomes "Ferreiro" - Gz. -, "Mineiro", "Prata", "Pratas", ...).
uma vez aberto ao estabelecimento de colónias europeias, o Brasil logo se revelou como um novo e prodigioso destino na busca de minérios, metais e pedras preciosas. a toponímia brasileira de origem portuguesa tem larga participação de palavras que se referem à mineração, desde pequenos lugares até cidades e ao nome de grandes Estados.


Abrantes (?)- ver Comentº
Alfarela (?) - vocábulo relacionado com "barro" ou terreno com sedimentos

Alfarela de Jales - as minas de Jales forneceram muito ouro às civilizações do Mediterrâneo

Alfarelha - ver "Alfarela"
Algar - do árabe: barroca, caverna, cova, escavação(*)
Algares - plural híbrido de al-gar(*)
Algueirão - de árabe (plural de al-gar): covas, galerias, escavações(*)
Almada - do árabe al-ma'adanâ: mina, minério
Almada de Ouro - ver "Almada"
Almadanim - variante dialectal de "Almada"
Almadeina - variante dialectal de "Almada"
Almádena - variante dialectal de "Almada"
Alumínio (Br.) - ver Comentº
Argirita (Br.) - ver Comentº
Barroca Grande
Berilo (Br.)
Caverna (Pt. e Br.) - algumas minas de estanho tenhem este nome
Cavernas (Pt. e Br.) - ver "Caverna"
Conceição dos Ouros (Br.) - ver Comentº
Cova dos Mouros
Covilhã (?)
Crisólita (Br.) - ver Comentº
Escorais
Escoura - o mesmo que "escória"
Escoural - de "escória". em castelhano: "Escorial"
Escourão
Escouras - o mesmo que "escórias"
Escoureda (Pt. e Gz.)
Escouredo (Pt. e Gz.)

Ferradal (Pt. e Gz.) - local onde há minério de ferro. o mesmo que "Ferral"

Ferral (Pt. e Gz.) - ver "Ferradal"
Ferraria (Pt., Gz. e Br.) - local de extracção e mineração do ferro
Ferrarias
Ferreira (Pt., Gz. e Br.) - mina de ferro
Ferreiras
Ferrel
Ferreria (Gz.) - o mesmo que "Ferraria"

Ferro (Pt., Gz. e Br.) - pelo menos em alguns dos casos, refere-se ao minério
Ferros (Br.) - ver Comentº

Garimpeiro (Br.) - é nome de ribeiro aurífero no Estado de Minas Gerais

Garimpo (Br.) - é nome de ribeiros auríferos nos Estados de Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais

Lavras (Br.) - no sentido de lugares onde se extraía o ouro

Mina
Minador do Negrão (Br.)
Minas
Minas Gerais (Br.)
Minas Novas (Br.)

Oeiras (Pt.) - numa região de uma ancestral actividade extractora, o topónimo parece dever-se à presença do ouro no rio Tejo, noutras épocas

Oura
Ourense (Gz.)
Ourentã
Ourentela (Pt.) - diminutivo de Ourentã ("Ourentanela")
Ourinhos (Br.)
Ourique (?)
Ouro Branco (Br.)
Ouro Fino (Br.) - ver Comentº
Ourolândia (Br.)
Ouro Preto (Br.)
Ouro Verde de Minas (Br.) - ver Comentº
Penacova (?)

Praça de Obradoiro (Gz. - Santiago) : as interpretações a que o nome desta praça se tem prestado, desde "estaleiro das obras" (da Catedral Medieval) até "lugar onde se realiza ou completa a Obra Alquímica" ou Obra d'Oiro...

Prata (Br.) - ver Comentº
Pratinha (Br.) - ver Comentº
Pratópolis (Br.) - ver Comentº
Rua da Prata
Rua do Ouro
Rua dos Azevicheiros (Gz. - Santiago)
Rua dos Ourives
Rua dos Prateiros (Gz. - Santiago)
S. Pedro da Cova
Tresminas




.........................................................
(*) não é topónimo exclusivo de lugar de mineração






segunda-feira, 31 de julho de 2006

Topónimos Terminados em "-elos"


Os topónimos com esta terminação são, regra geral, diminutivos de outros topónimos, indicando tratar-se de uma povoação derivada da primeira ou mais pequena que ela. noutros casos indica tratar-se de gente oriunda de um país ou de uma região. algumas excepções não desvirtuam a regra




exemplos:

Alfarelos - não é diminutivo. "lugar onde há fabricantes de loiça de barro". ver post

Alfornelos - ver Comentº. é um topónimo híbrido, do artigo árabe al e fornelos (forninhos). é o diminutivo de Fornos

Alvelos

Amarelos - não creio que se refira a uma côr, ao contrário dos mestres. ver post

Barcelos - ver post. existe o duplo diminutivo "Barcelinhos". mas "Barcelos" deve ser "gente oriunda de O Barco" (Gz.), e não diminutivo de "barcos"

Cacabelos (Gz.) - ver "Carcavelos"

Campelos (Pt. e Gz.) - diminutivo de "Campos"

Carcavelos - o verdadeiro nome seria "Cacabelos", como na Galiza e em León. a origem deste topónimo é muito antiga, provavelmente pré-céltica (isto é, nativa). significado incerto: "terreno pedregoso"?

Cativelos - topónimo obscuro
Cepelos (Pt. e Gz.) - diminutivo de "Cepos"
Currelos (Pt. e Gz.) - diminutivo de "Curros" ( ? )
Fermentelos - diminutivo de "Fermentões"
Fornelos - diminutivo de "Fornos"
Fradelos (Pt. e Gz.) - refere-se à presença de frades ("fradinhos")
Francelos - diminutivo de "Francos", "gente oriunda de França"

Gondifelos - parece provir de um genitivo de um antropónimo germânico em "Gond-". existe o diminutivo "Gondifelinhos"

Mancelos - parece um genitivo do antropónimo "Mâncio" (Mantius), que também deu o topónimo "Manços". ou será o diminuitivo desse "Manços"

Massarelos - o topónimo galego homónimo é "Mazarelos", pelo que a grafia correcta deveria ser "Maçarelos": como se sabe, o z em Espanha tem o valor de ç (ts) em Portugal. topónimo de etimologia desconhecida

Mazarelos (Gz.) - a grafia reintegracionista será "Maçarelos". ver "Massarelos"

Molelos- existe também o duplo diminutivo "Molelinhos"

Mozelos - pronúncia "Mòzèlos"

Negrelos (Pt. e Gz.) - etimologia desconhecida. terá algo que ver com "Nigrán" (Gz.)?

Sargadelos
Sedielos - diminutivo de ...?

Vasconcelos - diminutivo de Vasconços (bascos). terra povoada por gente vinda do País Basco.


terça-feira, 4 de julho de 2006

Topónimos Terminados em "-ar" (*)



também esses loiros cavaleiros deixaram rasto na Toponímia por terem possuído terras e suas gentes. com a exceção de "Tomar", que é um caso à parte, todos esses topónimos se situam, mais uma vez, a norte do rio Mondego:

Abermar - ver "Avermar"
Aldoar - genitivo de um antropónimo germânico
Ansemar (Gz.) -
Armamar - genitivo de um antropónimo germânico

Avermar - não pertence aos genitivos de antropónimos, germânicos ou outros. por se encontrar ao pé do mar, junto à Póvoa de Varzim, este topónimo tem sido objecto das grafias mais imaginativas, como a célebre "A-ver-o-mar", que antecedeu a actual "Aver-O-Mar". a pronúncia da gente local é "Abremar" ou "Abermar". já foi "Abonemar" e "Avenomar". trata-se de um verdadeiro quebra-cabeças. supõe-se uma origem pré-latina (celta?).
como nada se sabe, a melhor grafia é a que reproduz a pronúncia

A-ver-o-mar - ver "Abermar"
Aver-o-mar - ver "Abermar"
Balasar (Pt. e Gz.) - genitivo de Belisari(u), antropónimo germânico

Baltar (Pt. e Gz.) - genitivo de Baltari(u), antropónimo germânico - que tamém deu "Balteiro"

Belsar (Gz.) - variante dialectal de Balasar?
Bolfiar - genitivo de um antropónimo germânico
Gonçar (Gz.) - graf. altern: Gonzar
Gondar (Pt. e Gz.) - ver post

Gondomar (Pt. e Gz.) - ver post


Gualtar - genitivo de Gualter/Walter, antropónimo germânico
Loimar (Gz.) - ver "Lomar"

Gulfar (Gz.) -

Lomar - pronúncia: "Lòmar". genitivo de Leodemar(u), antropónimo germânico. tem as formas próximas "Loimar" (Gz.) e "Loumar" (Pt.)

Loumar (Pt.) - ver "Lomar"
Portomar - topónimo enigmático, como "Abermar"/"Avermar"
Santar (Pt. e Gz.) - genitivo de Santari(u), antropónimo germânico

Tomar - caso único na toponímia galego-portuguesa. como foi sede dos Templários, há quem veja neste topónimo desígnios insondáveis e significações esotéricas. diz-se que Tomar seria o rio hoje chamado Nabão. mas o problema é que ambos os hidrónimos radicariam em línguas celtas, sendo então Tomar parente de Tambre (Gz.) e Nabão parente de Navia (Gz.) e Neiva (Pt.), o que torna tudo muito confuso e pouco económico. como "mar-" é "cavalo" em muitas línguas germânicas, e "thiuda"/"toda" é "povo", será Tomar a cidade do "Povo Cavaleiro" ou, simplesmente, "dos Cavaleiros"? nesse caso, seria um neologismo inventado na hora da sua fundação, no séc. XII

Vacalar - já teve a grafia "Bacalar".
Xermar (Gz.) -


.....................................................................................................................
(*) - há topónimos terminados em "-ar" que não fazem parte deste grupo. é o caso de:

Açumar - ver "Assumar"
Aguiar
Alfafar - ver post
Assumar - a sul do rio Mondego. do árabe "aç-çumar": "junco"
Avelar
Miramar
Montelavar - a sul do rio Mondego. mesma origem linguística de "Lavre"



sexta-feira, 30 de junho de 2006

Topónimos Terminados em "-im"/ "-ín"





estes topónimos indicam também que o local foi pertença de um senhor, cujo nome aparece no genitivo. a terminação "-im"/ "ín" indica um genitivo em "-ini", como é vulgar nos patronímicos italianos. linguisticamente falando, a maior parte destes topónimos não é de origem germânica.





alguns exemplos:

Abedim (Pt.) -
Aboim (Pt. e Gz.) - genitivo de "Abolin(u)". na Galiza aparece grafado "Abuín". origem linguística?

Abuín (Gz.) - ver "Aboim"
Aguim - de "villa aquilini": a quinta de Aquilino
Albín (Gz.) - ver "Alvim"
Alvim - genitivo de Albin(u). na Galiza é "Albín"
Amorim (Pt. e Gz.) -
Arentim - genitivo de "Arenti(u)", antropónimo de origem romana (?)

Badim (Pt.) - ver Padim
Baguim (Pt.)
Baguim do Monte (Pt.)

Bensafrim - não pertence ao grupo dos restantes. "Ben", em árabe, significa "filho de", aplicável a tribos. neste caso falta saber o que significa "safrim" e de que tribo ou povo se trata

Bermoim (Pt. e Gz.) - ver "Vermoim"

Bermuín ou Bermoim (grafia integracionista - gi) (Gz.) - ver "Bermoim" e "Vermoim"

Castro Marim (Pt.) -

Cedrim - pronúncia: "Cèdrim". genitivo de "Ceterin(u)". não parece de origem germânica

Constantim (Pt. e Gz.) - genitivo de "Constantinu" (Constantino), antropónimo de origem grega, que aqui chegou pelo latim. é um antropónimo cristão. graf. altern. (Gz.): Constantin

Donim
Fregim

Godim - genitivo de "Gut...", antropónimo germânico. pronúncia "Gudim"

Gondelim - genitivo de "Gondelin(u)", antropónimo germânico

Gondim - genitivo de "Gund(u)", antropónimo germânico. a pronúncia dominante é "Gundim"

Gontim - ver "Gondim"
Gudín (Gz.) - ver "Godim"

Gundín (Gz.) - ver "Gondim"

Lalim (Pt. e Gz.) - pronúncia: "Làlim". genitivo de "Llall". origem celta
Lalín ou Lalim (gi) (Gz.) - ver "Lalim"
Landim (Pt. e Gz.) - de "Nandin(u)". provável origem germânica
Landín ou Landim (gi) (Gz.) - ver "Landim"

Merelim
Mondim (Pt. e Gz.) - pode ser de origem celta e tamém germânica. de "Munds" (germ.)?, de "Mund-" (celta)? terá relação etimológica com "Mondego"?

Mondín ou Mondim (gi) (Gz.) - ver "Mondim"

Nandim

Padim (Pt. e Gz.) - genitivo de "Palatin(u)"? se assim for, deveria pronunciar-se "Pàdim" (de Palatini, Paadim), o que não oiço nem escuto

Sendim (Pt. e Gz.) - genitivo de "Sendin(u)", antropónimo germânico

Senhorim (Pt. e Gz.) - genitivo de "Senior", nome próprio. ver "Senhoriz", no post

Señorín ou Senhorim (gi) - ver "Senhorim"
Tadim - genitivo de "Tadin(u)". origem linguística?

Trevim - pronúncia: "Trèvim". não é genitivo de antropónimo. ver post

Valezim (Pt.)

Varzim - genitivo de "Veraci(u)": "Veracini" ou "Euracini", com "u" no valor de "v". não parece antropónimo germânico. a "Póvoa de Varzim" é, pois, um duplo genitivo: "Póvoa de".. "de Veracio". é um disparate dizer ou escrever "Póvoa do Varzim".

Verim (Pt. e Gz.) - pronúncia: "Vèrim". genitivo de "Verin(u)", antropónimo latino

Verín ou Verim (gi) (Gz.) - ver "Verim"

Vermoim - genitivo de "Ver-Mud(u)" ou "Bermud(u)". será um nome Vikking?

Vilar Torpim - "Torpim" é genitivo de um antropónimo (Turpino ?)

domingo, 25 de junho de 2006

Topónimos terminados em "-mil"



não seriam muitos, mas não há dúvida que vieram para possuir a terra. ao contrário dos romanos, que administravam territórios com a cobertura do poderio militar (sendo proporcionalmente poucas as villae, quintas ou fazendas de romanos de raiz), os novos senhores germânicos instalaram-se aqui para fazer da nossa terra a terra deles tamém. como senhores, é bom de ver. a toponímia galego-portuguesa não me deixa mentir: os "...ar", "...ães", "...ufe", "...ulfe", "...inde", "...ende", "...iz", e agora os "-mil", não serão milhares mas são realmente muitos. traduzem uma vivência rural, uma opção pelo campo em desfavor das cidades - onde os romanos vencidos tinham preferido viver até então. colapsam as "Bragas" e "Idanhas", desaparecem cidades, perde-se o fio à meada no Itinerário de Antonino. a vida retorna à terra-mãe, ao seio da natureza. as relações de poder de tipo administrativo passam agora para relações de poder de carácter ético e moral.
da língua deles, incompreensível a nativos e romanos (que lhes chamavam bárbaros, por causa do blá-blá inentendível que soltavam das goelas), restam estes topónimos no genitivo latino: "(propriedade) de f..."
aprenderam o latim, mas como os romanos já não mandavam para os corrigir, o latim deles, mais o dos nativos, deu em galego-português. e não está nada mal, ficou até legal. bem melhor que o inglês, que o diabo o fez (*).

alguns exemplos:

Argomil -
Bermil (Gz.) - de "Belmir", actual "Belmiro"
Candamil (Gz.)
Candemil (Pt.)
Castromil
Contomil (Gz.) - ver Contumil
Contumil - tem muitas variantes dialectais, em Portugal e na Galiza.
Contumilo - ver Contumil
Cregimil (Gz.) - ver Creixomil
Creixomil - possível origem germânica (?). de Cristemir(u)? de Crexemir(u)?
Enchemil
Fermil
Germil (Pt. e Gz.) - genitivi de "Gelmir"
Gondomil (Pt. e Gz.) - ver Contumil
Gontomil (Pt.) - ver Contumil
Guadramil (Pt.) - genitivo de um antropónimo germânico
Guntimil (Gz.) - ver Contumil
Guntumil (Gz.) - ver Contumil
Lantemil
Lentemil (Gz.) - ver Lantemil
Lentomil (Gz.) - ver Lantemil
Leomil - genitivo de "Leomir"
Leomir - ver Leomil
Quindimil (Gz.)
Saamil (Gz.) - ver Samil

Samil (Pt. e Gz.) - ver Comentº. (pronunc. "Sàmil"). genitivo de antropónimo germânico: "Salamiro", de "sala"+"mereis"

Sandomil (Pt. e Gz.)

Sangemil - genitivo de antropónimo germânico. aparece também sob as formas "Sanjomil" (Pt.) e "Sanjumil" (Gz.). não vai há muito muito tempo que vi o nome das termas de Lageosa do Dão grafado "S. Gemil"

Vermil (Pt.) - ver Bermil





...............................................................................................................
(*) tendo em conta que essa erva-daninha se tornou obrigatória nas culturas em Portugal desde a escolaridade básica, e que já ninguém é capaz de escrever coisa que se veja senão nessa espécie de língua, calcula-se que as próximas Comunicações de Ano Novo dos senhores Presidente da República e Primeiro Ministro sejam proferidas em Inglês, para poupar dinheiro ao Défice e evitar calinadas, pontapés na gramática e os inefáveis "controlos" e "impactes".

segunda-feira, 19 de junho de 2006

Topónimos Terminados em "-iz"



com este artigo termino por agora a minha incursão pelos topónimos que indicam a pertença do local a proprietários germânicos, durante o domínio godo ou suevo. com razão ou sem ela, muitos dos topónimos em "-iz" têm sido atribuidos a proprietários suevos. certo é que o reino suevo correspondia à Galécia, ou seja, presentemente, à Região Autónoma da Galiza e a Portugal a norte do Rio Mondego - precisamente o mesmo território onde estes topónimos abundam.
mas não sei se é grande argumento.
representam também genitivos dos antropónimos correspondentes e fazem lembrar os patronímicos eslavos, sobretudo os do sul (os apelidos de sérvios, croatas, montenegrinos e bósnios).
a segunda parte que compõe o antropónimo de origem é "Rik", que significa "chefe"

alguns exemplos:

Alhariz (Gz.) - genitivo de Alarico. "Al..."+"Rik". graf. altern. Allariz
Anceriz (Pt.)
Ariz (Gz.)
Beariz (Gz.)
Beiriz
Brandariz (Gz.)
Buriz (Gz.)
Destriz (Pt.)
Eiris (Gz.) - ver Eiriz
Eiriz (Pt. e Gz.) - genit. de Eric?
Esmeriz (Gz.)
Esmoris (Gz.) - ver Esmoriz

Esmoriz (Pt. e Gz.) - há os topónimos associados Esmorigo (Pt.), Esmorigos (Pt.) e Esmorique (Gz.)

Espairiz (Pt.) - de "Asperigu", antropónimo germânico, que terá dado também o topónimo Espairo

Esparis (Gz.) - ver Espairiz
Espariz (Pt. e Gz.) - ver Espairiz
Esporiz (Gz.)
Formariz (Pt.)
Freiriz (Pt.)
Goiriz (Gz.)
Golariz (Gz.)
Gondariz - ver Gondoriz
Gondoriz (Pt. e Gz.) - de "Gunde" (combate)+ "Rik" (chefe)?
Gontariz (Pt. e Gz.) - ver Gondoriz
Guitiriz (Gz.) de "Witeric", antropónimo de um rei suevo
Lavariz (Pt.)

Mariz (Pt. e Gz.) - (pronunc. "Màriz"). genitivo de Malaric ("Mala"+"Rik") , antropónimo germânico

Mondariz (Gz.) - genitivo de "Munde"+"Rik"
Mondriz (Gz.) -
Mouriz (Pt. e Gz.) - genitiv de Mauric: "M..."+ "Rik"
Nariz - topónimo ainda não explicado convincentemente
Queiris (Gz.) - ver Queiriz.

Queiriz (Pt.) - não será germânico nem genitivo de um antropónimo. parece referir-se às condições físicas e geológicas do local. de "carr-": pedra. da família de topónimos em "Queir...", como Queiriga, Queiroga (Gz.), Queirós (Pt.), Queiroso (Gz.), Queiruga (Gz.), Quiroga (Gz.)

Reriz (Pt)
Romariz (Gz.)

Roriz (Pt.) - (pronunc. "Ròriz"). genitivo de "Rode"+"Rik": Roderic - o actual antropónimo "Rodrigo"

Selhariz

Senhoriz - genitivo de Senior, que não é antropónimo germânico (linguisticamente falando)

Toiriz (Gz.)
Troporiz (Pt.)
Tudriz (Gz.)
Uriz (Gz.)
Vilafiz (Gz.)
Vilamariz (Gz.)
Vileiriz (Gz.)
Xeriz (Gz.)


quinta-feira, 8 de junho de 2006

Nomes, Sobrenomes e Apelidos de Origem Toponímica


1 - a presente postagem foi copiada na íntegra, sem menção de autoria. o material copiado daqui para o blogue infrator foi posteriormente foi retirado.

2 - nova violação de direitos de autor: a presente postagem foi copiada na íntegra, sem menção de autoria. o material copiado daqui para o blogue infrator foi posteriormente retirado.
...............................................................................................................

virando a coisa ao contrário...
...já nem reparamos nisso, tal a naturalidade com que usamos o nome e o apelido. mas muitos deles são inspirados em nomes de lugares, de aldeias, de vilas, de cidades, de regiões e de países.
as mudanças históricas e demográficas na importância relativa de muitas localidades determinaram que alguns destes apelidos ou sobrenomes se refiram a povoações secundárias ou de menor importância. no entanto, quando deram origem aos sobrenomes correspondentes teriam forçosamente que ter a importância necessária para servirem de referência fácil de identificar. certo é que na Antiguidade o nome variava ao longo da vida do sujeito, podendo este adotá-lo em função do significado de uma dada terra ou região na sua biografia pessoal.
quando o sobrenome, é de origem toponímica, é habitualmente precedido da preposição "de" e do respetivo artigo definido, quando há história de posse da terra ou de título de nobreza. quando o sobrenome se refere a uma cidade, vila ou aldeia de onde a família é originária, mas sem ter tido a posse da terra, o sobrenome não costuma ser precedido da preposição nem do artigo, se bem que haja exceções.
embora haja uma tendência para deixar cair a preposição, sou de opinião que ela se deve manter em uso, como fazem os espanhóis ("de", "del", "de la"), os franceses ("de", "du", "de la"), os belgas flamengos e holandeses ("van", "van den","van der", "van't"), os italianos ("dà", "de", "di") e os alemães ("van", "von"). os portugueses emigrados na América de língua inglesa usam "De Sousa", "Da Silva", etc., e fazem muito bem.
não se trata, propriamente, de um costume próprio de gente nobre, a que, por conseguinte, seja necessário pôr cobro numa República que se preze. é uma questão linguística simples e clara: a preposição e o artigo indicam que esse sobrenome é de origem toponímica e qual a sua proveniência. a ignorância não pode servir de pretexto para uma tal simplificação.
há casos em que as famílias utilizam a preposição colada ao nome, para a não perderem (Dacosta). noutros casos, sobretudo em nomes espanhóis, deu-se uma enxertia parcial do "de la" ao nome: "Lacerda", de "de la Cerda".
quando dois apelidos seguidos são de origem toponímica, pode usar-se "F. de...e de...". ou, no caso de o apelido ter origem em duas famílias com pergaminhos, pode usar-se o traço de união, como em França. exº: "David Mourão-Ferreira". já, por exemplo, usar "Marques-Pires" ou "Duarte-Santos" será totalmente descabido, porque nenhum dos apelidos é de origem toponímica.
os nomes e apelidos que se seguem podem ser encontrados no Brasil, sendo a sua proveniência a mesma.

alguns exemplos:

Abelaira - apelido ou sobrenome toponímico. origem galega.

Abelheira - apelido ou sobrenome toponímico.

Aboim - apelido toponímico. há vários topónimos "Aboim" no Entre-Douro-e-Minho e na Galiza.

Abranches - apelido toponímico, de "Avranches", cidade da Normandia (Fr.). também aparece grafado Avranches. ver Comentºs. se "Avranches" e "Abrantes" têm uma origem comum ou não, é uma questão em aberto. precedido de "de"

Abrantes - apelido toponímico. de "Abrantes", cidade portuguesa do distrito de Santarém, Ribatejo. ver "Abranches"

Abreu - apelido toponímico. precedido de "de". origem galega

Abrunhosa - apelido ou sobrenome toponímico

Adriana - ver Adriano

Adriano - nome próprio. derivado de "Adria", antiga cidade da Dalmácia - que deu também o nome ao mar "Adriático"

Adrião - sobrenome. é o mesmo que "Adriano", só que mais desgastado foneticamente, ou seja, mais antigo

Agra - sobrenome de origem toponímica. precedido de "da"

Alarcão - apelido toponímico. origem espanhola (Astúrias: "Alarcón"). precedido de "de" ou "d'"

Albergaria - apelido toponímico. pode ser precedido de "de" ou "d'"

Albuquerque - apelido toponímico. precedido de "de". origem na Extremadura, Espanha

Almada - apelido toponímico. precedido de "de". ver post "Minas, Minerais, Mineração"

Almeida - apelido toponímico. precedido de "de"

Alorna - apelido toponímico. de "Alorna", Goa, antiga Índia Portuguesa.

Alvarenga - apelido toponímico. pode ser precedido de "d'"

Alvim - apelido toponímico. precedido de "de" ou "d'"

Alzira - nome feminino. da cidade de "Alzira", Província de Valência, Espanha

Amoedo - apelido toponímico de origem galega. de Amoedo, Pontevedra

Andrade (Pt., Gz. e Br.) -apelido toponímico de origem galega. precedido de "de"

Aquino - é originariamente um sobrenome de origem toponímica, de "Aquinum", cidade do Lácio. no entanto, muitos "d' Aquino" têm origem religiosa de fé católica romana: de S. Tomás de Aquino

Aragão - apelido toponímico. origem espanhola. precedido de "de"

Aranda - apelido toponímico. origem espanhola

Araújo (Pt., Gz. e Br.) - apelido toponímico. precedido de "de". várias povoações, galegas e portuguesas, com o mesmo nome

Arménio - nome próprio, referente à Arménia

Arouca - apelido ou sobrenome de origem toponímica. da vila de "Arouca" (Pt.)

Arzileiro - apelido ou sobrenome que significa "habitante ou oriundo de Arzila, freguesia do concelho e distrito de Coimbra

Ataíde - apelido toponímico. vários topónimos portugueses "Ataíde", pelo que as origens do sobrenome podem ser diversas. graf. altern. Atahyde, Atayde e Athayde

Atahyde - ver Ataíde

Atayde - ver Ataíde

Avelino - nome próprio. origem numa cidade da Campânia, Itália, com o mesmo nome

Ávila - apelido toponímico. de Ávila, Espanha. precedido de "de" ou "d'"

Azenha - apelido toponímico

Azeredo - apelido ou sobrenome toponímico. de "Aceredo" ou "Azeredo", na Galiza, província de Ourense

Azevedo - apelido ou sobrenome toponímico. precedido de "de"

Bahamonde (Gz.) - apelido ou sobrenome de origem toponímica. origem na Galiza, Província de Lugo. precedido de "de"

Baião - apelido ou sobrenome toponímico. de Baião (Pt.)

Balsemão - apelido ou sobrenome toponímico. de Balsemão (Pt.)

Barcelos - apelido ou sobrenome toponímico. de Barcelos (Pt.)

Barranco - apelido ou sobrenome toponímico. raro em Portugal

Barreira - apelido ou sobrenome toponímico

Barroqueiro - sobrenome toponímico. de "Barroca" (Pt.)

Barros (Pt. e Gz.) - sobrenome de origem toponímica. precedido de "de"

Barroso (Pt., Gz. e Br.) - apelido toponímico. origem na região da serra da Barroso (Pt.). admite a grafia arcaizante Barrozo (Br.)

Basto (não confundir com "Bastos") - apelido toponímico. origem na região de Basto (Pt.)

Beja - apelido ou sobrenome toponímico

Bessa - apelido toponímico

Biscaia - apelido toponímico. de "Vizcaya", País Basco

Bivar - apelido toponímico de origem espanhola. de "Vivar del Cid", Burgos. precedido de "de"

Bolhão - enquanto sobrenome, ver "Bulhão"

Bouça - apelido ou sobrenome de origem toponímica

Bouças - apelido ou sobrenome de origem toponímica

Bouçós - apelido ou sobrenome de origem toponímica

Braga - apelido toponímico

Bragança - apelido e título nobiliárquico de origem toponímica

Brandão - apelido toponímico

Breda - apelido toponímico, de Breda, na Holanda

Brito - apelido toponímico. precedido de "de"

Bulhão - apelido de origem toponímica. origem franco-belga. de "Bouillon"

Bulhões (Pt. e Br.) - apelido de origem toponímica. origem franco-belga. de "Bouillon". precedido de "de"

Cabanelas - apelido toponímico

Cabeçadas - apelido ou sobrenome de origem toponímica

Caldas (Pt. , Gz. e Br.) - apelido toponímico. refere-se a termas. origem diversa

Calheiros - apelido ou sobrenome de origem toponímica. de "Calheiros", freguesia do concelho de Ponte de Lima

Caminha - apelido toponímico

Campelos - apelido toponímico nortenho (Pt.)

Campos (Pt., Gz. e Br.) - apelido toponímico. origem leonesa. precedido de "de"

Candal - apelido toponímico

Candoso - apelido ou sobrenome de origem toponímica

Canosa (Gz.) ou Canossa (Pt.) - sobrenome curioso, pois que os topónimos "Canosa" ocorrem na Itália do sul (Canosa di Puglia, Canosa Sannita). ocorre nas regiões nordestinas da Galiza e tamém no litoral da Costa da Morte. existe em Portugal sob a grafia Canossa (origem galega?).

Cantanhede - apelido ou sobrenome de origem toponímica. origem: Cantanhede

Cargaleiro - variante de Carregaleiro? ver "Carregaleiro"

Carmona - apelido toponímico, de Carmona, Andaluzia, Espanha. pronúnc.: "Càr-môna"

Carneiro - apelido toponímico. origem na Serra do Marão

Carregaleiro - sobrenome ou apelido de origem toponímica. de "Carregal"

Carnota - ver "Carnoto"

Carnoto - sobrenome dado a alguém cuja família é oriunda de Carnota (Pt.? Gz.?)

Carreira - apelido toponímico. origem em várias povoações (Pt. e Gz.) com o mesmo nome
Carril - apelido ou sobrenome de origem toponímica (Gz.).

Cartaxeiro - apelido ou sobrenome que significa "natural do Cartaxo"

Cartaxo - apelido ou sobrenome de origem toponímica

Carvalhal - apelido ou sobrenome de origem toponímica

Carvalheda - apelido toponímico

Carvalheira - apelido toponímico

Carvalho - apelido toponímico. precedido de "de". origem em várias povoações com esse nome

Castanheira - apelido de origem toponímica

Castela - apelido toponímico. de Castela, região espanhola

Castelão - ver Castela

Casteleiro - ver Castela

Castelo Branco (Pt. e Br.) - apelido toponímico. pode ser precedido de "de"

Castro (Pt., Gz. e Br.) - apelido toponímico. origem galega. precedido de "de"

Catalão - apelido ou sobrenome toponímico. de Catalunha

Catoira (Gz. e Br.) - sobrenome ou apelido de origem toponímica. de Catoira, Pontevedra, na Galiza

Cavadas - apelido ou sobrenome de origem toponímica

Cedofeita - apelido ou sobrenome de origem toponímica

Chaves - apelido toponímico

China - não é apelido ou sobrenome toponímico, mas sim alcunha. origem em características fisionómicas?

Chousa - sobrenome de origem toponímica. existe em Portugal e na Galiza

Cintra - apelido ou sobrenome de origem toponímica. de "Sintra"

Cipriano - nome próprio, referente a Chipre

Coimbra - apelido ou sobrenome toponímico

Cordinhã - apelido ou sobrenome de origem toponímica. de "Cordinhã", freguesia do concelho de Cantanhede, distrito de Coimbra (Pt.)

Costa (Pt., Gz. e Br.) - apelido ou sobrenome toponímico. origens diversas. precedido de "da"

Couto - apelido ou sobrenome toponímico. vários topónimos "Couto". pode ser precedido de "de"

Cumbrao - apelido ou sobrenome toponímico. origem em Cumbrao (vários), na Galiza

Cumbraos - apelido ou sobrenome toponímico. origem em Cumbraos (Gz.)

Cunha (Pt., Gz. e Br.) - apelido toponímico. várias origens e grafias na Galiza (Acuña, Cuiña, Cuña). as famílias portuguesas com esse nome têm origem no Norte, região de Braga. de uma propriedade ou quinta chamada da Cunha Velha. precedido de "da". junto com "(da) Silva", é uma das linhagens mais antigas de Portugal.

Cunhal - sobrenome de origem toponímica

Damasceno - nome e sobrenome de origem toponímica. "de Damasco".

Dantas - sobrenome de origem toponímica. está por "d'Antas"

Devesa - sobrenome de origem toponímica. existe em Portugal e na Galiza

Douteiro - sobrenome de origem toponímica, contracção de "Do Outeiro"

Dubra (Gz.) - sobrenome de origem toponímica. de Val do Dubra (Gz.)?

Dutra (Pt. e Br.) - apelido toponímico. origem flamenga. de Josse van Huertere ou Joz d' Utra, senhor do Faial e do Pico (Açores) por doação régia (séc. XV)

Echeverria - apelido toponímico. origem basca. significa "Casa Nova"

Eiras - sobrenome de origem toponímica

Elvas - sobrenome de origem toponímica

Emília - nome próprio. origem em região de Itália

Emiliano - ver "Emília"

Ermida - sobrenome de origem toponímica

Espadaneira - sobrenome ou apelido de origem toponímica. de "Espadaneira"

Espanha - apelido toponímico. também aparece, talvez maioritariamente, com a grafia "Hespanha"

Espinhal - sobrenome toponímico. de Espinhal (Pt.), Beira Litoral

Évora - apelido ou sobrenome de origem toponímica. frequente em Cabo Verde

Fafiães - apelido ou sobrenome toponímico

Fangueiro - apelido ou sobrenome que significa "pessoa natural de Fão" (concelho de Esposende)

Fanha - apelido ou sobrenome toponímico

Fanhais - apelido ou sobrenome toponímico

Faria - sobrenome de origem toponímica. de "Faria", concelho de Barcelos (Pt.). precedido de "de"

Fatela - sobrenome de origem toponímica. de "Fatela" (Pt.), Beira Baixa

Feijó - apelido ou sobrenome de origem toponímica. origem galega. na Galiza: "Feijoo". precedido de "de"

Felgueiras - apelido toponímico

Feteira - apelido ou sobrenome de origem toponímica

Filgueiras - apelido ou sobrenome de origem toponímica. origem galega

Ferrão - sobrenome de origem toponímica, referindo alguém originário de Ferro.

Ferreira - apelido toponímico

Figueiredo (Pt., Gz. e Br.) - apelido de origem toponímica, galega e portuguesa. origem em povoações com o mesmo nome. precedido de "de"

Florência - nome próprio feminino. de "Florença", cidade italiana.

Fonseca (Pt., Gz. e Br.) - apelido de origem toponímica. muito comum em Portugal e noutras regiões da Península Ibérica, pelo que há-de provir de várias "Fon(te) Sêca". deve ser precedido de "da"

Fontoura (Pt., Gz. e Br.) - apelido ou sobrenome de origem toponímica

França - apelido toponímico. de França, Trás-os-Montes?

Francisco - nome próprio. derivado de França

Fratel - apelido ou sobrenome de origem toponímica

Freitas - apelido toponímico. precedido de "de"

Freixo - apelido toponímico. muitos topónimos "Freixo" em Portugal e na Galiza

Frias - apelido toponímico

Gândara - apelido ou sobrenome de origem toponímica. de "Gândara", topónimo frequente em Portugal e na Galiza

Gandarão - apelido toponímico. de "Gândara"

Gandra - apelido ou sobrenome de origem toponímica. de "Gandra", topónimo frequente em Portugal e na Galiza. variante de "Gândara"

Genoveva - nome feminino. de "Génova", Itália

Góis - sobrenome de origem toponímica. também existem as grafias mais arcaicas "Goes" e "Góes"

Gondar - apelido de origem toponímica. vários topónimos "Gondar", tanto em Portugal como na Galiza

Gouveia - apelido toponímico. origem na cidade (Pt.) do mesmo nome. também grafado "Gouvêa", segundo a forma antiga. precedido de "de"

Gradeço - apelido toponímico. de "Grada"

Grandela - apelido ou sobrenome toponímico. origem galego-oriental. de "Grandela", diminut. de "Gandra", que são variantes de "Gandarela" e "Gândara"

Guardão - apelido toponímico. de "Guarda"

Guimarães - apelido toponímico

Guiné - não é apelido toponímico. tal como China, é alcunha

Helena - nome próprio referente à Grécia ("Hellas")

Hermínia - ver "Hermínio"

Hermínio - de "Monte Hermínio" ou "Montes Hermínios", supostamente a atual Serra da Estrela

Hernâni - nome de origem toponímia. de uma localidade do mesmo nome na Província de Guipúzcoa, Euzkadi

Hespanha - ver "Espanha"

Holanda (Pt. e Br.) - apelido ou sobrenome de origem toponímica. precedido de "de". mais frequente no Brasil

Jorge - a relação com a Geórgia passa apenas pela agricultura. Jorge vem do grego geo+ergon: "trabalhador da terra", "agricultor". Geórgia em grego era o "país da agricultura". por coincidência, São Jorge tornar-se-ia o santo padroeiro da Geórgia. os georgianos chamam ao seu país Sakartvelo, e não Geórgia.


Lacerda - apelido toponímico. origem espanhola. de "de la Cerda"

Ladeiro - apelido toponímico. vários topónimos "Ladeiro", em Portugal e na Galiza

Lagoa - apelido ou sobrenome de origem toponímica

Lagos - apelido ou sobrenome toponímico

Lamas - apelido ou sobrenome toponímico (Pt. e Gz.)

Lamego - apelido ou sobrenome toponímico

Lameiras - apelido ou sobrenome toponímico

Lameiro - apelido ou sobrenome toponímico. origem galega

Lara - apelido toponímico, ligado a título nobiliárquico. origem espanhola, província de Burgos. precedido de "de"

Leça - apelido toponímico

Leiria - apelido toponímico

Leirião - apelido toponímico. indica que a linhagem é originária do termo de Leiria

Lemos - apelido toponímico. origem galega, do vale médio do rio Lima (de onde provém "Lemos"). precedido de "de"

Lencastre - apelido toponímico. origem inglesa: Lancaster. precedido de "de"

Libânio - nome próprio referido a "Líbano"

Licínia - de Lícia, região da Ásia Menor que se tornou província romana

Lídia - de Lida (atual Lod), cidade de Israel, onde se encontra o túmulo de São Jorge

Lima - apelido toponímico. precedido ou não de "de"

Lindim - apelido de origem toponímica, de "Lindim", Mondonhedo, Galiza

Linhais (Br.) - apelido toponímico. de "Linhais" (Pt.)

Linhar (Br.) - apelido toponímico. de "Linhar" (Pt.)

Linhares (Pt., Gz. e Br.) - apelido toponímico. vários topónimos "Linhares" ou "Liñares"

Lira - apelido toponímico. origem galega (Lira, Ponte Vedra). precedido de "de"

Lisboa - apelido toponímico

Lodeiro - apelido toponímico. de "Lodeiro", topónimo existente em Portugal e na Galiza. o sobrenome é bastante frequente na Galiza e também aparece no Brasil, provavelmente de origem galega. pode ser precedido de "de".

Loja - nuns casos é sobrenome de origem toponímica (de "Loja"), noutros casos é apelido ou alcunha (de "loja")

Lomar - apelido ou sobrenome de origem toponímica. de "Lomar", freguesia do concelho de Braga (Pt.)

Lomba - apelido ou sobrenome de origem toponímica, galega ou portuguesa (norte)

Lorvão - sobrenome de origem toponímica. de "Lorvão" (Penacova, Pt.). é raro.

Loulé - apelido toponímico

Lousã - apelido toponímico. existe a variante "Louzã", grafia antiga

Lousada - apelido toponímico. existe a grafia antiga "Louzada"

Loxa (Gz.) - ver "Loja"

Lucena - apelido ou sobrenome de origem toponímica. de "Lucena" (Andaluzia). precedido de "de"


Lusitana - de Lusitânia, região da Hispania Ulterior, de que supostamente Portugal derivaria

Macedo - apelido ou sobrenome toponímico. precedido de "de"

Madaíl - apelido ou sobrenome toponímico. origem em topónimo da região de Aveiro (Pt.)

Mafra - apelido ou sobrenome toponímico. origem na Vila de Mafra (Pt.)

Magalhães - apelido ou sobrenome toponímico. origem em Trás-os-Montes (Pt.). precedido de "de"

Maia - apelido ou sobrenome toponímico. precedido ou não de "da"

Margato - o mesmo que Maragato. alguém que é originário, ou descendente de originário, da Maragateria, perto de Astorga, na Província de León

Mariz - (pronunc. "Màriz"). apelido toponímico. vários topónimos "Mariz", em Portugal e na Galiza.

Marvão - apelido ou sobrenome toponímico. de "Marvão", vila do Alto Alentejo (Pt.)

Mascarenhas - apelido toponímico. origem em Trás-os-Montes (Pt.). precedido de "de"

Mata - apelido toponímico. precedido de "da"

Matias - apelido ou sobrenome de origem toponímica

Matos - apelido ou sobrenome toponímico. precedido de "de"

Medeiros - apelido toponímico. origem em "Medeiros", Trás-os-Montes. precedido de "de". por sua vez, o topónimo "Medeiros" significa "gente oriunda de "Meda". ver post

Meira (Pt., Gz. e Br.) - apelido toponímico. origem na Galiza. será da serra onde nasce o Minho. ou será de Meira, Pontevedra? precedido de "de"

Melo - apelido toponímico. precedido de "de"

Mendonça - apelido ou sobrenome toponímico. precedido de "de"

Meneses - apelido étnico-toponímico: significa "gente de Mena" (Astúrias, Espanha). sendo assim, não será adequado o uso do "de"

Mesquita - sobrenome de origem toponímica. origem em Trás-os-Montes (Pt.). aparece antecedido de "da", "de" e - reparem na anomalia - "dá". caso único na onomástica da língua galego-portuguesa e brasileira, este "dá" é o rabo de fora de um gato escondido: significa que não há originariamente um topónimo "Mesquita", mas sim "Amesquita". este sobrenome também aparece sem preposição. veja aqui.

Mesquitela - sobrenome de origem toponímica

Milhazes - apelido toponímico. origem em aldeia do concelho de Barcelos (Pt.)

Miranda - apelido toponímico

Mondego (Gz. ?) - apelido ou sobrenome, ou mesmo alcunha, de origem toponímica. ver Comentºs.

Morais - apelido toponímico. origem em aldeia de Trás-os-Montes. precedido de "de"

Moreira - apelido toponímico. é frequente no norte de Portugal. há vários topónimos "Moreira"

Moreno - significa "originário de Mora", Província de Toledo, Espanha

Moura - apelido toponímico. precedido de "de"

Mourão - apelido toponímico. origem no Alentejo

Morreira - apelido ou sobrenome toponímico. de "Morreira", Braga (Pt.)

Murça - apelido toponímico. origem em Trás-os-Montes. aparece em famílas de cristãos-novos

Múrias - apelido ou sobrenome de origem toponímica. origem em Trás-os-Montes

Nandim - apelido toponímico. topónimo existente em Portugal e na Galiza. porém o apelido ou sobrenome parece de origem galega. também existe a grafia "Nandín"

Neves - apelido de origem toponímica. precedido de "das"

Nisa - de Nisa ou Niza, cidade do Alentejo (Pt.)

Niza - ver "Nisa"

Nóbrega - apelido ou sobrenome toponímico. ver Comentº. precedido de "da"

Noronha - apelido toponímico. origem nas Astúrias (Espanha): Noruena

Oliveira - apelido toponímico. origem diversa. precedido de "de"

Ormonde - apelido toponímico. origem irlandesa, condado de Tipperary. sobrenome açoriano

Ornelas - apelido toponímico. alteração de Dornelas, passando por "de Dornelas", "d' Ornelas", "de Ornelas"

Outeirinho - sobrenome toponímico. a origem pode ser portuguesa ou galega, podendo ser grafado "Outeiriño"

Outeiriño - ver "Outeirinho"

Outeiro - sobrenome de origem toponímica. pode ser de origem galega ou portuguesa. devido à grande quantidade de Outeiros na Galiza e em Portugal, é praticamente impossível estabelecer a qual dos "Outeiro" se refere este sobrenome

Paço d'Arcos - sobrenome ou apelido toponímico

Paiva - apelido toponímico

Palmela - sobrenome toponímico

Pedrosa - apelido toponímico. origem galega

Pinhão - apelido toponímico. de "Pinhão", no Douro português

Pocinho - apelido toponímico. de "Pocinho", no Douro português

Poiares - apelido toponímico. de "Poiares", em Trás-os-Montes?

Polónia - apelido com origem na Polónia? ou está por "Apolónia"?

Polónio - ver Polónia

Portas - apelido ou sobrenome de origem toponímica. de "Portas" (Gz.)

Porto - apelido toponímico

Portovedo - apelido ou sobrenome de origem toponímica. de "Portovedo", Ovar (Pt.)

Portovedro - apelido toponímico. de "Porto Vedro" (Gz.)

Portugal (Pt. e Gz.) - apelido toponímico

Póvoa - apelido toponímico

Prado - apelido toponímico. vários topónimos "Prado", em Portugal e na Galiza. pode ser precedido de "do"

Proença - apelido toponímico

Puga - apelido ou sobrenome de origem toponímica. de Puga (Gz.)

Pulha - não sei que mal terão feito a Deus os habitantes de Puglia, Itália, para que o seu nome adquirisse semelhante fama

Quiaios - sobrenome de origem toponímica. de "Quiaios", aldeia de pescadores a norte da Figueira da Foz

Quialheiro - sobrenome de origem toponímica. de "Quiaios".

Quintanilha - apelido toponímico. de "Quintanilha", Trás-os-Montes. precedido da preposição "de".

Refóios - sobrenome toponímico. precedido de "de"

Relvas - apelido toponímico. origem na Serra da Lousã

Represas (Pt. e Gz.)

Ribeiro (Pt., Gz. e Br.) - apelido toponímico. frequente em Portugal e na Galiza. origens diversas.

Rocha - apelido toponímico. precedido de "da"

Rochel - apelido ou sobrenome de origem toponímica. de "Rochel", Arganil (Pt.)

Roda - apelido toponímico. há povoações com o nome "Roda" em Portugal e na Holanda. No entanto, "Roda" poderá ser uma alcunha devida ao facto de a pessoa, ou um seu antepassado, ter sido exposto. nesse caso, seria equivalente ao espanhol "Espósito"

Ródão - apelido toponímico. origem diversa. "Ródão" ou é hidrónimo ou esconde o significado de "rio". mesma origem de "Rhin", "Rhône", "Rode"

Romana - de Roma

Romão - sobrenome de origem toponímica. o mesmo que "romano"

Roriz - apelido ou sobrenome de origem toponímica

Ruela - sobrenome frequente em Portugal e no Brasil, é de origem toponímica. deve-se a alguém que era originário de Ruela, província de Lugo, Galiza. "Ruela" significa "pequena Rua" e ocorre também no norte de Portugal, mas em geral para designar pequenas ruas de algumas localidades. no caso galego, essa "Ruela" deve estar por oposição à vila de A Rua, Valdeorras, província de Ourense, na fronteira com a província de Lugo. como diminutivo que é, Ruela deve ser povoado derivado da deslocação de gente proveniente de A Rua.

Sá - apelido toponímico. origem diversa. na Galiza: "Sá" e "Saa"

Saavedra (Pt., Gz. e Br.) - apelido toponímico. origem galega. precedido de "de"

Sala - apelido toponímico. mesma etimologia de "Sá" e "Saa". é um sobrenome de origem espanhola. vários topónimos "Sala" em Espanha

Saldanha - apelido toponímico

Samora - apelido toponímico

Samoreno - apelido ou sobrenome que indica origem em Çamora/Samora/Zamora

Sarnes - sobrenome de origem toponímica

Saro (Pt. e Gz.) - sobrenome de origem toponímica. de Saro, Cantábria, Espanha

Seabra - apelido toponímico (?). pensa-se que se refere a Sanábria, região de León, Espanha, fronteiriça com o norte do distrito de Bragança (Pt.). há quem ponha em dúvida essa origem

Segorbe (Br.) - apelido ou sobrenome toponímico. origem espanhola.

Seiça - apelido ou sobrenome de origem toponímica. pode ser precedido de "de"
Seivane (Gz.) - apelido ou sobrenome de origem toponímica. povoação galega.

Seixas - apelido ou sobrenome de origem toponímica. de "Seixas", na margem esquerda do rio Minho?

Seixo ou Seijo - apelido ou sobrenome toponímico. origem galega. há vários topónimos "Seixo"

Senra - apelido toponímico - várias povoações com este nome, no Norte de Portugal, na Galiza e no Brasil

Seoane (Pt., Gz. e Br.) - apelido ou sobrenome toponímico. origem em povoação galega

Sepúlveda - apelido toponímico. origem espanhola. existe este topónimo em Segóvia, Salamanca e Soria. precedido de "de"

Sequeira - apelido toponímico. várias povoações com este nome (Pt. e Gz.). precedido de "de"

Sequeiros - apelido toponímico. várias povoações com este nome (Pt. e Gz.). precedido de "de"

Sequerra - apelido judaico evoluido de Sequeira. a alteração de Sequeira para Sequerra terá ocorrido por saída, expulsão ou fuga, estadia em outro país e regresso a Portugal algumas gerações após. ver Sequeira. precedido de "de"

Serém - apelido toponímico. pode ter origem portuguesa ou galega (neste caso pode ser grafado Serén). o curioso é que o topónimo Serém/Serén é, por sua vez, o genitivo de um antropónimo ("Sereni": "[propriedade] de Serenu")

Sidónio - nome próprio referente a "Sídon", cidade da Fenícia

Silva - apelido ou sobrenome toponímico. precedido de "da". uma das linhagens mais antigas de Portugal. ver "(da) Cunha"

Sinde - sobrenome ou apelido de origem toponímica. de "Sinde", Tábua" (Pt.)

Sintra - apelido toponímico. de "Sintra", da Região saloia. também ocorre sob a grafia antiga, "Cintra"

Sintrão - apelido de origem toponímica: "aquele que é oriundo de Sintra"

Soriano - apelido de origem toponímica. "aquele que é oriundo de Soria" (Es.)

Sousa - apelido toponímico. precedido de "de". às vezes escrito na forma antiga "de Souza"

Soutulho - apelido toponímico. origem em povoação galega do mesmo nome

Soutullo - graf. altern. de Soutulho

Susana - de Susa

Tamegão - apelido etno-toponímico.

Tânger - apelido ou sobrenome de origem toponímica. de "Tânger", cidade do Norte de África que pertenceu ao Reino de Portugal.desta cidade deriva também o nome do fruto "tangerina"

Tanoeiro - apelido toponímico. origem galega. de "S. Tenório" ou "Tanoiro" (Santiago de Compostela). quando galegos do Tanoiro chegaram a Portugal, perguntaram-lhes o nome. disseram: "sou fulano e fulano,...de Tanoiro". a pronúncia soava a "tanuôiro", "tanueiro", pelo que ficaram "Tanoeiro" - que nada tem a ver com os artesãos que fazem as pipas de madeira para o vinho

Tarouca - apelido ou sobrenome toponímico

Taveiro (Gz. e Br.) - apelido ou sobrenome de origem toponímica. de Taveiro (Pt.)?

Teixeira (Pt. e Gz.) - apelido ou sobrenome de origem toponímica. vários topónimos "Teixeira" em Portugal e na Galiza

Tentúgal - sobrenome raro. origem toponímica. região de Coimbra

Terra - apelido toponímico. origem em Trás-os-Montes

Terra Seca - apelido toponímico. origem em Trás-os-Montes

Tibério - nome próprio referente ao Tibre, rio de Itália

Torres - apelido ou sobrenome toponímico

Torrinha - apelido ou sobrenome toponímico

Tovim - apelido toponímico

Tudela - apelido toponímico

Vanderlei - várias grafias coexistem: também Vanderley, Wanderley. nome próprio e apelido de origem holandesa usados no Brasil. de "van der Ley", que quer dizer "da...Ley" (da Lousa)

Vanzeler - várias grafias coexistem: também van Zeller, Van Zeller, Van-Zeller, Wanzeller. apelido toponímico. origem holandesa. quer dizer "...de Zeller", localidade da Holanda

Vara - sobrenome toponímico

Varela - sobrenome toponímico. de Varela, diminutivo toponímico de Vara

Vasco - de vascónia, País Basco

Vasconcelos - os habitantes do País Basco têm o nome de "bascos", "biscaínhos" ou "vasconços". o diminutivo de "Vasconços" é "Vasconcelos". este apelido ou sobrenome vem precedido de "de", indicando uma origem toponímica. ver post "Topónimos Terminados em "-elos"

Veiga - apelido ou sobrenome de origem toponímica. de "Veiga", topónimo muito frequente na Galiza e em Portugal. pode ser precedido de "da"

Verín ou Verim - apelido toponímico. origem galega. não tem fundamento a pronúncia "Vèrã", dado não ser um sobrenome de origem francesa

Viana - apelido toponímico. também grafado "Vianna", segundo a forma antiga

Vidigueira - sobrenome toponímico. de "Vidigueira" (Pt.), Alentejo

Vieira - apelido toponímico. várias povoações com este nome

Vigo - apelido ou sobrenome de origem toponímica. de "Vigo" (Gz.)

Vilaça - apelido ou sobrenome de origem toponímica

Vilar - apelido toponímico

Vilares - apelido toponímico. também grafado à moda antiga: Villares

Vilarinho - apelido toponímico

Vilas Boas - apelido ou sobrenome de origem toponímica. precedido de "de"

Vilela - apelido toponímico

Vilharigues - apelido toponímico

Vinhas - apelido toponímico. encontra-se também na Galiza e nas Astúrias sob a grafia "Viñas"

Viseu - apelido toponímico. também grafado "Vizeu", segundo a forma antiga

Xavier - nome e sobrenome de origem navarra. corresponde ao topónimo Javier, de onde era originário S. Francisco Xavier. tem origem euskera modificada pelo contacto com o castelhano. é, pois, o mesmo que Etcheverria, Etxebarria: "casa nova". no entanto, o nome Xavier pode ocorrer mais pelo hagiónimo do que pelo topónimo que lhe deu origem. quando é sobrenome o mais provável é que seja uma modificação de Etcheverria

quarta-feira, 7 de junho de 2006

Topónimos Terminados em "-ende" e "-inde"

ainda não será desta vez que termino a saga dos topónimos originados em proprietários germânicos. o seu grande número em Portugal e na Galiza indica o impacto que tiveram as chamadas "invasões bárbaras" na distribuição da posse das melhores terras agrícolas da Hispania Ulterior romana. o facto de os topónimos correspondentes se encontrarem no genitivo latino, e os nomes de origem estarem latinizados, indica que à posse da terra e ao poder administrativo não correspondeu o domínio cultural nem linguístico. a minoria dominante teve que integrar-se na língua e na cultura da região.

dizer que um topónimo é de origem germânica não será dizer tudo. germânicos são os godos, os suevos, os vândalos. mas para já não farei distinções, até porque não há consenso sobre o assunto. a distribuição dos topónimos relativos a proprietários germânicos continua a fazer-se a norte do rio Mondego, na senda da milenar continuidade étnica, territorial, linguística e cultural galego-portuguesa

exemplos de topónimos em "-inde" e "-ende"

Aldosende (Gz.)
Bertosende (Gz.)
Bousinde
Bouzende - ver Bousinde
Ermesinde
Erminde (Gz.) -
Esposende
Frende
Gondesende (Pt. e Gz.) - genitivo do antropónimo germânico "Gundesind(u)"
Gondosende (Gz.) - ver "Gondesende"
Guende (Gz.)
Lesende (Gz.)
Lusinde (Pt.)
Minde (Pt.)
Mosende (Gz.)
Rececende (Gz.) - villa Recesindii: propriedade de Recesindo
Requesende (Gz.) - variante dialectal de Recesende?
Resende - genitivo de Rethsinth ou Redisindo
Rosende (Gz.)
Sinde (Pt. e Gz.) - genitivo de Sinth ou Sindo
Tasende (Gz.)
Troitosende (Gz.)
Tusende (Gz.)
Valdosende