ainda a posse da terra na Idade Média:
Amboade (Gz.)
Andrade (Gz.)
Andreade (Gz.)
Beade (Gz.) - genitivo de Venatu. villa, quinta ou propriedade rústica de Venatu
Guilhade (Gz.) - graf. altern. Guillade
Morgade (Pt.)
Repiade (Pt.) - variante dialectal de Revinhade
Revinhade (Pt.) - propriedade de Rabinadu, antropónimo germânico
Sambade (Pt.) - propriedade de Sambadu
Segade (Pt. e Gz.)
Sequeade (Pt.) - em 1220 era "Ciquiad"
Veade (Pt.)- ver Beade
Venade (Pt.) - forma evolutivamente anterior de Veade e Beade
Xermade (Gz.)
bem-vindo!.....por que é que a sua terra se chama...?..(blogue de apontamentos).........................direitos reservados. proibida a cópia ou reprodução sem autorização expressa do autor.
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Topónimos Terminados em -il
neste grupo não incluo os topónimos terminados em -mil, de que já falei.
Arganil - possível genitivo de um antropónimo germânico
Bermil (Gz.) - genitivo de Belmiru
Fermil
Fail
Madail
Outil
Parragil - cf. Perejil, Perexil (E.)
Portangil (Gz.) - graf. altern. Portanxil. ver Comentº de Calidonia
Setil
Vermil - ver "Bermil"
Vermoíl - variante dialectal de Vermoim? de Bermudu, antropónimo germânico
Arganil - possível genitivo de um antropónimo germânico
Bermil (Gz.) - genitivo de Belmiru
Fermil
Fail
Madail
Outil
Parragil - cf. Perejil, Perexil (E.)
Portangil (Gz.) - graf. altern. Portanxil. ver Comentº de Calidonia
Setil
Vermil - ver "Bermil"
Vermoíl - variante dialectal de Vermoim? de Bermudu, antropónimo germânico
sábado, 10 de novembro de 2007
Topónimos Terminados em -mir
estes tamém não são muitos. ocorrem menos vezes que as variantes em -mil, quando existem.
Baldomir (Gz.)
Cristimir (Gz.)
Vilamir (Gz.)
Baldomir (Gz.)
Cristimir (Gz.)
Vilamir (Gz.)
Topónimos Terminados em - anche
os topónimos genitivos em -anche são pouco frequentes.
adianto estes:
Vilasanche - de villa sanci: quinta ou propriedade rústica de Sancho
adianto estes:
Vilasanche - de villa sanci: quinta ou propriedade rústica de Sancho
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
a língua portuguesa no mundo
no Uruguai passa a ser obrigatório o ensino da Língua Portuguesa a partir do 6º ano de escolaridade, já no próximo ano lectivo de 2008. o facto é a consequência lógica da criação do Mercosul e do peso económico e cultural do Brasil nesse Mercado.
já tive eu mesmo ocasião de constatar no Chile e na Argentina a relativa facilidade com que se encontra alguém que fale Português. aprendido no Brasil ou por causa do Brasil. essa realidade económica transnacional originou já um aumento em flecha da procura do ensino e da prática da Língua Portuguesa no Paraguai, na Argentina e no Uruguai, pelo que a medida do Governo Uruguaio consiste, simplesmente, em obrigar a comer quem já tem fome que chegue.
é a altura de percebermos o que se passa no Mundo. não são os nossos semi-dialectos peninsulares e suas variantes, tribalidades e teimas, não é sequer essa algaravia que se fala em Lisboa - uma arrogante mistura de gramática inglesa com palavras pernósticas sacadas ao dicionário da Academia e pronúncia eslovaca - que farão o futuro da Língua no Mundo.
por isso me daria uma incontrolável vontade de rir que alguns professores de Português, dessa espécie de língua que se fala em Lisboa, achassem que a decisão do Uruguai é uma oportunidade de emprego.
e antes do mais porque professores de Língua Portuguesa já o Uruguai tem. e nas zonas fronteiriças com o Brasil tem até falantes de Português como língua materna, que aí passa a ser reconhecida como língua principal, à frente do Castelhano.
já tive eu mesmo ocasião de constatar no Chile e na Argentina a relativa facilidade com que se encontra alguém que fale Português. aprendido no Brasil ou por causa do Brasil. essa realidade económica transnacional originou já um aumento em flecha da procura do ensino e da prática da Língua Portuguesa no Paraguai, na Argentina e no Uruguai, pelo que a medida do Governo Uruguaio consiste, simplesmente, em obrigar a comer quem já tem fome que chegue.
é a altura de percebermos o que se passa no Mundo. não são os nossos semi-dialectos peninsulares e suas variantes, tribalidades e teimas, não é sequer essa algaravia que se fala em Lisboa - uma arrogante mistura de gramática inglesa com palavras pernósticas sacadas ao dicionário da Academia e pronúncia eslovaca - que farão o futuro da Língua no Mundo.
por isso me daria uma incontrolável vontade de rir que alguns professores de Português, dessa espécie de língua que se fala em Lisboa, achassem que a decisão do Uruguai é uma oportunidade de emprego.
e antes do mais porque professores de Língua Portuguesa já o Uruguai tem. e nas zonas fronteiriças com o Brasil tem até falantes de Português como língua materna, que aí passa a ser reconhecida como língua principal, à frente do Castelhano.
domingo, 4 de novembro de 2007
Toponímia e Onomástica
no correr desta viagem, ainda não concluída, pelos genitivos na toponímia galego-portuguesa, verificámos um fenómeno curioso: o nome de pessoas influencia o nome dos lugares e, por sua vez, os nomes de lugares contribuem para a formação do nome de pessoas. um exemplo: Recesindu deu Resende (ou, melhor, Rezende) no genitivo e, por sua vez, há pessoas com o sobrenome de Resende ou Rezende. o mesmo com Guimarães: Vímara deu Vimaranis (Guimarães) no genitivo, que, depois, se tornou sobrenome de muito boa gente. os exemplos são como a cereja em Portugal, a banana no Brasil e o mexilhão na Galiza. são para dar e vender.
já atrás me debrucei sobre a interdependência entre toponímia e onomástica.
o facto é que o tema representa 25 a 30% da curiosidade sobre este blogue.
daí que eu considere a possibilidade de transferir os dados sobre os nomes, apelidos e sobrenomes de origem toponímica para um blogue independente.
a ver vamos, como diz o cego...
mas fica registada a ideia e a intenção. para todos os efeitos.
já atrás me debrucei sobre a interdependência entre toponímia e onomástica.
o facto é que o tema representa 25 a 30% da curiosidade sobre este blogue.
daí que eu considere a possibilidade de transferir os dados sobre os nomes, apelidos e sobrenomes de origem toponímica para um blogue independente.
a ver vamos, como diz o cego...
mas fica registada a ideia e a intenção. para todos os efeitos.
sábado, 3 de novembro de 2007
Topónimos Terminados em "-mil"
continuando a saga dos proprietários rurais da Idade Média... estes são muitos. e muitos deles são de origem germânica. este post complementa um outro com o mesmo título, de Junho de 2006.
Castromil (Pt. e Gz.)
Crastomil
Creixomil
Estramil (Gz.)
Estremil (Gz.)
Sanamil (Gz.)
Sandamil (Pt. e Gz.) - existe a variante Sandamiro (Gz.). do antropónimo germânico Sandemiru
Sandomil - ver Sandamil
Sangemil - às vezes grafado São Gemil. genitivo de Sangemiru, antropónimo germânico
Sanjomil - ver Sangemil
Santomil (Pt. e Gz.) - ver Sandamil
Sanxumil (Gz.) - variante dialectal de Sangemil
Seixomil (Pt. e Gz.) - genitivo do antropónimo germânico Songemiru
Seixosmil (Gz.)
Seramil
Sesil -
Sesmil (Pt. e Gz.) - de Sesmiru, antropónimo germânico no genitivo
Castromil (Pt. e Gz.)
Crastomil
Creixomil
Estramil (Gz.)
Estremil (Gz.)
Sanamil (Gz.)
Sandamil (Pt. e Gz.) - existe a variante Sandamiro (Gz.). do antropónimo germânico Sandemiru
Sandomil - ver Sandamil
Sangemil - às vezes grafado São Gemil. genitivo de Sangemiru, antropónimo germânico
Sanjomil - ver Sangemil
Santomil (Pt. e Gz.) - ver Sandamil
Sanxumil (Gz.) - variante dialectal de Sangemil
Seixomil (Pt. e Gz.) - genitivo do antropónimo germânico Songemiru
Seixosmil (Gz.)
Seramil
Sesil -
Sesmil (Pt. e Gz.) - de Sesmiru, antropónimo germânico no genitivo
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Topónimos Terminados em "unde" e "-unte"
na senda dos topónimos formados por genitivos de antigos senhores, aqui vão os terminados em -unte:
Bagunte - genitivo de antropónimo germânico
Fragunde (Gz.)
Vilaragunte (Gz.)
Bagunte - genitivo de antropónimo germânico
Fragunde (Gz.)
Vilaragunte (Gz.)
Topónimos Terminados em "-ane"
na verdade, o genitivo latino é indicado na toponímia pelo -e (-i) final. o resto das terminações é ditado pela estrutura do antropónimo e respectiva origem linguística. como já vimos, outros genitivos aparecem sob a forma -i, -im (-ini), -iz (-ici). nos antropónimos germânicos com terminação em -ar e -er o -e (-i) final desapareceu (exºs: Gondar, Sever).
e uma vez mais se avoluma a importância da posse da terra na sociedade medieval e o seu reflexo na forma de nomear os lugares neste cantinho do mundo.
Joane (Pt. e Gz.) - com as variantes Joanhe e Juane (Gz.). genitivo de Johan
Sanhoane (Pt.) - ver Seoane
Seivane (Gz.)
Seivane de Vilarente (Gz.)
Seoane (Gz.) - forma medieval do genitivo de "São João", San Johane
Seoane do Courel (Gz.)
Sevane (Gz.)
Vilamane (Gz.)
e uma vez mais se avoluma a importância da posse da terra na sociedade medieval e o seu reflexo na forma de nomear os lugares neste cantinho do mundo.
Joane (Pt. e Gz.) - com as variantes Joanhe e Juane (Gz.). genitivo de Johan
Sanhoane (Pt.) - ver Seoane
Seivane (Gz.)
Seivane de Vilarente (Gz.)
Seoane (Gz.) - forma medieval do genitivo de "São João", San Johane
Seoane do Courel (Gz.)
Sevane (Gz.)
Vilamane (Gz.)
Topónimos Terminados em "-elhe" e "-ilhe"
aqui vão mais alguns topónimos que reflectem o peso da propriedade rústica medieval na formação dos nomes de lugares no território galego-português. neste grupo de topónimos aparecem algumas vezes as palavras "vila" ou "vilar" reforçando o sentido, já implícito, de propriedade rural. ou a redundância "vila de".
Amarelhe - Amarelhe é um genitivo do nome de um proprietário, indicando que a terra, habitualmente a villa (propriedade rústica, quinta), ao momento em que tomou nome ou pouco depois, era propriedade de um tal Amarellu, isto é de um senhor Amaru tratado pelo diminutivo (como ainda há bem pouco era costume tratar os ricos no norte de Portugal e na Galiza).
as terras ou villae com esse nome eram, pois, propriedade do Amarinho. esse Amarinho ou tinha muitas propriedades entre o rio Douro e a Corunha, ou era senhor de um nome relativamente frequente entre os homens ricos da época, pois que há Amarelhe na Corunha, em Ponte Vedra, em Baião e em Vila Verde (pelo menos).
Anelhe
Argoncilhe - topónimo curioso. é genitivo de Dragoncelu, "dragãozinho", nome do proprietário da villa rústica. "deveria" pois chamar-se Dragoncilhe. evolução: Dragoncelli; Dragoncilhe; Dargoncilhe; d' Argoncilhe; (de) Argoncilhe.
Baroncelhe (Gz.) - graf. altern. Baroncelle
Bivilhe (Gz.) - graf. altern. Biville
Boelhe (Pt. e Gz.) - graf. altern. (Gz.): Boelle. de Boneliu
Caçarilhe
Corvelhe (Gz.) - graf. altern. Corvelle
Esmelhe (Gz.) - graf. altern. Esmelle
Lagostelhe (Gz.) - graf. altern. Lagostelle
Lobelhe (Pt. e Gz.) - graf. altern. Lobelle (Gz.). de Leobeliu ou Lobeliu
Lobelhe do Mato
Lovelhe
Marcelhe (Gz.) - graf. altern. Marcelle. de Marcellu
Marselho (Gz.) - graf. altern. Marselle
Merilhe (Gz.) - graf. altern. Merille
Morcelhe (Gz.) - graf. altern. Morcelle. variante dialectal de Marcelhe
Mourilhe - "propriedade de Mauriliu"
Ourilhe (Pt. e Gz.) - "propriedade de Aureliu(?)". ou de Auriliu (?). graf. altern. (Gz.): Ourille
Ouselhe (Gz.) - graf. altern. Ouselle
Pendilhe -
Recelhe (Gz.) - graf. altern. Recelle
Regoelhe (Gz.) - graf. altern. Regoelle
Revelhe
Ruílhe - "propriedade de Rodilu ou Rodelu"
Sabadelhe (Gz.) - graf. altern. Sabadelle. de Sabaticulu, diminut. de Sabatu
Sebadelhe - variante de Sabadelhe, com a qual alterna
Sendelhe (Gz.) - graf. altern. Sendelle
Sernancelhe - "propriedade de Seniorcelo". Seniorcelu: "senhorinho"
Sezelhe (Pt.)
Toubilhe (Gz.) - graf. altern. Toubille
Viladonelhe (Gz.) - graf. altern. Viladonelle
Vilamelhe (Gz.) - graf. altern. Vilamelle
Vilamerelhe (Gz.) - graf. altern. Vilamerellhe
Vilar de Ortelhe (Gz.) - graf. altern. Vilar de Ortelle
Amarelhe - Amarelhe é um genitivo do nome de um proprietário, indicando que a terra, habitualmente a villa (propriedade rústica, quinta), ao momento em que tomou nome ou pouco depois, era propriedade de um tal Amarellu, isto é de um senhor Amaru tratado pelo diminutivo (como ainda há bem pouco era costume tratar os ricos no norte de Portugal e na Galiza).
as terras ou villae com esse nome eram, pois, propriedade do Amarinho. esse Amarinho ou tinha muitas propriedades entre o rio Douro e a Corunha, ou era senhor de um nome relativamente frequente entre os homens ricos da época, pois que há Amarelhe na Corunha, em Ponte Vedra, em Baião e em Vila Verde (pelo menos).
Anelhe
Argoncilhe - topónimo curioso. é genitivo de Dragoncelu, "dragãozinho", nome do proprietário da villa rústica. "deveria" pois chamar-se Dragoncilhe. evolução: Dragoncelli; Dragoncilhe; Dargoncilhe; d' Argoncilhe; (de) Argoncilhe.
Baroncelhe (Gz.) - graf. altern. Baroncelle
Bivilhe (Gz.) - graf. altern. Biville
Boelhe (Pt. e Gz.) - graf. altern. (Gz.): Boelle. de Boneliu
Caçarilhe
Corvelhe (Gz.) - graf. altern. Corvelle
Esmelhe (Gz.) - graf. altern. Esmelle
Lagostelhe (Gz.) - graf. altern. Lagostelle
Lobelhe (Pt. e Gz.) - graf. altern. Lobelle (Gz.). de Leobeliu ou Lobeliu
Lobelhe do Mato
Lovelhe
Marcelhe (Gz.) - graf. altern. Marcelle. de Marcellu
Marselho (Gz.) - graf. altern. Marselle
Merilhe (Gz.) - graf. altern. Merille
Morcelhe (Gz.) - graf. altern. Morcelle. variante dialectal de Marcelhe
Mourilhe - "propriedade de Mauriliu"
Ourilhe (Pt. e Gz.) - "propriedade de Aureliu(?)". ou de Auriliu (?). graf. altern. (Gz.): Ourille
Ouselhe (Gz.) - graf. altern. Ouselle
Pendilhe -
Recelhe (Gz.) - graf. altern. Recelle
Regoelhe (Gz.) - graf. altern. Regoelle
Revelhe
Ruílhe - "propriedade de Rodilu ou Rodelu"
Sabadelhe (Gz.) - graf. altern. Sabadelle. de Sabaticulu, diminut. de Sabatu
Sebadelhe - variante de Sabadelhe, com a qual alterna
Sendelhe (Gz.) - graf. altern. Sendelle
Sernancelhe - "propriedade de Seniorcelo". Seniorcelu: "senhorinho"
Sezelhe (Pt.)
Toubilhe (Gz.) - graf. altern. Toubille
Viladonelhe (Gz.) - graf. altern. Viladonelle
Vilamelhe (Gz.) - graf. altern. Vilamelle
Vilamerelhe (Gz.) - graf. altern. Vilamerellhe
Vilar de Ortelhe (Gz.) - graf. altern. Vilar de Ortelle
Topónimos Terminados em "-ande"
estes topónimos também reflectem a distribuição da propriedade agrícola medieval. são igualmente genitivos dos nomes dos proprietários
Astande (Gz.)
Bande (Pt. e Gz.) - de villa Bandi: "propriedade rural de Bando". antropónimo germânico
Britiande (Pt.)
Cernande (Gz.)
Espasande (Gz.)
Espasande de Baixo (Gz.)
Fernande (Gz.)
Friande (Pt.)
Gresande (Gz.)
Guisande - de villa Guisandi: "propriedade (rural) de Guisando". antropónimo germânico
Grixoa de Esternande (Gz.)
Nande (Gz.)
Ouçande (Gz.) - graf. altern. Ouzande
Rande (Pt.)
Sande (Pt. e Gz.) - "propriedade de Sando". Sando é antropónimo germânico
Senande (Gz.)
Sernande (Pt.)
Trasande (Gz.)
anomalias:
Vila Fernando (Pt.) - está por Vila Fernande. de villa Ferdinandi
Vila Mendo (Pt.) - está por Vila Mende. de villa Mendi
Astande (Gz.)
Bande (Pt. e Gz.) - de villa Bandi: "propriedade rural de Bando". antropónimo germânico
Britiande (Pt.)
Cernande (Gz.)
Espasande (Gz.)
Espasande de Baixo (Gz.)
Fernande (Gz.)
Friande (Pt.)
Gresande (Gz.)
Guisande - de villa Guisandi: "propriedade (rural) de Guisando". antropónimo germânico
Grixoa de Esternande (Gz.)
Nande (Gz.)
Ouçande (Gz.) - graf. altern. Ouzande
Rande (Pt.)
Sande (Pt. e Gz.) - "propriedade de Sando". Sando é antropónimo germânico
Senande (Gz.)
Sernande (Pt.)
Trasande (Gz.)
anomalias:
Vila Fernando (Pt.) - está por Vila Fernande. de villa Ferdinandi
Vila Mendo (Pt.) - está por Vila Mende. de villa Mendi
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Topónimos Terminados em "-monde" e "-munde"
são topónimos de origem germânica, no genitivo latino. sentimos, ao longo de toda esta compilação de genitivos na toponímia galego-portuguesa, quão estranhos nos soam os nomes dos senhores das terras na Idade Média. mas não podemos sentir o mesmo com os nomes das pessoas que todos os dias se levantavam co'as galinhas e se deitavam ao sol-pôr. dessas pessoas, salvo rarissimas excepções, não reza a Toponímia. e quando reza não é por grande coisa.
Ansemonde (Gz.)
Baamonde (Gz.) - (?)
Bamonde (Gz.)
Freamunde - "propriedade de Fredmundus"
Friamonde (Gz.) - variação dialectal de Freamunde
Gemunde - "propriedade de Iemundo ou Gemundo"
Gilmonde
Gimonde - variação dialectal de Gemunde
Gueimonde (Gz.)
Hermunde (Gz.)
Recemonde (Gz.)
Remonde (Gz.)
Salamonde - "propriedade de Salamundo"
Samonde - variação dialectal de Salamonde
Sermonde
Sesmonde (Gz.) - "propriedade de Segismundo"
Ansemonde (Gz.)
Baamonde (Gz.) - (?)
Bamonde (Gz.)
Freamunde - "propriedade de Fredmundus"
Friamonde (Gz.) - variação dialectal de Freamunde
Gemunde - "propriedade de Iemundo ou Gemundo"
Gilmonde
Gimonde - variação dialectal de Gemunde
Gueimonde (Gz.)
Hermunde (Gz.)
Recemonde (Gz.)
Remonde (Gz.)
Salamonde - "propriedade de Salamundo"
Samonde - variação dialectal de Salamonde
Sermonde
Sesmonde (Gz.) - "propriedade de Segismundo"
Topónimos Terminados em "-ide" e "-ite"
também em -ide e -ite há topónimos que são genitivos do nome de antigos proprietários. referem-se, portanto, a quintas, sítios ou herdades agrícolas (villae). a existência de topónimos idênticos em França e na Suíça italiana parece significar que a data destes topónimos remonta a uma época de pouca diferenciação das línguas novilatinas.
Ataíde
Belide
Caíde - também se encontra a variante Caído
Campolide - (?) origem controversa
Caparide
Carnide
Carvide
Colaride
Corvite (Pt. e Gz.)
Covide
Espite - (?) não tem nada que ver com os restantes. deriva de hospite, pousada.
Margaride (Pt. e Gz.)
Maside (Gz.)
Meixide (Pt. e Gz.)
Melide (Gz. e CH) - no cantão suíço de Ticino, de língua italiana, há também Melide. é genitivo de Mellitus: "propriedade de Mellitus"
Povolide
Seide - (?) também aparece grafado Ceide
Semide (Pt. e Fr.) - em França, nas Ardenas, há também Semide
Sunhide (Gz.) - graf. altern. Suñide
Teibilide (Gz.)
Verride
Vide (Pt. e Gz.) - de Vitus ou Vito, nome do proprietário da respectiva villa
Vilanuíde (Gz.)
Vilavide (Gz.) - de villa Viti: "quinta de Vito"
Viloíde (Gz.)
Ataíde
Belide
Caíde - também se encontra a variante Caído
Campolide - (?) origem controversa
Caparide
Carnide
Carvide
Colaride
Corvite (Pt. e Gz.)
Covide
Espite - (?) não tem nada que ver com os restantes. deriva de hospite, pousada.
Margaride (Pt. e Gz.)
Maside (Gz.)
Meixide (Pt. e Gz.)
Melide (Gz. e CH) - no cantão suíço de Ticino, de língua italiana, há também Melide. é genitivo de Mellitus: "propriedade de Mellitus"
Povolide
Seide - (?) também aparece grafado Ceide
Semide (Pt. e Fr.) - em França, nas Ardenas, há também Semide
Sunhide (Gz.) - graf. altern. Suñide
Teibilide (Gz.)
Verride
Vide (Pt. e Gz.) - de Vitus ou Vito, nome do proprietário da respectiva villa
Vilanuíde (Gz.)
Vilavide (Gz.) - de villa Viti: "quinta de Vito"
Viloíde (Gz.)
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Topónimos Terminados em "-ede"
já falámos de uma série de topónimos derivados de genitivos latinos e associados a villae, quintas ou herdades agrícolas. há-os terminados em "-ães", "-ende", "-im", "-inde", "-iz", "-ufe", "-ulfe" e agora chegou a vez dos terminados em "-ede" (pronunc.: "êde"). têm estes a característica de se situarem na margem norte do Baixo Mondego, numa faixa de terrenos férteis, propícios à agricultura, e que se estende da Mealhada à Figueira da Foz.
o facto de o genitivo ser latino não significa que o proprietário fosse romano ou que o seu nome fosse latino. em posts anteriores já vimos a quantidade de nomes germânicos, no genitivo latino, que povoam a Toponímia Galego-Portuguesa.
a novidade dos topónimos terminados em "-ede" está, com muito poucas excepções, na sua concentração nesta faixa geográfica.
Ancede - não se localiza na faixa norte ribeirinha do Baixo Mondego. situa-se no concelho de Baião, Douro Litoral. grafia alternat.(mais correcta?): Ansede - ver Comentº de Calidonia
Ansede (Gz.) - ver Ancede.
Antuzede - genitivo de um antropónimo germânico. J. P. Machado (2003) prefere "Antosede", mas não sei porquê
Arazede - genitivo de Araceto ou Aracedo, antropónimo de origem desconhecida
Cantanhede - é genitivo do antropónimo, Cantonieto ou Cantoniedo, de origem desconhecida. há quem admita que é genitivo de "canteira" ou "pedreira": villa da pedreira. mas a analogia com topónimos em -ede próximos, faz-me inclinar para a primeira hipótese.
Lemede - genitivo de Lameto ou Lamedo. ver Comentário de João.
Murtede
Somede (Gz.)
Tavarede - genitivo de Tavareto ou Tavaredo. a pronúncia é tâ-vâ-rêde e não tà-và- rêde, como exigiria a tese de Talavareto ou Talavaredo por analogia com os topónimos Tavares, Taveira e Taveiro
Xafede - (?) este topónimo aparece nos concelhos da Mealhada e de Viana do Castelo (Chafé)
o facto de o genitivo ser latino não significa que o proprietário fosse romano ou que o seu nome fosse latino. em posts anteriores já vimos a quantidade de nomes germânicos, no genitivo latino, que povoam a Toponímia Galego-Portuguesa.
a novidade dos topónimos terminados em "-ede" está, com muito poucas excepções, na sua concentração nesta faixa geográfica.
Ancede - não se localiza na faixa norte ribeirinha do Baixo Mondego. situa-se no concelho de Baião, Douro Litoral. grafia alternat.(mais correcta?): Ansede - ver Comentº de Calidonia
Ansede (Gz.) - ver Ancede.
Antuzede - genitivo de um antropónimo germânico. J. P. Machado (2003) prefere "Antosede", mas não sei porquê
Arazede - genitivo de Araceto ou Aracedo, antropónimo de origem desconhecida
Cantanhede - é genitivo do antropónimo, Cantonieto ou Cantoniedo, de origem desconhecida. há quem admita que é genitivo de "canteira" ou "pedreira": villa da pedreira. mas a analogia com topónimos em -ede próximos, faz-me inclinar para a primeira hipótese.
Lemede - genitivo de Lameto ou Lamedo. ver Comentário de João.
Murtede
Somede (Gz.)
Tavarede - genitivo de Tavareto ou Tavaredo. a pronúncia é tâ-vâ-rêde e não tà-và- rêde, como exigiria a tese de Talavareto ou Talavaredo por analogia com os topónimos Tavares, Taveira e Taveiro
Xafede - (?) este topónimo aparece nos concelhos da Mealhada e de Viana do Castelo (Chafé)
domingo, 28 de outubro de 2007
Mafra
apesar dos esforços de bons eruditos para lhe atribuir uma origem árabe, Mafra (que, ao longo do tempo foi sendo Mafarã, Malfora e Mafora) continua um topónimo solteiro e enigmático.
a atribuição de origem árabe, através de mahfara, "cova", não acerta com as características do local, nem com as formas anteriores do topónimo.
não sendo de origem árabe, a estrutura da palavra remete-nos para uma origem pré-latina.
ora, segundo se diz, o rei Dom João V, terá mandado construir esse convento colossal com a receita do ouro do Brasil e o motivo de tão magnânimo empreendimento estaria relacionado com o cumprimento de uma promessa à Mãe-de-Deus, caso lhe fosse concedida a graça de ter filhos herdeiros, pois que filhos não herdeiros os tinha ele aos centos. em especial de freiras, o que, entre outros cognomes, lhe mereceu o epíteto de "O Freirático".
se assim fosse - e não é certo -, o Convento de Mafra seria a actualização setecentista de um culto pagão ancestral à mater genetrix, "a mãe geradora", Senhora do Ó, Ísis e assim por diante. certo é que o culto à Senhora do Ó está ainda hoje vivo na Região Saloia, no próprio concelho de Mafra.
é aqui que entra a origem pré-latina para o topónimo.
segundo uns, a origem é fenícia; segundo outros, a origem é turânica. e a voz original estaria relacionada com um significado religioso, compatível com o culto da deusa-mãe.
seja como for, nada está definitivamente resolvido e Mafra continua um topónimo obscuro.
a atribuição de origem árabe, através de mahfara, "cova", não acerta com as características do local, nem com as formas anteriores do topónimo.
não sendo de origem árabe, a estrutura da palavra remete-nos para uma origem pré-latina.
ora, segundo se diz, o rei Dom João V, terá mandado construir esse convento colossal com a receita do ouro do Brasil e o motivo de tão magnânimo empreendimento estaria relacionado com o cumprimento de uma promessa à Mãe-de-Deus, caso lhe fosse concedida a graça de ter filhos herdeiros, pois que filhos não herdeiros os tinha ele aos centos. em especial de freiras, o que, entre outros cognomes, lhe mereceu o epíteto de "O Freirático".
se assim fosse - e não é certo -, o Convento de Mafra seria a actualização setecentista de um culto pagão ancestral à mater genetrix, "a mãe geradora", Senhora do Ó, Ísis e assim por diante. certo é que o culto à Senhora do Ó está ainda hoje vivo na Região Saloia, no próprio concelho de Mafra.
é aqui que entra a origem pré-latina para o topónimo.
segundo uns, a origem é fenícia; segundo outros, a origem é turânica. e a voz original estaria relacionada com um significado religioso, compatível com o culto da deusa-mãe.
seja como for, nada está definitivamente resolvido e Mafra continua um topónimo obscuro.
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Gente de Coimbra
outra gente que deixou marcas na Toponímia foi a gente de Coimbra. mais que uma vez na História, o então excedente populacional desta região foi empregue no povoamento ou repovoamento de outras regiões, quer em Portugal quer na Galiza.
a distribuição geográfica destes topónimos vai do Alentejo às províncias galegas de Lugo e da Corunha, sendo a maior concentração nas regiões nortenhas.
exemplos:
Coimbra (Pt. e Br.) - no caso português, a repetição do nome Coimbra significa o mesmo que "segunda Coimbra", "nova Coimbra". no caso brasileiro, ou é a transposição do topónimo português, ou é um antropónimo.
Coimbrã - aldeia de gente coimbrã
Coimbrão - povoado de gente de Coimbra
Coimbrãos - gentes de Coimbra
Coimbró - diminutivo de Coimbra
Coimbrões - o mesmo significado que Coimbrãos
Cruceiro de Cumbraos (Gz.)
Cumbrao (Gz.) - ver Coimbrão e Cumbraos
Cumbraos (Gz.) - o mesmo significado que Coimbrãos e sua variante dialectal
Cumbraos de Abaixo (Gz.)
Torre de Cumbraos (Gz.)
a distribuição geográfica destes topónimos vai do Alentejo às províncias galegas de Lugo e da Corunha, sendo a maior concentração nas regiões nortenhas.
exemplos:
Coimbra (Pt. e Br.) - no caso português, a repetição do nome Coimbra significa o mesmo que "segunda Coimbra", "nova Coimbra". no caso brasileiro, ou é a transposição do topónimo português, ou é um antropónimo.
Coimbrã - aldeia de gente coimbrã
Coimbrão - povoado de gente de Coimbra
Coimbrãos - gentes de Coimbra
Coimbró - diminutivo de Coimbra
Coimbrões - o mesmo significado que Coimbrãos
Cruceiro de Cumbraos (Gz.)
Cumbrao (Gz.) - ver Coimbrão e Cumbraos
Cumbraos (Gz.) - o mesmo significado que Coimbrãos e sua variante dialectal
Cumbraos de Abaixo (Gz.)
Torre de Cumbraos (Gz.)
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
O Grove (Gz.)
talvez seja mais conhecida a vizinha ilha termal de A Toxa - que os portugueses teimam em conhecer por La Toja. pessoalmente, prefiro O Grove marinheiro-marisqueiro. nom polo marisco, que será do melhor que existe sobre a Terra, mas pola paisage ao redor.
tal como é hoje A Toxa, O Grove foi em tempos uma ilha na junção das Rias de Arousa e Pontevedra.
é conhecida a existência dos grovii no tempo dos romanos, constituindo um ramo não-celta da tribo dos Calleci Bracari. a sua origem étnica e proveniência geográfica são desconhecidas. ocupavam o vale do Baixo Minho, de uma e de outra banda, tinham Tui por cidade principal e pelo menos alguns deles ocupavam-se na mineração do estanho e produção de bronze. o seu deus dos deuses era Turiacus, o que traduzido para Galego-Português significa Senhor, Rei. afinal de contas, o mesmo nome que tem hoje.
as voltas e revoltas da História terão feito dispersar este povo, que aparece na Toponímia Galego-Portuguesa desde o Norte da Galiza ao Centro de Portugal, sob a forma Grove e derivados. certo é que poucos povos, tribos ou clãs se poderão gabar de ter deixado tantos vestígios toponímicos.
curiosamente, existe no léxico português o adjectivo "esgroviado", o que sugere que a memória que ficou desse povo é a de gente com ar desalinhado e cabelo desgrenhado... o que não corresponde, nem de perto nem de longe, aos groveiros de hoje em dia.
bom, é claro que se diz por aí hoje que a relação etimológica entre O Grove e os grovii é uma mera coincidência fonética. mas eu prefiro esta estória. e tenho comigo Emilio Nieto Ballester (1997). sempre é alguma cousa.
outras terras de gróvios:
A Groba (Gz.)
A Grova (Gz.)
As Encrobas (Gz.)
Costa da Groba (Gz.)
Groba (Pt. e Gz.)
Grobas (Gz.)
Groias (Pt.)
Groiva (Pt)
Grova (Gz.)
Grovas (Gz.)
Grova Fragosa (Gz.)
Grove (Pt. e Gz.)
Grovela (Pt.) - diminut. de Grova
Grovelas (Pt.) - diminut. de Grovas
Groves (Gz.)
Gróvia (Pt.)
Grovos (Pt.)
Serra da Groba (Gz.)
tal como é hoje A Toxa, O Grove foi em tempos uma ilha na junção das Rias de Arousa e Pontevedra.
é conhecida a existência dos grovii no tempo dos romanos, constituindo um ramo não-celta da tribo dos Calleci Bracari. a sua origem étnica e proveniência geográfica são desconhecidas. ocupavam o vale do Baixo Minho, de uma e de outra banda, tinham Tui por cidade principal e pelo menos alguns deles ocupavam-se na mineração do estanho e produção de bronze. o seu deus dos deuses era Turiacus, o que traduzido para Galego-Português significa Senhor, Rei. afinal de contas, o mesmo nome que tem hoje.
as voltas e revoltas da História terão feito dispersar este povo, que aparece na Toponímia Galego-Portuguesa desde o Norte da Galiza ao Centro de Portugal, sob a forma Grove e derivados. certo é que poucos povos, tribos ou clãs se poderão gabar de ter deixado tantos vestígios toponímicos.
curiosamente, existe no léxico português o adjectivo "esgroviado", o que sugere que a memória que ficou desse povo é a de gente com ar desalinhado e cabelo desgrenhado... o que não corresponde, nem de perto nem de longe, aos groveiros de hoje em dia.
bom, é claro que se diz por aí hoje que a relação etimológica entre O Grove e os grovii é uma mera coincidência fonética. mas eu prefiro esta estória. e tenho comigo Emilio Nieto Ballester (1997). sempre é alguma cousa.
outras terras de gróvios:
A Groba (Gz.)
A Grova (Gz.)
As Encrobas (Gz.)
Costa da Groba (Gz.)
Groba (Pt. e Gz.)
Grobas (Gz.)
Groias (Pt.)
Groiva (Pt)
Grova (Gz.)
Grovas (Gz.)
Grova Fragosa (Gz.)
Grove (Pt. e Gz.)
Grovela (Pt.) - diminut. de Grova
Grovelas (Pt.) - diminut. de Grovas
Groves (Gz.)
Gróvia (Pt.)
Grovos (Pt.)
Serra da Groba (Gz.)
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
Fisterra (Gz.)
diz-se que "Fisterra" é o (ou a) fim-do-mundo porque é o cabo mais ocidental do Continente Europeu. falso: o cabo mais ocidental é o Cabo da Roca. e que razão presidiria, então, ao nome do cabo Finistère e do Land's End?
temos de admitir que, no caso galego como no caso francês e inglês, haja razão especial para que um certo mundo ali termine.
creio que a razão é profunda e vem do mais recôndito dos séculos: uma razão religiosa, mágica, iniciática.
na Galiza, o Fisterra culmina a Costa da Morte, nome já de si misterioso, e conclui o Caminho de Santiago; em França, diz-se que o Cabo Finistère (Penn ar Bed, em bretão) deve o seu nome à abadia bretã de Saint Mathieu de Fine-Terre, lugar deserto e lúgubre; na Cornualha, Land's End (Penn an Wlas, em língua céltica) está associado ao ciclo de lendas do Rei Artur.
e acresce que Fisterra, embora de origem latina, não é o nome que os romanos davam ao cabo da Galiza. para eles, o cabo era o Promontorium Nerio, do nome de uma tribo celta, cuja religião celebrava a "paixão e morte" do Sol.
em comum, têm os três cabos o serem pontos de contacto com o "Ocidente", o lado da terra "onde o sol morre", ou melhor, o lugar da terra "onde matam o sol"; os vestígios de uma linguagem sacra expressa nas pedras; e a fonte de onde emanam lendas e lendas cujo sentido se oculta no embalo das palavras.
temos de admitir que, no caso galego como no caso francês e inglês, haja razão especial para que um certo mundo ali termine.
creio que a razão é profunda e vem do mais recôndito dos séculos: uma razão religiosa, mágica, iniciática.
na Galiza, o Fisterra culmina a Costa da Morte, nome já de si misterioso, e conclui o Caminho de Santiago; em França, diz-se que o Cabo Finistère (Penn ar Bed, em bretão) deve o seu nome à abadia bretã de Saint Mathieu de Fine-Terre, lugar deserto e lúgubre; na Cornualha, Land's End (Penn an Wlas, em língua céltica) está associado ao ciclo de lendas do Rei Artur.
e acresce que Fisterra, embora de origem latina, não é o nome que os romanos davam ao cabo da Galiza. para eles, o cabo era o Promontorium Nerio, do nome de uma tribo celta, cuja religião celebrava a "paixão e morte" do Sol.
em comum, têm os três cabos o serem pontos de contacto com o "Ocidente", o lado da terra "onde o sol morre", ou melhor, o lugar da terra "onde matam o sol"; os vestígios de uma linguagem sacra expressa nas pedras; e a fonte de onde emanam lendas e lendas cujo sentido se oculta no embalo das palavras.
domingo, 21 de outubro de 2007
Catoira (Gz.)
o povo, tribo ou gens dos catorienses aparece referido numa lápide romana, hoje colocada sob o altar-mor da igreja de Santiago, no Padróm. daqui se retira que os romanos encontraram um povoado, bisbarra ou comarca chamada Catoria. se a palavra é indígena ou exógena, é uma questão em aberto. a localização marítima de Catoira, na desembocadura do Ulha, na parte mais adentrada da Ria de Arousa, admite uma origem exógena; isto é, algum povo do mar lhe poderia ter dado o nome. no entanto, a existência do "Monte da Catoura", em Barrancos, distrito de Beja, abre uma possibilidade de tratar-se de nome indígena.
Catoira está em íntima relação co ciclo das lendas jacobeias que relatam a chegada da barca do corpo santo.
tamém Catoira está relacionada coa invasão de gente do Norte, no séc. IX. daí a Romaria Víquingue que, desde 1962, tem lugar todos os anos no 1º de Agosto. ainda em lembrança do ataque víquingue, Catoira encontra-se geminada com Frederikssund, na Dinamarca. sem ressentimentos.
Catoira está em íntima relação co ciclo das lendas jacobeias que relatam a chegada da barca do corpo santo.
tamém Catoira está relacionada coa invasão de gente do Norte, no séc. IX. daí a Romaria Víquingue que, desde 1962, tem lugar todos os anos no 1º de Agosto. ainda em lembrança do ataque víquingue, Catoira encontra-se geminada com Frederikssund, na Dinamarca. sem ressentimentos.
Chantada (Gz.)
Chantada é o centro da bisbarra (ver aqui) do mesmo nome, situada no sudoeste da província de Lugo, formada pelos concelhos de Carbalhedo, Taboada e Chantada. o seu nome parece indubitavelmente de origem latina tardia, evoluído de Plantata - que significa terra ou povoação defendida por uma espécie de muralha de estacas cravadas no chão, o mesmo que "estacada". região de forte representação da cultura castreja, as raízes históricas de Chantada propriamente dita estão muito ligadas à invasão normanda do séc. IX.
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