sábado, 19 de janeiro de 2008

pampilhais, pampinhal, pampilhosa

estes topónimos são também fitotopónimos. derivam de "pampilho", planta do grupo dos malmequeres e margaridas.


Alto da Pampilheira
Bairro da Pampilheira
Pampilhais - o mesmo que "campos de pampilhos"
Pampilhal (Pt. e Gz.) - graf. altern.: "Pampillal"
Pampilheira
Pampilhido
Pampilhosa
Pampilhosa da Serra
Pampilhosa do Botão
Pampinhal
Praia da Pampilhosa (Gz.) - graf. altern. "Praia da Pampillosa"

panascal, panasqueira, panascoso

estes topónimos são fitotopónimos, pois derivam de "panasco", uma planta gramínea que serve de pasto aos rebanhos (de ovelhas, por exemplo).


Minas da Panasqueira
Monte Novo do Panascoso

Panascal (Pt. e Gz.) - o mesmo que "prado de panascos". tem um significado próximo de "pradaria"

Panascos
Panascoso
Panasqueira - significa "campo ou prado de panascos"

Penhascoso - o nome "Penhascoso" resulta de uma alteração e reinterpretação recente do topónimo "Panascoso". como o topónimo se tornou vagamente cacofónico para certas mentes e a terra é muito rica em penhascos, vá de alterar o nome original - o qual, como hoje se diz, tinha adquirido conotações homofóbicas.

Quinta do Panascal

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Alcongosta, Cangosta, Congosta, Congosto, Congostra, Quingosta

estes topónimos estão associados a lugares de passagem difícil mas incontornável. encontram-se por toda a metade Norte da Península Ibérica, desde o território galego-português até aos vales pirenaicos de Aragão. tanto aparecem em lugares altos de passagem difícil, como em ruas, veredas, azinhagas e vielas estreitas, em troços apertados do curso de um rio ou em desfiladeiros e gargantas. a oscilação da primeira vogal é curiosa, variando entre a, i e o.
a sua associação a lugares de passagem estreita tem feito pensar no lat. canale angusta. admito também o parentesco linguístico com a palavra "canga", que contém a ideia de "aperto", "constrangimento".
encontra-se "congosta" como adjectivo, sobretudo em castelhano: "Las gargantas del Dobra son espectaculares, muy congostas y escarpadas" (da web).
nas regiões moçarábicas aparece o híbrido "Alcongosta" (do árab. al + congosta).

alguns desses topónimos:

Alcongosta
Cangosta
Cangosta da Palha
Cangosta das Cruzes
Cangosta de S. Sebastião

Congosta (Pt. e Gz.)
Congosta de Vidriales (Le.)
Congostas
Congosto de Olvena (Arag.)
Congostras (Gz.)
Congostro (Gz.)
Cruzeiro da Quingosta
Dehesa de Congosta (Le.)
Lugar da Congosta
Puente de la Congosta (Ast.)
Quingosta
Quingostas
Rua da Congosta
Rua da Quingosta
Rua das Congostas
San Andrés del Congosto (CsM)


domingo, 13 de janeiro de 2008

canga e cangas

apesar de aqui e ali virem referenciados ao latim cannica(s), os topónimos "Canga" e "Cangas" são, muito provavelmente, de origem linguística pré-romana. o topónimo nasceu nas Astúrias, onde encontramos as muito antigas Cangas de Onís e Cangas de Narceo. no séc. XII aparece nos documentos Cangas do Morraço na Galiza. o diminutivo "Canguelas" aparece na toponímia andaluza sob a forma "Picón de Las Canguelas". e como a Toponomástica está cheia de homofonias entre línguas diferentes, só para exemplo há em Angola o Rio Cutato das Canguelas, sendo que, nesse caso, "Canguelas" ou "N'Canguelas" é um etnónimo e nada tem que ver com Cangas.
sendo o topónimo Cangas originário das Astúrias, a melhor pista para o seu significado é o Bable, a língua asture-leonesa, tamém chamada vieya fala, de que o impropriamente chamado "mirandês" constitui um subdialecto. ora, segundo Rato de Argüelles (1891), "o nome de Cangas provém das choças ou cabanas em que viviam os habitantes dos povoados, as quais, cobertas de palha ou de urze em lugar de telhas, deviam o nome ao conjunto de paus entrelaçados que se colocavam por cima para evitar que o vento levasse a cobertura". a ser assim, os topónimo Canga, Cangas e Canguelas seriam, de certo modo, sinónimos de "Cabana", "Cabanas" e "Cabanelas", respectivamente.
as teorias latinófilas que referem o significado de "canavial" ou de "vale profundo e estreito" carecem de comprovação factual no terreno.

alguns topónimos derivados de "Canga" ou "Cangas":

Cangas de Foz (Gz.) ver Comentº de Malvelinha
Cangas de Narceo (Ast.) - ver aqui
Cangas de Onís (Ast.) - ver aqui
Cangas do Morraço (Gz.)

Cangas (Br.) - são topónimos antroponímicos. homenagem a alguém de sobrenome Cangas. ou transposições dos topónimos galegos ou asturianos? ver Comentº de Jolorib.

Picón da Las Canguelas (And.)
Rua da Canga - em Aguiar da Beira (Pt.)


sábado, 12 de janeiro de 2008

morros, morraços e morreiras

"morreira" é um lugar onde há vários "morros", ou "lugar entre morros".
um "morro" é um monte de pequena altura, um outeiro, um cabeço, uma colina, um cêrro ou sêrro, um bairro ao subir de um monte. o topónimo "Morro" é ubíquo um pouco por todo o Brasil. no Algarve (Pt.) predomina o termo "Cêrro".

topónimos derivados de "morro":

Cangas do Morraço (Gz.) - graf. altern. Cangas do Morrazo. ver tamém "O Morraço"

Farol do Morro (Br.)

Marrazes - ??? (topónimo pré-romano). relação com Morrazos? verdade é que no Séc. XIX, "Marrazes" era tratada como substantivo plural: "Freguesia de Santiago dos Marrazes"

Morraço (Gz.) - graf. altern. "Morrazo". pode significar um morro mais avantajado. promontório. mas Morraço também pode ser sinónimo de "Cachada", topónimo rural que designa um terreno que se tornou cultivável depois de queimada a vegetação silvestre e depois de nivelado ("disfarçado", "escondidas as irregularidades", "alteado")

Morrão (Br.) - o mesmo que "morro grande". nome de serra

Morreira (Pt.) - "lugar onde há vários morros" ou "lugar entre morros". serra de baixa altitude

Morro
Morro Agudo (Br.)
Morro Azul (Br.)
Morro Branco (Br.)
Morro Cará-Cará (Br.)
Morro Cara de Cão (Br.)
Morro Cara Suja (Br.)
Morro da Fumaça (Br.)
Morro da Lapa (Br.)
Morro da Mangueira (Br.)
Morro da Providência (Br.)
Morro das Pedras (Br.)
Morro da Urca (Br.)
Morro de São Paulo (Br.)
Morro do Castelo (Br.)
Morro do Forte (Br.)
Morro do Lajedo (Br.)
Morro do Moreno (Br.)
Morro Dona Maria (Br.)
Morro do Osso (Br.)
Morro dos Ventos (Br.)
Morro Grande (Br.)
Morro Pelado (Br.)
Morro Santana (Br.)
Morro Velho (Br.)
Morro Vermelho (Br.)
O Morraço (Gz.) - graf. altern. O Morrazo
Três Morros (Br.)

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Morraceira e Mouchão

sobre o topónimo "Morraceira" encontrei no jovem blogue do mesmo nome esta belíssima definição:

"unha morraceira... Un illote de terra no medio dun río na que xa se asentou vexetación..."

e a essa vegetação é costume dar-se o nome de "morraça".

tal como no Rio Minho, tamém no estuário do Rio Mondego existe uma ilha Morraceira.

um pouco mais a sul, a palavra correspondente é "Mouchão": Mouchão de Tomar, de Alhandra, de Póvoa de Santa Iria, do Lombo do Tejo, Herdade do Mouchão, etc. porém, nos "mouchões" não é costume a presença de "morraça", uma planta gramínea utilizável como forragem.

topónimos afins:
Morraça
Morraçã
Morraçal
Morração


sábado, 5 de janeiro de 2008

Topónimos Terminados em -el

é um grupo heterogéneo de topónimos, que, na sua maior parte, indica filiação no grupo de falares do romance galego-português moçarábico (Beiras, Estremadura, Ribatejo, Alentejo e Algarve, Pt.).
alguns destes topónimos, como Samel e Tourel, são genitivos de antropónimos.

Albarquel - topónimo híbrido, de árab. "al" + "barquel". "barquel" é diminut. de "barco", tal como "Barcelos" (diminut. plur. de "Barco"). implica a proximidade de um rio. é o mesmo que "portinho", "lugar de passagem ou travessia ou embarque". ver post

Alboritel - ver "Alburitel"

Alburitel - graf. altern. de "Alboritel". o mesmo que "Alportel"? pressupõe as formas intermédias "Alporetel" e "Alboretel"

Alfornel - topónimo híbrido, de árab. "al" + "fornel" (diminut. de "forno"). o topónimo "Fornel" encontra-se em França e na Catalunha. do lat. fornellu.

Aljustrel

Alportel - em "S. Brás de Alportel". topónimo híbrido, de árab. "al" + "portel". ver "Portel"

Arnel - ver "Ponta do Arnel"
Courel (Pt. e Gz.)
Espichel - nome de um cabo
Ferrel
Fratel

Marnel (Pt. e Gz.) - topónimo associado à presença ou proximidade de rios ou ribeiros. como hidrónimo: Rio Marnel. mesma etimologia de Marne (Fr. ). origem celta: matter (mãe, nascente) + onna (fonte)

Pinhel - diminut. de "Pinho" (o mesmo que "pino", "ponto alto")

Ponta do Arnel (Aç.) - parece haver uma relação com Ar-Men, na Bretanha (Fr.), onde, aliás, também existe um famoso farol. "ar-men": "a pedra", "o rochedo". o povoamento da Ilha de S. Miguel pode explicar a relação. e a localização também

Portel - diminut. de "Porto". do lat. portellu: Portelo, Portinho
Rochel
Rogel
Sousel

Samel (Pt. e Gz.) - genit. de Salamiru. também aparece sob a forma Samil (Pt. e Gz.). pronúnc. Sàmel/ Sàmir

Tamel - forma ant. "Tamal"
Tourel (Pt. e Gz.) - é um genitivo de um antropónimo

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Topónimos terminados em -ei, -ey

mais um grupo de topónimos com terminação comum, neste caso em -ei ou -ey, indicando, regra geral, um genitivo de antropónimo. são, pois, em geral, lugares cujo nome se associa à posse da terra, na Idade Média.


Atei - graf. anter. "Atey"

Ganfei - nome derivado de S. Ganfei, ou Ganfred, que mandou reedificar um antigo mosteiro beneditino que existira no local e que fora destruído por Al-Mansur, Rei de Córdova. a forma Ganfei é um genitivo. como dizer: "(Mosteiro) de São Ganfred"

Gondarei (Gz.) - graf. altern. "Gondarey". ver "Gondarém"

Guilhofrei - de Wiliafredi ou Uiliauredi, genit. de Wiliafredu ou Uiliauredu, antropónimo germânico

Guimarei (Pt. e Gz.) - graf. altern. "Guimarey" (Gz.). de Vimaredi, genit. de Vimaredu

Gumiei -

Jesufrei - de Segefredi, genit. de Segefredu.

Lufrei - graf. anter. "Logefrey", "Loifrei" e "Luifrei". de Leodefrei, genitivo de Leodefredu - de onde também o topónimo "Lufreu" (Penacova, Pt.)

Recarei - de Recaredi, genit. de Recaredu
Turei (Gz.) - graf. altern. Turey. ver "Tourém"



segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

frase do ano 2007

"paréceme que se está a perder liberdade, porque deixamos que pensen por nós. iso si, eu agora penso que son libre por poder dicir todas estas tonterías".

Lúa

Topónimos Terminados em -ém, -én

é um grupo heterogéneo de topónimos, do qual fazem parte alguns genitivos de nomes de possuidores de terras.


Alentém - em "Vilar de Torno e Alentém", Lousada (Pt.). antiga Arantei e Arantey. origem pré-romana. relacionada com o euskera arantz, "vale", ou com o pré-céltico are, "rio"? ou as duas coisas?

Azurém - de Osoredi, genit. de Osoredu, antropónimo germânico. ou seja, "propriedade de Osoredu"

Belém - do célt. Belenos ("carvalho"), a "morada do sol", equivalente à divindade grega Apolo. é um teónimo, no caso, um genitivo da divindade. como dizer "propriedade ou santuário de Belenos"

Borratém - em "Poço do Borratém", Lisboa. do árab. bîrr at-tîn: "poço da figueira". é mais um caso de redundância, em que a Toponímia se compraz. Poço do Borratém: "poço do poço da figueira"

Gondarém (Pt. e Gz.) - de Gunduredi, genit. de Gunduredu, antropónimo germânico. como dizer "propriedade ou quinta de Gunduredu". graf. altern. (Gz.): Gondarén. variante: Gondarei (Gz.) - graf. altern. Gondarey.

Litém - em Santiago de Litém e São Simão de Litém. de Litém, Pombal (Pt.). hidrónimo: Ribeira de Litém. ver" Alentém"

Orbacém - topónimo nortenho (Pt.), de Vila Praia d' Âncora. genit. de Urbacenu ?

Ourém - para J. P. Machado (2003), trata-se da transposição do topónimo árabe Uhrâm (Orã, Argélia)

Pevidém - topónimo de uma Vila do concelho de Guimarães (Pt.), deriva do apelido ou alcunha de uma figura típica que em tempos viveu num pequeno lugar da freguesia de S. Jorge de Selho. nesse lugar, uma casa ostenta o letreiro "aqui nasceu Pevidém". o apelido ou alcunha é provavelmente arbitrário. caso idêntico sucedeu em Coimbra com o Calhabé

Sacavém - topónimo de origem pouco clara. a hipótese árabe, sâqabi, "[lugar] próximo ou vizinho (de Lisboa)" é tentadora, mas não passa disso

Santarém - topónimo de origem desconhecida, talvez pré-romano. isto apesar da muito conhecida tese de provir de Santa Irene. no Pará (Br.), Santarém é transposição do topónimo português. também no Pará, existe Santarém Novo

Serém - de Sereni, genit. de Serenu: "quinta ou propriedade de Serenu"

Toém (Gz.) - graf. altern.: Toén

Tourém - de Teodoredi, genit. de Teodoredu. forma anterior "Tourei". da mesma etimologia são os "Turei" (Gz.), graf. altern. "Turey"

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Comba, Santa Comba, Pombal e Pombeiro



não se trata de um grupo de topónimos fácil. é um ponto de confluência evolutivo de vários pontos de partida etimológica. assim, pode ser o aspecto actual do céltico cumba (vale estreito e curto, garganta), de comba (pequena chã no declive de um monte), do latim columna (marco ou coluna romana), ou do hagiónimo Colomba - correspondente a várias Santa Colomba ("pomba"), as quais, por sua vez, representam cristianizações medievais de cultos pagãos anteriores. a destrinça nem sempre é possível, dado que tanto a orografia como a História do local podem explicar o topónimo.
Santa Comba de Sens, França (séc. III) e Santa Comba de Córdova, Espanha (Séc. IX) têm em comum o terem sido decapitadas no processo de martírio, o que as faz incluir no culto das "cabeças", ou pontos altos, tal como Santa Eulália ou Santa Quitéria.
alguns topónimos relacionam-se com este grupo, quando representam variações de columbarium, quer no sentido de "pombal", quer no sentido de jazigo ou local com nichos onde se depositavam vasos com as cinzas dos mortos. é o caso de topónimos como "Pombal" e "Pombeiro".

Azinhaga de Santa Comba (Coimbra, Pt.)
Casal Comba
Comba (Pt. e Gz.)
Combada
Combarro (Gz.)
Combas
Combel (Gz.)
Combelas - diminut. de Combas
Combinha - diminut. de Comba
Monte de Santa Colomba - no concelho de Mêda

Pombal (Pt., Gz. e Br.) -o caso brasileiro é uma homenagem a Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal e primeiro ministro do Rei Dom José I.

Pombeiras
Pombeirinho - diminut. de Pombeiro
Pombeiro (Pt. e Gz.)
Pombeiro da Beira
Pombeiro de Riba Vizela
Pombeiros
Quinta das Combas
Santa Comba (Pt. e Gz.)
Santa Comba Dão - está por Santa Comba d'Ão
Santa Comba de Bande (Gz.)
Santa Comba de Rossas
Santa Comba de Soutolobre (Gz.)
Santa Comba de Vilariça
Santa Comba do Trevoedo (Gz.)
Serra de Santa Comba


domingo, 9 de dezembro de 2007

Rabelo, Ravelo, Rebelo, Revelhe e Reveles - toponímia e onomástica

trata-se de topónimos e onomásticos de origem muito discutida e provavelmente diversa. Revelhe é claramente um genitivo de Rabelo, Rebelo ou Revelo, formas alternativas que o antropónimo apresentava na Idade Média. por sua vez, Reveles é um patronímico de Revelo, isto é, quer dizer "filho de Revelo", tal como Rodrigues significa "filho de Rodrigo", por exemplo. um topónimo aparentado é Ravel, em França, cuja origem tem sido associada ao latim rivus: "curso de água". as formas "Rebel" (Gz.), Revel e Ribela parecem indiciar uma origem mais em ripa, também latina (margem, margem elevada), de onde deriva o topónimo Ribeira, aplicando-se a lugares ou comarcas contíguos a um rio ou mar. o facto de o barco típico do rio Douro se chamar "rabelo" parece confirmar esta etimologia, tal como a designação de "rabelas" para as populações ribeirinhas do mesmo rio. o sobrenome ou apelido "Rebelo", frequente na zona do Douro Litoral, é isso mesmo que significa: "ribeirinho" (do Douro).
lê-se em J. P. Machado (2003) que os sobrenomes Rabelo/Rebelo derivam do latim raphanellu ("rabanete"), o que me parece bastante inadequado para nome de pessoa, quanto mais para nome de pessoa proprietária de terra e suficientemente importante para dar origem ao topónimo e seus derivados.

Rabelo
Ravel (Fr.)
Ravello (It.) - cidade da Campania, no Sul de Itália
Ravelo (Gz.)

Rebel (Gz.) - variante de Revel. de acordo com uma achega de Isabel Rei Samartim, existe o topónimo Rebel na Galiza, em Vilalonga, São Gens, Ponte Vedra.

Rebelo

Revel (Pt., Gz. e Fr.) - há vários topónimos "Revel" em França, designadamente no Haute-Garonne e Isère, donde não ser proibido que o sobrenome Revel/Rebel tenha origem numa mais ou menos ancestral ou mais ou menos recente origem transpirenaica.

Reveles - nome de lugares e quintas da margem esquerda do Mondego.
Revelhe - genitivo de Revelo: "quinta ou propriedade de Revelo".

Revilhães - tal como Revelhe, é genitivo de Revelo: "quinta ou propriedade de Revelo"

Ribeira (Pt. e Gz.)
Ribel (Gz.)

Ribela - aqui parece mais clara a origem em ripa / "riba", na forma diminutiva. a "riva" ou "riba" (margem, margem alta, arriba) aplica-se a lugares contíguos a um rio ou mar.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Topónimos Terminados em -ance e -ante

pertencem ainda ao grupo dos genitivos relacionados com proprietários rurais da Idade Média.

Amarante (Pt., Gz. e Br.) - no caso português, Amarante é feminino. a população local e próxima trata a cidade por "a Amarante". assim, tudo indica tratar-se de um genitivo de um possuidor de uma villa: villa Amarantii. o caso brasileiro é transposição do topónimo português.

Constance - de villa Constantii: quinta ou propriedade de Constantiu (Constâncio)

Topónimos Terminados em -ence, -ense e -ente

ainda os possuidores da terra na Idade Média:



Chorence - forma etimologicamente correcta de "Chorense". em França: Chorence

Chorense - ver "Chorente"

Chorente (Pt. e Gz.) - de villa Florentii: "quinta ou propriedade de Florêncio". existe a variante dialectal Chorense, que está por Chorence.

Coence (Gz.)

Jazente - de villa Hyacinthii: "quinta ou propriedade de Hyacinthus (Jacinto). graf. ant.: Jaçente

Ourense (Gz.) - a origem desta capital provincial galega é rural. a sua excelente localização faria o seu destino. não pertence a este grupo de topónimos, embora pareça derivar do antropónimo Aurius. no entanto, a ser assim, a terminação -ensis é difícil de explicar. tendo em conta que se trata de uma cidade termal, com nascentes de água quente em plena rua ("As Burgas"), a hipótese céltica, or ens ("água quente") não é descabida de todo. o topónimo era grafado Auriense nos documentos medievais.

Podence (Pt. e Gz.) - de villa Potentii: quinta ou propriedade de Potentiu ou Potêncio

Podente (Gz.) - ver "Podence"

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

a palavra Mãe na toponímia galego-portuguesa e brasileira

"Mãe" ou "Madre" aparece na toponímia vinda de uma de três origens: religiosa, referindo-se à Mãe de Deus ou a uma realidade conventual; como referente de uma nascente ou de um reservatório de água; ou como homofonia de uma realidade linguística não latina. a forma Mãe" convive com a sua forma anterior, "Madre".

Alto da Mãe de Deus -
Casal da Mãe Velha -

Madre - o significado deste topónimo é, provavelmente, o de "leito do rio"

Madreboa -

Madre de Água (Pt. e Gz.) - ou será Madre d'Água? graf. altern. (Gz.): Madredeagua. significa "nascente de água".

Madre de Deus - forma um tanto purista. é mais precisa, por mais perto da pronúncia real, a forma Madredeus

Madredeus - refere-se à invocação católica de Maria, a Mãe de Deus. na realidade, traduz a sobrevivência de cultos pré-cristãos

Madre Deus - também me parece um purismo por "Madredeus"
Madrelhe - (?)
Madres -
Madroeira - (?)

Mãe (Br.) - designa uma ilha do Estado do Rio de Janeiro, situada junto da Ilha do Pai e perto da ilhota conhecida por Menina

Mãe Ana -
Mãe Boa -
Mãe d'Água - tanque, reservatório de distribuição de água, cisterna
Mãe de Água - purismo por Mãe d'Água
Mãe de Água Nova -
Mãe de Água Velha -
Mãe de Migança -

Monte da Madre Ana - aqui "Ana" será a mesma palavra que originou Guadi-Ana? nesse caso, significa "leito do rio", com duplicação do significado de rio.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

adeus, mãe

quem é que estava à espera disto?
bem sei que a lei da vida é cruel e cega.
não vamos esquecer-te.
adeus, mãe.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Topónimos Terminados em -ude

os topónimos terminados em -ude são também resquícios da propriedade rural da Idade Média. são poucos mas bons.


Aúde (Gz.) - ver Comentº de Calidonia
Barbude - genitivo de um antropónimo ?

Barbudo - está por Barbude. a hipótese de provir do adjectivo parece-me peregrina

Cabanude (Gz.) - ver Comentº de Calidonia
Carbalhude (Gz.) - ver Comentº de Calidonia. graf. altern.: Carballude
Carbude (Gz.) - ver Comentº de Calidonia

Escravitude (Gz.) - com este nome, não pertence à colecção. é um topónimo de origem religiosa

Fazelude (Gz.) - ver Comentº de Calidonia. graf. altern.: Facelude
Fontedaúde (Gz.) - ver Comentº de Calidonia. ver Viladaúde

Mafamude - topónimo que é genitivo latino de um antropónimo árabe: Mahamud ou Mahmud. ver Viladaúde

Segude - genitivo de Secutu

Seragude (Gz.) - ver Comentº de Calidonia
Sergude (Gz.) - ver Comentº de Calidonia

Viladaúde (Gz.) - ver Comentº de Calidonia. redundância: villa- villa de Daútu. genitivo lat. da forma árabe de David: Daútu (Daúd)? nesse caso, tal como Mafamude, seria o sinal da existência de terratenentes árabes ou arabizados em regiões muito nortenhas.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Topónimos Terminados em -ade

ainda a posse da terra na Idade Média:

Amboade (Gz.)
Andrade (Gz.)
Andreade (Gz.)

Beade (Gz.) - genitivo de Venatu. villa, quinta ou propriedade rústica de Venatu

Guilhade (Gz.) - graf. altern. Guillade
Morgade (Pt.)
Repiade (Pt.) - variante dialectal de Revinhade
Revinhade (Pt.) - propriedade de Rabinadu, antropónimo germânico
Sambade (Pt.) - propriedade de Sambadu
Segade (Pt. e Gz.)
Sequeade (Pt.) - em 1220 era "Ciquiad"
Veade (Pt.)- ver Beade
Venade (Pt.) - forma evolutivamente anterior de Veade e Beade
Xermade (Gz.)

Topónimos Terminados em -il

neste grupo não incluo os topónimos terminados em -mil, de que já falei.

Arganil - possível genitivo de um antropónimo germânico
Bermil (Gz.) - genitivo de Belmiru
Fermil
Fail
Madail
Outil
Parragil - cf. Perejil, Perexil (E.)
Portangil (Gz.) - graf. altern. Portanxil. ver Comentº de Calidonia
Setil
Vermil - ver "Bermil"

Vermoíl - variante dialectal de Vermoim? de Bermudu, antropónimo germânico

sábado, 10 de novembro de 2007

Topónimos Terminados em -mir

estes tamém não são muitos. ocorrem menos vezes que as variantes em -mil, quando existem.


Baldomir (Gz.)
Cristimir (Gz.)
Vilamir (Gz.)