bem-vindo!.....por que é que a sua terra se chama...?..(blogue de apontamentos).........................direitos reservados. proibida a cópia ou reprodução sem autorização expressa do autor.
quarta-feira, 28 de maio de 2008
segunda-feira, 5 de maio de 2008
abrunhos e abrunheiras
"abrunho" (lat. prunu + a protésico) é a drupa ou fruto do abrunheiro. há o abrunheiro propriamente dito e o abrunheiro bravo. são arbustos da família das rosáceas. o primeiro não tem espinhos e dá frutos pendentes e doces, o segundo é espinhoso e dá uns frutos eretos e muito azedos. de "abrunho" deriva "Abrunhal" , "Abrunheda", "Abrunhosa" e as formas aferéticas "Brunhal", "Brunheda", "Brunheira", "Brunheiras" e "Brunhosa".
este grupo de topónimos encontra-se por igual em Portugal e na Galiza.
Abrunhal - lugar onde crescem abrunheiros
Abrunheda - lugar onde abundam os abrunheiros
Abrunheira (Pt. e Gz.) - graf. altern. (Gz.): Abruñeira
Abrunheiras (Pt. e Gz.) - graf. altern.(Gz.): Abruñeiras
Abrunheiro (Pt. e Gz.) - graf. altern. (Gz.): Abruñeiro
Abrunheiro Grande
Abrunheiro Pequeno
Abrunhosa - ver "Abrunheda"
Abrunhosa-a-Velha
Abrunhosa do Mato
Brunedo
Bruneiro
Brunhais
Brunhal
Brunheda
Brunhedo
Brunheira (Pt. e Gz.) - graf. altern.: Bruñeira
Brunheiras (Gz.) - graf. altern.: Bruñeiras
Brunheirinha
Brunheirinho
Brunheiros (Gz.) - graf. altern.: Bruñeiros
Brunheta
Brunhosa
Brunhosinho
Brunhoso
Burinhosa - ver Comentº de Ismael
Largo Abrunho
Quinta da Brunheda
Quinta do Abrunhal
Ribeira da Brunheta (ver Comentº de Manuel Anastácio)
Rua do Abrunhal
quinta-feira, 3 de abril de 2008
colmos e colmeias
aliás, o que mais me incomodaria, se lá vivesse, é que "colmeias" tivesse relação com apicultura, dado que as abelhas se querem longe dos povoados e as pessoas longe das ferroadas.
e assim como há povoações chamadas "cabanas" e "cabanelas", por serem formadas de cabanas, assim é natural que "colmeal", "colmões" e afins designem aldeias que outrora eram formadas de "colmos". e há que ter em conta que também a palavra "colmeia" deriva do lat. culmu-, "teto de colmo".
os "Colmenares" da Toponímia de fala castelhana têm a mesma origem, por muito que custe aos livros que tenho lido.
talvez por metáfora, chama-se tamém "colmeias" a casas habitadas por muita gente e a povoados com muitas casas juntas.
Aldeia do Colmeal
Casal do Colmeeiro
Colmaça
Colmeada
Colmeal
Colmeal da Torre
Colmeeeira
Colmeeiro
Colmeeiros
Colmeia
Colmeias
Colmeiro
Colmenaria
Colmeneiro
Colmeosa
Colmões
Herdade do Colmeeiro
Malhada do Colmeal
domingo, 30 de março de 2008
abelhas, abóboras e avelãs
quer-me parecer que não se trata de fitónimos nem zoónimos e que a relação aparente com abóboras, avelãs e abelhas é o fruto de uma convergência fonética da palavra antiga, de significado já desconhecido, para uma palavra mais atual e com significado conhecido.
o estudo das variantes pode indicar o caminho evolutivo:
no caso "Abobeleira"-"Aboboreira", parece claro que a primeira é forma mais antiga, já sem significado aparente, enquanto a segunda convergiu para uma palavra atual cujo significado é conhecido, ainda que desenquadrado da realidade local. na verdade, o número de abóboras existentes na Serra da Aboboreira é seguramente inferior ao de qualquer outro lugar.
coisa parecida se passa no caso "Aveleira"-"Abeleira"-"Abelheira", onde há menos avelãs e abelhas do que em qualquer outro sítio e em que os topónimos afins "Serra da Abelha" e "Penas d'Abelha" parecem brincar conosco.
sugiro que o elemento comum a todos estes topónimos é "vela" ou "veleira", no sentido de "ponto de vigia", criando parentescos insuspeitados em topónimos aparentemente tão diferentes.
claro que resta o enigma dos hidrónimos "Abelaira", "Abelheira", "Aveleira", embora seja possível que um rio ou ribeiro tome o nome do orónimo correspondente.
mas, atenção: estão todos contra mim. são fitónimos e zoónimos e pronto.
A Abelaira (Gz.)
Abelaira - é um hidronimo
Abeleira (Gz.)
Abeleiras (Gz.)
Abeleiroas (Gz.)
Abelheira (Gz.) - graf. altern.: "Abelleira"
Abobeleira - é uma aldeia de montanha
Abobereira
Aboboreira
Avelaira (Gz.)
Aveleira - orónimo. duas Serras "da Aveleira" no distrito de Coimbra. está por "A Veleira"?
Barragem da Veleira
Beleira (Gz.)
Beleirinha
Branda da Aveleira
Moinhos do Abelheira (Gz.) - em que "Abelheira" é hidrónimo, como "Abelaira". graf. altern.: "Muiños do Abelleira"
Penas d'Abelha - por "penas da Vela"?
Praia Abelheira (Gz.) - graf. altern.: "Praia Abelleira". é curioso que não seja ""Praia da Abelheira".
Quinta da Aveleira ou da Veleira
Ribeira da Abelheira
Ribeiro da Abelheira
Serra da Abelha
Serra da Aboboreira
Serra da Aveleira - ver "Aveleira"
Sobral da Abelheira
Vela
Vila Baleira - também aparece grafada "Vila Beleira"
sexta-feira, 21 de março de 2008
lama, lamas, lameiras
nas Astúrias e em León surge sob a forma palatalizada Llamas, o que cria um curioso triplo sentido entre "Lamas", "chamas" (do verbo chamar) e "chamas" (labaredas de fogo).
é um topónimo frequente em Itália, onde tem a mesma etimologia e o mesmo significado. e também aparece na Córsega (Co). Na Baviera, Alemanha (De), há uma Lam. esta distribuição geográfica parece querer apontar para uma origem ligure do topónimo. há quem ligue o topónimo às construções megalíticas (ver Comentº de Manuel Anastácio). e, mais curioso ainda, também se costuma associar o povo ligure ao megalitismo.
Alto de Lamas
As Lamas (Gz.)
Beco da Lama
Cabeço da Lama
Campo Lameiro (Gz.)
Casa da Lama
Castel di Lama (It.)
Calçada da Lama
Lam (De)
Lama (Pt., Gz., It., Co)
Lama de Ouriço
Lama dei Peligni (It.)
Lamaçães - de "lamaçaes", depois anasalada. ver "Lamaçares"
Lamaçais
Lamaçares (Pt. e Gz.) - graf. altern. (Gz.): "Lamazares". de "Lamaçales", plur. de "Lamaçal". noutras zonas evoluiu para "Lamaçais" e "Lamaçães"
Lamaceiro
Lamaceiros
Lama Chã
Lamacheira - de "lama" + "cheira" ou "chaira". é uma espécie de pleonasmo
Lamações
Lama de Arcos
Lamadeita (Gz.)
Lama di Gavello (It.)
Lama di Sopra (It.) - o mesmo que "Lama de Cima"
Lama di Sotto (It.) - o mesmo que "Lama de Baixo"
Lama do Brincadoiro
Lama do Moinho
Lama do Prado (Gz.)
Lama Locogno (It.)
Lamalonga (Pt. e Gz.)
Lama Mocogno (It.)
Lamão
Lamaracha
Lamarão (Pt. e Br.)
Lamares
Lamarigo
Lamarim
Lamario
Lamarosa
Lamas (Pt. e Gz.)
Lamascais
Lamascal (Gz.)
Lamas de Abade (Gz.)
Lamas de Abaixo (Gz.)
Lamas de Arriba (Gz.)
Lamas de Campos (Gz.)
Lamas de Cavalo
Lamas de Ferreira de Aves
Lamas de Miro
Lamas de Moledo
Lamas de Moreira (Gz.)
Lamas de Mouro
Lamas de Ôlo
Lamas de Orelhão
Lamas do Vouga
Lamedo
Lamego (Pt. e Gz.)
Lameira (Pt. e Gz.)
Lameira da Lagoa
Lameiradas
Lameirancha - de "Lameira Ancha"
Lameirão (Gz.) - graf. altern.: "Lameirón", "Lameiróm"
Lameiras
Lameirinha (Pt. e Gz.) - graf. altern.: "Lameiriña"
Lameirinho (Pt. e Gz.) - graf. altern.: "Lameiriño"
Lameirinhos
Lameiro (Pt. e Gz.)
Lameiro Cão
Lameiro da Quelha
Lameiro do Pito
Lamela (Pt. e Gz.)
Lamelas
Lami (It.)
Lamicupi (It.)
Laminha (Gz.) - graf. altern.: "Lamiña"
Laminho (Gz.) - graf. altern.: "Lamiño"
Lamo
Lamoça
Lamosa (Pt. e Gz.)
Llamas (As., Le.)
Llamas de Cabrera (Cs.-Le.)
Llamas de la Ribera (Le.)
Largo da Lama do Moinho
Quinta do Lameiro do Homem
Ribeira de Lamas
Ribeira de Lamas de Miro
Rua da Lama
Rua das Lameiras
Santa Maria de Lamas
Torrão do Lameiro
Travessa da Lameira de Cima
Vale da Lama
quinta-feira, 20 de março de 2008
pelames (Pt.), pelamios (Gz.)
o toponimo "Pelames"/"Pelamios" aparece: na toponímia urbana de pendor medieval, em zonas junto de uma linha de água; em localidades cujas condições hidrográficas favoreciam a atividade dos curtumes; associado a "fonte" ou "ponte", como indicando a presença do fio de água que permitiu a instalação e funcionamento dessa indústria.
são topónimos muito difundidos em Portugal e na Galiza. encontram-se de Tavira à Corunha.
o declínio e desaparecimento desta indústria artesanal fez esquecer este significado da palavra "pelame", que passou a designar mais frequentemente a "pelagem" dos animais .
Alcaria dos Pelames
Bairro do Pelame
Bairro dos Pelamios (Gz.)
Fonte dos Pelames
Fonte dos Pelamios (Gz.)
Forno dos Pelames
Moinho dos Pelames
Os Pelamios (Gz.)
Palame
Pelames
Ponte dos Pelames
Ponte dos Pelamios (Gz.)
Porta dos Pelames
Quinta dos Pelames
Regueira dos Pelames
Ribeira de Pelames (Pt.-Aç.)
Rio dos Pelames (Br.) - associado à implantação da industria dos curtumes no Brasil
Rio Pelame (Br.)
Rua dos Pelames
Rua dos Pelamios (Gz.)
Souto dos Pelames
Travessa dos Pelames
segunda-feira, 17 de março de 2008
loja, lojas
entre os muitos sentidos de locus, podemos encontrar "lugar", "sítio", "localidade", "região"; "habitação"; "propriedade fundiária"; "terras", "bens de raiz"; na forma verbal, significava "colocar", "estabelecer", "assentar".
a própria palavra inglesa lodge tem o mesmo conjunto de significados, logo, provavelmente, a mesma origem.
creio que os toponimos "Loja" e "Lojas", que não são muitos, têm relação com um destes significados, mais provavelmente o de "propriedade fundiária", "quinta", e não, evidentemente, com a existência atual ou passada, de um ou mais estabelecimentos de venda e comércio.
é um toponimo bastante frequente em França, o que parece reforçar a tese que defendo.
o sobrenome "Loja" pode ter origem toponímica, assim como pode tamém constituir uma alcunha, alcume ou apelido.
exemplos:
Beaumetz-les-Loges (Fr.)
Chão da Loja (Pt.)
Courcy aux Loges (Fr.)
Fay aux Loges (Fr.)
Les Loges en Josas (Fr.)
Les Loges sur Brécey (Fr.)
Loge (Pt.)
Loges (Pt.)
Loges-Saulces (Fr.)
Loja (Pt.)
Lojas (Pt.)
Monte da Loja (Pt.) - no Alentejo. é, pois, um curioso pleonasmo, já que "monte", no Alentejo, é o mesmo que "propriedade fundiária" ou "quinta"
Saint Hilaire des Loges (Fr.)
Vitry aux Loges (Fr.)
segunda-feira, 10 de março de 2008
os pontos cardeais na toponímia
Algarve - do árab: "o Ocidente"
Cabo do Mundo - ver "Fisterra"
East End (Ing.) -
Estação do Oriente - topónimo urbano (Lisboa)
Finistère (Fr.) - ver "Fisterra"
Fisterra (Gz.) - de lat. finis terrae: "o fim da terra", "o cabo do mundo". embora não signifique "ocidente", pela sua posição geográfica e simbolismo associado, este topónimo (tal como os seus afins) está associado à ideia de "ocidente": "o lado em que matam o sol", "o lado em que o sol morre"
Japão - na escrita, o caracter pictográfico que designa o Japão significa "a origem do sol", "o oriente"
Jaraguá do Sul (Br.)
Levante - em termos de Europa, designa as regiões orientais banhadas pelo Mediterrâneo. na Espanha, designa as regiões próximas dos Pirinéus banhadas pelo Mediterrâneo. de "levante": "lugar onde o sol se ergue, ou se levanta", "oriente"
Mar do Norte
Nordeste (Aç.)
Nordestinho (Aç.)
Norfolk (Ing.) - "povo do Norte". talvez melhor: "o Povo a Norte"
Norrköping (Su.) - "mercado do Norte". pronúnc. sueca: "norrxôping". se fosse inglês, era "nor(th)shopping"
Norte (Pt., Pt.-Aç., Gz.)
Norte Grande (Aç.)
Norte Pequeno (Aç.)
Noruega - "caminho do Norte"
Norwich (Ing.) - "cidade do Norte"
Novo Oriente (Br.)
Oeste - nome que também se dá à Região Saloia, sobretudo à sua parte norte
Oriente (Br.)
Ponta Leste (Ang., Br., Gn-B.) - topónimo frequente nos litorais lusófonos
Praia do Norte (Aç., CV.)
Punta del Este (Ur.)
Ribeira do Norte (CV.)
Rio Grande do Norte (Br.)
Rio Grande do Sul (Br.)
Rio Novo do Sul (Br.) - hidrónimo e nome de município
Rua do Norte
Sepharad (hebr.) - o nome da Península Ibérica, para os Judeus: "o Ocidente"
Suffolk (Ing.) - "povo do sul". talvez melhor: "o Povo a Sul"
Tibau do Sul (Br.)
Timor Leste
Vladivostok (Ru.) - "dominadora do Oriente", "rainha do Oriente"
não fazem parte deste grupo:
Este - freguesia do concelho de Braga, deve o seu nome ao rio Este
Rio Este - ver "hidrónimos ou nomes de rios"
Rio Sul - ver "hidrónimos ou nomes de rios"
São Pedro do Sul - antiga Vila do Banho, deve o seu actual nome ao Rio Sul, afluente do Vouga
quarta-feira, 5 de março de 2008
Baltar, Balteiro, Balter
Baltar é um topónimo frequente na Galiza e no Norte de Portugal. representa o genitivo do nome germânico latinizado "Baltariu", um nome com fortes ressonâncias guerreiras, como quase todos os nomes germânicos que povoam a toponímia galego-portuguesa. e o genitivo, Baltari , significa "[propriedade, ou património,] de Baltariu". tem a variante Balter (Pt. e Gz.).
de Baltariu (nominativo ? acusativo?), derivam ainda os topónimos Balteiro, também frequentes no Norte de Portugal e na Galiza.
domingo, 17 de fevereiro de 2008
outeirinho, outeiro
este topónimo emparelha com outros (quase-) sinónimos no grupo dos orónimos de baixa altitude, como "Cabeça", "Cabeço", "Cerro", "Espinho", "Lomba", "Monte", "Morro", que formam curiosos pleonasmos entre si.
Aldeia do Outeiro
Caminho Oiteiro
Cêrro do Outeiro - um curioso pleonasmo, como "Morro do Outeiro" e "Outeiro da Cabeça"
Chão do Outeiro
Eiteiro - variante dialectal de "Outeiro" e "Oiteiro"
Ilha do Outeiro (Pt. e Br.)
Iteiro - variante dialectal de "Outeiro", "Oiteiro" e "Eiteiro"
Iteiro da Senhora
Malhada do Iteiro
Morro do Outeiro (Br.) - um curioso pleonasmo. cf. "Outeiro da Cabeça"
Oiteiro (Pt. e Br.) - variante dialectal de "Outeiro"
Outarelo (Pt. e Gz.) - ver "Outeirelo"
Outeira (Pt., Gz. e Br.)
Outeirada - sufix. abundanc.: "lugar onde há vários outeiros"
Outeiral (Pt. e Gz.) - sufix. abundanc. ou colect.: "lugar onde há vários outeiros"
Outeirão
Outeirelo - diminut. de "outeiro"
Outeirinho (Pt. e Gz.) - graf. altern.: "Outeiriño"
Outeiro (Pt. , Gz. e Br.)
Outeiró - parece que este topónimo já não existe. mas a sua simples menção indica que é do género feminino e que pressupõe a existência de "Outeira", de que é um diminut. medieval
Outeiro Alegre (Br.)
Outeiro Cimeiro
Outeiro da Cabeça - tal como "Morro do Outeiro", "Outeiro da Cabeça" é um curioso pleonasmo
Outeiro da Cortiçada
Outeiro da Cruz (Br.)
Outeiro da Fonte
Outeiro da Forca
Outeiro da Glória (Br.)
Outeiro da Lomba - outro curioso pleonasmo
Outeiro das Brisas (Br.)
Outeiro das Pedras (Br.)
Outeiro da Vela
Outeiro da Vila
Outeiro da Vinha
Outeiro de Abaixo (Gz.) - o mesmo que "Outeiro de Baixo" e "Outeiro Jusão"
Outeiro de Arriba (Gz.)
Outeiro de Baixo - ver "Outeiro Jusão" e "Outeiro de Abaixo"
Outeiro de Ferro
Outeiro de Gatos
Outeiro de Gregos
Outeiro de Polima
Outeiro de Rei (Gz.)
Outeiro de São João Batista (Br.)
Outeiro do Barro
Outeiro do Forno
Outeiro dos Poços
Outeiro Grande (Gz.)
Outeiro Jusão - significa "Outeiro de Baixo"
Outeirol
Outeiro Maior - o mesmo que "Outeiro Grande"
Outeiro Meão - um outeiro que está a meia altura em relação a outros
Outeiro Redondo (Pt. e Br.)
Outeiro Seco
Praia do Oiteiro (Br.)
Rua do Alto Iteiro
Rua do Eiteiro
Rua do Outeiro
São Miguel do Outeiro
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
soito, souto, soutelo
"souto", do latim saltu, significa "terreno povoado de castanheiros", "bosque de castanheiros". em casos raros, pode significar um bosque de outras árvores, se a palavra "souto" for seguida do determinativo: "Souto de Carvalhos", "Souto das Oliveiras".
em alguns topónimos a palavra "Souto" parece estar seguida do genitivo do nome de um possuidor, como é o caso de “Soutariz”, "Soutipedre" e "Soutomel", entre outros.
a variante dialectal "Soito", e derivados, aparece na Região portuguesa da Beira-Serra.
"souto" é um termo abundantíssimo na toponímia galego-portuguesa, sendo hoje o que resta da enorme importância que tiveram outrora os castanheiros e as castanhas nos usos e costumes das populações peninsulares.
vestígios ainda vivos do papel que as castanhas desempenharam na gastronomia e e nos rituais da religiosidade pré-cristã são a sopa de castanhas, o lombo de porco assado com castanhas, e o magusto de São Martinho acompanhado do vinho novo.
A Soutela (Gz.)
Cabeço do Soito
Caminho de Soutelinho (Gz.) - graf. altern.: "Camiño de Souteliño"
Casa do Soito
Cavorco de Soutelo (Gz.)
Corgo de Soutelo (Gz.)
Moinhos de Soutelinho (Gz.) - graf. altern.: "Muiños de Souteliño"
O Soutinho (Gz.) - graf. altern.: "O Soutiño"
Prados do Soutelo (Gz.)
Regada do Soito
Regato de Soutelo (Gz.)
Rio de Soutelinho (Gz.) - graf. altern.: "Río de Souteliño"
São João do Souto
Seara do Soutelo (Gz.)
Soitelo
Soitinho
Soito
Soutadoiro (Gz.)
Soutariz (Gz.) - de "Souto Alarici": "souto de Alarico"?
Soutelinho (Gz.) - dimin. de "Soutelo". graf. altern.: "Souteliño"
Soutelo (Pt. e Gz.)
Soutelo da Pena (Gz.)
Soutelos
Soutelo Verde (Gz.)
Soutipedre (Gz.) - de "Souto Petri": "souto de Pedro"?
Souto Bom
Soutochao (Gz.)
Soutocico - é um diminut. asture-leonês. o curioso é que além do Soutocico na região de Miranda do Douro existe um outro na região de Leiria
Souto da Carpalhosa
Souto da Casa
Souto da Ponte
Souto das Cales
Souto das Eiras
Souto das Oliveiras
Souto da Velha
Souto de Lafões
Souto de Limia (Gz.)
Souto do Brejo
Souto do Coval
Souto do Meio
Souto do Rego
Souto do Rio
Soutomaior (Gz.) - significa "souto grande"
Souto Maior - ver Soutomaior
Soutomel (Gz.)
Soutopenedo (Gz.)
Souto Redondo
Souto Velho
Soutulho (Gz.) - graf. altern. "Soutullo"
Vila Nova de Souto d'El Rei
Vilarinho do Souto
Vil de Soito
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
fiolhal, funchal, funchalinho, funcheira, funchosa
a foeniculus vulgare Mill é uma umbelífera fortemente aromática, de aroma semelhante ao do anis, utilizada em culinária, em perfumaria e como aromatizante em bebidas espirituosas. de origem mediterrânica, está muito difundida na Macaronésia - Madeira, Canárias e Açores. tem várias designações que, em alguns casos se sobrepõem com as de outras plantas, pelo que o melhor é evitá-las.
planta muito ligada também à superstição, à magia e à medicina, o funcho usava-se antigamente pendurado à porta de casa para afugentar espíritos e o mau olhado. diz-se que trazer um pequeno rebento de funcho no sapato esquerdo protege das carraças, coisa que os menos cépticos atribuem ao facto de as carraças odiarem o cheiro do funcho. e trazer consigo um saquinho de sementes de funcho faz sentir-se protegido das doenças.
Barragem do Funcho
Fiolhais - de "fiolho", o mesmo que "funcho". lugares onde abunda o funcho ou fiolho
Fiolhosa
Funchalinho
Funcheira
Funcheiro (Pt. e Gz.)
Funchosa
Horta da Funcheira
Moinhos do Funcheiro
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
bouça e touça
não raramente, o topónimo "Bouça" aparece associado a lugares de interesse arqueológico.
"touça", é igualmente pré-romana e o seu significado emparelha com "bouça", diferenciando-se na altura e na concentração do mato, sendo que em "touça", o mato é mais alto e mais basto.
"touça" tem a variante "toiça" em Portugal. mas nenhuma das variantes se pode confundir com toiça ou touça: "a parte do tronco que fica agarrada ao solo depois da árvore ser abatida".
A Bouça Alta (Gz.) - graf. altern.: "A Bouza Alta"
A Bouça da Barra (Gz.) - graf. altern.: "A Bouza da Barra"
A Bouça da Galinha (Gz.) - graf. altern.: "A Bouza da Galiña"
A Bouça Grande (Gz.) - graf. altern.: "A Bouza Grande"
A Bouça Velha (Gz.) - graf. altern.: "A Bouza Vella"
As Bouças (Gz.) - graf. altern.: "As Bouzas"
As Boucinhas (Gz.) - graf. altern.: "As Bouziñas"
As Boucinhas do Rio (Gz.) - graf. altern.: "As Bouziñas do Rio"
A Touça (Gz.) - graf. altern.: "A Touza"
Bairro das Toiças (Pt.)
Bouça Fria (Gz.) - graf. altern.: "Bouza Fría"
Boiça (Pt.)
Boiça de Baixo (Pt.)
Boiça de Cima (Pt.)
Boicinha (Pt.) - diminut. de "boiça"
Bouça (Pt. e Gz.) - graf. altern.: "Bouza". no concelho de Mirandela (Pt.), esta
Bouça da Cabra (Gz.) - graf. altern.: "Bouza da Cabra"
Bouça da Cova da Moura (Pt.)
Bouça da Cruz (Pt.)
Bouça da Fonte (Gz.) - graf. altern.: "Bouza da Fonte"
Bouça da Giesta (Pt.)
Bouça da Mó (Pt.)
Bouça da Pega (Pt.)
Bouça da Pena (Gz.) - graf. altern.: "Bouza da Pena"
Bouça da Pousada (Pt.)
Bouça das Almas (Pt.)
Bouça das Valas (Pt.)
Bouça da Telheira (Pt.)
Bouça de Cá (Pt.)
Bouça de Cima (Pt.)
Bouça de Rodas (Pt.)
Bouça do Couto (Pt.)
Bouça do Frade (Pt.)
Bouça do Gaiteiro (Gz.) - graf. altern.: "Bouza do Gaiteiro"
Bouça do Menino (Pt.)
Bouça do Monte (Pt.)
Bouça do Monte de Castro (Pt.)
Bouça do Ouro (Pt.)
Bouça dos Mortos (Pt.)
Bouça do Senhor (Pt.)
Bouça do Viso (Gz.) - graf. altern.: "Bouza do Viso"
Boucela (Pt.) - diminut. de "bouça"
Boucelha (Pt.) - diminut. de "bouça"
Bouça Fria (Gz.) - graf. altern.: "Bouza Fría"
Bouça Grande (Pt.)
Bouça-Mé (Pt.)
Bouça Nova (Pt.)
Bouça Rara (Gz.) - graf. altern. "Bouzarrara". é uma "bouça pouco espessa", "pouco cerrada"
Bouça Redonda (Pt. e Gz.) - graf altern.: "Bouza Redonda" e "Bouzarredonda"
Bouças de Abaixo (Gz.) - graf. altern.: "Bouzas de Abaixo"
Bouças Vedras (Gz.) - graf. altern.: "Bouzas Vedras"
Bouça Velha (Pt. e Gz.) - graf. altern.: "Bouza Vella" e "Bouzavella"
Bouças Velhas (Gz.) - graf. altern.: "Bouzas Vellas"
Bouçoa (Gz.) - graf. altern.: "Bouzoa". diminut. de "bouça"
Bouçó (Pt. e Gz.) - graf. altern.: Bouzó". diminut. de "bouça"
Bouçós (Pt. e Gz.) - graf. altern.: "Bouzós". diminut. plural de "bouça". o mesmo que "boucinhas"
Cã das Bouças (Pt.)
Campo das Bouças (Gz.) - graf. altern: "Campo das Bouzas"
Casa de Touça Boa (Pt.) - em Ribeira de Pena. Affonso Augusto Moreira dos Santos Penna, sexto presidente do Brasil, era filho de Domingos José Teixeira Penna, oriundo desta Casa
Casal da Toiça (Pt.)
Fonte da Bouça (Pt. e Gz.) - graf. altern.: "Fonte da Bouza"
Fonte da Touça (Pt.)
Lagoa da Toiça (Pt.)
Lama das Bouças (Gz.) - graf. altern.: "Lama das Bouzas"
Paço da Touça (Gz.) - graf. altern.: "Pazo da Touza"
Poça das Bouças (Gz.) - graf. altern: "Poza das Bouzas"
Quinta da Toiça (Pt.)
Rabo de Bouça (Gz.)
Regato da Bouça de Cristo (Gz.) - graf. altern.: "Regato da Bouza de Cristo"
Regato das Bouças (Gz.) - graf. altern.: "Regato das Bouzas"
Regato da Portela da Bouça (Gz.) - graf. altern.: "regato da Portela da Bouza"
Regueiro das Bouças (Gz.) - graf. altern.: "Regueiro das Bouzas"
Rio de Bouças (Gz.) - graf. altern.: "Rio de Bouzas"
Santo Amaro da Bouça (Pt.) - coexiste a alternativa "Santo Amaro da Boiça"
Tapada de Bouças (Gz.) - graf. altern.: "Tapada de Bouzas"
Touça (Pt. e Gz.) - graf. altern.: "Touza". em Portugal ver aqui
Touça da Velha (Gz.) - graf. altern.: "Touza da Vella"
Touça de Valbom (Gz.) - graf. altern.. "Touza de Valbón"
Touça do Carbalho (Gz.) - graf. altern.: "Touza do Carballo"
Touça do Castro (Gz.) - graf. altern.: "Touza do Castro"
Touça do Lobo (Gz.) - graf. altern.: "Touza do Lobo"
Touça Galinha (Mir.)
Touça Longa (Gz.) - graf. altern.: "Touza Longa"
Touça Nova (Gz.) - graf. altern.. "Touza Nova"
Touça Redonda (Gz.) - graf. altern.: "Touza Redonda"
Touças (Gz.) - graf. altern.: "Touzas"
Touça Velha (Gz.) - graf. altern.: "Touza Vella"
Tousa ou Touza (Tun.) - ???
domingo, 3 de fevereiro de 2008
cidade da Horta
o povoamento da ilha do Faial, onde a cidade se situa, iniciou-se em 1466 quando o flamengo Joss van Hürter, ou van Hurtere, nomeado donatário da ilha pelo Infante D. Fernando, ali chegou acompanhado de cerca de mil homens, à procura de minas de prata e estanho. tendo-se mostrado infrutífera a pesquisa do minério, os colonos passaram ao cultivo das terras férteis da ilha, produzindo trigo, pastel e um pigmento extraído de líquenes.
e do flamengo Joss van Hurtere adviria o nome "Cidade da Horta".
a vinda desses povoadores flamengos está também expressa na Toponímia faialense através da freguesia de Flamengos, no concelho da Horta.
de van Hürter descendem os "de Utra", mais tarde "Dutra", um sobrenome tipicamente açoriano.
o facto de o nome "Horta" assentar tão bem às características da cidade e da ilha tem feito com que permaneça alguma controvérsia sobre a origem do nome da cidade. há quem defenda que a origem do nome é "horta" e não "hürter" ou "hurtere". seja como for, "horta" e "hurtere" fazem uma coincidência feliz.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
álamos, choupos, faias e amieiros
na Antiguidade, o choupo era a porta de entrada no Reino dos Mortos. árvore consagrada a Héracles, ou Hércules, que simboliza a vitória do Homem sobre as suas fraquezas. sempre que Héracles descia aos Infernos, levava uma coroa de raminhos de choupo. árvore ligada ao mundo dos Infernos ou dos mortos, está associada ao sacrifício, à dor, às lágrimas, às recordações e ao passado.
Napoleão introduziu o choupo negro em França, no ano de 1745, e mandou plantá-lo ao longo das estradas francesas, a fim de evitar que as suas tropas marchassem sob a torreira do sol, no verão, e pudessem orientar-se melhor nos nevões do inverno.
destacam-se as espécies:
populus alba - choupo branco, alvar, faia branca ou amieiro
populus nigra - choupo negro ou olmo negro
populus canescens - choupo cinzento ou álamo cinzento
populus tremula - choupo tremedor ou faia preta
os termos "amieiro" e "faia" aqui utilizados prestam-se a confusão com o verdadeiro amieiro (alnus glutinosa) e a verdadeira faia (género fagus). para ajudar à dificuldade, tamém o olmo ou ulmeiro (ulmus glabra) pode ter o nome de "lamagueiro" ou "lamigueiro", tal como o choupo. como já vimos, é frequente a sobreposição de designações das espécies arbóreas, sobretudo na fala popular. mas esta é que decide o destino dos topónimos.
Alameda - frequente na toponímia urbana. indica um corredor de árvores, nem sempre de álamos
Álamo
Álamos
Álamos Bravos
Alvares
Ameal (Pt. e Gz.)
Amiais
Amial (Pt. e Gz.)
Amial de Baixo
Amiar - ?
Amieira
Amieirinho
Amieiro
Amieirões
Amiosa
Amioso
Amioso Cimeiro
Amioso do Senhor
Amioso Fundeiro
Choupal
Choupalinho
Choupos
Convento do Pópulo - em Braga, o seu nome deriva do hagiónimo Santa Maria del Popolo, na Piazza del Popolo (aparentemente: "Praça do Povo"), em Roma.
à primeira vista, pois, sem qualquer relação com "choupo".
o curioso é que, segundo a lenda, a Igreja romana de Santa Maria del Popolo teria sido construída onde antes havia uma nogueira habitada pelo fantasma do Imperador Nero, que tinha morrido naquele lugar. o Papa Pascoal II mandou derrubar a árvore, queimá-la e jogar as cinzas no Rio Tibre. e no local mandou erigir uma capela, que o Papa Gregório IX fez depois substituir pela actual igreja de Santa Maria del Popolo. demasiado trabalho, sem dúvida, para tão mau sítio.
esta lenda, com passos incompreensíveis à interpretação literal, parece esconder a substituição de um poderoso culto da árvore (choupo?) por uma árvore de mau agoiro (nogueira) e, posteriormente, por um culto cristianizado. o trocadilho "choupo"-"povo" (popolo) ajudaria a esconder o culto primitivo.
de qualquer modo, existe uma versão mais "piedosa" da fundação da igreja de Santa Maria del Popolo, segundo a qual a população de Roma (il popolo) a teria construído às sua próprias custas, em acção de graças pela intervenção da Virgem del Popolo na tomada do Santo Sepulcro, na Terra Santa.
esta versão, porém, tem os seus quês: ao chamar a atenção para o Mediterrâneo Oriental (a Terra Santa), lembra-nos que a nogueira tinha sido trazida do Mediterrâneo Oriental para a Europa pelos exércitos dos imperadores romanos. isto é, uma árvore que, de certo modo, veio usurpar o lugar de outras.
da relação nogueira-choupo fala o refrão galego: "cravos da nogueira dán cagaleira; os de choupo, boa xeira".
Faial
Fonte do Choupo
Foz do Amieirinho
Foz do Amieiro
Lamigueiro Novo (Gz.) - ver "Lodeiro"
Lodeiro (Pt. e Gz.) - creio que os topónimos com este nome, tal como acontece com "Lamagueiro" e "Lamigueiro", se referem à árvore e não ao lodo ou à lama. certo é que os choupos têm os nomes de "lamagueiro" e "lodeiro" por gostarem de terrenos úmidos.
Lodeiro de Baixo
Lodeiro de Cima
Lodões
Nossa Senhora do Pópulo - nas Caldas da Rainha. ver "Convento do Pópulo"
O Lodeiro (Gz.)
Paplemont (CH, Fr.)
Pible, Puble, Publet, Publey, Publiet,. Publo, Publoz, Publy (Fr.) - todos estes topónimos franceses se referem ao populus ou choupo
Poplar (Ing., EUA)
Poplar Bluff (EUA)
Pópulo
Praia do Pópulo (Aç.)
Ribeiro do Ameal (Gz.)
Rua do Lamigueiro (Gz.)
Trémoulède (Fr.) - de populus tremula, ou choupo tremedor
Vale de Choupos
Villers le Peuplier (Be.)
Volta dos Choupos
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
salgueiros, salzes, sazes, seices e vimieiros
"salgueiro" é o nome comum de centenas de espécies do género salix. tal como os teixos, estas árvores são dióicas e já existiam na Era Terciária. por dióicas entende-se que a sua morfologia e características se diferenciam em função do sexo. a palavra salix parece ser de origem céltica, indiciando a ideia de "junto d' água".
há diversas variedades e nomes de "salgueiros" e a hibridação espontânea ou induzida é bastante frequente entre as espécies. por isso, será melhor reunir o conjunto e tentar estabelecer as diferenças de significado caso a caso, se as houver. um dos nomes alternantes é "sazes" ("sazeiros"), outro é "vimeiro" ou "vimieiro" e outro, ainda, é "seiceira" (de "seiça" ou "seice", isto é, salix ou "salgueiro").
o vime, das varas moles e flexíveis do vimieiro, é um material tão antigo quanto nos é possível recuar no tempo e tem servido para fins artesanais, como cestaria variada e mobiliário.
há milhares de anos que o ser humano se deu conta das propriedades tóxicas e terapêuticas do salgueiro, ou salix. no Egipto, na Mesopotâmia e na Grécia Antiga eram conhecidas e anotadas a escrito as propriedades analgésicas, antipiréticas e anti-inflamatórias do extracto ácido da folha da salix alba. outro tanto acontecia já na América pré-colombiana.
sabemos isso por relatos escritos ou, no caso dos ameríndios, por convivência directa. mas escrita não é o mesmo que datação, pelo que se pode presumir tratar-se, muitas vezes, de uma recolha e sistematização de um saber muito mais antigo, transmitido de geração em geração.
em 1899, a fábrica química alemã Bayer isolou e industrializou o princípio activo do extracto ácido da folha de salix, com a designação química de ácido acetilsalicílico e o nome comercial Aspirina, medicamento que tem resistido ao desgaste do tempo e da concorrência farmacêutica, dada a versatilidade das suas indicações terapêuticas e ao tipo de patologias hoje dominantes.
é uma das árvores-símbolo, não só pelos seus efeitos maléfico-terapêuticos mas também pela facilidade com que pega de estaca, quer na posição normal quer invertida.
Arneiro de Sazes
Asseiceira - ver Comentº de Gundibaldo
Asseiceirinha - ver Comentº de Gundibaldo
Assinceira - ver Comentº de Gundibaldo
Bairro da Salgueira (Gz.) - em Vigo
Borrazeiro - ver Comentº de Gundibaldo
Borrazeiros - ver Comentº de Gundibaldo
Casal do Salgueiral
Casal do Salgueiro
Herdade da Sarrazola
Herdade do Borrazeiro
Illa dels Salzes (Cat.)
Les Salces (Fr.)
Monte da Salgueira (Gz.)
Monte Salgado (Gz.) - ver Comentº de Miguel
O Salgueiral (Gz.)
O Salgueiro (Gz.)
Ponta Salgueira (Gz.)
Praia da Salgueira
Praia do Salgado
Quinta da Aborraceira - está por "Quinta da Borraceira" ou "Q. da Borrazeira"
Quinta da Sarrazola
Quinta do Ribeiro do Salgueiro
Quinta do Salgueiro
Regato da Salgueirinha (Gz.) - graf. altern. (Gz.): "Regato da Salgueiriña"
Ribeira de Sarrazola
Ribeira do Salgueiral
Ribeira do Salgueiro
Rua do Salgueiral
Rua dos Sazes
Saiçal - ver Comentº de Gundibaldo
Saiçais - ver Comentº de Gundibaldo
Salces - topónimo da Cantábria (Es.)
Salgado (Gz.) - ver Comentº de Miguel
Salgados (Gz.) - ver Comentº de Miguel
Salgosa - ver Comentº de Gundibaldo
Salgueira
Salgueira de Baixo
Salgueira de Cima
Salgueira do Meio
Salgueirais - ver Comentº de Gundibaldo
Salgueiral (Pt. e Gz.)
Salgueiral de Baixo
Salgueiral de Cima
Salgueiras - ver Comentº de Gundibaldo
Salgueiredo (Gz.)
Salgueirinha (Pt. e Gz.) - graf. altern. (Gz.): "Salgueiriña"
Salgueirinhas
Salgueirinho (Pt. e Gz.) - graf. altern. (Gz.): "Salgueiriño"
Salgueiro do Campo
Salgueirinhos (Pt. e Gz.) - graf. altern. (Gz.): "Salgueiriños"
Salgueiro (Pt., Gz. e Br.)
Salgueiro da Lomba
Salgueiro da Ribeira
Salgueiro do Campo
Salgueiros (Pt. e Gz.)
Salzeda
Salzedas
Sarrazola - ? - Gundibaldo e eu conhecemos ambos este site
Sarzeda
Sarzedas
Sarzedela - diminut. de "Sarzeda"
Sarzedelo - diminut. de "Sarzedo"
Sarzedinha - ver Comentº de Gundibaldo
Sarzedinho
Sarzedo
Sazeda
Sazes - "sazes" é o mesmo que "sazeiros" (pronúnc. "sàzeiros"), árvores da espécie salix salifolia, ou borrazeira-branca. ver "Borrazeiro" e "Borrazeiros"
Sazes da Beira
Sazes de Lorvão
Seiça - ver Comentº de Gundibaldo
Seiçal - ver Comentº de Gundibaldo. a propósito: "Seixal" - de "seixo" ou de "seiça"? pelo menos no caso de Porto Moniz (Md.), "Seixal" está por "Seiçal"- ver aqui
Seição - ver Comentº de Gundibaldo
Seiceiro - ver Comentº de Gundibaldo
Seixal - ver "Seiçal"
Serrazola - ver "Sarrazola"
Vale Salgueiro
Vime - ver Comentº de Gundibaldo
Vimeiro
Vimeiró - diminut. de "Vimeira". ver Comentº de Gundibaldo
Vimes - ver Comentº de Gundibaldo
Vimial
Vimianço (Gz.) - graf. altern. "Vimianzo"
Vimieira
Vimieiro (Pt. e Gz.)
Vimiers (Fr.)
Vimioso
Volta do Salgueiral - em Coimbra
sábado, 26 de janeiro de 2008
teixeira, teixoso, teixugueira
uma conífera já detectável no Jurássico, a taxus baccata ou teixo é uma espécie em vias de extinção pela mão do homem, ora retaliando pelas intoxicações mortíferas que o teixo foi causando no gado ao longo da História, ora caçando as aves que disseminavam as suas bagas vermelhas. o que fez com que o teixo fosse ficando confinado a territórios cada vez mais reduzidos. em Portugal, está praticamente limitado, hoje em dia, a certas zonas das serras do Gerês e da Estrela, em locais abrigados até 1500 metros de altitude, e às Ilhas da Madeira e São Miguel. calcula-se que haja no Gerês português cerca de 8000 exemplares e cerca de 500 na Serra da Estrela. na Serra de Montesinho o teixo sofreu extinção recente.
a taxina, substância alcalóide presente em tudo o que é verde no teixo, é a responsável por aquela mortandade. mas, como quase tudo o que é veneno é também remédio, a taxina tem sido referenciada como uma possível substância terapêutica, sobretudo um dos seu componentes, o taxol, que lhe tem valido alguma atenção por parte da Indústria Farmacêutica.
árvore de pequeno-médio porte, mas podendo atingir 10, 15 ou mesmo 20 e até 25 metros de altura, o teixo goza de uma longevidade proverbial, de uma verdura perene e de uma enorme resistência a secas, fogos e pragas. isso tornava-a uma árvore sagrada para os celtas e um símbolo da imortalidade, da ressureição ritual, da sabedoria e da inteligência. segundo uma lenda, a cruz onde foi executada a sentença de Jesus Cristo era feita de teixo, o que a torna num instrumento simbólico da ressurreição e imortalidade do Filho de Deus. ainda hoje é a árvore dos cemitérios, em alguns países nórdicos. os druidas usavam a madeira de teixo para nela gravarem os seus escritos ogâmicos.
diz-se que no Monte Medulio as mães galegas, à vista das legiões romanas, envenenaram os seus filhos com brotos e raízes de freixo para que não ficassem sob o jugo de Roma. daí que o freixo possa ser considerado tamém um símbolo da Galiza. como, porém, o Monte Medulio tem sido localizado próximo do Rio Minho, ora no Monte de S. Julião, perto de Tui, ora na Serra d'Arga, próximo de Viana do Castelo, o seu simbolismo é comum a toda a Grande Galiza.
o teixo pode atingir uma longevidade que ronda os 1500 e mesmo 3000 anos. em Portugal há alguns teixos classificados como de Interesse Público: o de Tranguinha, em Santa Maria, Bragança, com cerca de 700 anos; o da Quinta do Senhor da Serra, Belas, Sintra, com cerca de 200 anos; e o da Quinta de S. João, Teixoso, Covilhã.
quanto aos topónimos "Teixuga" e derivados, eles derivam de "teixugo" ou "texugo" e não de "teixo" (ver Comentº de Miguel).
A Teixeira (Gz.) . ver "Teixeira"
Quinta de Teixedas
Teixeda (Gz.)
Teixedelos (Gz.) - diminut. plur. de "Teixedo"
Teixeira (Pt. e Gz.) - ou "bosque de teixos" (selvagens, não plantados)
Teixeira de Abaixo (Gz.)
Teixeira de Arriba (Gz.)
Teixeira de Baixo
Teixeira de Cima
Teixeiras (Pt. e Br.)
Teixeiro (Pt. e Gz.)
Teixeiró - diminut. medieval de "Teixeira"
Teixelo - diminut. de "Teixo"
Teixidelos (Gz.)
Teixido (Gz.)
Teixieirinha - ver Comentº de Gundibaldo
Teixinho - diminut. de "Teixo"
Teixoeira (Pt. e Gz.)
Teixogueira - ver Comentº de Miguel. é derivado de "teixugo", "texugo", não de "teixo". no entanto, quer em "Teixogueira" quer em "Teixogueiras", o "o" em lugar de "u" levanta algumas dificuldades. será mera disgrafia?
Teixogueiras - ver "Teixogueira"
Teixoso
Teixuga - ver "Teixogueira"
Teixugueira (Pt. e Gz.) - ver "Teixogueira"
Teixugueiras - ver "Teixogueira". a descrição feita por Miguel, nos Comentários, é brilhante.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
carrascal, carrasqueira, carrascoso
as variedades de quercus que importam para a Fitotoponímia incluem:
- a quercus coccifera, carrasco galego ou verdadeiro carrasco;
- a quercus faginea, carvalho português ou carvalho cerquinho;
- a quercus pyrenaica, ou carvalho pardo;
- a quercus robur, carvalho comum, albarinho ou roble;
- a quercus rotundifolia, azinheira, azinho, carrasca ou sardão;
- a quercus suber, chaparro, sobreiro ou sobro.
cada uma destas variedades ou espécies dá o mote para o respectivo grupo de fitotopónimos. no entanto, topónimos como "Sobreira" ou "Carvalho" merecem a nossa atenção, pois raramente ou nunca se referem a aspectos da flora. ver aqui.
de notar a alternância ç /k em cerquinho, cerqueira, quercus.
exemplos de topónimos derivados de Carrasco:
A Carrasqueira (Gz.)
Azenha da Carrasca
Carrascal (Pt. e Gz.)
Carrascal de Alvide
Carrasqueira (Pt. e Gz.)
Carrasquinho
Carrascos
Carrascoso
Carrasqueira
Fonte da Carrasca
Monte Carrascalão
O Carrascal (Gz.)
Quinta da Carrasca
Rua do Carrasquinho
Vale da Carrasqueira
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
juncal, junceira, junqueira
o junco serve para fazer um montão de coisas, desde esteiras a barcos.
A Xunqueira (Gz.)
Juncais
Juncal
Junceira
Junco
Junqueira (Pt. e Gz.) - graf. altern. Xunqueira
Vale de Juncos
Vale Junco
Xunqueira de Ambía (Gz.)
Xunqueira de Espadanedo (Gz.)
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
azevo, azivo, azevedo
é possível que os topónimos espanhóis "Quevedo" e "Queveda" tenham esta mesma origem, dada a alternância frequente entre ç e k, como Junceira / Junqueira.
em euskera, gorosti (azevo) deu topónimos como Gorostiaga (lugar onde abundam os azevos, azevedo) e Gorostiza
Acebedo do Rio (Gz.)
Acebeiro (Gz.)
Acivro - ver Comentº de Calidónia
Azeval - ver Comentº de Gundibaldo
Azevedinho - ver Comentº de Gundibaldo. diminut. de "Azevedo"
Azevedo (Pt. e Gz.) - graf. altern. "Acevedo". o mesmo que "azevinhal", "lugar onde há muitos azevinhos"
Azeveiro
Azevinhal
Azevinheiro - ver Comentº de Gundibaldo
Azevinho
Azevinhos
Azevo
Azevoso
Azibo - ver Comentº de Gundibaldo
Azival - "lugar onde abundam os azevinhos"
Aziveiro - "lugar onde abundam os azevinhos"
Azivo
Azivoso
Cebreiros (Gz.)
Cibeira - ver Comentº de Calidonia
Foro de Cebreiros (Gz.)
O Cebreiro (Gz.)
Ribeira de Azibo
Zibreira
Zebreiro - ver Comentº de Gundibaldo
Zebreiros (Pt. e Gz.) - graf. altern. "Cebreiros"
Zebros - ver Comentº de Gundibaldo
Zebro de Baixo
Zebro de Cima
Zibreiros - ver Comentº de Gundibaldo