segunda-feira, 29 de setembro de 2008

praia da falésia (Pt.), praia da ribanceira (Br.)

muitas praias mereceriam estes nomes. no entanto, pelo menos em língua decifrável, são poucas as que fazem alusão às falésias e ribanceiras que as rodeiam e protegem.

Praia da Falésia (Pt. - Alg.)
Praia da Ribanceira (Br. - SC)
Praia de Muro Alto (Br. - PE) - praia rodeada por um paredão de areia de cerca de 3 metros de altura

sábado, 27 de setembro de 2008

conraria

"conraria" era a dependência ou oficina do cónego conreário ou conreeiro, o qual tinha por função guardar e gerir o que pertencia aos cónegos e à sua mesa comum. "conraria" é variante de "conrearia".


o topónimo existe na margem esquerda do Mondego, na freguesia de Castelo Viegas, arredores de Coimbra, onde encontramos:


Estrada da Conraria
Quinta da Conraria
Volta da Conraria

este topónimo coimbrão deve ter vindo ao mundo solteiro, pois não conheço outro exemplo.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

sumes, súmio

estes topónimos referem-se a lugares onde há sumiço de águas.

relativamente ao "Lugar de Sumes", freguesia de Gondar, concelho de Guimarães, região granítica por excelência, cito o Pe. António Ferreira Caldas (1996, 2ª ed., pág. 143): "[ao rio Selho] depois de um percurso aproximado a um quilómetro, no lugar do Reboto, junta-se-lhe o riacho de nome Selhinho, e assim reunidos escondem-se debaixo da terra no lugar de Sumes, freguesia de S. João de Gondar, correndo ocultos por espaço de mais de seiscentos metros até à freguesia de Serzedelo [...], indo em seguida confundir-se no [rio] Ave".


Cañón de Sumideiro (Mx) - no Estado de Chiapas
Casal de Suimo - ?
Castro de Sumes (Pt.)
Monte Suimo
Suimo - ver Comentº
Sumes (Pt.)
Sumideiro (Pt.)
Sumidoiro (Pt.) - é hidrónimo
Santiago de Sumio (Gz.) - no concelho de Carral.
Sumidouro (Br.) - no Estado de MG
Sumidouro de Cima (Br.) - no Estado de SP



"súmio" é uma fenda ou greta da terra por onde as águas se somem.

domingo, 7 de setembro de 2008

a sionlha (Gz.)

a primeira noite que passei em Santiago de Compostela, há uma boas décadas atrás, foi dentro de uma tenda, no parque da Sionlha. um topónimo estranho, como tantos outros sem significado na língua vernácula. se trago aqui à baila o parque de campismo, lugar de pernoita e estadia temporária, é porque "A Sionlha" parece derivar de Asseconia, uma mansio ou pousada romana na via XIX de Braga a Astorga.
deveria, pois, ser "Assionlha" e não "A Sionlha", mas a transformação do "A" inicial no artigo definido "A" é um fenómeno muito comum na toponímia galego-portuguesa escrita.
derive de Asseconia ou não, é um topónimo muito antigo, pré-romano, cujo significado me escapa.
certo é que Sionlha é tamém um hidrónimo ou nome de rio, mas talvez o nome do ribeiro derive do nome povoado e não o inverso.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Senhor Roubado

este é o nome de uma estação de Metro de Lisboa. localiza-se junto ao pequeno largo do mesmo nome, à saída da Calçada de Carriche, na estrada de Odivelas. nesse largo encontra-se um padrão datado de 1744.
foi construído em memória de um roubo sacrílego ocorrido em 1671 na igreja matriz de Odivelas. o autor confesso do roubo de peças sacras, o infeliz António Ferreira, acabaria condenado pela Inquisição, arrastado e levado à praça do Rossio, onde lhe deceparam as mãos e lhas queimaram à vista, após o que o assaram vivo - numa manifestação eloquente do mais sacrílego fundamentalismo político-religioso.
o monumento ao Senhor Roubado compõe-se de um recinto quadrangular trapezoidal, de dez metros de comprido por oito de largura, a modo de templo descoberto. 12 quadros, de 72 azulejos cada, contam as peripécias de um roubo que daria nome ao lugar.
ali os fiéis vinham encomendar-se ao Senhor e pedir perdão pelos seus pecados.




(ver notícia original em http://odivelas.com/2010/01/14/sr-roubado-historia/)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

bairros dos sonhadores ou os excessos poéticos

é natural que se goste de morar num bairro com um nome bonito, até poético. o pior é que a realidade nem sempre dá pelo nome que lhe chamam.
alguns destes bairros têm nome de inspiração religiosa (r).

Bairro Alto da Maravilha (Br.)
Bairro Boa Esperança (Br.)
Bairro da Alegria
Bairro da Amizade (Br.)
Bairro da Bela Vista
Bairro da Boa Viagem (Br.)
Bairro da Boa Vista
Barro da Boavista
Bairro da Consolação - (r)
Bairro da Fraternidade
Bairro da Graça (Pt. e Gz.) - (r)
Bairro da Juventude (Br.)
Bairro da Liberdade (Pt. e Br.)
Bairro da Luz
Bairro da Nova Imagem (Pt.)
Bairro da Paciência (Br.)
Bairro da Paz
Bairro da Piedade (Br.)
Bairro da Rosa
Bairro da Saúde (Br.)
Bairro da União (Br.)
Bairro da Vista Alegre (Pt., Gz. e Br.) - ver Comentº de Calidonia
Bairro da Vitória (Br.)
Bairro do Bom Pastor - (r)
Bairro do Paraíso (Br.)

não conheço este costume na Galiza. os bairros que eu conheço tenhem um nome mais distanciado desses sentimentos e aspirações. ex: "Bairro da Madalena", "Bairro de Canido", "Bairro de Sam Lázaro", "Bairro do Esteiro",...

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

bairro da solum, bairro do brinca

a curiosidade destes dois topónimos da cidade de Coimbra reside no facto de o seu nome derivar das respetivas sociedades construtoras. o seu caráter eufónico e a falta de mais imaginada alternativa fez com que vingassem na linguagem quotidiana. a gente nascida depois dos anos 70 fala do Bairro do Brinca e do Bairro da Solum sem fazer ideia da origem desses nomes.
isso faz entender melhor como se perdem tão depressa as referências etimológicas dos topónimos e como tão rapidamente surge a necessidade de lhes dar as mais desencontradas explicações, fonte de lendas, palpites e teses de mestrado.
o Bairro da Solum ("da" porque se refere à sociedade "Solum"), começou a desenvolver-se no final dos anos 60 e é hoje a parte mais nobre e aprazível da cidade. digo eu...

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nb: solum (lat.): "solo", "chão". embora a palavra latina seja paroxítona, em Coimbra "A Solum" é pronunciada com acentuação na segunda sílaba: "sòlúm".

domingo, 17 de agosto de 2008

alhos e bugalhos

1. "alhos" é a designação de alguns topónimos curiosos, pela confusão que podem criar com o alho das cozinhas. a questão é que essa pretensa etimologia não me convence, dada a ubiquidade da planta em causa.
alius
, em latim significa "outro", "alguém que não é dos nossos", "estrangeiro", "de fora de aqui", "de fora parte", "de outro lado", "de outro lugar".
coisa que nem sequer seria de estranhar numa região que sempre conheceu repovoamentos por "gente de fora".

a palavra latina alius//aliunde entronca numa raiz indo-europeia que deu em grego allòs ("outro") e no celta allo (o numeral "dois" e o adjetivo "diferente", "outro", "segundo"). assim, não é de estranhar a presença de topónimos franceses de origem celta como "Col d'Allos, "La Foux d'Allos", "Val d'Allos".

2. mas outra explicação pode ser encontrada no latim alodis, que deu Alleu, Alleux (Fr.) na Toponímia Francesa, e tem sido associado tamém à etimologia de Allos (Fr.): trata-se de uma propriedade, ou "alodio", livre das obrigações da feudalidade, sem encargos nem direitos senhoriais, o que não deixa de ser, na qualidade de excepção a uma regra, uma excelente razão para ter ficado cristalizada sob a forma de topónimo, tal como "Foros". esta explicação contém, no entanto, algumas dificuldades de natureza fonética, pelo menos no nosso idioma.

sendo assim, qual a etimologia mais adequada para topónimos raros, como "Alhos Vedros" e "Sernache dos Alhos"?

os topónimos "Alli", "Allin", "Allo", Alloz" ocorrem em Navarra. e All na Catalunha.

o topónimo "Alhos Vedros", se se tratar de "estrangeiros velhos", de duas uma: ou indica que se trata de "gente que veio de fora antes de outras", ou indica que, na época em que se dizia "vedros" em lugar de "velhos", haveria outro povoado com o nome de "Alhos", menos antigo. e significa também que os "alhos" já eram "velhos" nessa época.
quanto a "Sernache dos Alhos", o cheiro do condimento popular acabou por reduzir o nome para apenas "Sernache".

porém, se a etimologia for alodium, os "estrangeiros" saem de cena, ficando apenas uma realidade rústica medieva do que terá sido uma ou mais que uma "propriedade livre".


Alhões - aqui pode significar "aldeia de gente originária de "Alho" ou de "Alhos"

Alhos Vedros
Sernache dos Alhos

outras alhadas:

A-do-Alho - não acredito nesta grafia. será "Adualho" - de "adua" (árab: addua)?

Alhadas -
Alhais -
Alheira - ver "Alhões"
Alheiro - ver "Alhões"
Alho -
Alhos -
Torre do Alho (Gz.) - ver Comentº

quanto aos Bogalhos, são muitos e mais nortenhos:

A Bugalha (Gz.) - graf. altern: A Bugalla
Bogalheira
Bogalho
Bugallha (Pt. e Gz.) - graf. altern. Bugalla
Bugalhães - originários de Bugalha?
Bugalhal (Pt. e Gz.) - graf. altern: Bugallal
Bugalhão / Bugalhóm (Pt. e Gz.)
Bugalhas
Bugalheira (Pt. e Gz.) - graf. altern: Bugalleira
Bugalheiras (Gz.) - graf. altern: Bugalleiras
Bugalheirinha

Bugalho - em italiano Bugaglio é hidrónimo: "Cavo Bugaglio", "Rio Bugaglio"

Bugalhos
Bugalhós - diminut. de Bugalhas
Bugalhosa
Mina da Bugalha
Os Bugalhales (Gz.) - graf. altern: Os Bugallales
Quinta da Bugalha

sábado, 2 de agosto de 2008

as pontes que nos unem

a ponte estabelece uma ligação entre dois mundos. no plano material, liga duas margens de um rio, de um vale profundo ou de um braço de mar, permitindo ou facilitando a comunicação entre povos e realidades até então separados. no plano simbólico, que noutras eras acompanhava e revestia o mero plano material, esta ligação adquiria propriedades re-ligiosas: o construtor de pontes ligava terra com terra, terra com céu, matéria com espírito. a sua função era assimilada à de um sacerdote, a que os romanos chamavam pontifex, "pontífice", "fazedor ou construtor, de pontes". ele formava o elo de ligação entre a vida de Aquém e de Além. os pontífices romanos constituíam-se em colégio ou ordem sacerdotal, com funções religiosas e jurídicas (direito divino), segundo a máxima, transposta para o cristianismo, "o que ligares na terra será ligado nos céus". ao colégio dos pontífices, ou "colégio pontifício", presidia o "sumo pontífice" ou pontifex maximus, eleito vitaliciamente pelos seus pares. após uma profunda crise religiosa e vagando o lugar de sumo pontífice, César assume a função e incorpora-a no exercício do poder imperial. com a queda do Império, a designação e a função são assumidas pelo Papado de Roma.
na Idade Média, a "congregação dos irmãos pontífices" do século XII, sob a regra beneditina, encarrega-se da construção de pontes e calçadas. certas lendas, como a de São Gonçalo de Amarante, atribuem ao mestre construtor a função de estabelecer "pontes" também a outros níveis, como a função de "casamenteiro das velhas" (ou seja, das "antigas mulheres"), talvez, dada a configuração do culto, pela adição de funções religiosas pagãs anteriores relativas ao chamado "culto da fertilidade". mas a verdade é que a própria ponte em si se pode relacionar com esse "culto da fertilidade", pois casos há em que nelas se realizam rituais destinados a favorecer a gravidez e o seu bom termo.
certas pontes, pela especial sensação de dificuldade que a sua arquitetura inspira, são conhecidas por "ponte do diabo", pois só o diabo, ou alguém que lhe conheça as artes, seria capaz de as construir. são assim conhecidas, entre outras, a Ponte da Mizarela (Pt), a Ponte de Martorell (Cat.), as ruinas da Ponte de Liédana (Na.) e as Pontes de Olvena (Arag.). as "pontes do diabo", com a respetiva lenda, existem também em França e na Itália.
às vezes, a palavra "ponte" é substituída por "arco", "arcos" ou "arquinho", que reportam à arquitetura da construção.

os topónimos que se seguem relacionam-se com pontes que estiveram na origem do desenvolvimento do respetivo povoado, vila ou cidade:

Alcântara

Alcantarilha - na realidade, "alcantarilha" é uma espécie de "ponte ao contrário", ou seja, uma "construção destinada a permitir que um pequeno canal cruze uma estrada por baixo".

Aldeia da Ponte

Arcos de Valdevez - está por "Arcos de Vale de Vez", sendo "Vez" o rio transposto pela ponte

Brugg (CH)
Cambridge (GB) - "ponte sobre o rio Cam", ou "Ponte de Cam"
Innsbruck (A.) - "ponte sobre o rio Inn", ou "Ponte de Inn"
Most (Cs.)
Mostar (BiH)
Ponferrada (Le.)
Ponteceso (Gz.)
Ponte Barxas (Gz.) - "barxas" por "várzeas"?

Ponte Cesures (Gz.) - há dúvidas sobre "Cesures" ou "Sezures". as duas grafias surgem tamém em Portugal

Ponte da Barca - como "barca" já significava "passagem", "ponte da barca" é uma redundância

Ponte da Mucela
Ponte da Pedra
Ponte das Três Entradas - pela sua forma em "Y"
Ponte de Lima
Ponte de Sor
Ponte d' Eume (Gz.)

Ponte do Arquinho - uma espécie de pleonasmo, já que "arquinho" é a própria ponte

Ponte do Bico
Ponte dos Arcos (Br.) -
Ponte do Sótão - "Sótão" é hidrónimo
Pontela
Pontelha (Pt. e Gz.)
Pontelinha

Ponte Pedrinha (Pt. e Gz.) - topónimo muito frequente, indica construção romana (?). a estas pontes, tal como às "pontes do diabo", associa-se uma lenda segundo a qual teriam sido construídas durante a noite, ficando no final uma "pedrinha" por colocar, para que não pudessem ser dadas por concluídas. umas vezes é o diabo que as constrói pela noite, outras vezes são os mouros. a "pedrinha" em falta é um artifício para ludibriar o diabo, que estabelece um "preço" pela sua colaboração na obra: a morte dentro de um ano para o primeiro que a atravesse depois de pronta. o diabo sai sempre enganado, pois que o primeiro ser vivo que a atravessa é um gato, um cão ou um porco. é possível que estas lendas estejam associadas aos sacrifícios humanos ou de animais que outrora se fazia para propiciar o bom curso de uma construção.

Ponte Vedra (Gz.) - ponte medieval, como indica a forma "vedra", para designar "velha"

Ponte Sezures - ver "Ponte Cesures" (Gz.)
Pontezela - pequena ponte medieval, como indica o diminutivo "cella"
Pontezinha
Pontilhão / Pontilhóm (Pt. e Gz.)
Pontinha (Pt. e Gz.)
Puente la Reina (Na.)
São João da Ponte (Pt. e Br.)


(nota: aqui se retoma e amplia um tópico já publicado)
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nota: sobre o simbolismo da ponte, ver Jaime Cobreros (1991), El Puente, Ediciones Obelisco, Biblioteca de los Símbolos, nº 2, Barcelona. ver tamém Jean Chevalier e Alain Gheerbrant (1982), Dictionnaire des Symboles, Robert Laffont/Jupiter, Paris, pp. 777-778.

domingo, 29 de junho de 2008

fanha, fanhais, fanheiro e fanhões

são lugares úmidos, lamacentos, vestígios ativos de lagoas ou pântanos.
o termo "fanha", de onde derivam, assenta num radical fanh- ou fanc-/fang-, relacionado com a ideia de "lama", "pântano", "paúl", "chiqueda".
aparecem topónimos deste grupo em Aragão, na Catalunha, França, Itália, Bélgica e Escandinávia.

A Fangueira (Gz.) - ver "Fangueira" (Br.)
Fañanás (Ar.)

Fangueira (Br.) - em Minas Gerais. a questão é que "fangueira", "fangueiro", significa "habitante ou natural de "Fão", concelho de Esposende (Pt.) - o que fará sentido nos dois casos brasileiros. no caso galego (A Fangueira) pode significar "lugar onde há fanga ou fanha"

Fangueiro (Br.) - em Minas Gerais
Fanha
Fanhais
Fanheira
Fanheiro
Fanhões - será o plural de Fanhão, ou indica gente oriunda de Fanha?

Fão - há quem diga que "Fão" vem do latim fanum, "templo". porém, quando nos referimos aos habitantes de Fão chamamos-lhe "fangueiros" (e não "faneiros", "fanenses" ou "faneses"), o que pressupõe o radical fang- e condiz com as caraterísticas geológicas da foz do Cávado

Hautes Fagnes (Be., Al.) - esta região é rica em turfeiras
Pinhal Fanheiro

São Domingos de Fanga da Fé - atual freguesia da Encarnação, concelho de Mafra

segunda-feira, 16 de junho de 2008

as "pontas" de um novelo marítimo

em tempos publiquei uma postagem sobre a Talassotoponímia ou Toponímia Marítima, onde já constavam algumas (poucas) "Pontas". pela sua importância e pelo seu número e difusão geográfica, penso que as "pontas" deste novelo marítimo merecem uma chamada à parte.
as "Pontas" podem confundir-se com "Cabos", mas o mais frequente é que se distingam dos "Cabos" pela sua reduzida dimensão e pequeno ou nenhum relevo.

Ponta Araújo (Cv.)
Ponta Bicuda (Cv.)
Ponta Cabrita (Aç.)
Ponta da Achada (Aç.)
Ponta da Achada da Baleia (Cv.)
Ponta da Achada Leite (Cv.)
Ponta da Achadinha (Aç.)
Ponta da Água de Pau (Aç.)
Ponta da Aguadinha (Cv.)
Ponta da Agulha (Aç.)
Ponta da Ajuda (Aç.)
Ponta da Atalaia (Pt. e Br.)
Ponta da Baleia (Aç.)
Ponta da Baía do Cavalo (Aç.)
Ponta da Barca (Aç.)
Ponta da Barra (Mu.)
Ponta da Bretanha (Aç.)
Ponta da Cabaceira (Mç.)
Ponta da Cabeça de Fora (Aç.)
Ponta da Cabra (Aç.)
Ponta da Cancela (Br.)
Ponta da Candelária (Aç.)
Ponta da Costa (Aç.)
Ponta da Cozinha (Aç.)
Ponta da Engrade (Aç.)
Ponta da Fajã da Madeira (Aç.)
Ponta da Fajã Pequena (Md.)
Ponta da Falésia (Br.)
Ponta da Ferraria (Aç.)
Ponta da Fonte Grande (Aç.)
Ponta da Forcada (Aç.)
Ponta da Furna (Aç.)
Ponta da Galera (Aç.)
Ponta da Greta (Aç.)
Ponta d'Água (Cv.)
Ponta d'Água Doce (Cv.)
Ponta da Ignez (Aç.)
Ponta da Ilha (Aç. e Br.)
Ponta da Lagoa (Aç.)
Ponta da Lobeira (Aç.)
Ponta da Lomba da Cruz (Aç.)
Ponta da Madrugada (Aç.)
Ponta da Maia (Aç.)
Ponta da Má Merenda (Aç.)
Ponta da Marquesa (Aç.)
Ponta da Mina (Aç.)
Ponta da Palama (Aç.)
Ponta da Pedranceira (Aç.)
Ponta da Pesqueira (Aç.)
Ponta da Piedade (Pt.)
Ponta da Pirâmide (Aç.)
Ponta da Pontinha (Aç.)
Ponta da Praia (Br.)
Ponta da Pranchinha (Aç.)
Ponta da Oliveira (Md.)
Ponta da Queimada (Aç.)
Ponta d'Areia (Aç. e Br.)
Ponta da Relva (Aç.)
Ponta da Restinga (Aç.)
Ponta da Retorta (Aç.)
Ponta da Ribeira (Aç.)
Ponta da Ribeira Quente (Aç.)
Ponta da Ribeirinha (Aç.)
Ponta da Rocha (Aç.)
Ponta da Rocha Alta (Aç.)
Ponta da Rua Longa (Aç.)
Ponta das Almas (Br.)
Ponta da Salina (Cv.)
Ponta da Salvagem (Aç.)
Ponta da Samusca (Aç.)
Ponta das Arindas (Aç.)
Ponta das Calhetas (Aç.)
Ponta da Serreta (Aç.)
Ponta das Garças (Aç.)
Ponta das Manadas (Aç.)
Ponta das Pombas (Aç.)
Ponta das Praias (Aç.)
Ponta das Ribeiras (Aç.)
Ponta das Trombetas (Aç.)
Ponta da Terejoula (Aç.)
Ponta da Terra (Aç.)
Ponta de Abelheira (Gz.) - graf. altern.: "Ponta de Abelleira"

Ponta de Bares (Gz.) - tamém conhecida por "Ponta de Estaca de Bares" ou "Cabo de Estaca de Bares". a grafia oscila entre "Bares" e "Vares"

Ponta de Cabo (Ga.) - um pleonasmo curioso
Ponta de Campina (Br.)
Ponta de Cantarinhas (Aç.)
Ponta de Gil Afonso (Aç.)
Ponta Delgada (Aç. e Md.)
Ponta de Mangue (Br.)
Ponta de Motael (Tm.)
Ponta de Pedras (Br.)
Ponta de Pesqueiro (Aç.)
Ponta de Sagres (Pt.)
Ponta de Santa Bárbara (Aç.)
Ponta de Santo António (Aç. e Br.)
Ponta de São Brás (Aç.)
Ponta de São Fernando (Aç.)
Ponta de São João (Aç.)
Ponta de São Lourenço (Md.)
Ponta de São Mateus (Aç.)
Ponta de São Sebastião (St)
Ponta de Seixo Branco (Gz.)
Ponta do Arieiro (Aç.)
Ponta do Arnel (Aç.)
Ponta do Arrife (Aç.)
Ponta do Boqueirão (Aç.)
Ponta do Cabra (Aç.)
Ponta do Calhau (Aç.)
Ponta do Carapacho (Aç.)
Ponta do Carvoeiro (Cv.)
Ponta do Castelete (Aç.)
Ponta do Castelinho (Aç.)
Ponta do Cintrão (Aç.)
Ponta do Enxudreiro (Aç.)
Ponta do Escalvado (Aç.)
Ponta do Espartel (Aç.)
Ponta do Espigão (Aç.)
Ponta do Facho (Aç.)
Ponta do Faial (Aç.)
Ponta do Farol (Aç.)
Ponta do Feliciano (Aç.)
Ponta do Forte (Aç.)
Ponta do Forte de Santa Catarina (Aç.)
Ponta do Incenso (Aç.)
Ponta do Lavadouro (Aç.)
Ponta do Lobaio (Aç.)
Ponta do Lombo Gordo
Ponta do Madeiro (Br.)
Ponta do Malmerendo (Aç.)
Ponta do Marvão (Aç.)
Ponta do Mato (Br.)
Ponta do Mistério (Aç.)
Ponta do Mormo (Aç.)
Ponta do Mouro (Aç.)
Ponta do Norte (Aç.)
Ponta do Norte Grande (Aç.)
Ponta do Pedregal (Aç.)
Ponta do Pesqueiro Alto (Aç.)
Ponta do Pesqueiro Velho (Aç.)
Ponta do Poção (Aç.)
Ponta do Poio (Aç.)
Ponta do Rifão (Aç.)
Ponta do Roaz (Aç.)
Ponta do Rosio Branco (Aç.)
Ponta do Rosto Cinzento (Aç.)
Ponta do Rosto de Cão (Aç.)
Ponta dos Arcos (Aç.)
Ponta dos Caetanos (Aç.)
Ponta dos Capelinhos (Aç.)
Ponta dos Carreiros (Aç.)
Ponta dos Cedros (Aç.)
Ponta dos Corvos (Gz.)
Ponta dos Fanais (Aç.) - var. de "Fenais"?
Ponta dos Fenais (Aç.)
Ponta dos Frades (Aç.)
Ponta dos Ladouros (Pt.)
Ponta dos Monteiros (Aç.)
Ponta dos Mosteiros (Aç.)
Ponta do Sol (Md. e Cv.)
Ponta dos Ouriços (Aç.)
Ponta dos Rosais (Aç.)
Ponta dos Turçais (Aç.)
Ponta do Sul (Aç.)
Ponta dos Zimbros (Br.)
Ponta do Topo (Aç.)
Ponta do Vale (Aç.)
Ponta Espartal (Aç.)
Ponta Formosa (Aç.)
Ponta Furada (Aç.)
Ponta Garça (Aç.)
Ponta Grossa (Aç. e Br.)
Ponta Ilhéus (Aç.)
Ponta João d'Évora (Cv.)
Ponta João Dias (Aç.)
Pontal (Pt. e Br.)
Ponta Lajens (Aç.)
Ponta Leste (Tm.)
Ponta Malbusca (Aç.)
Ponta Negra (Aç.)
Ponta Nova (Aç., Br. e Gb)
Ponta Pico Negro (Aç.)

Ponta Porã (Br.) - pois. mas esta não é uma "ponta" marítima. "porã", tupi-guarani: "bonito(a)", "belo(a)"

Ponta Preta (Cv.)
Ponta Queimada (Aç.)
Ponta Ruiva (Aç.)
Ponta Santa Cruz (Aç.)
Pontas Negras (Aç.)
Ponta Verde (Cv.)
Ponta Viana (Cv.)

Pontinha (Aç.) - nem todas as "Pontinhas" são diminutivos de "Ponta". tamém as há de "Ponte".

Puntal (Gz.)


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Legenda: Aç.: Região Autónoma dos Açores; Br.: Brasil; Cv.: Cabo Verde; Ga.: Goa (Índia); Gb.: Guiné Bissau; Gz.: Galiza; Mç.: Moçambique; Md.: Região Autónoma da Madeira; Mu.: Macau; Pt.: Portugal (Continente); St.: São Tomé e Príncipe; Tm.: Timor Leste

segunda-feira, 9 de junho de 2008

cerquedo, cerqueira

estes fitónimos relacionam-se com as árvores quercus (var. lat. cerquus): "carvalho", "azinheira" e "sobreiro".


Casal de Cerquidelo - ver "Cerquidelo"
Cercosa
Cerqueda (Pt. e Gz.)
Cerquedo (Pt. e Cat.)

Cerquedo de Carvalho - aparentemente, seria um pleonasmo, se o topónimo "Carvalho" se referisse a qualquer das árvores "quercus" . porém, aqui, "Carvalho", mais uma vez, é um orónimo. é caso para dizer: se mais uma prova fosse precisa para mostrar que "Carvalho" não se refere à árvore em causa...

Cerqueira (Pt. e Gz.)
Cerqueiral (Pt. e Gz.)
Cerqueiro (Pt. e Gz.)
Cerquida
Cerquidelo - diminut. de Cerquido
Cerquido (Pt. e Gz.)
Cerquilho (Br.)
Cerquinha (Pt. e Br.)
Cerquinheira
Cerquinho (Pt. e Br.)
Cerquito

Monte da Cerqueirinha Nova

Rio Cerquinho (Br.)

quarta-feira, 28 de maio de 2008

segunda-feira, 5 de maio de 2008

abrunhos e abrunheiras


"abrunho" (lat. prunu + a protésico) é a drupa ou fruto do abrunheiro. há o abrunheiro propriamente dito e o abrunheiro bravo. são arbustos da família das rosáceas. o primeiro não tem espinhos e dá frutos pendentes e doces, o segundo é espinhoso e dá uns frutos eretos e muito azedos. de "abrunho" deriva "Abrunhal" , "Abrunheda", "Abrunhosa" e as formas aferéticas "Brunhal", "Brunheda", "Brunheira", "Brunheiras" e "Brunhosa".
este grupo de topónimos encontra-se por igual em Portugal e na Galiza.

Abrunhal - lugar onde crescem abrunheiros
Abrunheda - lugar onde abundam os abrunheiros
Abrunheira (Pt. e Gz.) - graf. altern. (Gz.): Abruñeira
Abrunheiras (Pt. e Gz.) - graf. altern.(Gz.): Abruñeiras
Abrunheiro (Pt. e Gz.) - graf. altern. (Gz.): Abruñeiro
Abrunheiro Grande
Abrunheiro Pequeno
Abrunhosa - ver "Abrunheda"
Abrunhosa-a-Velha
Abrunhosa do Mato
Brunedo
Bruneiro
Brunhais
Brunhal
Brunheda
Brunhedo
Brunheira (Pt. e Gz.) - graf. altern.: Bruñeira
Brunheiras (Gz.) - graf. altern.: Bruñeiras
Brunheirinha
Brunheirinho
Brunheiros (Gz.) - graf. altern.: Bruñeiros
Brunheta
Brunhosa
Brunhosinho
Brunhoso
Burinhosa - ver Comentº de Ismael
Largo Abrunho
Quinta da Brunheda
Quinta do Abrunhal
Ribeira da Brunheta (ver Comentº de Manuel Anastácio)
Rua do Abrunhal

quinta-feira, 3 de abril de 2008

colmos e colmeias

aqui está outro tema em que discordo dos livros. nem sempre a evidência é boa pista, sobretudo nesta coisa do nome das terras e dos povoados.
o mais fácil, hoje, é ir pelo caminho das "colmeias". o problema é que onde há colmeias não há terras com esse nome e onde há terras com esse nome as colmeias não fazem a diferença ou, simplesmente, se esquecem de lá estar.
aliás, o que mais me incomodaria, se lá vivesse, é que "colmeias" tivesse relação com apicultura, dado que as abelhas se querem longe dos povoados e as pessoas longe das ferroadas.
na Toponímia as homofonias vão medrando com o tempo, à medida que os significados se vão perdendo com a mudança dos costumes, das técnicas e das sociedades e se torna necessário convergir para significados mais de acordo com os novos tempos. assim se passou de "colmos" a "colmeias".
"colmos" eram habitações, choças ou cabanas cobertas de colmo. um teto de palha era um "colmo". muitas aldeias eram formadas por casas que ainda há pouco eram cobertas de colmo.
e assim como há povoações chamadas "cabanas" e "cabanelas", por serem formadas de cabanas, assim é natural que "colmeal", "colmões" e afins designem aldeias que outrora eram formadas de "colmos". e há que ter em conta que também a palavra "colmeia" deriva do lat. culmu-, "teto de colmo".
os "Colmenares" da Toponímia de fala castelhana têm a mesma origem, por muito que custe aos livros que tenho lido.
talvez por metáfora, chama-se tamém "colmeias" a casas habitadas por muita gente e a povoados com muitas casas juntas.
na Galiza e nas Astúrias, embora exista a palavra "colmea"/"colmeia" e se pratique excelente apicultura, o topónimo é praticamente desconhecido. em contrapartida abundam os nomes de povoados que se referem à presença de casas com tetos, ou teitos, de palha



Aldeia do Colmeal
Casal do Colmeeiro
Colmaça
Colmeada
Colmeal
Colmeal da Torre
Colmeeeira
Colmeeiro
Colmeeiros
Colmeia
Colmeias
Colmeiro
Colmenaria
Colmeneiro
Colmeosa
Colmões
Herdade do Colmeeiro
Malhada do Colmeal

domingo, 30 de março de 2008

abelhas, abóboras e avelãs

em postagem anterior tive ocasião de me questionar sobre o significado real de alguns topónimos que, à primeira vista e na opinião de estudiosos de maior ou menor renome, seriam claramente fitónimos, como "Aboboreira" e "Aveleira", ou, já agora, zoónimos, como "Abelha" e Abelheira".
quer-me parecer que não se trata de fitónimos nem zoónimos e que a relação aparente com abóboras, avelãs e abelhas é o fruto de uma convergência fonética da palavra antiga, de significado já desconhecido, para uma palavra mais atual e com significado conhecido.
o estudo das variantes pode indicar o caminho evolutivo:
no caso "Abobeleira"-"Aboboreira", parece claro que a primeira é forma mais antiga, já sem significado aparente, enquanto a segunda convergiu para uma palavra atual cujo significado é conhecido, ainda que desenquadrado da realidade local. na verdade, o número de abóboras existentes na Serra da Aboboreira é seguramente inferior ao de qualquer outro lugar.
coisa parecida se passa no caso "Aveleira"-"Abeleira"-"Abelheira", onde há menos avelãs e abelhas do que em qualquer outro sítio e em que os topónimos afins "Serra da Abelha" e "Penas d'Abelha" parecem brincar conosco.
sugiro que o elemento comum a todos estes topónimos é "vela" ou "veleira", no sentido de "ponto de vigia", criando parentescos insuspeitados em topónimos aparentemente tão diferentes.
claro que resta o enigma dos hidrónimos "Abelaira", "Abelheira", "Aveleira", embora seja possível que um rio ou ribeiro tome o nome do orónimo correspondente.
mas, atenção: estão todos contra mim. são fitónimos e zoónimos e pronto.


A Abelaira (Gz.)
Abelaira - é um hidronimo
Abeleira (Gz.)
Abeleiras (Gz.)
Abeleiroas (Gz.)
Abelheira (Gz.) - graf. altern.: "Abelleira"
Abobeleira - é uma aldeia de montanha
Abobereira
Aboboreira
Avelaira (Gz.)

Aveleira - orónimo. duas Serras "da Aveleira" no distrito de Coimbra. está por "A Veleira"?

Barragem da Veleira
Beleira (Gz.)
Beleirinha
Branda da Aveleira

Moinhos do Abelheira (Gz.) - em que "Abelheira" é hidrónimo, como "Abelaira". graf. altern.: "Muiños do Abelleira"

Penas d'Abelha - por "penas da Vela"?

Praia Abelheira (Gz.) - graf. altern.: "Praia Abelleira". é curioso que não seja ""Praia da Abelheira".

Quinta da Aveleira ou da Veleira
Ribeira da Abelheira
Ribeiro da Abelheira
Serra da Abelha
Serra da Aboboreira
Serra da Aveleira - ver "Aveleira"
Sobral da Abelheira
Vela
Vila Baleira - também aparece grafada "Vila Beleira"

sexta-feira, 21 de março de 2008

lama, lamas, lameiras

presentissimo na toponímia galego-portuguesa, lama é um vocábulo pré-romano, provavelmente pré-céltico, cujo significado é "pradaria em terreno úmido", "lameiro". o topónimo "Lama" e derivados surge em terrenos onde a pluviosidade abundante favorece a manutenção da umidade do terreno.
nas Astúrias e em León surge sob a forma palatalizada Llamas, o que cria um curioso triplo sentido entre "Lamas", "chamas" (do verbo chamar) e "chamas" (labaredas de fogo).
é um topónimo frequente em Itália, onde tem a mesma etimologia e o mesmo significado. e também aparece na Córsega (Co). Na Baviera, Alemanha (De), há uma Lam. esta distribuição geográfica parece querer apontar para uma origem ligure do topónimo. há quem ligue o topónimo às construções megalíticas (ver Comentº de Manuel Anastácio). e, mais curioso ainda, também se costuma associar o povo ligure ao megalitismo.


Alto de Lamas
As Lamas (Gz.)
Beco da Lama
Cabeço da Lama
Campo Lameiro (Gz.)
Casa da Lama
Castel di Lama (It.)
Calçada da Lama
Lam (De)
Lama (Pt., Gz., It., Co)
Lama de Ouriço
Lama dei Peligni (It.)
Lamaçães - de "lamaçaes", depois anasalada. ver "Lamaçares"
Lamaçais

Lamaçares (Pt. e Gz.) - graf. altern. (Gz.): "Lamazares". de "Lamaçales", plur. de "Lamaçal". noutras zonas evoluiu para "Lamaçais" e "Lamaçães"

Lamaceiro
Lamaceiros
Lama Chã

Lamacheira - de "lama" + "cheira" ou "chaira". é uma espécie de pleonasmo

Lamações
Lama de Arcos
Lamadeita (Gz.)
Lama di Gavello (It.)
Lama di Sopra (It.) - o mesmo que "Lama de Cima"
Lama di Sotto (It.) - o mesmo que "Lama de Baixo"
Lama do Brincadoiro
Lama do Moinho
Lama do Prado (Gz.)
Lama Locogno (It.)
Lamalonga (Pt. e Gz.)
Lama Mocogno (It.)
Lamão
Lamaracha
Lamarão (Pt. e Br.)
Lamares
Lamarigo
Lamarim
Lamario
Lamarosa
Lamas (Pt. e Gz.)
Lamascais
Lamascal (Gz.)
Lamas de Abade (Gz.)
Lamas de Abaixo (Gz.)
Lamas de Arriba (Gz.)
Lamas de Campos (Gz.)
Lamas de Cavalo
Lamas de Ferreira de Aves
Lamas de Miro
Lamas de Moledo
Lamas de Moreira (Gz.)
Lamas de Mouro
Lamas de Ôlo
Lamas de Orelhão
Lamas do Vouga
Lamedo
Lamego (Pt. e Gz.)
Lameira (Pt. e Gz.)
Lameira da Lagoa
Lameiradas
Lameirancha - de "Lameira Ancha"
Lameirão (Gz.) - graf. altern.: "Lameirón", "Lameiróm"
Lameiras
Lameirinha (Pt. e Gz.) - graf. altern.: "Lameiriña"
Lameirinho (Pt. e Gz.) - graf. altern.: "Lameiriño"
Lameirinhos
Lameiro (Pt. e Gz.)
Lameiro Cão
Lameiro da Quelha
Lameiro do Pito
Lamela (Pt. e Gz.)
Lamelas
Lami (It.)
Lamicupi (It.)
Laminha (Gz.) - graf. altern.: "Lamiña"
Laminho (Gz.) - graf. altern.: "Lamiño"
Lamo
Lamoça
Lamosa (Pt. e Gz.)
Llamas (As., Le.)
Llamas de Cabrera (Cs.-Le.)
Llamas de la Ribera (Le.)
Largo da Lama do Moinho
Quinta do Lameiro do Homem
Ribeira de Lamas
Ribeira de Lamas de Miro
Rua da Lama
Rua das Lameiras
Santa Maria de Lamas
Torrão do Lameiro
Travessa da Lameira de Cima
Vale da Lama

quinta-feira, 20 de março de 2008

pelames (Pt.), pelamios (Gz.)

"pelames" ou "pelamios" (Gz.) eram tanques ou pias onde se submergiam as peles em água e cal para as macerar e retirar o pêlo; tanques para curtir couros ou peles. estes pelames ou pelamios escoavam frequentemente para as hortas, espalhando pêlos, maus-cheiros e até doenças.
o toponimo "Pelames"/"Pelamios" aparece: na toponímia urbana de pendor medieval, em zonas junto de uma linha de água; em localidades cujas condições hidrográficas favoreciam a atividade dos curtumes; associado a "fonte" ou "ponte", como indicando a presença do fio de água que permitiu a instalação e funcionamento dessa indústria.
são topónimos muito difundidos em Portugal e na Galiza. encontram-se de Tavira à Corunha.
o declínio e desaparecimento desta indústria artesanal fez esquecer este significado da palavra "pelame", que passou a designar mais frequentemente a "pelagem" dos animais .

Alcaria dos Pelames
Bairro do Pelame
Bairro dos Pelamios (Gz.)
Fonte dos Pelames
Fonte dos Pelamios (Gz.)
Forno dos Pelames
Moinho dos Pelames
Os Pelamios (Gz.)
Palame
Pelames
Ponte dos Pelames
Ponte dos Pelamios (Gz.)
Porta dos Pelames
Quinta dos Pelames
Regueira dos Pelames
Ribeira de Pelames (Pt.-Aç.)

Rio dos Pelames (Br.) - associado à implantação da industria dos curtumes no Brasil

Rio Pelame (Br.)

Rua dos Pelames
Rua dos Pelamios (Gz.)
Souto dos Pelames
Travessa dos Pelames

segunda-feira, 17 de março de 2008

loja, lojas

a palavra "loja" é, no meu modesto parecer, neta do mesmo avô que as palavras "alocar", "alojamento", "alojar", "aluguer" ou "aluguel", "local", "localidade", "lugar". do lat. locus, pl. locii ou loca, ou do verbo derivado loco, locas, locavi, locatum.
entre os muitos sentidos de locus, podemos encontrar "lugar", "sítio", "localidade", "região"; "habitação"; "propriedade fundiária"; "terras", "bens de raiz"; na forma verbal, significava "colocar", "estabelecer", "assentar".
a própria palavra inglesa lodge tem o mesmo conjunto de significados, logo, provavelmente, a mesma origem.
creio que os toponimos "Loja" e "Lojas", que não são muitos, têm relação com um destes significados, mais provavelmente o de "propriedade fundiária", "quinta", e não, evidentemente, com a existência atual ou passada, de um ou mais estabelecimentos de venda e comércio.
é um toponimo bastante frequente em França, o que parece reforçar a tese que defendo.
o sobrenome "Loja" pode ter origem toponímica, assim como pode tamém constituir uma alcunha, alcume ou apelido.

exemplos:

Beaumetz-les-Loges (Fr.)
Chão da Loja (Pt.)
Courcy aux Loges (Fr.)
Fay aux Loges (Fr.)
Les Loges en Josas (Fr.)
Les Loges sur Brécey (Fr.)
Loge (Pt.)
Loges (Pt.)
Loges-Saulces (Fr.)
Loja (Pt.)
Lojas (Pt.)

Monte da Loja (Pt.) - no Alentejo. é, pois, um curioso pleonasmo, já que "monte", no Alentejo, é o mesmo que "propriedade fundiária" ou "quinta"

Saint Hilaire des Loges (Fr.)
Vitry aux Loges (Fr.)





segunda-feira, 10 de março de 2008

os pontos cardeais na toponímia

os pontos cardeais estão presentes na toponímia de todo o mundo. a sua presença indicia o hábito ancestral de viajar, a necessidade de conhecer os limites e as relações geográficas entre povos e terras. de facto, as populações nunca se limitaram, simplesmente, a estar no seu lugar. elas sabem, desde sempre, da existência de outras povoações e de outros povos e da sua disposição relativa no espaço geográfico habitado. a lista é praticamente infinita. as designações a seguir indicadas traduzem, nuns casos, geónimos em sentido lato, outras são topónimos em sentido estrito. a evolução linguística convergente de alguns hidrónimos fez com que hoje pareçam pontos cardeais nomes que na língua original significavam "rio". é o caso de Este e de São Pedro do Sul.



Algarve - do árab: "o Ocidente"
Cabo do Mundo - ver "Fisterra"
East End (Ing.) -
Estação do Oriente - topónimo urbano (Lisboa)
Finistère (Fr.) - ver "Fisterra"

Fisterra (Gz.) - de lat. finis terrae: "o fim da terra", "o cabo do mundo". embora não signifique "ocidente", pela sua posição geográfica e simbolismo associado, este topónimo (tal como os seus afins) está associado à ideia de "ocidente": "o lado em que matam o sol", "o lado em que o sol morre"

Japão - na escrita, o caracter pictográfico que designa o Japão significa "a origem do sol", "o oriente"

Jaraguá do Sul (Br.)

Levante - em termos de Europa, designa as regiões orientais banhadas pelo Mediterrâneo. na Espanha, designa as regiões próximas dos Pirinéus banhadas pelo Mediterrâneo. de "levante": "lugar onde o sol se ergue, ou se levanta", "oriente"

Mar do Norte
Nordeste (Aç.)
Nordestinho (Aç.)
Norfolk (Ing.) - "povo do Norte". talvez melhor: "o Povo a Norte"

Norrköping (Su.) - "mercado do Norte". pronúnc. sueca: "norrxôping". se fosse inglês, era "nor(th)shopping"

Norte (Pt., Pt.-Aç., Gz.)
Norte Grande (Aç.)
Norte Pequeno (Aç.)
Noruega - "caminho do Norte"
Norwich (Ing.) - "cidade do Norte"
Novo Oriente (Br.)

Oeste - nome que também se dá à Região Saloia, sobretudo à sua parte norte

Oriente (Br.)
Ponta Leste (Ang., Br., Gn-B.) - topónimo frequente nos litorais lusófonos
Praia do Norte (Aç., CV.)
Punta del Este (Ur.)
Ribeira do Norte (CV.)
Rio Grande do Norte (Br.)
Rio Grande do Sul (Br.)
Rio Novo do Sul (Br.) - hidrónimo e nome de município
Rua do Norte

Sepharad (hebr.) - o nome da Península Ibérica, para os Judeus: "o Ocidente"

Suffolk (Ing.) - "povo do sul". talvez melhor: "o Povo a Sul"
Tibau do Sul (Br.)
Timor Leste
Vladivostok (Ru.) - "dominadora do Oriente", "rainha do Oriente"


não fazem parte deste grupo:

Este - freguesia do concelho de Braga, deve o seu nome ao rio Este
Rio Este - ver "hidrónimos ou nomes de rios"
Rio Sul - ver "hidrónimos ou nomes de rios"

São Pedro do Sul - antiga Vila do Banho, deve o seu actual nome ao Rio Sul, afluente do Vouga