domingo, 28 de dezembro de 2008

topónimos terminados em -imbra

como os anteriores, estes topónimos referem-se tamém à terminação pré-latina briga, significando "monte fortificado", "monforte". tal como os terminados em -obra, não são muitos.

Coimbra (Pt.)
Oimbra (Gz.)
Sesimbra (Pt.)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

topónimos terminados em -obra

estes topónimos representam uma variação da terminação celta -briga, como os terminados em -obre. não conheço muitos. aí vão estes:

Anobra (Pt.)
Biobra (Gz.) - ver Comentº de Pablo
Boidobra (Pt.)

domingo, 14 de dezembro de 2008

topónimos terminados em -obre

são topónimos pré-latinos cuja terminação, pelo menos, é celta. indica que o local foi um castro ou povoado fortificado (-briga).
no território da Fala, os topónimos em -obre são praticamente exclusivos da Galiza, sobretudo da área das Rias de Betanços, Ares e Ferrol, onde se falou um mesmo dialeto comum de uma língua celta. assim se explica a concentração da terminação -obre numa área geográfica relativamente pequena, entre uma série de alternativas em -abre, -bra, -bre, -ebre, -ibre, -obra, -ubre e formas metatésicas, que ocorrem em toda a área peninsular da Fala.


Alcolobre - ver "Calhobre". híbrido: árab. "Al"+ célt. "Colobre".

Ançobre (Gz.) - graf. altern: Anzobre. significa "Castro ou Monte da Curva(tura)", "Castro Curvo", "Moncorvo" (?)

Anhobre (Gz.) - graf. altern: Añobre
Baiobre (Gz.) - ver Comentº de Pablo
Banhobre (Gz.) - graf. altern: Bañobre

Baralhobre (Gz.) - graf. altern: Barallobre. significa "Castro ou Monte da Paliçada"

Caiobre (Gz.) -
Calhobre (Gz.) - graf. altern: Callobre

Cançobre (Gz.) - graf. altern: Canzobre. significa "Castro das Cem [casas?]"

Cezobre (Gz.) - significa "Castro do Bosque"
Cilhobre (Gz.) - graf. altern: Cillobre. ver Comentº de Pablo
Ciobre (Gz.) - ver Comentº de Pablo. significa "Castro Bom"
Fiobre (Gz,) - significa "Castro do Mato"
Ijobre (Gz.) - graf. altern: Ixobre.
Ilhobre (Gz.) - graf. altern: Illobre
Inhobre (Gz.) - graf. altern: Iñobre. ver Comentº de Pablo
Jobre (Gz.) - graf. altern: O Xobre.
Lajobre (Gz.) - graf. altern: Laxobre. ver Comentº de Pablo. "castro das lajes"?
Landobre (Gz.) -
Maiobre (Gz.) - significa "Castro Mor" ou "Montemor"
Pantinhobre (Gz.) - graf. altern: Pantiñobre. ver Comentº de Pablo
Peçobre (Gz.) - graf. altern: Pezobre
Ranhobre (Gz.) - graf. altern: Rañobre. significa "Monte Calvo"
Sansobre (Gz.) -
Silhobre (Gz.) - graf. altern: Sillobre. significa "Castro do [rio] Sil"
Talhobre (Gz.) - graf. altern: Tallobre. ver Comentº de Pablo

há quem veja nestes topónimos uma etimologia linguística do ramo etrusco, em que a terminação teria um significado idêntico: "monte". pelo que, seja como for, é de "monte" que se trata.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

topónimos terminados em -inho

são diminutivos de outros topónimos, umas vezes por proximidade, outras vezes por derivação populacional.

Adinho - de Adão (hidrónimo)
Agrinho (Pt, e Gz.) - graf. altern: Agriño. de Agro
Algarinho (Pt.) - de Algar. ver Comentº de SM
Almarginho - de Almargem
Alvarinho - de ... Alvar? Álvaro?
Avinho (Gz.) - graf. altern: Aviño. ver Comentº de Calidonia
Azinhalinho - de Azinhal
Bastavalinhos (Gz.) - graf. altern: Bastavaliños. de Bastavales
Brejinho - de Brejo
Carbalhinho (Gz.) - graf. altern: Carballiño. de Carbalho ou Carballo
Carçãozinho - de Carção
Carvalhinho - de Carvalho
Casalinho (Pt. e Gz.) - graf. altern: Casaliño. de Casal
Castelinho - de Castelo
Charquinho - de Charco
Chelinho - de Chelo
Currinho (Gz.) - graf. altern: Curriño. de Curro
Escarabotinho (Gz.) - graf. altern: Escarabotiño. de Escarabote
Fabarrelinho - duplo diminutivo (de Fabarro?)
Folgosinho - de Folgoso
Gosendinho - de Gosende
Lameirinho - de Lameiro
Laminho (Gz.) - graf. altern: Lamiño. ?
Malaqueijinho - de Malaqueijo
Marouquinho - ?
Matinho - de Mato
Monfortinho - de Monforte
Moninho - ?
Montinho - de Monte
O Agrinho (Gz.) - graf. altern: O Agriño. ver Agrinho
O Assadinho (Gz.) - graf. altern: O Asadiño
O Cantinho (Gz.) - graf. altern: O Cantiño. de Canto
O Carbalhinho (Gz.) - ver Carbalhinho
O Cotinho (Gz.) - graf. altern: O Cotiño. de Coto. ou de Couto?
O Curraínho (Gz.) - graf. altern: O Curraíño. de Curral?
O Furinho (Gz.) - graf. altern: O Furiño. de Furo
O Lourinho (Gz.) - graf. altern: O Louriño. de Louro
O Matinho (Gz.) - graf. altern: O Matiño. ver Matinho
O Montinho (Gz.) - graf. altern: O Montiño. ver Montinho
O Petaínho (Gz.) - graf. altern: O Petaíño
O Porrinho (Gz.) - graf. altern: O Porriño. de Porro?
O Portinho (Gz.) - graf. altern: O Portiño. ver Portinho
Ortonhinho (Gz.) - graf. altern: Ortoñiño. de Ortonho
O Tojinho (Gz.) - graf. altern: O Toxiño. ?
Outeirinho - graf. altern: Outeiriño. de Outeiro
O Valinho (Gz.) - graf. altern: O Valiño. ver Valinho
Pacinho (Gz.) - graf. altern: Paciño. de Paço
Palvarinho - ?
Perosinho - ?
Perrinho - de Perre
Pinheirinho - de Pinheiro
Pombalinho - de Pombal
Pocinho - de Poço
Portelinho - de Portelo, diminut. de Porto
Portinho (Pt. e Gz.) - graf. altern: Portiño. de Porto
Povoínho - de Povo (povoado)
Pumarinho (Gz.) - graf. altern: Pumariño. de Pumar ou Pomar
Rodinho Grande (Gz.) -graf. altern: Rodiño Grande. de Rodo?
Rodinho Pequeno (Gz.) - graf. altern: Rodiño Pequeno. ver Rodinho Grande

Sam Miguelinho (Gz.) - graf. altern: San Migueliño. de São Miguel ou Sam Miguel

Silveirinho - de Silveiro
Sobralinho (Pt.) - de Sobral
Soitinho - de Soito
Soutinho - de Souto
Tibaldinho - de Tibalde
Valinho (Pt. e Gz.) - graf. altern; Valiño. de Vale
Vilarinho (Pt. e Gz.) - graf. altern: Vilariño. de Vilar
Zambujinho -



não são deste grupo, não são diminutivos:

Andorinho
Belinho - ?
Caminho
Carinho (Gz.) - graf. altern: Cariño. ?
Casacaminho (Gz.) - graf. altern: Casacamiño

Chamosinho (Pt. e Gz.) - graf. altern: Chamosiño. de Chamoso ou de Chamosa(Gz.). o mais provável é que se refira a alguém ou a um povo oriundo de Chamoso ou de Chamosa(Gz.).

Espinho
Larinho (Pt. e Gz.) - graf. altern: Lariño
Marinho
Minho (Pt. e Gz.)
Moinho ou Muinho
Montezinho - ?
O Brinho (Gz,) - graf. altern: O Briño. ?
O Passarinho (Gz.) - graf. altern: O Paxariño. ?
Paramuinho - ?
Remoinho (Gz.) - graf. altern: Remuíño
Sobrecaminho (Gz.) - graf. altern: Sobrecamiño.
Tominho (Gz.) - graf. altern: Tomiño. ver Comentº de Calidonia

Valdovinho (Gz.) - graf. altern: Valdoviño. ver Comentº de Calidonia. a possibilidade erudita de Valdovinho ter origem em Baldovinu (Balduino) esbarra em Balduvino não ser um genitivo. se a razão do topónimo fosse "terra ou propriedade de Balduino", a forma seria Valdovin ou Valdovim. vou por Calidonia

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

camarinhas e caraminhas

as camarinhas são pequenos frutos brancos em forma de contas de cristal, de sabor adocicado, produzidos por um arbusto espinhoso, a camarinha ou camarinheira, que nasce em terrenos dunares atlânticos próximos do mar. vêem-se muito na costa do centro e norte de Portugal e da Galiza. a garotada das colónias balneares adora colher camarinhas enquanto caminha para a praia.

de "camarinha" (Pt. e Gz.) surge tamém "caraminha", por metátese.
as camarinhas estão presentes na toponímia galego-portuguesa do litoral, sob diversas formas, que se incluem na classe dos fitotopónimos:
no entanto, em alguns casos, sobretudo se no singular, a origem do topónimo pode ser outra: de "Câmara"?


A Camarinha (Gz.) - graf. altern.: A Camariña
A Pobra do Caraminhal (Gz.) - graf. altern.: "A Pobra do Caramiñal". ver "Camarinhal"

Camarinha (Pt. e Gz.) - graf. altern: Camariña. de Câmara?
Camarinhais (Pt.) -
Camarinhal (Pt.) - lugar onde abundam as camarinhas ou camarinheiras.

Camarinhas (Pt. e Gz.) - graf. altern.: "Camariñas"
Camarinheiras (Pt.) -
Caraminhais (Pt.) -
Caraminhal (Pt. e Gz.) -
Casal das Caraminheiras (Pt.)
Pico das Camarinhas (Aç.) -
Reguengo da Camarinha (Pt.) -
Ribeira das Caraminheiras (Pt.) -

e reencontramo-las no sul da Península, na Andaluzia, perto de Gibraltar: o Cabo Camariñal ou Punta Camariñal.



imagem: www.ideotario.com

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

boidobra

a antiguidade desta vila do concelho da Covilhã fez esquecer a origem e o significado do seu nome, o qual, pela pronúncia que hoje tem, em língua alheia à original, dá azo a explicações mais ou menos arbitrárias. a terminação -bra implica uma origem celta em briga, que significa "castro ou fortificação no alto". a primeira parte, boido, é também celta e refere-se ao divino Boduus. a "tradução" talvez se torne óbvia: Boidobra: "o castro ou fortaleza de Boduus". é, pois, um caso de "monte santo".

terça-feira, 11 de novembro de 2008

agrolongo, longos, longos vales, longroiva, monte longo

trata-se de etnotopónimos, que se reportam aos "Longos", "Lónicos", "Luancos" ou "Lyncos", tribo proto-histórica cujo animal totémico era o lince. a sua divindade principal era Deo Vestio Lonico, "o divino Vestio dos Longos". a notícia epigráfica e toponímica deste povo estende-se da bacia do Douro português até às províncias galegas do sul.


no caso de "Longroiva" (Longobriga), o topónimo significa "o castro ou fortaleza dos Longos" - indicando, pelas suas particularidades linguísticas, a presença dos Longos já no período celta.
todos estes topónimos estão em cima ou junto de castros pré-romanos. no caso de Santa Cristina de Longos, concelho de Guimarães, o castro é o de Sabroso, notável pelo aparelho das muralhas, de uma precisão milimétrica.
a memória dos Longos e de Vestio Lonico parece persistir no culto de "São" Longuinhos, no escadório do Bom Jesus do Monte, em Braga. segundo uma lenda, Longuinhos (Longuinus) teria sido o soldado romano a quem coube a tarefa de dar o golpe de misericórdia na execução de Jesus-o-Cristo. sendo, pois, uma personagem do pré-cristianismo, Longuinus é o pagão que se converte, incorporando-se pacificamente na nova religião. é representado na figura equestre de um centurião romano.
o seu culto tem aspetos muito arcaicos, ligados à fertilidade. no Brasil, São Longuinhos é o patrono dos objetos perdidos ("São Longuinhos, São Longuinhos, me ajude a achar a minha chave e eu darei três pulinhos").

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

adorigo

no concelho de Tabuaço (Pt.), Adorigo é mais um antropotopónimo de origem germânica. porém, diferentemente da grande maioria deles, não é um genitivo. por isso, refere-se mais ao senhor que à sua propriedade. de "Adericus".

valdigem

o nome desta vila do concelho de Lamego (Pt.) deve ser incluído na antropotoponímia germânica. representa o genitivo do nome de um senhor feudal, um tal Baldoigius (forma latinizada de Balthweigs), que teria sido bispo de Cuenca e detentor da posse da terra a que deu o nome.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

brasília



inaugurada em 21 de abril de 1960, Brasília é o resultado do cumprimento de uma promessa eleitoral de Juscelino Kubistchek cinco anos antes.


segundo se diz, a capital foi planeada com requintes tais que se chegou à análise do seu horóscopo e a precisões de orientação simbólica.

seja como for, o mapa da cidade assemelha-se a um urubu de asas abertas, com a cabeça voltada a oriente. uma cidade pensada para tudo menos para quem lá mora e a visita. cidade mais desumana não conheço: é tudo longe de tudo. é tudo imenso e vazio. procura-se uma ágora, uma praça, onde se junte gente fazendo aquele barulho da vida das cidades. não tem. e pode ser que um dia Brasília tenha uma rede de metro, uma ciclovia, uma teia de bondes, sei lá, qualquer coisa que permita a um ser humano ir daqui para ali sem ter de comprar um carro, chamar um táxi ou alugar uma vanete.
mas talvez o segredo de tudo esteja no mausoléu de Kubistchek. afinal de contas, Brasília é uma cidade faraónica.

o nome é de extração óbvia, pensado para a capital do Brasil. e os habitantes de Brasília chamam-se brasilienses.
e é aqui que começa uma estória de pasmar. num grande congresso internacional, um importante senhor, que saberá mais do seu ramo específico de ação do que de filologia e de história, lembrou-se de exarar, com ares de quem sabe, que "Brasília" veio dar aos seus habitantes o nome gentílico ("brasilienses") que caberia a todos os brasileiros. dizia ele que "brasileiro" se inclui no grupo de nomes acabados em "-eiro", como "pedreiro", "carpinteiro", "mineiro", "padeiro", ou seja, indicaria uma profissão. e vai daí, a profissão dos "brasileiros" teria sido a de trabalhar o pau-brasil - por isso o nome que deram aos habitantes do Brasil, aos que trabalhavam no pau e aos outros.
todos, naquele congresso, de boca aberta com a ignorância que levaram e a sabedoria que traziam.
mas a realidade das cousas é bem diferente: o gentílico "brasileiro" é de origem galego-portuguesa. a terminação "-eiro" aplica-se aos habitantes de certas vilas, cidades ou regiões do litoral galego-português, como "fangueiro", "poveiro", "vareiro" e "penicheiro". tamém oiço chamar "camacheiros" aos madeirenses da Camacha.
e daí o "-eiro" dos habitantes do Brasil.

domingo, 26 de outubro de 2008

pirenópolis (Br.)

Pirenópolis deve o seu nome à Serra dos Pirenéus, contraforte do Planalto Central do Brasil, no estado de Goiás. desde a sua fundação em 1727 até 1890, o seu nome era Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte, passando então a chamar-se Pirenópolis.

a sua população europeia é quase toda oriunda do norte de Portugal e da Galiza.

sábado, 25 de outubro de 2008

sumé (Br.)

Sumé é uma cidade do sul do estado da Paraíba. o seu nome deriva de "çumé" ou "tsumé", uma entidade mítica do folclore de várias tribos tupi do Brasil, um ser de cara branca, misto de semi-deus, curandeiro e sábio, dotado de poderes sobrenaturais, que praticava o bem e os teria iniciado nas artes da agricultura e nas regras morais.

atribui-se a sumé a autoria de escritos gravados em pedra (petroglifos), onde estarão consignados os seus ensinamentos. os missionários jesuítas da Paraíba rapidamente se aperceberam das semelhanças do mito com o do apóstolo Tomé, pelo que o lugarejo de então passou a chamar-se de "São Tomé", bem como o rio que o atravessa.
em 1951, "São Tomé" adquire o estatuto de cidade e, havendo já outras "São Tomé", decidiram os seus habitantes dar -lhe o nome cariri de "Sumé".

chainça

este topónimo aparece na Galiza e em Portugal. faz parte do grande grupo de topónimos simples ou compostos que indicam terreno plano, planície ou chã, tais como "Chã", "Chaira", "Chairo", "Chão", "Chãs", "Cheira", "Cheirinha", "Chelas", "Chelinho", "Chelo", "Chenlo".
"Chainça", graf. altern, "Chainza" (Gz.). conheço uma em Abrantes (Pt.), uma em Leiria (Pt.), uma em Penela (Pt.), uma em Rio Maior (Pt.) e outra em Noia (Gz.). tem a mesma etimologia de "planície", do lat planitia.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

almacave

"Almacave", é uma palavra árabe que significa "túmulo(s)", "cemitério". como tomou o nome durante o domínio árabe, a conclusão é que esse(s) "túmulo(s)" ou "cemitério" data(m), pelo menos, do domínio árabe na região.

mas a presença de uma igreja românica importante nessa freguesia de Lamego aponta para a presença de um espaço sagrado antigo, já que os beneditinos se esforçaram por cristianizar, na Idade Média, locais já sagrados há muitos séculos.
tomava-se por "túmulos" as chamadas "sepulturas antropomórficas", cavadas na rocha, por vezes de dimensões mais próprias para crianças ou adolescentes e cuja função não está ainda perfeitamente esclarecida, apesar de serem conhecidas por "sepulturas". é o caso de S. Pedro de Lourosa, de Penela e de muitos outros lugares. para mim, são lugares iniciáticos, onde se praticariam cerimónias de passagem da infância à idade adulta, coisa que é suficiente para justificar a cristianização quer no período visigótico, quer, depois, no período baixo-medieval.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

praia da falésia (Pt.), praia da ribanceira (Br.)

muitas praias mereceriam estes nomes. no entanto, pelo menos em língua decifrável, são poucas as que fazem alusão às falésias e ribanceiras que as rodeiam e protegem.

Praia da Falésia (Pt. - Alg.)
Praia da Ribanceira (Br. - SC)
Praia de Muro Alto (Br. - PE) - praia rodeada por um paredão de areia de cerca de 3 metros de altura

sábado, 27 de setembro de 2008

conraria

"conraria" era a dependência ou oficina do cónego conreário ou conreeiro, o qual tinha por função guardar e gerir o que pertencia aos cónegos e à sua mesa comum. "conraria" é variante de "conrearia".


o topónimo existe na margem esquerda do Mondego, na freguesia de Castelo Viegas, arredores de Coimbra, onde encontramos:


Estrada da Conraria
Quinta da Conraria
Volta da Conraria

este topónimo coimbrão deve ter vindo ao mundo solteiro, pois não conheço outro exemplo.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

sumes, súmio

estes topónimos referem-se a lugares onde há sumiço de águas.

relativamente ao "Lugar de Sumes", freguesia de Gondar, concelho de Guimarães, região granítica por excelência, cito o Pe. António Ferreira Caldas (1996, 2ª ed., pág. 143): "[ao rio Selho] depois de um percurso aproximado a um quilómetro, no lugar do Reboto, junta-se-lhe o riacho de nome Selhinho, e assim reunidos escondem-se debaixo da terra no lugar de Sumes, freguesia de S. João de Gondar, correndo ocultos por espaço de mais de seiscentos metros até à freguesia de Serzedelo [...], indo em seguida confundir-se no [rio] Ave".


Cañón de Sumideiro (Mx) - no Estado de Chiapas
Casal de Suimo - ?
Castro de Sumes (Pt.)
Monte Suimo
Suimo - ver Comentº
Sumes (Pt.)
Sumideiro (Pt.)
Sumidoiro (Pt.) - é hidrónimo
Santiago de Sumio (Gz.) - no concelho de Carral.
Sumidouro (Br.) - no Estado de MG
Sumidouro de Cima (Br.) - no Estado de SP



"súmio" é uma fenda ou greta da terra por onde as águas se somem.

domingo, 7 de setembro de 2008

a sionlha (Gz.)

a primeira noite que passei em Santiago de Compostela, há uma boas décadas atrás, foi dentro de uma tenda, no parque da Sionlha. um topónimo estranho, como tantos outros sem significado na língua vernácula. se trago aqui à baila o parque de campismo, lugar de pernoita e estadia temporária, é porque "A Sionlha" parece derivar de Asseconia, uma mansio ou pousada romana na via XIX de Braga a Astorga.
deveria, pois, ser "Assionlha" e não "A Sionlha", mas a transformação do "A" inicial no artigo definido "A" é um fenómeno muito comum na toponímia galego-portuguesa escrita.
derive de Asseconia ou não, é um topónimo muito antigo, pré-romano, cujo significado me escapa.
certo é que Sionlha é tamém um hidrónimo ou nome de rio, mas talvez o nome do ribeiro derive do nome povoado e não o inverso.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Senhor Roubado

este é o nome de uma estação de Metro de Lisboa. localiza-se junto ao pequeno largo do mesmo nome, à saída da Calçada de Carriche, na estrada de Odivelas. nesse largo encontra-se um padrão datado de 1744.
foi construído em memória de um roubo sacrílego ocorrido em 1671 na igreja matriz de Odivelas. o autor confesso do roubo de peças sacras, o infeliz António Ferreira, acabaria condenado pela Inquisição, arrastado e levado à praça do Rossio, onde lhe deceparam as mãos e lhas queimaram à vista, após o que o assaram vivo - numa manifestação eloquente do mais sacrílego fundamentalismo político-religioso.
o monumento ao Senhor Roubado compõe-se de um recinto quadrangular trapezoidal, de dez metros de comprido por oito de largura, a modo de templo descoberto. 12 quadros, de 72 azulejos cada, contam as peripécias de um roubo que daria nome ao lugar.
ali os fiéis vinham encomendar-se ao Senhor e pedir perdão pelos seus pecados.




(ver notícia original em http://odivelas.com/2010/01/14/sr-roubado-historia/)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

bairros dos sonhadores ou os excessos poéticos

é natural que se goste de morar num bairro com um nome bonito, até poético. o pior é que a realidade nem sempre dá pelo nome que lhe chamam.
alguns destes bairros têm nome de inspiração religiosa (r).

Bairro Alto da Maravilha (Br.)
Bairro Boa Esperança (Br.)
Bairro da Alegria
Bairro da Amizade (Br.)
Bairro da Bela Vista
Bairro da Boa Viagem (Br.)
Bairro da Boa Vista
Barro da Boavista
Bairro da Consolação - (r)
Bairro da Fraternidade
Bairro da Graça (Pt. e Gz.) - (r)
Bairro da Juventude (Br.)
Bairro da Liberdade (Pt. e Br.)
Bairro da Luz
Bairro da Nova Imagem (Pt.)
Bairro da Paciência (Br.)
Bairro da Paz
Bairro da Piedade (Br.)
Bairro da Rosa
Bairro da Saúde (Br.)
Bairro da União (Br.)
Bairro da Vista Alegre (Pt., Gz. e Br.) - ver Comentº de Calidonia
Bairro da Vitória (Br.)
Bairro do Bom Pastor - (r)
Bairro do Paraíso (Br.)

não conheço este costume na Galiza. os bairros que eu conheço tenhem um nome mais distanciado desses sentimentos e aspirações. ex: "Bairro da Madalena", "Bairro de Canido", "Bairro de Sam Lázaro", "Bairro do Esteiro",...