"souto", do latim saltu, significa "terreno povoado de castanheiros", "bosque de castanheiros". em casos raros, pode significar um bosque de outras árvores, se a palavra "souto" for seguida do determinativo: "Souto de Carvalhos", "Souto das Oliveiras".
em alguns topónimos a palavra "Souto" parece estar seguida do genitivo do nome de um possuidor, como é o caso de “Soutariz”, "Soutipedre" e "Soutomel", entre outros.
a variante dialectal "Soito", e derivados, aparece na Região portuguesa da Beira-Serra.
"souto" é um termo abundantíssimo na toponímia galego-portuguesa, sendo hoje o que resta da enorme importância que tiveram outrora os castanheiros e as castanhas nos usos e costumes das populações peninsulares.
vestígios ainda vivos do papel que as castanhas desempenharam na gastronomia e e nos rituais da religiosidade pré-cristã são a sopa de castanhas, o lombo de porco assado com castanhas, e o magusto de São Martinho acompanhado do vinho novo.
A Soutela (Gz.)
Cabeço do Soito
Caminho de Soutelinho (Gz.) - graf. altern.: "Camiño de Souteliño"
Casa do Soito
Cavorco de Soutelo (Gz.)
Corgo de Soutelo (Gz.)
Moinhos de Soutelinho (Gz.) - graf. altern.: "Muiños de Souteliño"
O Soutinho (Gz.) - graf. altern.: "O Soutiño"
Prados do Soutelo (Gz.)
Regada do Soito
Regato de Soutelo (Gz.)
Rio de Soutelinho (Gz.) - graf. altern.: "Río de Souteliño"
São João do Souto
Seara do Soutelo (Gz.)
Soitelo
Soitinho
Soito
Soutadoiro (Gz.)
Soutariz (Gz.) - de "Souto Alarici": "souto de Alarico"?
Soutelinho (Gz.) - dimin. de "Soutelo". graf. altern.: "Souteliño"
Soutelo (Pt. e Gz.)
Soutelo da Pena (Gz.)
Soutelos
Soutelo Verde (Gz.)
Soutipedre (Gz.) - de "Souto Petri": "souto de Pedro"?
Souto Bom
Soutochao (Gz.)
Soutocico - é um diminut. asture-leonês. o curioso é que além do Soutocico na região de Miranda do Douro existe um outro na região de Leiria
Souto da Carpalhosa
Souto da Casa
Souto da Ponte
Souto das Cales
Souto das Eiras
Souto das Oliveiras
Souto da Velha
Souto de Lafões
Souto de Limia (Gz.)
Souto do Brejo
Souto do Coval
Souto do Meio
Souto do Rego
Souto do Rio
Soutomaior (Gz.) - significa "souto grande"
Souto Maior - ver Soutomaior
Soutomel (Gz.)
Soutopenedo (Gz.)
Souto Redondo
Souto Velho
Soutulho (Gz.) - graf. altern. "Soutullo"
Vila Nova de Souto d'El Rei
Vilarinho do Souto
Vil de Soito
bem-vindo!.....por que é que a sua terra se chama...?..(blogue de apontamentos).........................direitos reservados. proibida a cópia ou reprodução sem autorização expressa do autor.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
soito, souto, soutelo
voltando a um tema que deixei um tanto no ar:
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
fiolhal, funchal, funchalinho, funcheira, funchosa
"funcho" (Pt. e Br.), "fiuncho" (Pt. e Gz.), "fioncho" (Gz.), "fiolho" (Pt. e Gz.), "fionlho" (Gz.), e "fruncho" (Pt. e Gz.) são variantes dialectais da mesma palavra original latina foeniculus, que designa uma planta perene, aromática, de caule ramoso, flores amareladas e folhas em forma de agulha. ["fruncho" é a forma convergente de duas linhagens fonéticas diferentes, podendo referir-se ao "funcho" ou significar "furúnculo"].
a foeniculus vulgare Mill é uma umbelífera fortemente aromática, de aroma semelhante ao do anis, utilizada em culinária, em perfumaria e como aromatizante em bebidas espirituosas. de origem mediterrânica, está muito difundida na Macaronésia - Madeira, Canárias e Açores. tem várias designações que, em alguns casos se sobrepõem com as de outras plantas, pelo que o melhor é evitá-las.
planta muito ligada também à superstição, à magia e à medicina, o funcho usava-se antigamente pendurado à porta de casa para afugentar espíritos e o mau olhado. diz-se que trazer um pequeno rebento de funcho no sapato esquerdo protege das carraças, coisa que os menos cépticos atribuem ao facto de as carraças odiarem o cheiro do funcho. e trazer consigo um saquinho de sementes de funcho faz sentir-se protegido das doenças.
a foeniculus vulgare Mill é uma umbelífera fortemente aromática, de aroma semelhante ao do anis, utilizada em culinária, em perfumaria e como aromatizante em bebidas espirituosas. de origem mediterrânica, está muito difundida na Macaronésia - Madeira, Canárias e Açores. tem várias designações que, em alguns casos se sobrepõem com as de outras plantas, pelo que o melhor é evitá-las.
planta muito ligada também à superstição, à magia e à medicina, o funcho usava-se antigamente pendurado à porta de casa para afugentar espíritos e o mau olhado. diz-se que trazer um pequeno rebento de funcho no sapato esquerdo protege das carraças, coisa que os menos cépticos atribuem ao facto de as carraças odiarem o cheiro do funcho. e trazer consigo um saquinho de sementes de funcho faz sentir-se protegido das doenças.
Barragem do Funcho
Fiolhais - de "fiolho", o mesmo que "funcho". lugares onde abunda o funcho ou fiolho
Fiolhosa
Funchal (Pt. e Gz.) - ver Comentº de Miguel. vários "Funchal, quer em Portugal quer na Galiza. uma curiosidade interessante é o facto de a cidade de Marathónas, ou Maratona, na Grécia, significar, precisamente, "funchal"
Funchalinho
Funcheira
Funcheiro (Pt. e Gz.)
Funchosa
Horta da Funcheira
Moinhos do Funcheiro
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
bouça e touça
"bouça", palavra e topónimo muito frequente na Galiza e no Norte de Portugal, é quase certamente de origem pré-romana. significa "matagal", "lugar onde cresce vegetação bravia, como o tôjo, a giesta e a urze", "lugar que só cria mato", "porção de terreno que está a monte", "devesa".
não raramente, o topónimo "Bouça" aparece associado a lugares de interesse arqueológico.
"touça", é igualmente pré-romana e o seu significado emparelha com "bouça", diferenciando-se na altura e na concentração do mato, sendo que em "touça", o mato é mais alto e mais basto.
"touça" tem a variante "toiça" em Portugal. mas nenhuma das variantes se pode confundir com toiça ou touça: "a parte do tronco que fica agarrada ao solo depois da árvore ser abatida".
A Bouça Alta (Gz.) - graf. altern.: "A Bouza Alta"
A Bouça da Barra (Gz.) - graf. altern.: "A Bouza da Barra"
A Bouça da Galinha (Gz.) - graf. altern.: "A Bouza da Galiña"
A Bouça Grande (Gz.) - graf. altern.: "A Bouza Grande"
A Bouça Velha (Gz.) - graf. altern.: "A Bouza Vella"
As Bouças (Gz.) - graf. altern.: "As Bouzas"
As Boucinhas (Gz.) - graf. altern.: "As Bouziñas"
As Boucinhas do Rio (Gz.) - graf. altern.: "As Bouziñas do Rio"
A Touça (Gz.) - graf. altern.: "A Touza"
Bairro das Toiças (Pt.)
Bouça Fria (Gz.) - graf. altern.: "Bouza Fría"
Boiça (Pt.)
Boiça de Baixo (Pt.)
Boiça de Cima (Pt.)
Boicinha (Pt.) - diminut. de "boiça"
Bouça (Pt. e Gz.) - graf. altern.: "Bouza". no concelho de Mirandela (Pt.), esta
Bouça da Cabra (Gz.) - graf. altern.: "Bouza da Cabra"
Bouça da Cova da Moura (Pt.)
Bouça da Cruz (Pt.)
Bouça da Fonte (Gz.) - graf. altern.: "Bouza da Fonte"
Bouça da Giesta (Pt.)
Bouça da Mó (Pt.)
Bouça da Pega (Pt.)
Bouça da Pena (Gz.) - graf. altern.: "Bouza da Pena"
Bouça da Pousada (Pt.)
Bouça das Almas (Pt.)
Bouça das Valas (Pt.)
Bouça da Telheira (Pt.)
Bouça de Cá (Pt.)
Bouça de Cima (Pt.)
Bouça de Rodas (Pt.)
Bouça do Couto (Pt.)
Bouça do Frade (Pt.)
Bouça do Gaiteiro (Gz.) - graf. altern.: "Bouza do Gaiteiro"
Bouça do Menino (Pt.)
Bouça do Monte (Pt.)
Bouça do Monte de Castro (Pt.)
Bouça do Ouro (Pt.)
Bouça dos Mortos (Pt.)
Bouça do Senhor (Pt.)
Bouça do Viso (Gz.) - graf. altern.: "Bouza do Viso"
Boucela (Pt.) - diminut. de "bouça"
Boucelha (Pt.) - diminut. de "bouça"
Bouça Fria (Gz.) - graf. altern.: "Bouza Fría"
Bouça Grande (Pt.)
Bouça-Mé (Pt.)
Bouça Nova (Pt.)
Bouça Rara (Gz.) - graf. altern. "Bouzarrara". é uma "bouça pouco espessa", "pouco cerrada"
Bouça Redonda (Pt. e Gz.) - graf altern.: "Bouza Redonda" e "Bouzarredonda"
Bouças de Abaixo (Gz.) - graf. altern.: "Bouzas de Abaixo"
Bouças Vedras (Gz.) - graf. altern.: "Bouzas Vedras"
Bouça Velha (Pt. e Gz.) - graf. altern.: "Bouza Vella" e "Bouzavella"
Bouças Velhas (Gz.) - graf. altern.: "Bouzas Vellas"
Bouçoa (Gz.) - graf. altern.: "Bouzoa". diminut. de "bouça"
Bouçó (Pt. e Gz.) - graf. altern.: Bouzó". diminut. de "bouça"
Bouçós (Pt. e Gz.) - graf. altern.: "Bouzós". diminut. plural de "bouça". o mesmo que "boucinhas"
Cã das Bouças (Pt.)
Campo das Bouças (Gz.) - graf. altern: "Campo das Bouzas"
Casa de Touça Boa (Pt.) - em Ribeira de Pena. Affonso Augusto Moreira dos Santos Penna, sexto presidente do Brasil, era filho de Domingos José Teixeira Penna, oriundo desta Casa
Casal da Toiça (Pt.)
Fonte da Bouça (Pt. e Gz.) - graf. altern.: "Fonte da Bouza"
Fonte da Touça (Pt.)
Lagoa da Toiça (Pt.)
Lama das Bouças (Gz.) - graf. altern.: "Lama das Bouzas"
Paço da Touça (Gz.) - graf. altern.: "Pazo da Touza"
Poça das Bouças (Gz.) - graf. altern: "Poza das Bouzas"
Quinta da Toiça (Pt.)
Rabo de Bouça (Gz.)
Regato da Bouça de Cristo (Gz.) - graf. altern.: "Regato da Bouza de Cristo"
Regato das Bouças (Gz.) - graf. altern.: "Regato das Bouzas"
Regato da Portela da Bouça (Gz.) - graf. altern.: "regato da Portela da Bouza"
Regueiro das Bouças (Gz.) - graf. altern.: "Regueiro das Bouzas"
Rio de Bouças (Gz.) - graf. altern.: "Rio de Bouzas"
Santo Amaro da Bouça (Pt.) - coexiste a alternativa "Santo Amaro da Boiça"
Tapada de Bouças (Gz.) - graf. altern.: "Tapada de Bouzas"
Touça (Pt. e Gz.) - graf. altern.: "Touza". em Portugal ver aqui
Touça da Velha (Gz.) - graf. altern.: "Touza da Vella"
Touça de Valbom (Gz.) - graf. altern.. "Touza de Valbón"
Touça do Carbalho (Gz.) - graf. altern.: "Touza do Carballo"
Touça do Castro (Gz.) - graf. altern.: "Touza do Castro"
Touça do Lobo (Gz.) - graf. altern.: "Touza do Lobo"
Touça Galinha (Mir.)
Touça Longa (Gz.) - graf. altern.: "Touza Longa"
Touça Nova (Gz.) - graf. altern.. "Touza Nova"
Touça Redonda (Gz.) - graf. altern.: "Touza Redonda"
Touças (Gz.) - graf. altern.: "Touzas"
Touça Velha (Gz.) - graf. altern.: "Touza Vella"
Tousa ou Touza (Tun.) - ???
não raramente, o topónimo "Bouça" aparece associado a lugares de interesse arqueológico.
"touça", é igualmente pré-romana e o seu significado emparelha com "bouça", diferenciando-se na altura e na concentração do mato, sendo que em "touça", o mato é mais alto e mais basto.
"touça" tem a variante "toiça" em Portugal. mas nenhuma das variantes se pode confundir com toiça ou touça: "a parte do tronco que fica agarrada ao solo depois da árvore ser abatida".
A Bouça Alta (Gz.) - graf. altern.: "A Bouza Alta"
A Bouça da Barra (Gz.) - graf. altern.: "A Bouza da Barra"
A Bouça da Galinha (Gz.) - graf. altern.: "A Bouza da Galiña"
A Bouça Grande (Gz.) - graf. altern.: "A Bouza Grande"
A Bouça Velha (Gz.) - graf. altern.: "A Bouza Vella"
As Bouças (Gz.) - graf. altern.: "As Bouzas"
As Boucinhas (Gz.) - graf. altern.: "As Bouziñas"
As Boucinhas do Rio (Gz.) - graf. altern.: "As Bouziñas do Rio"
A Touça (Gz.) - graf. altern.: "A Touza"
Bairro das Toiças (Pt.)
Bouça Fria (Gz.) - graf. altern.: "Bouza Fría"
Boiça (Pt.)
Boiça de Baixo (Pt.)
Boiça de Cima (Pt.)
Boicinha (Pt.) - diminut. de "boiça"
Bouça (Pt. e Gz.) - graf. altern.: "Bouza". no concelho de Mirandela (Pt.), esta
Bouça da Cabra (Gz.) - graf. altern.: "Bouza da Cabra"
Bouça da Cova da Moura (Pt.)
Bouça da Cruz (Pt.)
Bouça da Fonte (Gz.) - graf. altern.: "Bouza da Fonte"
Bouça da Giesta (Pt.)
Bouça da Mó (Pt.)
Bouça da Pega (Pt.)
Bouça da Pena (Gz.) - graf. altern.: "Bouza da Pena"
Bouça da Pousada (Pt.)
Bouça das Almas (Pt.)
Bouça das Valas (Pt.)
Bouça da Telheira (Pt.)
Bouça de Cá (Pt.)
Bouça de Cima (Pt.)
Bouça de Rodas (Pt.)
Bouça do Couto (Pt.)
Bouça do Frade (Pt.)
Bouça do Gaiteiro (Gz.) - graf. altern.: "Bouza do Gaiteiro"
Bouça do Menino (Pt.)
Bouça do Monte (Pt.)
Bouça do Monte de Castro (Pt.)
Bouça do Ouro (Pt.)
Bouça dos Mortos (Pt.)
Bouça do Senhor (Pt.)
Bouça do Viso (Gz.) - graf. altern.: "Bouza do Viso"
Boucela (Pt.) - diminut. de "bouça"
Boucelha (Pt.) - diminut. de "bouça"
Bouça Fria (Gz.) - graf. altern.: "Bouza Fría"
Bouça Grande (Pt.)
Bouça-Mé (Pt.)
Bouça Nova (Pt.)
Bouça Rara (Gz.) - graf. altern. "Bouzarrara". é uma "bouça pouco espessa", "pouco cerrada"
Bouça Redonda (Pt. e Gz.) - graf altern.: "Bouza Redonda" e "Bouzarredonda"
Bouças de Abaixo (Gz.) - graf. altern.: "Bouzas de Abaixo"
Bouças Vedras (Gz.) - graf. altern.: "Bouzas Vedras"
Bouça Velha (Pt. e Gz.) - graf. altern.: "Bouza Vella" e "Bouzavella"
Bouças Velhas (Gz.) - graf. altern.: "Bouzas Vellas"
Bouçoa (Gz.) - graf. altern.: "Bouzoa". diminut. de "bouça"
Bouçó (Pt. e Gz.) - graf. altern.: Bouzó". diminut. de "bouça"
Bouçós (Pt. e Gz.) - graf. altern.: "Bouzós". diminut. plural de "bouça". o mesmo que "boucinhas"
Cã das Bouças (Pt.)
Campo das Bouças (Gz.) - graf. altern: "Campo das Bouzas"
Casa de Touça Boa (Pt.) - em Ribeira de Pena. Affonso Augusto Moreira dos Santos Penna, sexto presidente do Brasil, era filho de Domingos José Teixeira Penna, oriundo desta Casa
Casal da Toiça (Pt.)
Fonte da Bouça (Pt. e Gz.) - graf. altern.: "Fonte da Bouza"
Fonte da Touça (Pt.)
Lagoa da Toiça (Pt.)
Lama das Bouças (Gz.) - graf. altern.: "Lama das Bouzas"
Paço da Touça (Gz.) - graf. altern.: "Pazo da Touza"
Poça das Bouças (Gz.) - graf. altern: "Poza das Bouzas"
Quinta da Toiça (Pt.)
Rabo de Bouça (Gz.)
Regato da Bouça de Cristo (Gz.) - graf. altern.: "Regato da Bouza de Cristo"
Regato das Bouças (Gz.) - graf. altern.: "Regato das Bouzas"
Regato da Portela da Bouça (Gz.) - graf. altern.: "regato da Portela da Bouza"
Regueiro das Bouças (Gz.) - graf. altern.: "Regueiro das Bouzas"
Rio de Bouças (Gz.) - graf. altern.: "Rio de Bouzas"
Santo Amaro da Bouça (Pt.) - coexiste a alternativa "Santo Amaro da Boiça"
Tapada de Bouças (Gz.) - graf. altern.: "Tapada de Bouzas"
Touça (Pt. e Gz.) - graf. altern.: "Touza". em Portugal ver aqui
Touça da Velha (Gz.) - graf. altern.: "Touza da Vella"
Touça de Valbom (Gz.) - graf. altern.. "Touza de Valbón"
Touça do Carbalho (Gz.) - graf. altern.: "Touza do Carballo"
Touça do Castro (Gz.) - graf. altern.: "Touza do Castro"
Touça do Lobo (Gz.) - graf. altern.: "Touza do Lobo"
Touça Galinha (Mir.)
Touça Longa (Gz.) - graf. altern.: "Touza Longa"
Touça Nova (Gz.) - graf. altern.. "Touza Nova"
Touça Redonda (Gz.) - graf. altern.: "Touza Redonda"
Touças (Gz.) - graf. altern.: "Touzas"
Touça Velha (Gz.) - graf. altern.: "Touza Vella"
Tousa ou Touza (Tun.) - ???
domingo, 3 de fevereiro de 2008
cidade da Horta
embora situada na "ilha azul", assim chamada pela quantidade de hortênsias que bordejam as estradas e caminhos do Faial, a cidade da Horta não deverá o seu nome às hortênsias nem à fertilidade hortícola dos seus terrenos. por uma daquelas coincidências em que a Toponímia é fértil, o seu nome, ao que parece de origem antroponímica, acabou por lhe assentar que nem uma luva, ao ponto de o aportuguesamento do nome estrangeiro ter adquirido feição de substantivo. é a "Cidade da Horta" ou " a Horta".
o povoamento da ilha do Faial, onde a cidade se situa, iniciou-se em 1466 quando o flamengo Joss van Hürter, ou van Hurtere, nomeado donatário da ilha pelo Infante D. Fernando, ali chegou acompanhado de cerca de mil homens, à procura de minas de prata e estanho. tendo-se mostrado infrutífera a pesquisa do minério, os colonos passaram ao cultivo das terras férteis da ilha, produzindo trigo, pastel e um pigmento extraído de líquenes.
e do flamengo Joss van Hurtere adviria o nome "Cidade da Horta".
a vinda desses povoadores flamengos está também expressa na Toponímia faialense através da freguesia de Flamengos, no concelho da Horta.
de van Hürter descendem os "de Utra", mais tarde "Dutra", um sobrenome tipicamente açoriano.
o facto de o nome "Horta" assentar tão bem às características da cidade e da ilha tem feito com que permaneça alguma controvérsia sobre a origem do nome da cidade. há quem defenda que a origem do nome é "horta" e não "hürter" ou "hurtere". seja como for, "horta" e "hurtere" fazem uma coincidência feliz.
o povoamento da ilha do Faial, onde a cidade se situa, iniciou-se em 1466 quando o flamengo Joss van Hürter, ou van Hurtere, nomeado donatário da ilha pelo Infante D. Fernando, ali chegou acompanhado de cerca de mil homens, à procura de minas de prata e estanho. tendo-se mostrado infrutífera a pesquisa do minério, os colonos passaram ao cultivo das terras férteis da ilha, produzindo trigo, pastel e um pigmento extraído de líquenes.
e do flamengo Joss van Hurtere adviria o nome "Cidade da Horta".
a vinda desses povoadores flamengos está também expressa na Toponímia faialense através da freguesia de Flamengos, no concelho da Horta.
de van Hürter descendem os "de Utra", mais tarde "Dutra", um sobrenome tipicamente açoriano.
o facto de o nome "Horta" assentar tão bem às características da cidade e da ilha tem feito com que permaneça alguma controvérsia sobre a origem do nome da cidade. há quem defenda que a origem do nome é "horta" e não "hürter" ou "hurtere". seja como for, "horta" e "hurtere" fazem uma coincidência feliz.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
álamos, choupos, faias e amieiros
do género Populus, o choupo, pópulo ou álamo, lamagueiro ou lamigueiro, pertence à família das Salicaceae, como o salgueiro. mas é uma árvore monóica, isto é, a mesma árvore tem flores masculinas e femininas.
na Antiguidade, o choupo era a porta de entrada no Reino dos Mortos. árvore consagrada a Héracles, ou Hércules, que simboliza a vitória do Homem sobre as suas fraquezas. sempre que Héracles descia aos Infernos, levava uma coroa de raminhos de choupo. árvore ligada ao mundo dos Infernos ou dos mortos, está associada ao sacrifício, à dor, às lágrimas, às recordações e ao passado.
Napoleão introduziu o choupo negro em França, no ano de 1745, e mandou plantá-lo ao longo das estradas francesas, a fim de evitar que as suas tropas marchassem sob a torreira do sol, no verão, e pudessem orientar-se melhor nos nevões do inverno.
destacam-se as espécies:
populus alba - choupo branco, alvar, faia branca ou amieiro
populus nigra - choupo negro ou olmo negro
populus canescens - choupo cinzento ou álamo cinzento
populus tremula - choupo tremedor ou faia preta
os termos "amieiro" e "faia" aqui utilizados prestam-se a confusão com o verdadeiro amieiro (alnus glutinosa) e a verdadeira faia (género fagus). para ajudar à dificuldade, tamém o olmo ou ulmeiro (ulmus glabra) pode ter o nome de "lamagueiro" ou "lamigueiro", tal como o choupo. como já vimos, é frequente a sobreposição de designações das espécies arbóreas, sobretudo na fala popular. mas esta é que decide o destino dos topónimos.
Alameda - frequente na toponímia urbana. indica um corredor de árvores, nem sempre de álamos
Álamo
Álamos
Álamos Bravos
Alvares
Ameal (Pt. e Gz.)
Amiais
Amial (Pt. e Gz.)
Amial de Baixo
Amiar - ?
Amieira
Amieirinho
Amieiro
Amieirões
Amiosa
Amioso
Amioso Cimeiro
Amioso do Senhor
Amioso Fundeiro
na Antiguidade, o choupo era a porta de entrada no Reino dos Mortos. árvore consagrada a Héracles, ou Hércules, que simboliza a vitória do Homem sobre as suas fraquezas. sempre que Héracles descia aos Infernos, levava uma coroa de raminhos de choupo. árvore ligada ao mundo dos Infernos ou dos mortos, está associada ao sacrifício, à dor, às lágrimas, às recordações e ao passado.
Napoleão introduziu o choupo negro em França, no ano de 1745, e mandou plantá-lo ao longo das estradas francesas, a fim de evitar que as suas tropas marchassem sob a torreira do sol, no verão, e pudessem orientar-se melhor nos nevões do inverno.
destacam-se as espécies:
populus alba - choupo branco, alvar, faia branca ou amieiro
populus nigra - choupo negro ou olmo negro
populus canescens - choupo cinzento ou álamo cinzento
populus tremula - choupo tremedor ou faia preta
os termos "amieiro" e "faia" aqui utilizados prestam-se a confusão com o verdadeiro amieiro (alnus glutinosa) e a verdadeira faia (género fagus). para ajudar à dificuldade, tamém o olmo ou ulmeiro (ulmus glabra) pode ter o nome de "lamagueiro" ou "lamigueiro", tal como o choupo. como já vimos, é frequente a sobreposição de designações das espécies arbóreas, sobretudo na fala popular. mas esta é que decide o destino dos topónimos.
Alameda - frequente na toponímia urbana. indica um corredor de árvores, nem sempre de álamos
Álamo
Álamos
Álamos Bravos
Alvares
Ameal (Pt. e Gz.)
Amiais
Amial (Pt. e Gz.)
Amial de Baixo
Amiar - ?
Amieira
Amieirinho
Amieiro
Amieirões
Amiosa
Amioso
Amioso Cimeiro
Amioso do Senhor
Amioso Fundeiro
Campo dos Amieiros (Gz.) - ver Comentºs
Choupal
Choupalinho
Choupos
Convento do Pópulo - em Braga, o seu nome deriva do hagiónimo Santa Maria del Popolo, na Piazza del Popolo (aparentemente: "Praça do Povo"), em Roma.
à primeira vista, pois, sem qualquer relação com "choupo".
o curioso é que, segundo a lenda, a Igreja romana de Santa Maria del Popolo teria sido construída onde antes havia uma nogueira habitada pelo fantasma do Imperador Nero, que tinha morrido naquele lugar. o Papa Pascoal II mandou derrubar a árvore, queimá-la e jogar as cinzas no Rio Tibre. e no local mandou erigir uma capela, que o Papa Gregório IX fez depois substituir pela actual igreja de Santa Maria del Popolo. demasiado trabalho, sem dúvida, para tão mau sítio.
esta lenda, com passos incompreensíveis à interpretação literal, parece esconder a substituição de um poderoso culto da árvore (choupo?) por uma árvore de mau agoiro (nogueira) e, posteriormente, por um culto cristianizado. o trocadilho "choupo"-"povo" (popolo) ajudaria a esconder o culto primitivo.
de qualquer modo, existe uma versão mais "piedosa" da fundação da igreja de Santa Maria del Popolo, segundo a qual a população de Roma (il popolo) a teria construído às sua próprias custas, em acção de graças pela intervenção da Virgem del Popolo na tomada do Santo Sepulcro, na Terra Santa.
esta versão, porém, tem os seus quês: ao chamar a atenção para o Mediterrâneo Oriental (a Terra Santa), lembra-nos que a nogueira tinha sido trazida do Mediterrâneo Oriental para a Europa pelos exércitos dos imperadores romanos. isto é, uma árvore que, de certo modo, veio usurpar o lugar de outras.
da relação nogueira-choupo fala o refrão galego: "cravos da nogueira dán cagaleira; os de choupo, boa xeira".
Faial
Fonte do Choupo
Foz do Amieirinho
Foz do Amieiro
Lamigueiro Novo (Gz.) - ver "Lodeiro"
Lodeiro (Pt. e Gz.) - creio que os topónimos com este nome, tal como acontece com "Lamagueiro" e "Lamigueiro", se referem à árvore e não ao lodo ou à lama. certo é que os choupos têm os nomes de "lamagueiro" e "lodeiro" por gostarem de terrenos úmidos.
Lodeiro de Baixo
Lodeiro de Cima
Lodões
Nossa Senhora do Pópulo - nas Caldas da Rainha. ver "Convento do Pópulo"
O Lodeiro (Gz.)
Paplemont (CH, Fr.)
Pible, Puble, Publet, Publey, Publiet,. Publo, Publoz, Publy (Fr.) - todos estes topónimos franceses se referem ao populus ou choupo
Poplar (Ing., EUA)
Poplar Bluff (EUA)
Pópulo
Praia do Pópulo (Aç.)
Ribeiro do Ameal (Gz.)
Rua do Lamigueiro (Gz.)
Trémoulède (Fr.) - de populus tremula, ou choupo tremedor
Vale de Choupos
Villers le Peuplier (Be.)
Volta dos Choupos
Choupal
Choupalinho
Choupos
Convento do Pópulo - em Braga, o seu nome deriva do hagiónimo Santa Maria del Popolo, na Piazza del Popolo (aparentemente: "Praça do Povo"), em Roma.
à primeira vista, pois, sem qualquer relação com "choupo".
o curioso é que, segundo a lenda, a Igreja romana de Santa Maria del Popolo teria sido construída onde antes havia uma nogueira habitada pelo fantasma do Imperador Nero, que tinha morrido naquele lugar. o Papa Pascoal II mandou derrubar a árvore, queimá-la e jogar as cinzas no Rio Tibre. e no local mandou erigir uma capela, que o Papa Gregório IX fez depois substituir pela actual igreja de Santa Maria del Popolo. demasiado trabalho, sem dúvida, para tão mau sítio.
esta lenda, com passos incompreensíveis à interpretação literal, parece esconder a substituição de um poderoso culto da árvore (choupo?) por uma árvore de mau agoiro (nogueira) e, posteriormente, por um culto cristianizado. o trocadilho "choupo"-"povo" (popolo) ajudaria a esconder o culto primitivo.
de qualquer modo, existe uma versão mais "piedosa" da fundação da igreja de Santa Maria del Popolo, segundo a qual a população de Roma (il popolo) a teria construído às sua próprias custas, em acção de graças pela intervenção da Virgem del Popolo na tomada do Santo Sepulcro, na Terra Santa.
esta versão, porém, tem os seus quês: ao chamar a atenção para o Mediterrâneo Oriental (a Terra Santa), lembra-nos que a nogueira tinha sido trazida do Mediterrâneo Oriental para a Europa pelos exércitos dos imperadores romanos. isto é, uma árvore que, de certo modo, veio usurpar o lugar de outras.
da relação nogueira-choupo fala o refrão galego: "cravos da nogueira dán cagaleira; os de choupo, boa xeira".
Faial
Fonte do Choupo
Foz do Amieirinho
Foz do Amieiro
Lamigueiro Novo (Gz.) - ver "Lodeiro"
Lodeiro (Pt. e Gz.) - creio que os topónimos com este nome, tal como acontece com "Lamagueiro" e "Lamigueiro", se referem à árvore e não ao lodo ou à lama. certo é que os choupos têm os nomes de "lamagueiro" e "lodeiro" por gostarem de terrenos úmidos.
Lodeiro de Baixo
Lodeiro de Cima
Lodões
Nossa Senhora do Pópulo - nas Caldas da Rainha. ver "Convento do Pópulo"
O Lodeiro (Gz.)
Paplemont (CH, Fr.)
Pible, Puble, Publet, Publey, Publiet,. Publo, Publoz, Publy (Fr.) - todos estes topónimos franceses se referem ao populus ou choupo
Poplar (Ing., EUA)
Poplar Bluff (EUA)
Pópulo
Praia do Pópulo (Aç.)
Ribeiro do Ameal (Gz.)
Rua do Lamigueiro (Gz.)
Trémoulède (Fr.) - de populus tremula, ou choupo tremedor
Vale de Choupos
Villers le Peuplier (Be.)
Volta dos Choupos
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
salgueiros, salzes, sazes, seices e vimieiros
"salgueiro" é o nome comum de centenas de espécies do género salix. tal como os teixos, estas árvores são dióicas e já existiam na Era Terciária. por dióicas entende-se que a sua morfologia e características se diferenciam em função do sexo. a palavra salix parece ser de origem céltica, indiciando a ideia de "junto d' água".
há diversas variedades e nomes de "salgueiros" e a hibridação espontânea ou induzida é bastante frequente entre as espécies. por isso, será melhor reunir o conjunto e tentar estabelecer as diferenças de significado caso a caso, se as houver. um dos nomes alternantes é "sazes" ("sazeiros"), outro é "vimeiro" ou "vimieiro" e outro, ainda, é "seiceira" (de "seiça" ou "seice", isto é, salix ou "salgueiro").
o vime, das varas moles e flexíveis do vimieiro, é um material tão antigo quanto nos é possível recuar no tempo e tem servido para fins artesanais, como cestaria variada e mobiliário.
há milhares de anos que o ser humano se deu conta das propriedades tóxicas e terapêuticas do salgueiro, ou salix. no Egipto, na Mesopotâmia e na Grécia Antiga eram conhecidas e anotadas a escrito as propriedades analgésicas, antipiréticas e anti-inflamatórias do extracto ácido da folha da salix alba. outro tanto acontecia já na América pré-colombiana.
sabemos isso por relatos escritos ou, no caso dos ameríndios, por convivência directa. mas escrita não é o mesmo que datação, pelo que se pode presumir tratar-se, muitas vezes, de uma recolha e sistematização de um saber muito mais antigo, transmitido de geração em geração.
em 1899, a fábrica química alemã Bayer isolou e industrializou o princípio activo do extracto ácido da folha de salix, com a designação química de ácido acetilsalicílico e o nome comercial Aspirina, medicamento que tem resistido ao desgaste do tempo e da concorrência farmacêutica, dada a versatilidade das suas indicações terapêuticas e ao tipo de patologias hoje dominantes.
é uma das árvores-símbolo, não só pelos seus efeitos maléfico-terapêuticos mas também pela facilidade com que pega de estaca, quer na posição normal quer invertida.
Arneiro de Sazes
Asseiceira - ver Comentº de Gundibaldo
Asseiceirinha - ver Comentº de Gundibaldo
Assinceira - ver Comentº de Gundibaldo
Bairro da Salgueira (Gz.) - em Vigo
Borrazeiro - ver Comentº de Gundibaldo
Borrazeiros - ver Comentº de Gundibaldo
Casal do Salgueiral
Casal do Salgueiro
Herdade da Sarrazola
Herdade do Borrazeiro
Illa dels Salzes (Cat.)
Les Salces (Fr.)
Monte da Salgueira (Gz.)
Monte Salgado (Gz.) - ver Comentº de Miguel
O Salgueiral (Gz.)
O Salgueiro (Gz.)
Ponta Salgueira (Gz.)
Praia da Salgueira
Praia do Salgado
Quinta da Aborraceira - está por "Quinta da Borraceira" ou "Q. da Borrazeira"
Quinta da Sarrazola
Quinta do Ribeiro do Salgueiro
Quinta do Salgueiro
Regato da Salgueirinha (Gz.) - graf. altern. (Gz.): "Regato da Salgueiriña"
Ribeira de Sarrazola
Ribeira do Salgueiral
Ribeira do Salgueiro
Rua do Salgueiral
Rua dos Sazes
Saiçal - ver Comentº de Gundibaldo
Saiçais - ver Comentº de Gundibaldo
Salces - topónimo da Cantábria (Es.)
Salgado (Gz.) - ver Comentº de Miguel
Salgados (Gz.) - ver Comentº de Miguel
Salgosa - ver Comentº de Gundibaldo
Salgueira
Salgueira de Baixo
Salgueira de Cima
Salgueira do Meio
Salgueirais - ver Comentº de Gundibaldo
Salgueiral (Pt. e Gz.)
Salgueiral de Baixo
Salgueiral de Cima
Salgueiras - ver Comentº de Gundibaldo
Salgueiredo (Gz.)
Salgueirinha (Pt. e Gz.) - graf. altern. (Gz.): "Salgueiriña"
Salgueirinhas
Salgueirinho (Pt. e Gz.) - graf. altern. (Gz.): "Salgueiriño"
Salgueiro do Campo
Salgueirinhos (Pt. e Gz.) - graf. altern. (Gz.): "Salgueiriños"
Salgueiro (Pt., Gz. e Br.)
Salgueiro da Lomba
Salgueiro da Ribeira
Salgueiro do Campo
Salgueiros (Pt. e Gz.)
Salzeda
Salzedas
Sarrazola - ? - Gundibaldo e eu conhecemos ambos este site
Sarzeda
Sarzedas
Sarzedela - diminut. de "Sarzeda"
Sarzedelo - diminut. de "Sarzedo"
Sarzedinha - ver Comentº de Gundibaldo
Sarzedinho
Sarzedo
Sazeda
Sazes - "sazes" é o mesmo que "sazeiros" (pronúnc. "sàzeiros"), árvores da espécie salix salifolia, ou borrazeira-branca. ver "Borrazeiro" e "Borrazeiros"
Sazes da Beira
Sazes de Lorvão
Seiça - ver Comentº de Gundibaldo
Seiçal - ver Comentº de Gundibaldo. a propósito: "Seixal" - de "seixo" ou de "seiça"? pelo menos no caso de Porto Moniz (Md.), "Seixal" está por "Seiçal"- ver aqui
Seição - ver Comentº de Gundibaldo
Seiceiro - ver Comentº de Gundibaldo
Seixal - ver "Seiçal"
Serrazola - ver "Sarrazola"
Vale Salgueiro
Vime - ver Comentº de Gundibaldo
Vimeiro
Vimeiró - diminut. de "Vimeira". ver Comentº de Gundibaldo
Vimes - ver Comentº de Gundibaldo
Vimial
Vimianço (Gz.) - graf. altern. "Vimianzo"
Vimieira
Vimieiro (Pt. e Gz.)
Vimiers (Fr.)
Vimioso
Volta do Salgueiral - em Coimbra
sábado, 26 de janeiro de 2008
teixeira, teixoso, teixugueira
já em 1947 Miguel Torga escrevia (Diário IV, novembro): "andei há tempos várias léguas para ver um teixo, que é uma árvore que os botânicos dizem que vai acabar."
uma conífera já detectável no Jurássico, a taxus baccata ou teixo é uma espécie em vias de extinção pela mão do homem, ora retaliando pelas intoxicações mortíferas que o teixo foi causando no gado ao longo da História, ora caçando as aves que disseminavam as suas bagas vermelhas. o que fez com que o teixo fosse ficando confinado a territórios cada vez mais reduzidos. em Portugal, está praticamente limitado, hoje em dia, a certas zonas das serras do Gerês e da Estrela, em locais abrigados até 1500 metros de altitude, e às Ilhas da Madeira e São Miguel. calcula-se que haja no Gerês português cerca de 8000 exemplares e cerca de 500 na Serra da Estrela. na Serra de Montesinho o teixo sofreu extinção recente.
a taxina, substância alcalóide presente em tudo o que é verde no teixo, é a responsável por aquela mortandade. mas, como quase tudo o que é veneno é também remédio, a taxina tem sido referenciada como uma possível substância terapêutica, sobretudo um dos seu componentes, o taxol, que lhe tem valido alguma atenção por parte da Indústria Farmacêutica.
árvore de pequeno-médio porte, mas podendo atingir 10, 15 ou mesmo 20 e até 25 metros de altura, o teixo goza de uma longevidade proverbial, de uma verdura perene e de uma enorme resistência a secas, fogos e pragas. isso tornava-a uma árvore sagrada para os celtas e um símbolo da imortalidade, da ressureição ritual, da sabedoria e da inteligência. segundo uma lenda, a cruz onde foi executada a sentença de Jesus Cristo era feita de teixo, o que a torna num instrumento simbólico da ressurreição e imortalidade do Filho de Deus. ainda hoje é a árvore dos cemitérios, em alguns países nórdicos. os druidas usavam a madeira de teixo para nela gravarem os seus escritos ogâmicos.
diz-se que no Monte Medulio as mães galegas, à vista das legiões romanas, envenenaram os seus filhos com brotos e raízes de freixo para que não ficassem sob o jugo de Roma. daí que o freixo possa ser considerado tamém um símbolo da Galiza. como, porém, o Monte Medulio tem sido localizado próximo do Rio Minho, ora no Monte de S. Julião, perto de Tui, ora na Serra d'Arga, próximo de Viana do Castelo, o seu simbolismo é comum a toda a Grande Galiza.
o teixo pode atingir uma longevidade que ronda os 1500 e mesmo 3000 anos. em Portugal há alguns teixos classificados como de Interesse Público: o de Tranguinha, em Santa Maria, Bragança, com cerca de 700 anos; o da Quinta do Senhor da Serra, Belas, Sintra, com cerca de 200 anos; e o da Quinta de S. João, Teixoso, Covilhã.
quanto aos topónimos "Teixuga" e derivados, eles derivam de "teixugo" ou "texugo" e não de "teixo" (ver Comentº de Miguel).
A Teixeira (Gz.) . ver "Teixeira"
Quinta de Teixedas
uma conífera já detectável no Jurássico, a taxus baccata ou teixo é uma espécie em vias de extinção pela mão do homem, ora retaliando pelas intoxicações mortíferas que o teixo foi causando no gado ao longo da História, ora caçando as aves que disseminavam as suas bagas vermelhas. o que fez com que o teixo fosse ficando confinado a territórios cada vez mais reduzidos. em Portugal, está praticamente limitado, hoje em dia, a certas zonas das serras do Gerês e da Estrela, em locais abrigados até 1500 metros de altitude, e às Ilhas da Madeira e São Miguel. calcula-se que haja no Gerês português cerca de 8000 exemplares e cerca de 500 na Serra da Estrela. na Serra de Montesinho o teixo sofreu extinção recente.
a taxina, substância alcalóide presente em tudo o que é verde no teixo, é a responsável por aquela mortandade. mas, como quase tudo o que é veneno é também remédio, a taxina tem sido referenciada como uma possível substância terapêutica, sobretudo um dos seu componentes, o taxol, que lhe tem valido alguma atenção por parte da Indústria Farmacêutica.
árvore de pequeno-médio porte, mas podendo atingir 10, 15 ou mesmo 20 e até 25 metros de altura, o teixo goza de uma longevidade proverbial, de uma verdura perene e de uma enorme resistência a secas, fogos e pragas. isso tornava-a uma árvore sagrada para os celtas e um símbolo da imortalidade, da ressureição ritual, da sabedoria e da inteligência. segundo uma lenda, a cruz onde foi executada a sentença de Jesus Cristo era feita de teixo, o que a torna num instrumento simbólico da ressurreição e imortalidade do Filho de Deus. ainda hoje é a árvore dos cemitérios, em alguns países nórdicos. os druidas usavam a madeira de teixo para nela gravarem os seus escritos ogâmicos.
diz-se que no Monte Medulio as mães galegas, à vista das legiões romanas, envenenaram os seus filhos com brotos e raízes de freixo para que não ficassem sob o jugo de Roma. daí que o freixo possa ser considerado tamém um símbolo da Galiza. como, porém, o Monte Medulio tem sido localizado próximo do Rio Minho, ora no Monte de S. Julião, perto de Tui, ora na Serra d'Arga, próximo de Viana do Castelo, o seu simbolismo é comum a toda a Grande Galiza.
o teixo pode atingir uma longevidade que ronda os 1500 e mesmo 3000 anos. em Portugal há alguns teixos classificados como de Interesse Público: o de Tranguinha, em Santa Maria, Bragança, com cerca de 700 anos; o da Quinta do Senhor da Serra, Belas, Sintra, com cerca de 200 anos; e o da Quinta de S. João, Teixoso, Covilhã.
quanto aos topónimos "Teixuga" e derivados, eles derivam de "teixugo" ou "texugo" e não de "teixo" (ver Comentº de Miguel).
A Teixeira (Gz.) . ver "Teixeira"
Quinta de Teixedas
Taxeira - ver Comentº de Gundibaldo
Teixe - ? - ver Comentº de Gundibaldo
Teixeda (Gz.)
Teixedelos (Gz.) - diminut. plur. de "Teixedo"
Teixeda (Gz.)
Teixedelos (Gz.) - diminut. plur. de "Teixedo"
Teixedo
Teixeira (Pt. e Gz.) - ou "bosque de teixos" (selvagens, não plantados)
Teixeira de Abaixo (Gz.)
Teixeira de Arriba (Gz.)
Teixeira de Baixo
Teixeira de Cima
Teixeiras (Pt. e Br.)
Teixeiro (Pt. e Gz.)
Teixeiró - diminut. medieval de "Teixeira"
Teixelo - diminut. de "Teixo"
Teixidelos (Gz.)
Teixido (Gz.)
Teixieirinha - ver Comentº de Gundibaldo
Teixinho - diminut. de "Teixo"
Teixeira (Pt. e Gz.) - ou "bosque de teixos" (selvagens, não plantados)
Teixeira de Abaixo (Gz.)
Teixeira de Arriba (Gz.)
Teixeira de Baixo
Teixeira de Cima
Teixeiras (Pt. e Br.)
Teixeiro (Pt. e Gz.)
Teixeiró - diminut. medieval de "Teixeira"
Teixelo - diminut. de "Teixo"
Teixidelos (Gz.)
Teixido (Gz.)
Teixieirinha - ver Comentº de Gundibaldo
Teixinho - diminut. de "Teixo"
Teixo
Teixoeira (Pt. e Gz.)
Teixogueira - ver Comentº de Miguel. é derivado de "teixugo", "texugo", não de "teixo". no entanto, quer em "Teixogueira" quer em "Teixogueiras", o "o" em lugar de "u" levanta algumas dificuldades. será mera disgrafia?
Teixogueiras - ver "Teixogueira"
Teixoso
Teixuga - ver "Teixogueira"
Teixugueira (Pt. e Gz.) - ver "Teixogueira"
Teixugueiras - ver "Teixogueira". a descrição feita por Miguel, nos Comentários, é brilhante.
Teixoeira (Pt. e Gz.)
Teixogueira - ver Comentº de Miguel. é derivado de "teixugo", "texugo", não de "teixo". no entanto, quer em "Teixogueira" quer em "Teixogueiras", o "o" em lugar de "u" levanta algumas dificuldades. será mera disgrafia?
Teixogueiras - ver "Teixogueira"
Teixoso
Teixuga - ver "Teixogueira"
Teixugueira (Pt. e Gz.) - ver "Teixogueira"
Teixugueiras - ver "Teixogueira". a descrição feita por Miguel, nos Comentários, é brilhante.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
carrascal, carrasqueira, carrascoso
"carrasco" é uma variedade de "carvalho". a palavra é pré-latina, indiciando o carácter nativo desta espécie de quercus, que se desenvolve entre formas arbustivas e a árvore. este grupo de fitotopónimos encontra-se por toda a Península Ibérica (ver Comentºs.).
as variedades de quercus que importam para a Fitotoponímia incluem:
- a quercus coccifera, carrasco galego ou verdadeiro carrasco;
- a quercus faginea, carvalho português ou carvalho cerquinho;
- a quercus pyrenaica, ou carvalho pardo;
- a quercus robur, carvalho comum, albarinho ou roble;
- a quercus rotundifolia, azinheira, azinho, carrasca ou sardão;
- a quercus suber, chaparro, sobreiro ou sobro.
cada uma destas variedades ou espécies dá o mote para o respectivo grupo de fitotopónimos. no entanto, topónimos como "Sobreira" ou "Carvalho" merecem a nossa atenção, pois raramente ou nunca se referem a aspectos da flora. ver aqui.
de notar a alternância ç /k em cerquinho, cerqueira, quercus.
exemplos de topónimos derivados de Carrasco:
A Carrasqueira (Gz.)
Azenha da Carrasca
Carrascal (Pt. e Gz.)
Carrascal de Alvide
Carrasqueira (Pt. e Gz.)
Carrasquinho
Carrascos
Carrascoso
Carrasqueira
Fonte da Carrasca
Monte Carrascalão
O Carrascal (Gz.)
Quinta da Carrasca
Rua do Carrasquinho
Vale da Carrasqueira
as variedades de quercus que importam para a Fitotoponímia incluem:
- a quercus coccifera, carrasco galego ou verdadeiro carrasco;
- a quercus faginea, carvalho português ou carvalho cerquinho;
- a quercus pyrenaica, ou carvalho pardo;
- a quercus robur, carvalho comum, albarinho ou roble;
- a quercus rotundifolia, azinheira, azinho, carrasca ou sardão;
- a quercus suber, chaparro, sobreiro ou sobro.
cada uma destas variedades ou espécies dá o mote para o respectivo grupo de fitotopónimos. no entanto, topónimos como "Sobreira" ou "Carvalho" merecem a nossa atenção, pois raramente ou nunca se referem a aspectos da flora. ver aqui.
de notar a alternância ç /k em cerquinho, cerqueira, quercus.
exemplos de topónimos derivados de Carrasco:
A Carrasqueira (Gz.)
Azenha da Carrasca
Carrascal (Pt. e Gz.)
Carrascal de Alvide
Carrasqueira (Pt. e Gz.)
Carrasquinho
Carrascos
Carrascoso
Carrasqueira
Fonte da Carrasca
Monte Carrascalão
O Carrascal (Gz.)
Quinta da Carrasca
Rua do Carrasquinho
Vale da Carrasqueira
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
juncal, junceira, junqueira
estes fitotopónimos tiram o nome do junco, uma planta gramínea própria de terrenos alagadiços ou pantanosos. já atrás falei do caso particular do bunho e topónimos correlativos.
o junco serve para fazer um montão de coisas, desde esteiras a barcos.
A Xunqueira (Gz.)
Juncais
Juncal
Junceira
Junco
Junqueira (Pt. e Gz.) - graf. altern. Xunqueira
Vale de Juncos
Vale Junco
Xunqueira de Ambía (Gz.)
Xunqueira de Espadanedo (Gz.)
o junco serve para fazer um montão de coisas, desde esteiras a barcos.
A Xunqueira (Gz.)
Juncais
Juncal
Junceira
Junco
Junqueira (Pt. e Gz.) - graf. altern. Xunqueira
Vale de Juncos
Vale Junco
Xunqueira de Ambía (Gz.)
Xunqueira de Espadanedo (Gz.)
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
azevo, azivo, azevedo
o "azevo" ou "azevinho", do lat. acifolium ("folha acerada", "folha que pica", "folha espinhosa"), deu o mote a fitotopónimos que se encontram por toda a Península Ibérica.
é possível que os topónimos espanhóis "Quevedo" e "Queveda" tenham esta mesma origem, dada a alternância frequente entre ç e k, como Junceira / Junqueira.
em euskera, gorosti (azevo) deu topónimos como Gorostiaga (lugar onde abundam os azevos, azevedo) e Gorostiza
Acebedo do Rio (Gz.)
Acebeiro (Gz.)
Acivro - ver Comentº de Calidónia
Azeval - ver Comentº de Gundibaldo
Azevedinho - ver Comentº de Gundibaldo. diminut. de "Azevedo"
Azevedo (Pt. e Gz.) - graf. altern. "Acevedo". o mesmo que "azevinhal", "lugar onde há muitos azevinhos"
Azeveiro
Azevinhal
Azevinheiro - ver Comentº de Gundibaldo
Azevinho
Azevinhos
Azevo
Azevoso
Azibo - ver Comentº de Gundibaldo
Azival - "lugar onde abundam os azevinhos"
Aziveiro - "lugar onde abundam os azevinhos"
Azivo
Azivoso
Cebreiros (Gz.)
Cibeira - ver Comentº de Calidonia
Foro de Cebreiros (Gz.)
O Cebreiro (Gz.)
Ribeira de Azibo
Zibreira
Zebreiro - ver Comentº de Gundibaldo
Zebreiros (Pt. e Gz.) - graf. altern. "Cebreiros"
Zebros - ver Comentº de Gundibaldo
Zebro de Baixo
Zebro de Cima
Zibreiros - ver Comentº de Gundibaldo
é possível que os topónimos espanhóis "Quevedo" e "Queveda" tenham esta mesma origem, dada a alternância frequente entre ç e k, como Junceira / Junqueira.
em euskera, gorosti (azevo) deu topónimos como Gorostiaga (lugar onde abundam os azevos, azevedo) e Gorostiza
Acebedo do Rio (Gz.)
Acebeiro (Gz.)
Acivro - ver Comentº de Calidónia
Azeval - ver Comentº de Gundibaldo
Azevedinho - ver Comentº de Gundibaldo. diminut. de "Azevedo"
Azevedo (Pt. e Gz.) - graf. altern. "Acevedo". o mesmo que "azevinhal", "lugar onde há muitos azevinhos"
Azeveiro
Azevinhal
Azevinheiro - ver Comentº de Gundibaldo
Azevinho
Azevinhos
Azevo
Azevoso
Azibo - ver Comentº de Gundibaldo
Azival - "lugar onde abundam os azevinhos"
Aziveiro - "lugar onde abundam os azevinhos"
Azivo
Azivoso
Cebreiros (Gz.)
Cibeira - ver Comentº de Calidonia
Foro de Cebreiros (Gz.)
O Cebreiro (Gz.)
Ribeira de Azibo
Zibreira
Zebreiro - ver Comentº de Gundibaldo
Zebreiros (Pt. e Gz.) - graf. altern. "Cebreiros"
Zebros - ver Comentº de Gundibaldo
Zebro de Baixo
Zebro de Cima
Zibreiros - ver Comentº de Gundibaldo
bunho, bunhosa
outro grupo de fitotopónimos é o que deriva de "bunho", uma planta afim do junco que se dá em lugares úmidos e alagadiços, como paúis, pântanos e lagoas . usa-se para fabricar móveis de junco e esteiras e também para resguardar da chuva as medas de sal nas marinhas.
Bunhal
Bunheira - lugar onde abunda o bunho
Bunheirinha
Bunheiro
Bunho (Pt. e Gz.) - graf. altern. "Buño"
Bunho da Costa (Gz.) - graf. altern. "Buño da Costa"
Bunhosa - lugar onde abunda o bunho
Casais da Bunhosa
Gândara da Bunhosa
Vale de Bunho
Bunhal
Bunheira - lugar onde abunda o bunho
Bunheirinha
Bunheiro
Bunho (Pt. e Gz.) - graf. altern. "Buño"
Bunho da Costa (Gz.) - graf. altern. "Buño da Costa"
Bunhosa - lugar onde abunda o bunho
Casais da Bunhosa
Gândara da Bunhosa
Vale de Bunho
mata, matança, mateira, matinha, mato
este é um grupo de fitónimos inespecíficos, referente à abundância de "mato". como parece evidente, o nome de muitos destes topónimos, que implica a ideia de "espessa vegetação silvestre", terá sido posto antes desses lugares se tornarem habitados. noutros casos, a "mata", ou "matagal", continua lá.
as palavras "mata" e "mato" são pré-latinas, de língua ainda não esclarecida, e aparecem por toda a Península Ibérica.
Casal do Mato
Casal do Mato Grande
Córrego da Matinha (Br.)
Herdade da Matinhaas palavras "mata" e "mato" são pré-latinas, de língua ainda não esclarecida, e aparecem por toda a Península Ibérica.
Casal do Mato
Casal do Mato Grande
Córrego da Matinha (Br.)
Herdade da Matosa
Madeira - por "Mateira", "mata grande", "matagal". a Ilha da Madeira deve o nome à mata cerrada de arvoredo que cobria a ilha quando foi descoberta.
Malhada da Matosa
Mata (Pt. e Gz.)
Mata do Bispo
Mata do Urso
Matadussos - de "Mata de Ursos"
Matagosa
Matagosinha
Mata Mourisca
Matança (Pt. e Gz.) - graf. altern. "Matanza". refere-se ao subst. "mata" e não ao verbo "matar"
Matancinha - diminut. de "Matança"
Mataria
Mataró (Cat.)
Mateira (Br.) - ver "Madeira"
Matela (Pt. e Gz.)
Matelo - diminut. de "Mato"
Matelinho - duplo diminut. de "Mato"
Matilla (Le) - diminut. de "Mata". é o equivalente de "Matela"
Matinha (Pt. e Br.) - diminut. de "Mata"
Matinhas
Mato (Pt. e Gz.)
Matões (Br.)
Mato Grosso (Br.)
Matos
Matosa (Pt. e Gz.)
Matoseira
Matosela - diminut. de "Matosa"
Matosinhos - uma forma antiga do topónimo era Matesinus, o que exclui a sua relação com "mato" ou com um diminutivo de "Matosos".
Matosos
Matoutinho
Matouto
Mato Velho
Matozinhos (Br.) - transposição de topónimo português. ver "Matosinhos"
Matulos - ?
Matum - ?
Matusinhos (Gz.) - graf. altern. "Matusiños". ver "Matosinhos"
Monte da Matosa
Quinta da Matosa
Ribeirão da Mateira (Br.)
Rua da Matinha
Rua de Matadussos
São João da Madeira - antes chamada "de Mateira"
Travessa de Matadussos
Vila do Mato
Vilar de Matos
Vil de Matos
Malhada da Matosa
Mata (Pt. e Gz.)
Mata do Bispo
Mata do Urso
Matadussos - de "Mata de Ursos"
Matagosa
Matagosinha
Mata Mourisca
Matança (Pt. e Gz.) - graf. altern. "Matanza". refere-se ao subst. "mata" e não ao verbo "matar"
Matancinha - diminut. de "Matança"
Mataria
Mataró (Cat.)
Mateira (Br.) - ver "Madeira"
Matela (Pt. e Gz.)
Matelo - diminut. de "Mato"
Matelinho - duplo diminut. de "Mato"
Matilla (Le) - diminut. de "Mata". é o equivalente de "Matela"
Matinha (Pt. e Br.) - diminut. de "Mata"
Matinhas
Mato (Pt. e Gz.)
Matões (Br.)
Mato Grosso (Br.)
Matos
Matosa (Pt. e Gz.)
Matoseira
Matosela - diminut. de "Matosa"
Matosinhos - uma forma antiga do topónimo era Matesinus, o que exclui a sua relação com "mato" ou com um diminutivo de "Matosos".
Matosos
Matoutinho
Matouto
Mato Velho
Matozinhos (Br.) - transposição de topónimo português. ver "Matosinhos"
Matulos - ?
Matum - ?
Matusinhos (Gz.) - graf. altern. "Matusiños". ver "Matosinhos"
Monte da Matosa
Quinta da Matosa
Ribeirão da Mateira (Br.)
Rua da Matinha
Rua de Matadussos
São João da Madeira - antes chamada "de Mateira"
Travessa de Matadussos
Vila do Mato
Vilar de Matos
Vil de Matos
sábado, 19 de janeiro de 2008
falacho, faleital, faleto, fetal, feteira
este é um outro grupo de fitotopónimos que se refere à abundância de fetos.
do lat. filix/filictu resultaram variadas formas evolutivas, tais como, entre outras, as variantes dialectais "feto", "feito", "fento", "fieito", "falga", "felga", "filga", "folga", "faleto", "faleito", "falacho", "felecho", "helecho".
como há muitos terrenos com humidade propícia ao desenvolvimento de fetos, é um topónimo muito frequente quer na Região Galego-Portuguesa quer noutras regiões da Península.
é de notar a grande quantidade de topónimos dedicados à presença de fetos na região portuguesa de fala asture-leonesa ou Bable (Bragança-Miranda do Douro), ali chamada "Mirandês".
Afeiteira - está por "A Feiteira"
Agra Filgueira (Gz.)
Bairro Feital (Br.)
Córrego Feital (Br.)
Falacho - cf. babl. felecho, cast. helecho (feto)
Falagueira
Falgueira (Gz.)
Faleital (Mir.)
Faleito (Mir.)
Faleto
Falgarosa
Falgaroso
Falgueirosa (Gz.)
Feitada
Feital (Br.)
Feitalzinho (Br.)
Feiteira
Feiteira de Cima
Feiteira de Dentro
Feiteiras
Feiteirinha
Feitos
Feitosa
Felecho (Ast.)
Felechosa (Ast.)
Felgar (Gz.)
Felgosa (Gz.)
Felgoso (Gz.)
Felgueira - do lat. filicaria, lugar onde há polypodium filix, ou felga, isto é, feto-macho
Felgueiras - ver "Felgueira"
Felitosa
Fetal
Feteira
Fetil
Fieital (Pt. e Gz.)
Filgueira (Gz.) - ver "Felgueira"
Filgueira de Barranca (Gz.)
Filgueira de Traba (Gz.)
Filgueiras (Gz.)
Filgueiros (Gz.)
Fleitosa (Mir.)
Folgar (Gz.) - variante de "Felgar"
Folgosa (Pt. e Gz.) - evolução fonética de "Felgosa"
Folgosa da Maia
Folgosa do Douro
Folgosa Velha
Folgueira (Gz.) - variante de Filgueira e Felgueira
Folguera (Cat.)
Foros da Afeiteira
Herdade da Afeiteira
Iratzabal (Eusk.) - de "iratz" (fèto) + "-abal" (suf. abundanc.): o mesmo que "Fètal"
O Fieital (Gz.)
Quinta da Folgosa
Reguengo do Fetal
Ribeira de Falgueirosa
Rua do Fieital - em Seixas do Douro, Vila Nova de Foz-Côa
Urreta Faleto (Mir.)
Vale da Feiteira
Vale Fetal
Afeiteira - está por "A Feiteira"
Agra Filgueira (Gz.)
Bairro Feital (Br.)
Córrego Feital (Br.)
Falacho - cf. babl. felecho, cast. helecho (feto)
Falagueira
Falgueira (Gz.)
Faleital (Mir.)
Faleito (Mir.)
Faleto
Falgarosa
Falgaroso
Falgueirosa (Gz.)
Feitada
Feital (Br.)
Feitalzinho (Br.)
Feiteira
Feiteira de Cima
Feiteira de Dentro
Feiteiras
Feiteirinha
Feitos
Feitosa
Felecho (Ast.)
Felechosa (Ast.)
Felgar (Gz.)
Felgosa (Gz.)
Felgoso (Gz.)
Felgueira - do lat. filicaria, lugar onde há polypodium filix, ou felga, isto é, feto-macho
Felgueiras - ver "Felgueira"
Felitosa
Fetal
Feteira
Fetil
Fieital (Pt. e Gz.)
Filgueira (Gz.) - ver "Felgueira"
Filgueira de Barranca (Gz.)
Filgueira de Traba (Gz.)
Filgueiras (Gz.)
Filgueiros (Gz.)
Fleitosa (Mir.)
Folgar (Gz.) - variante de "Felgar"
Folgosa (Pt. e Gz.) - evolução fonética de "Felgosa"
Folgosa da Maia
Folgosa do Douro
Folgosa Velha
Folgueira (Gz.) - variante de Filgueira e Felgueira
Folguera (Cat.)
Foros da Afeiteira
Herdade da Afeiteira
Iratzabal (Eusk.) - de "iratz" (fèto) + "-abal" (suf. abundanc.): o mesmo que "Fètal"
O Fieital (Gz.)
Quinta da Folgosa
Reguengo do Fetal
Ribeira de Falgueirosa
Rua do Fieital - em Seixas do Douro, Vila Nova de Foz-Côa
Urreta Faleto (Mir.)
Vale da Feiteira
Vale Fetal
pampilhais, pampinhal, pampilhosa
estes topónimos são também fitotopónimos. derivam de "pampilho", planta do grupo dos malmequeres e margaridas.
Alto da Pampilheira
Bairro da Pampilheira
Pampilhais - o mesmo que "campos de pampilhos"
Pampilhal (Pt. e Gz.) - graf. altern.: "Pampillal"
Pampilheira
Pampilhido
Pampilhosa
Pampilhosa da Serra
Pampilhosa do Botão
Pampinhal
Praia da Pampilhosa (Gz.) - graf. altern. "Praia da Pampillosa"
Alto da Pampilheira
Bairro da Pampilheira
Pampilhais - o mesmo que "campos de pampilhos"
Pampilhal (Pt. e Gz.) - graf. altern.: "Pampillal"
Pampilheira
Pampilhido
Pampilhosa
Pampilhosa da Serra
Pampilhosa do Botão
Pampinhal
Praia da Pampilhosa (Gz.) - graf. altern. "Praia da Pampillosa"
panascal, panasqueira, panascoso
estes topónimos são fitotopónimos, pois derivam de "panasco", uma planta gramínea que serve de pasto aos rebanhos (de ovelhas, por exemplo).
Minas da Panasqueira
Monte Novo do Panascoso
Panascal (Pt. e Gz.) - o mesmo que "prado de panascos". tem um significado próximo de "pradaria"
Panascos
Panascoso
Panasqueira - significa "campo ou prado de panascos"
Penhascoso - o nome "Penhascoso" resulta de uma alteração e reinterpretação recente do topónimo "Panascoso". como o topónimo se tornou vagamente cacofónico para certas mentes e a terra é muito rica em penhascos, vá de alterar o nome original - o qual, como hoje se diz, tinha adquirido conotações homofóbicas.
Quinta do Panascal
Minas da Panasqueira
Monte Novo do Panascoso
Panascal (Pt. e Gz.) - o mesmo que "prado de panascos". tem um significado próximo de "pradaria"
Panascos
Panascoso
Panasqueira - significa "campo ou prado de panascos"
Penhascoso - o nome "Penhascoso" resulta de uma alteração e reinterpretação recente do topónimo "Panascoso". como o topónimo se tornou vagamente cacofónico para certas mentes e a terra é muito rica em penhascos, vá de alterar o nome original - o qual, como hoje se diz, tinha adquirido conotações homofóbicas.
Quinta do Panascal
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Alcongosta, Cangosta, Congosta, Congosto, Congostra, Quingosta
estes topónimos estão associados a lugares de passagem difícil mas incontornável. encontram-se por toda a metade Norte da Península Ibérica, desde o território galego-português até aos vales pirenaicos de Aragão. tanto aparecem em lugares altos de passagem difícil, como em ruas, veredas, azinhagas e vielas estreitas, em troços apertados do curso de um rio ou em desfiladeiros e gargantas. a oscilação da primeira vogal é curiosa, variando entre a, i e o.
a sua associação a lugares de passagem estreita tem feito pensar no lat. canale angusta. admito também o parentesco linguístico com a palavra "canga", que contém a ideia de "aperto", "constrangimento".
encontra-se "congosta" como adjectivo, sobretudo em castelhano: "Las gargantas del Dobra son espectaculares, muy congostas y escarpadas" (da web).
nas regiões moçarábicas aparece o híbrido "Alcongosta" (do árab. al + congosta).
alguns desses topónimos:
Alcongosta
Cangosta
Cangosta da Palha
Cangosta das Cruzes
Cangosta de S. Sebastião
Congosta (Pt. e Gz.)
Congosta de Vidriales (Le.)
Congostas
Congosto de Olvena (Arag.)
Congostras (Gz.)
Congostro (Gz.)
Cruzeiro da Quingosta
Dehesa de Congosta (Le.)
Lugar da Congosta
Puente de la Congosta (Ast.)
Quingosta
Quingostas
Rua da Congosta
Rua da Quingosta
Rua das Congostas
San Andrés del Congosto (CsM)
a sua associação a lugares de passagem estreita tem feito pensar no lat. canale angusta. admito também o parentesco linguístico com a palavra "canga", que contém a ideia de "aperto", "constrangimento".
encontra-se "congosta" como adjectivo, sobretudo em castelhano: "Las gargantas del Dobra son espectaculares, muy congostas y escarpadas" (da web).
nas regiões moçarábicas aparece o híbrido "Alcongosta" (do árab. al + congosta).
alguns desses topónimos:
Alcongosta
Cangosta
Cangosta da Palha
Cangosta das Cruzes
Cangosta de S. Sebastião
Congosta (Pt. e Gz.)
Congosta de Vidriales (Le.)
Congostas
Congosto de Olvena (Arag.)
Congostras (Gz.)
Congostro (Gz.)
Cruzeiro da Quingosta
Dehesa de Congosta (Le.)
Lugar da Congosta
Puente de la Congosta (Ast.)
Quingosta
Quingostas
Rua da Congosta
Rua da Quingosta
Rua das Congostas
San Andrés del Congosto (CsM)
domingo, 13 de janeiro de 2008
canga e cangas
apesar de aqui e ali virem referenciados ao latim cannica(s), os topónimos "Canga" e "Cangas" são, muito provavelmente, de origem linguística pré-romana. o topónimo nasceu nas Astúrias, onde encontramos as muito antigas Cangas de Onís e Cangas de Narceo. no séc. XII aparece nos documentos Cangas do Morraço na Galiza. o diminutivo "Canguelas" aparece na toponímia andaluza sob a forma "Picón de Las Canguelas". e como a Toponomástica está cheia de homofonias entre línguas diferentes, só para exemplo há em Angola o Rio Cutato das Canguelas, sendo que, nesse caso, "Canguelas" ou "N'Canguelas" é um etnónimo e nada tem que ver com Cangas.
sendo o topónimo Cangas originário das Astúrias, a melhor pista para o seu significado é o Bable, a língua asture-leonesa, tamém chamada vieya fala, de que o impropriamente chamado "mirandês" constitui um subdialecto. ora, segundo Rato de Argüelles (1891), "o nome de Cangas provém das choças ou cabanas em que viviam os habitantes dos povoados, as quais, cobertas de palha ou de urze em lugar de telhas, deviam o nome ao conjunto de paus entrelaçados que se colocavam por cima para evitar que o vento levasse a cobertura". a ser assim, os topónimo Canga, Cangas e Canguelas seriam, de certo modo, sinónimos de "Cabana", "Cabanas" e "Cabanelas", respectivamente.
as teorias latinófilas que referem o significado de "canavial" ou de "vale profundo e estreito" carecem de comprovação factual no terreno.
alguns topónimos derivados de "Canga" ou "Cangas":
Cangas de Foz (Gz.) ver Comentº de Malvelinha
Cangas de Narceo (Ast.) - ver aqui
Cangas de Onís (Ast.) - ver aqui
Cangas do Morraço (Gz.)
Cangas (Br.) - são topónimos antroponímicos. homenagem a alguém de sobrenome Cangas. ou transposições dos topónimos galegos ou asturianos? ver Comentº de Jolorib.
Picón da Las Canguelas (And.)
Rua da Canga - em Aguiar da Beira (Pt.)
sendo o topónimo Cangas originário das Astúrias, a melhor pista para o seu significado é o Bable, a língua asture-leonesa, tamém chamada vieya fala, de que o impropriamente chamado "mirandês" constitui um subdialecto. ora, segundo Rato de Argüelles (1891), "o nome de Cangas provém das choças ou cabanas em que viviam os habitantes dos povoados, as quais, cobertas de palha ou de urze em lugar de telhas, deviam o nome ao conjunto de paus entrelaçados que se colocavam por cima para evitar que o vento levasse a cobertura". a ser assim, os topónimo Canga, Cangas e Canguelas seriam, de certo modo, sinónimos de "Cabana", "Cabanas" e "Cabanelas", respectivamente.
as teorias latinófilas que referem o significado de "canavial" ou de "vale profundo e estreito" carecem de comprovação factual no terreno.
alguns topónimos derivados de "Canga" ou "Cangas":
Cangas de Foz (Gz.) ver Comentº de Malvelinha
Cangas de Narceo (Ast.) - ver aqui
Cangas de Onís (Ast.) - ver aqui
Cangas do Morraço (Gz.)
Cangas (Br.) - são topónimos antroponímicos. homenagem a alguém de sobrenome Cangas. ou transposições dos topónimos galegos ou asturianos? ver Comentº de Jolorib.
Picón da Las Canguelas (And.)
Rua da Canga - em Aguiar da Beira (Pt.)
sábado, 12 de janeiro de 2008
morros, morraços e morreiras
"morreira" é um lugar onde há vários "morros", ou "lugar entre morros".
um "morro" é um monte de pequena altura, um outeiro, um cabeço, uma colina, um cêrro ou sêrro, um bairro ao subir de um monte. o topónimo "Morro" é ubíquo um pouco por todo o Brasil. no Algarve (Pt.) predomina o termo "Cêrro".
topónimos derivados de "morro":
Cangas do Morraço (Gz.) - graf. altern. Cangas do Morrazo. ver tamém "O Morraço"
Farol do Morro (Br.)
Marrazes - ??? (topónimo pré-romano). relação com Morrazos? verdade é que no Séc. XIX, "Marrazes" era tratada como substantivo plural: "Freguesia de Santiago dos Marrazes"
Morraço (Gz.) - graf. altern. "Morrazo". pode significar um morro mais avantajado. promontório. mas Morraço também pode ser sinónimo de "Cachada", topónimo rural que designa um terreno que se tornou cultivável depois de queimada a vegetação silvestre e depois de nivelado ("disfarçado", "escondidas as irregularidades", "alteado")
Morrão (Br.) - o mesmo que "morro grande". nome de serra
Morreira (Pt.) - "lugar onde há vários morros" ou "lugar entre morros". serra de baixa altitude
Morro
Morro Agudo (Br.)
Morro Azul (Br.)
Morro Branco (Br.)
Morro Cará-Cará (Br.)
Morro Cara de Cão (Br.)
Morro Cara Suja (Br.)
Morro da Fumaça (Br.)
Morro da Lapa (Br.)
Morro da Mangueira (Br.)
Morro da Providência (Br.)
Morro das Pedras (Br.)
Morro da Urca (Br.)
Morro de São Paulo (Br.)
Morro do Castelo (Br.)
Morro do Forte (Br.)
Morro do Lajedo (Br.)
Morro do Moreno (Br.)
Morro Dona Maria (Br.)
Morro do Osso (Br.)
Morro dos Ventos (Br.)
Morro Grande (Br.)
Morro Pelado (Br.)
Morro Santana (Br.)
Morro Velho (Br.)
Morro Vermelho (Br.)
O Morraço (Gz.) - graf. altern. O Morrazo
Três Morros (Br.)
um "morro" é um monte de pequena altura, um outeiro, um cabeço, uma colina, um cêrro ou sêrro, um bairro ao subir de um monte. o topónimo "Morro" é ubíquo um pouco por todo o Brasil. no Algarve (Pt.) predomina o termo "Cêrro".
topónimos derivados de "morro":
Cangas do Morraço (Gz.) - graf. altern. Cangas do Morrazo. ver tamém "O Morraço"
Farol do Morro (Br.)
Marrazes - ??? (topónimo pré-romano). relação com Morrazos? verdade é que no Séc. XIX, "Marrazes" era tratada como substantivo plural: "Freguesia de Santiago dos Marrazes"
Morraço (Gz.) - graf. altern. "Morrazo". pode significar um morro mais avantajado. promontório. mas Morraço também pode ser sinónimo de "Cachada", topónimo rural que designa um terreno que se tornou cultivável depois de queimada a vegetação silvestre e depois de nivelado ("disfarçado", "escondidas as irregularidades", "alteado")
Morrão (Br.) - o mesmo que "morro grande". nome de serra
Morreira (Pt.) - "lugar onde há vários morros" ou "lugar entre morros". serra de baixa altitude
Morro
Morro Agudo (Br.)
Morro Azul (Br.)
Morro Branco (Br.)
Morro Cará-Cará (Br.)
Morro Cara de Cão (Br.)
Morro Cara Suja (Br.)
Morro da Fumaça (Br.)
Morro da Lapa (Br.)
Morro da Mangueira (Br.)
Morro da Providência (Br.)
Morro das Pedras (Br.)
Morro da Urca (Br.)
Morro de São Paulo (Br.)
Morro do Castelo (Br.)
Morro do Forte (Br.)
Morro do Lajedo (Br.)
Morro do Moreno (Br.)
Morro Dona Maria (Br.)
Morro do Osso (Br.)
Morro dos Ventos (Br.)
Morro Grande (Br.)
Morro Pelado (Br.)
Morro Santana (Br.)
Morro Velho (Br.)
Morro Vermelho (Br.)
O Morraço (Gz.) - graf. altern. O Morrazo
Três Morros (Br.)
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Morraceira e Mouchão
sobre o topónimo "Morraceira" encontrei no jovem blogue do mesmo nome esta belíssima definição:
"unha morraceira... Un illote de terra no medio dun río na que xa se asentou vexetación..."
e a essa vegetação é costume dar-se o nome de "morraça".
tal como no Rio Minho, tamém no estuário do Rio Mondego existe uma ilha Morraceira.
um pouco mais a sul, a palavra correspondente é "Mouchão": Mouchão de Tomar, de Alhandra, de Póvoa de Santa Iria, do Lombo do Tejo, Herdade do Mouchão, etc. porém, nos "mouchões" não é costume a presença de "morraça", uma planta gramínea utilizável como forragem.
topónimos afins:
Morraça
Morraçã
Morraçal
Morração
"unha morraceira... Un illote de terra no medio dun río na que xa se asentou vexetación..."
e a essa vegetação é costume dar-se o nome de "morraça".
tal como no Rio Minho, tamém no estuário do Rio Mondego existe uma ilha Morraceira.
um pouco mais a sul, a palavra correspondente é "Mouchão": Mouchão de Tomar, de Alhandra, de Póvoa de Santa Iria, do Lombo do Tejo, Herdade do Mouchão, etc. porém, nos "mouchões" não é costume a presença de "morraça", uma planta gramínea utilizável como forragem.
topónimos afins:
Morraça
Morraçã
Morraçal
Morração
sábado, 5 de janeiro de 2008
Topónimos Terminados em -el
é um grupo heterogéneo de topónimos, que, na sua maior parte, indica filiação no grupo de falares do romance galego-português moçarábico (Beiras, Estremadura, Ribatejo, Alentejo e Algarve, Pt.).
alguns destes topónimos, como Samel e Tourel, são genitivos de antropónimos.
Albarquel - topónimo híbrido, de árab. "al" + "barquel". "barquel" é diminut. de "barco", tal como "Barcelos" (diminut. plur. de "Barco"). implica a proximidade de um rio. é o mesmo que "portinho", "lugar de passagem ou travessia ou embarque". ver post
Alboritel - ver "Alburitel"
Alburitel - graf. altern. de "Alboritel". o mesmo que "Alportel"? pressupõe as formas intermédias "Alporetel" e "Alboretel"
Alfornel - topónimo híbrido, de árab. "al" + "fornel" (diminut. de "forno"). o topónimo "Fornel" encontra-se em França e na Catalunha. do lat. fornellu.
Aljustrel
Alportel - em "S. Brás de Alportel". topónimo híbrido, de árab. "al" + "portel". ver "Portel"
Arnel - ver "Ponta do Arnel"
Courel (Pt. e Gz.)
Espichel - nome de um cabo
Ferrel
Fratel
Marnel (Pt. e Gz.) - topónimo associado à presença ou proximidade de rios ou ribeiros. como hidrónimo: Rio Marnel. mesma etimologia de Marne (Fr. ). origem celta: matter (mãe, nascente) + onna (fonte)
Pinhel - diminut. de "Pinho" (o mesmo que "pino", "ponto alto")
Ponta do Arnel (Aç.) - parece haver uma relação com Ar-Men, na Bretanha (Fr.), onde, aliás, também existe um famoso farol. "ar-men": "a pedra", "o rochedo". o povoamento da Ilha de S. Miguel pode explicar a relação. e a localização também
Portel - diminut. de "Porto". do lat. portellu: Portelo, Portinho
Rochel
Rogel
Sousel
Samel (Pt. e Gz.) - genit. de Salamiru. também aparece sob a forma Samil (Pt. e Gz.). pronúnc. Sàmel/ Sàmir
Tamel - forma ant. "Tamal"
Tourel (Pt. e Gz.) - é um genitivo de um antropónimo
alguns destes topónimos, como Samel e Tourel, são genitivos de antropónimos.
Albarquel - topónimo híbrido, de árab. "al" + "barquel". "barquel" é diminut. de "barco", tal como "Barcelos" (diminut. plur. de "Barco"). implica a proximidade de um rio. é o mesmo que "portinho", "lugar de passagem ou travessia ou embarque". ver post
Alboritel - ver "Alburitel"
Alburitel - graf. altern. de "Alboritel". o mesmo que "Alportel"? pressupõe as formas intermédias "Alporetel" e "Alboretel"
Alfornel - topónimo híbrido, de árab. "al" + "fornel" (diminut. de "forno"). o topónimo "Fornel" encontra-se em França e na Catalunha. do lat. fornellu.
Aljustrel
Alportel - em "S. Brás de Alportel". topónimo híbrido, de árab. "al" + "portel". ver "Portel"
Arnel - ver "Ponta do Arnel"
Courel (Pt. e Gz.)
Espichel - nome de um cabo
Ferrel
Fratel
Marnel (Pt. e Gz.) - topónimo associado à presença ou proximidade de rios ou ribeiros. como hidrónimo: Rio Marnel. mesma etimologia de Marne (Fr. ). origem celta: matter (mãe, nascente) + onna (fonte)
Pinhel - diminut. de "Pinho" (o mesmo que "pino", "ponto alto")
Ponta do Arnel (Aç.) - parece haver uma relação com Ar-Men, na Bretanha (Fr.), onde, aliás, também existe um famoso farol. "ar-men": "a pedra", "o rochedo". o povoamento da Ilha de S. Miguel pode explicar a relação. e a localização também
Portel - diminut. de "Porto". do lat. portellu: Portelo, Portinho
Rochel
Rogel
Sousel
Samel (Pt. e Gz.) - genit. de Salamiru. também aparece sob a forma Samil (Pt. e Gz.). pronúnc. Sàmel/ Sàmir
Tamel - forma ant. "Tamal"
Tourel (Pt. e Gz.) - é um genitivo de um antropónimo
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
Topónimos terminados em -ei, -ey
mais um grupo de topónimos com terminação comum, neste caso em -ei ou -ey, indicando, regra geral, um genitivo de antropónimo. são, pois, em geral, lugares cujo nome se associa à posse da terra, na Idade Média.
Atei - graf. anter. "Atey"
Ganfei - nome derivado de S. Ganfei, ou Ganfred, que mandou reedificar um antigo mosteiro beneditino que existira no local e que fora destruído por Al-Mansur, Rei de Córdova. a forma Ganfei é um genitivo. como dizer: "(Mosteiro) de São Ganfred"
Gondarei (Gz.) - graf. altern. "Gondarey". ver "Gondarém"
Guilhofrei - de Wiliafredi ou Uiliauredi, genit. de Wiliafredu ou Uiliauredu, antropónimo germânico
Guimarei (Pt. e Gz.) - graf. altern. "Guimarey" (Gz.). de Vimaredi, genit. de Vimaredu
Gumiei -
Jesufrei - de Segefredi, genit. de Segefredu.
Lufrei - graf. anter. "Logefrey", "Loifrei" e "Luifrei". de Leodefrei, genitivo de Leodefredu - de onde também o topónimo "Lufreu" (Penacova, Pt.)
Recarei - de Recaredi, genit. de Recaredu
Turei (Gz.) - graf. altern. Turey. ver "Tourém"
Atei - graf. anter. "Atey"
Ganfei - nome derivado de S. Ganfei, ou Ganfred, que mandou reedificar um antigo mosteiro beneditino que existira no local e que fora destruído por Al-Mansur, Rei de Córdova. a forma Ganfei é um genitivo. como dizer: "(Mosteiro) de São Ganfred"
Gondarei (Gz.) - graf. altern. "Gondarey". ver "Gondarém"
Guilhofrei - de Wiliafredi ou Uiliauredi, genit. de Wiliafredu ou Uiliauredu, antropónimo germânico
Guimarei (Pt. e Gz.) - graf. altern. "Guimarey" (Gz.). de Vimaredi, genit. de Vimaredu
Gumiei -
Jesufrei - de Segefredi, genit. de Segefredu.
Lufrei - graf. anter. "Logefrey", "Loifrei" e "Luifrei". de Leodefrei, genitivo de Leodefredu - de onde também o topónimo "Lufreu" (Penacova, Pt.)
Recarei - de Recaredi, genit. de Recaredu
Turei (Gz.) - graf. altern. Turey. ver "Tourém"
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
frase do ano 2007
"paréceme que se está a perder liberdade, porque deixamos que pensen por nós. iso si, eu agora penso que son libre por poder dicir todas estas tonterías".
Lúa
Topónimos Terminados em -ém, -én
é um grupo heterogéneo de topónimos, do qual fazem parte alguns genitivos de nomes de possuidores de terras.
Alentém - em "Vilar de Torno e Alentém", Lousada (Pt.). antiga Arantei e Arantey. origem pré-romana. relacionada com o euskera arantz, "vale", ou com o pré-céltico are, "rio"? ou as duas coisas?
Azurém - de Osoredi, genit. de Osoredu, antropónimo germânico. ou seja, "propriedade de Osoredu"
Belém - do célt. Belenos ("carvalho"), a "morada do sol", equivalente à divindade grega Apolo. é um teónimo, no caso, um genitivo da divindade. como dizer "propriedade ou santuário de Belenos"
Borratém - em "Poço do Borratém", Lisboa. do árab. bîrr at-tîn: "poço da figueira". é mais um caso de redundância, em que a Toponímia se compraz. Poço do Borratém: "poço do poço da figueira"
Gondarém (Pt. e Gz.) - de Gunduredi, genit. de Gunduredu, antropónimo germânico. como dizer "propriedade ou quinta de Gunduredu". graf. altern. (Gz.): Gondarén. variante: Gondarei (Gz.) - graf. altern. Gondarey.
Litém - em Santiago de Litém e São Simão de Litém. de Litém, Pombal (Pt.). hidrónimo: Ribeira de Litém. ver" Alentém"
Orbacém - topónimo nortenho (Pt.), de Vila Praia d' Âncora. genit. de Urbacenu ?
Ourém - para J. P. Machado (2003), trata-se da transposição do topónimo árabe Uhrâm (Orã, Argélia)
Pevidém - topónimo de uma Vila do concelho de Guimarães (Pt.), deriva do apelido ou alcunha de uma figura típica que em tempos viveu num pequeno lugar da freguesia de S. Jorge de Selho. nesse lugar, uma casa ostenta o letreiro "aqui nasceu Pevidém". o apelido ou alcunha é provavelmente arbitrário. caso idêntico sucedeu em Coimbra com o Calhabé
Sacavém - topónimo de origem pouco clara. a hipótese árabe, sâqabi, "[lugar] próximo ou vizinho (de Lisboa)" é tentadora, mas não passa disso
Santarém - topónimo de origem desconhecida, talvez pré-romano. isto apesar da muito conhecida tese de provir de Santa Irene. no Pará (Br.), Santarém é transposição do topónimo português. também no Pará, existe Santarém Novo
Serém - de Sereni, genit. de Serenu: "quinta ou propriedade de Serenu"
Toém (Gz.) - graf. altern.: Toén
Tourém - de Teodoredi, genit. de Teodoredu. forma anterior "Tourei". da mesma etimologia são os "Turei" (Gz.), graf. altern. "Turey"
Alentém - em "Vilar de Torno e Alentém", Lousada (Pt.). antiga Arantei e Arantey. origem pré-romana. relacionada com o euskera arantz, "vale", ou com o pré-céltico are, "rio"? ou as duas coisas?
Azurém - de Osoredi, genit. de Osoredu, antropónimo germânico. ou seja, "propriedade de Osoredu"
Belém - do célt. Belenos ("carvalho"), a "morada do sol", equivalente à divindade grega Apolo. é um teónimo, no caso, um genitivo da divindade. como dizer "propriedade ou santuário de Belenos"
Borratém - em "Poço do Borratém", Lisboa. do árab. bîrr at-tîn: "poço da figueira". é mais um caso de redundância, em que a Toponímia se compraz. Poço do Borratém: "poço do poço da figueira"
Gondarém (Pt. e Gz.) - de Gunduredi, genit. de Gunduredu, antropónimo germânico. como dizer "propriedade ou quinta de Gunduredu". graf. altern. (Gz.): Gondarén. variante: Gondarei (Gz.) - graf. altern. Gondarey.
Litém - em Santiago de Litém e São Simão de Litém. de Litém, Pombal (Pt.). hidrónimo: Ribeira de Litém. ver" Alentém"
Orbacém - topónimo nortenho (Pt.), de Vila Praia d' Âncora. genit. de Urbacenu ?
Ourém - para J. P. Machado (2003), trata-se da transposição do topónimo árabe Uhrâm (Orã, Argélia)
Pevidém - topónimo de uma Vila do concelho de Guimarães (Pt.), deriva do apelido ou alcunha de uma figura típica que em tempos viveu num pequeno lugar da freguesia de S. Jorge de Selho. nesse lugar, uma casa ostenta o letreiro "aqui nasceu Pevidém". o apelido ou alcunha é provavelmente arbitrário. caso idêntico sucedeu em Coimbra com o Calhabé
Sacavém - topónimo de origem pouco clara. a hipótese árabe, sâqabi, "[lugar] próximo ou vizinho (de Lisboa)" é tentadora, mas não passa disso
Santarém - topónimo de origem desconhecida, talvez pré-romano. isto apesar da muito conhecida tese de provir de Santa Irene. no Pará (Br.), Santarém é transposição do topónimo português. também no Pará, existe Santarém Novo
Serém - de Sereni, genit. de Serenu: "quinta ou propriedade de Serenu"
Toém (Gz.) - graf. altern.: Toén
Tourém - de Teodoredi, genit. de Teodoredu. forma anterior "Tourei". da mesma etimologia são os "Turei" (Gz.), graf. altern. "Turey"
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Comba, Santa Comba, Pombal e Pombeiro
não se trata de um grupo de topónimos fácil. é um ponto de confluência evolutivo de vários pontos de partida etimológica. assim, pode ser o aspecto actual do céltico cumba (vale estreito e curto, garganta), de comba (pequena chã no declive de um monte), do latim columna (marco ou coluna romana), ou do hagiónimo Colomba - correspondente a várias Santa Colomba ("pomba"), as quais, por sua vez, representam cristianizações medievais de cultos pagãos anteriores. a destrinça nem sempre é possível, dado que tanto a orografia como a História do local podem explicar o topónimo.
Santa Comba de Sens, França (séc. III) e Santa Comba de Córdova, Espanha (Séc. IX) têm em comum o terem sido decapitadas no processo de martírio, o que as faz incluir no culto das "cabeças", ou pontos altos, tal como Santa Eulália ou Santa Quitéria.
alguns topónimos relacionam-se com este grupo, quando representam variações de columbarium, quer no sentido de "pombal", quer no sentido de jazigo ou local com nichos onde se depositavam vasos com as cinzas dos mortos. é o caso de topónimos como "Pombal" e "Pombeiro".
Azinhaga de Santa Comba (Coimbra, Pt.)
Casal Comba
Comba (Pt. e Gz.)
Combada
Combarro (Gz.)
Combas
Combel (Gz.)
Combelas - diminut. de Combas
Combinha - diminut. de Comba
Monte de Santa Colomba - no concelho de Mêda
Pombal (Pt., Gz. e Br.) -o caso brasileiro é uma homenagem a Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal e primeiro ministro do Rei Dom José I.
Pombeiras
Pombeirinho - diminut. de Pombeiro
Pombeiro (Pt. e Gz.)
Pombeiro da Beira
Pombeiro de Riba Vizela
Pombeiros
Quinta das Combas
Santa Comba (Pt. e Gz.)
Santa Comba Dão - está por Santa Comba d'Ão
Santa Comba de Bande (Gz.)
Santa Comba de Rossas
Santa Comba de Soutolobre (Gz.)
Santa Comba de Vilariça
Santa Comba do Trevoedo (Gz.)
Serra de Santa Comba
domingo, 9 de dezembro de 2007
Rabelo, Ravelo, Rebelo, Revelhe e Reveles - toponímia e onomástica
trata-se de topónimos e onomásticos de origem muito discutida e provavelmente diversa. Revelhe é claramente um genitivo de Rabelo, Rebelo ou Revelo, formas alternativas que o antropónimo apresentava na Idade Média. por sua vez, Reveles é um patronímico de Revelo, isto é, quer dizer "filho de Revelo", tal como Rodrigues significa "filho de Rodrigo", por exemplo. um topónimo aparentado é Ravel, em França, cuja origem tem sido associada ao latim rivus: "curso de água". as formas "Rebel" (Gz.), Revel e Ribela parecem indiciar uma origem mais em ripa, também latina (margem, margem elevada), de onde deriva o topónimo Ribeira, aplicando-se a lugares ou comarcas contíguos a um rio ou mar. o facto de o barco típico do rio Douro se chamar "rabelo" parece confirmar esta etimologia, tal como a designação de "rabelas" para as populações ribeirinhas do mesmo rio. o sobrenome ou apelido "Rebelo", frequente na zona do Douro Litoral, é isso mesmo que significa: "ribeirinho" (do Douro).
lê-se em J. P. Machado (2003) que os sobrenomes Rabelo/Rebelo derivam do latim raphanellu ("rabanete"), o que me parece bastante inadequado para nome de pessoa, quanto mais para nome de pessoa proprietária de terra e suficientemente importante para dar origem ao topónimo e seus derivados.
Rabelo
Ravel (Fr.)
Ravello (It.) - cidade da Campania, no Sul de Itália
Ravelo (Gz.)
Rebel (Gz.) - variante de Revel. de acordo com uma achega de Isabel Rei Samartim, existe o topónimo Rebel na Galiza, em Vilalonga, São Gens, Ponte Vedra.
Rebelo
Revel (Pt., Gz. e Fr.) - há vários topónimos "Revel" em França, designadamente no Haute-Garonne e Isère, donde não ser proibido que o sobrenome Revel/Rebel tenha origem numa mais ou menos ancestral ou mais ou menos recente origem transpirenaica.
Reveles - nome de lugares e quintas da margem esquerda do Mondego.
Revelhe - genitivo de Revelo: "quinta ou propriedade de Revelo".
Revilhães - tal como Revelhe, é genitivo de Revelo: "quinta ou propriedade de Revelo"
Ribeira (Pt. e Gz.)
Ribel (Gz.)
Ribela - aqui parece mais clara a origem em ripa / "riba", na forma diminutiva. a "riva" ou "riba" (margem, margem alta, arriba) aplica-se a lugares contíguos a um rio ou mar.
lê-se em J. P. Machado (2003) que os sobrenomes Rabelo/Rebelo derivam do latim raphanellu ("rabanete"), o que me parece bastante inadequado para nome de pessoa, quanto mais para nome de pessoa proprietária de terra e suficientemente importante para dar origem ao topónimo e seus derivados.
Rabelo
Ravel (Fr.)
Ravello (It.) - cidade da Campania, no Sul de Itália
Ravelo (Gz.)
Rebel (Gz.) - variante de Revel. de acordo com uma achega de Isabel Rei Samartim, existe o topónimo Rebel na Galiza, em Vilalonga, São Gens, Ponte Vedra.
Rebelo
Revel (Pt., Gz. e Fr.) - há vários topónimos "Revel" em França, designadamente no Haute-Garonne e Isère, donde não ser proibido que o sobrenome Revel/Rebel tenha origem numa mais ou menos ancestral ou mais ou menos recente origem transpirenaica.
Reveles - nome de lugares e quintas da margem esquerda do Mondego.
Revelhe - genitivo de Revelo: "quinta ou propriedade de Revelo".
Revilhães - tal como Revelhe, é genitivo de Revelo: "quinta ou propriedade de Revelo"
Ribeira (Pt. e Gz.)
Ribel (Gz.)
Ribela - aqui parece mais clara a origem em ripa / "riba", na forma diminutiva. a "riva" ou "riba" (margem, margem alta, arriba) aplica-se a lugares contíguos a um rio ou mar.
sábado, 8 de dezembro de 2007
Topónimos Terminados em -ance e -ante
pertencem ainda ao grupo dos genitivos relacionados com proprietários rurais da Idade Média.
Amarante (Pt., Gz. e Br.) - no caso português, Amarante é feminino. a população local e próxima trata a cidade por "a Amarante". assim, tudo indica tratar-se de um genitivo de um possuidor de uma villa: villa Amarantii. o caso brasileiro é transposição do topónimo português.
Constance - de villa Constantii: quinta ou propriedade de Constantiu (Constâncio)
Amarante (Pt., Gz. e Br.) - no caso português, Amarante é feminino. a população local e próxima trata a cidade por "a Amarante". assim, tudo indica tratar-se de um genitivo de um possuidor de uma villa: villa Amarantii. o caso brasileiro é transposição do topónimo português.
Constance - de villa Constantii: quinta ou propriedade de Constantiu (Constâncio)
Topónimos Terminados em -ence, -ense e -ente
ainda os possuidores da terra na Idade Média:
Chorence - forma etimologicamente correcta de "Chorense". em França: Chorence
Chorense - ver "Chorente"
Chorente (Pt. e Gz.) - de villa Florentii: "quinta ou propriedade de Florêncio". existe a variante dialectal Chorense, que está por Chorence.
Coence (Gz.)
Jazente - de villa Hyacinthii: "quinta ou propriedade de Hyacinthus (Jacinto). graf. ant.: Jaçente
Ourense (Gz.) - a origem desta capital provincial galega é rural. a sua excelente localização faria o seu destino. não pertence a este grupo de topónimos, embora pareça derivar do antropónimo Aurius. no entanto, a ser assim, a terminação -ensis é difícil de explicar. tendo em conta que se trata de uma cidade termal, com nascentes de água quente em plena rua ("As Burgas"), a hipótese céltica, or ens ("água quente") não é descabida de todo. o topónimo era grafado Auriense nos documentos medievais.
Podence (Pt. e Gz.) - de villa Potentii: quinta ou propriedade de Potentiu ou Potêncio
Podente (Gz.) - ver "Podence"
Chorence - forma etimologicamente correcta de "Chorense". em França: Chorence
Chorense - ver "Chorente"
Chorente (Pt. e Gz.) - de villa Florentii: "quinta ou propriedade de Florêncio". existe a variante dialectal Chorense, que está por Chorence.
Coence (Gz.)
Jazente - de villa Hyacinthii: "quinta ou propriedade de Hyacinthus (Jacinto). graf. ant.: Jaçente
Ourense (Gz.) - a origem desta capital provincial galega é rural. a sua excelente localização faria o seu destino. não pertence a este grupo de topónimos, embora pareça derivar do antropónimo Aurius. no entanto, a ser assim, a terminação -ensis é difícil de explicar. tendo em conta que se trata de uma cidade termal, com nascentes de água quente em plena rua ("As Burgas"), a hipótese céltica, or ens ("água quente") não é descabida de todo. o topónimo era grafado Auriense nos documentos medievais.
Podence (Pt. e Gz.) - de villa Potentii: quinta ou propriedade de Potentiu ou Potêncio
Podente (Gz.) - ver "Podence"
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
a palavra Mãe na toponímia galego-portuguesa e brasileira
"Mãe" ou "Madre" aparece na toponímia vinda de uma de três origens: religiosa, referindo-se à Mãe de Deus ou a uma realidade conventual; como referente de uma nascente ou de um reservatório de água; ou como homofonia de uma realidade linguística não latina. a forma Mãe" convive com a sua forma anterior, "Madre".
Alto da Mãe de Deus -
Casal da Mãe Velha -
Madre - o significado deste topónimo é, provavelmente, o de "leito do rio"
Madreboa -
Madre de Água (Pt. e Gz.) - ou será Madre d'Água? graf. altern. (Gz.): Madredeagua. significa "nascente de água".
Madre de Deus - forma um tanto purista. é mais precisa, por mais perto da pronúncia real, a forma Madredeus
Madredeus - refere-se à invocação católica de Maria, a Mãe de Deus. na realidade, traduz a sobrevivência de cultos pré-cristãos
Madre Deus - também me parece um purismo por "Madredeus"
Madrelhe - (?)
Madres -
Madroeira - (?)
Mãe (Br.) - designa uma ilha do Estado do Rio de Janeiro, situada junto da Ilha do Pai e perto da ilhota conhecida por Menina
Mãe Ana -
Mãe Boa -
Mãe d'Água - tanque, reservatório de distribuição de água, cisterna
Mãe de Água - purismo por Mãe d'Água
Mãe de Água Nova -
Mãe de Água Velha -
Mãe de Migança -
Monte da Madre Ana - aqui "Ana" será a mesma palavra que originou Guadi-Ana? nesse caso, significa "leito do rio", com duplicação do significado de rio.
Alto da Mãe de Deus -
Casal da Mãe Velha -
Madre - o significado deste topónimo é, provavelmente, o de "leito do rio"
Madreboa -
Madre de Água (Pt. e Gz.) - ou será Madre d'Água? graf. altern. (Gz.): Madredeagua. significa "nascente de água".
Madre de Deus - forma um tanto purista. é mais precisa, por mais perto da pronúncia real, a forma Madredeus
Madredeus - refere-se à invocação católica de Maria, a Mãe de Deus. na realidade, traduz a sobrevivência de cultos pré-cristãos
Madre Deus - também me parece um purismo por "Madredeus"
Madrelhe - (?)
Madres -
Madroeira - (?)
Mãe (Br.) - designa uma ilha do Estado do Rio de Janeiro, situada junto da Ilha do Pai e perto da ilhota conhecida por Menina
Mãe Ana -
Mãe Boa -
Mãe d'Água - tanque, reservatório de distribuição de água, cisterna
Mãe de Água - purismo por Mãe d'Água
Mãe de Água Nova -
Mãe de Água Velha -
Mãe de Migança -
Monte da Madre Ana - aqui "Ana" será a mesma palavra que originou Guadi-Ana? nesse caso, significa "leito do rio", com duplicação do significado de rio.
terça-feira, 27 de novembro de 2007
adeus, mãe
quem é que estava à espera disto?
bem sei que a lei da vida é cruel e cega.
não vamos esquecer-te.
adeus, mãe.
bem sei que a lei da vida é cruel e cega.
não vamos esquecer-te.
adeus, mãe.
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Topónimos Terminados em -ude
os topónimos terminados em -ude são também resquícios da propriedade rural da Idade Média. são poucos mas bons.
Aúde (Gz.) - ver Comentº de Calidonia
Barbude - genitivo de um antropónimo ?
Barbudo - está por Barbude. a hipótese de provir do adjectivo parece-me peregrina
Cabanude (Gz.) - ver Comentº de Calidonia
Carbalhude (Gz.) - ver Comentº de Calidonia. graf. altern.: Carballude
Carbude (Gz.) - ver Comentº de Calidonia
Escravitude (Gz.) - com este nome, não pertence à colecção. é um topónimo de origem religiosa
Fazelude (Gz.) - ver Comentº de Calidonia. graf. altern.: Facelude
Fontedaúde (Gz.) - ver Comentº de Calidonia. ver Viladaúde
Mafamude - topónimo que é genitivo latino de um antropónimo árabe: Mahamud ou Mahmud. ver Viladaúde
Segude - genitivo de Secutu
Aúde (Gz.) - ver Comentº de Calidonia
Barbude - genitivo de um antropónimo ?
Barbudo - está por Barbude. a hipótese de provir do adjectivo parece-me peregrina
Cabanude (Gz.) - ver Comentº de Calidonia
Carbalhude (Gz.) - ver Comentº de Calidonia. graf. altern.: Carballude
Carbude (Gz.) - ver Comentº de Calidonia
Escravitude (Gz.) - com este nome, não pertence à colecção. é um topónimo de origem religiosa
Fazelude (Gz.) - ver Comentº de Calidonia. graf. altern.: Facelude
Fontedaúde (Gz.) - ver Comentº de Calidonia. ver Viladaúde
Mafamude - topónimo que é genitivo latino de um antropónimo árabe: Mahamud ou Mahmud. ver Viladaúde
Segude - genitivo de Secutu
Seragude (Gz.) - ver Comentº de Calidonia
Sergude (Gz.) - ver Comentº de Calidonia
Viladaúde (Gz.) - ver Comentº de Calidonia. redundância: villa- villa de Daútu. genitivo lat. da forma árabe de David: Daútu (Daúd)? nesse caso, tal como Mafamude, seria o sinal da existência de terratenentes árabes ou arabizados em regiões muito nortenhas.
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Topónimos Terminados em -ade
ainda a posse da terra na Idade Média:
Amboade (Gz.)
Andrade (Gz.)
Andreade (Gz.)
Beade (Gz.) - genitivo de Venatu. villa, quinta ou propriedade rústica de Venatu
Guilhade (Gz.) - graf. altern. Guillade
Morgade (Pt.)
Repiade (Pt.) - variante dialectal de Revinhade
Revinhade (Pt.) - propriedade de Rabinadu, antropónimo germânico
Sambade (Pt.) - propriedade de Sambadu
Segade (Pt. e Gz.)
Sequeade (Pt.) - em 1220 era "Ciquiad"
Veade (Pt.)- ver Beade
Venade (Pt.) - forma evolutivamente anterior de Veade e Beade
Xermade (Gz.)
Amboade (Gz.)
Andrade (Gz.)
Andreade (Gz.)
Beade (Gz.) - genitivo de Venatu. villa, quinta ou propriedade rústica de Venatu
Guilhade (Gz.) - graf. altern. Guillade
Morgade (Pt.)
Repiade (Pt.) - variante dialectal de Revinhade
Revinhade (Pt.) - propriedade de Rabinadu, antropónimo germânico
Sambade (Pt.) - propriedade de Sambadu
Segade (Pt. e Gz.)
Sequeade (Pt.) - em 1220 era "Ciquiad"
Veade (Pt.)- ver Beade
Venade (Pt.) - forma evolutivamente anterior de Veade e Beade
Xermade (Gz.)
Topónimos Terminados em -il
neste grupo não incluo os topónimos terminados em -mil, de que já falei.
Arganil - possível genitivo de um antropónimo germânico
Bermil (Gz.) - genitivo de Belmiru
Fermil
Fail
Madail
Outil
Parragil - cf. Perejil, Perexil (E.)
Portangil (Gz.) - graf. altern. Portanxil. ver Comentº de Calidonia
Setil
Vermil - ver "Bermil"
Vermoíl - variante dialectal de Vermoim? de Bermudu, antropónimo germânico
Arganil - possível genitivo de um antropónimo germânico
Bermil (Gz.) - genitivo de Belmiru
Fermil
Fail
Madail
Outil
Parragil - cf. Perejil, Perexil (E.)
Portangil (Gz.) - graf. altern. Portanxil. ver Comentº de Calidonia
Setil
Vermil - ver "Bermil"
Vermoíl - variante dialectal de Vermoim? de Bermudu, antropónimo germânico
sábado, 10 de novembro de 2007
Topónimos Terminados em -mir
estes tamém não são muitos. ocorrem menos vezes que as variantes em -mil, quando existem.
Baldomir (Gz.)
Cristimir (Gz.)
Vilamir (Gz.)
Baldomir (Gz.)
Cristimir (Gz.)
Vilamir (Gz.)
Topónimos Terminados em - anche
os topónimos genitivos em -anche são pouco frequentes.
adianto estes:
Vilasanche - de villa sanci: quinta ou propriedade rústica de Sancho
adianto estes:
Vilasanche - de villa sanci: quinta ou propriedade rústica de Sancho
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
a língua portuguesa no mundo
no Uruguai passa a ser obrigatório o ensino da Língua Portuguesa a partir do 6º ano de escolaridade, já no próximo ano lectivo de 2008. o facto é a consequência lógica da criação do Mercosul e do peso económico e cultural do Brasil nesse Mercado.
já tive eu mesmo ocasião de constatar no Chile e na Argentina a relativa facilidade com que se encontra alguém que fale Português. aprendido no Brasil ou por causa do Brasil. essa realidade económica transnacional originou já um aumento em flecha da procura do ensino e da prática da Língua Portuguesa no Paraguai, na Argentina e no Uruguai, pelo que a medida do Governo Uruguaio consiste, simplesmente, em obrigar a comer quem já tem fome que chegue.
é a altura de percebermos o que se passa no Mundo. não são os nossos semi-dialectos peninsulares e suas variantes, tribalidades e teimas, não é sequer essa algaravia que se fala em Lisboa - uma arrogante mistura de gramática inglesa com palavras pernósticas sacadas ao dicionário da Academia e pronúncia eslovaca - que farão o futuro da Língua no Mundo.
por isso me daria uma incontrolável vontade de rir que alguns professores de Português, dessa espécie de língua que se fala em Lisboa, achassem que a decisão do Uruguai é uma oportunidade de emprego.
e antes do mais porque professores de Língua Portuguesa já o Uruguai tem. e nas zonas fronteiriças com o Brasil tem até falantes de Português como língua materna, que aí passa a ser reconhecida como língua principal, à frente do Castelhano.
já tive eu mesmo ocasião de constatar no Chile e na Argentina a relativa facilidade com que se encontra alguém que fale Português. aprendido no Brasil ou por causa do Brasil. essa realidade económica transnacional originou já um aumento em flecha da procura do ensino e da prática da Língua Portuguesa no Paraguai, na Argentina e no Uruguai, pelo que a medida do Governo Uruguaio consiste, simplesmente, em obrigar a comer quem já tem fome que chegue.
é a altura de percebermos o que se passa no Mundo. não são os nossos semi-dialectos peninsulares e suas variantes, tribalidades e teimas, não é sequer essa algaravia que se fala em Lisboa - uma arrogante mistura de gramática inglesa com palavras pernósticas sacadas ao dicionário da Academia e pronúncia eslovaca - que farão o futuro da Língua no Mundo.
por isso me daria uma incontrolável vontade de rir que alguns professores de Português, dessa espécie de língua que se fala em Lisboa, achassem que a decisão do Uruguai é uma oportunidade de emprego.
e antes do mais porque professores de Língua Portuguesa já o Uruguai tem. e nas zonas fronteiriças com o Brasil tem até falantes de Português como língua materna, que aí passa a ser reconhecida como língua principal, à frente do Castelhano.
domingo, 4 de novembro de 2007
Toponímia e Onomástica
no correr desta viagem, ainda não concluída, pelos genitivos na toponímia galego-portuguesa, verificámos um fenómeno curioso: o nome de pessoas influencia o nome dos lugares e, por sua vez, os nomes de lugares contribuem para a formação do nome de pessoas. um exemplo: Recesindu deu Resende (ou, melhor, Rezende) no genitivo e, por sua vez, há pessoas com o sobrenome de Resende ou Rezende. o mesmo com Guimarães: Vímara deu Vimaranis (Guimarães) no genitivo, que, depois, se tornou sobrenome de muito boa gente. os exemplos são como a cereja em Portugal, a banana no Brasil e o mexilhão na Galiza. são para dar e vender.
já atrás me debrucei sobre a interdependência entre toponímia e onomástica.
o facto é que o tema representa 25 a 30% da curiosidade sobre este blogue.
daí que eu considere a possibilidade de transferir os dados sobre os nomes, apelidos e sobrenomes de origem toponímica para um blogue independente.
a ver vamos, como diz o cego...
mas fica registada a ideia e a intenção. para todos os efeitos.
já atrás me debrucei sobre a interdependência entre toponímia e onomástica.
o facto é que o tema representa 25 a 30% da curiosidade sobre este blogue.
daí que eu considere a possibilidade de transferir os dados sobre os nomes, apelidos e sobrenomes de origem toponímica para um blogue independente.
a ver vamos, como diz o cego...
mas fica registada a ideia e a intenção. para todos os efeitos.
sábado, 3 de novembro de 2007
Topónimos Terminados em "-mil"
continuando a saga dos proprietários rurais da Idade Média... estes são muitos. e muitos deles são de origem germânica. este post complementa um outro com o mesmo título, de Junho de 2006.
Castromil (Pt. e Gz.)
Crastomil
Creixomil
Estramil (Gz.)
Estremil (Gz.)
Sanamil (Gz.)
Sandamil (Pt. e Gz.) - existe a variante Sandamiro (Gz.). do antropónimo germânico Sandemiru
Sandomil - ver Sandamil
Sangemil - às vezes grafado São Gemil. genitivo de Sangemiru, antropónimo germânico
Sanjomil - ver Sangemil
Santomil (Pt. e Gz.) - ver Sandamil
Sanxumil (Gz.) - variante dialectal de Sangemil
Seixomil (Pt. e Gz.) - genitivo do antropónimo germânico Songemiru
Seixosmil (Gz.)
Seramil
Sesil -
Sesmil (Pt. e Gz.) - de Sesmiru, antropónimo germânico no genitivo
Castromil (Pt. e Gz.)
Crastomil
Creixomil
Estramil (Gz.)
Estremil (Gz.)
Sanamil (Gz.)
Sandamil (Pt. e Gz.) - existe a variante Sandamiro (Gz.). do antropónimo germânico Sandemiru
Sandomil - ver Sandamil
Sangemil - às vezes grafado São Gemil. genitivo de Sangemiru, antropónimo germânico
Sanjomil - ver Sangemil
Santomil (Pt. e Gz.) - ver Sandamil
Sanxumil (Gz.) - variante dialectal de Sangemil
Seixomil (Pt. e Gz.) - genitivo do antropónimo germânico Songemiru
Seixosmil (Gz.)
Seramil
Sesil -
Sesmil (Pt. e Gz.) - de Sesmiru, antropónimo germânico no genitivo
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Topónimos Terminados em "unde" e "-unte"
na senda dos topónimos formados por genitivos de antigos senhores, aqui vão os terminados em -unte:
Bagunte - genitivo de antropónimo germânico
Fragunde (Gz.)
Vilaragunte (Gz.)
Bagunte - genitivo de antropónimo germânico
Fragunde (Gz.)
Vilaragunte (Gz.)
Topónimos Terminados em "-ane"
na verdade, o genitivo latino é indicado na toponímia pelo -e (-i) final. o resto das terminações é ditado pela estrutura do antropónimo e respectiva origem linguística. como já vimos, outros genitivos aparecem sob a forma -i, -im (-ini), -iz (-ici). nos antropónimos germânicos com terminação em -ar e -er o -e (-i) final desapareceu (exºs: Gondar, Sever).
e uma vez mais se avoluma a importância da posse da terra na sociedade medieval e o seu reflexo na forma de nomear os lugares neste cantinho do mundo.
Joane (Pt. e Gz.) - com as variantes Joanhe e Juane (Gz.). genitivo de Johan
Sanhoane (Pt.) - ver Seoane
Seivane (Gz.)
Seivane de Vilarente (Gz.)
Seoane (Gz.) - forma medieval do genitivo de "São João", San Johane
Seoane do Courel (Gz.)
Sevane (Gz.)
Vilamane (Gz.)
e uma vez mais se avoluma a importância da posse da terra na sociedade medieval e o seu reflexo na forma de nomear os lugares neste cantinho do mundo.
Joane (Pt. e Gz.) - com as variantes Joanhe e Juane (Gz.). genitivo de Johan
Sanhoane (Pt.) - ver Seoane
Seivane (Gz.)
Seivane de Vilarente (Gz.)
Seoane (Gz.) - forma medieval do genitivo de "São João", San Johane
Seoane do Courel (Gz.)
Sevane (Gz.)
Vilamane (Gz.)
Topónimos Terminados em "-elhe" e "-ilhe"
aqui vão mais alguns topónimos que reflectem o peso da propriedade rústica medieval na formação dos nomes de lugares no território galego-português. neste grupo de topónimos aparecem algumas vezes as palavras "vila" ou "vilar" reforçando o sentido, já implícito, de propriedade rural. ou a redundância "vila de".
Amarelhe - Amarelhe é um genitivo do nome de um proprietário, indicando que a terra, habitualmente a villa (propriedade rústica, quinta), ao momento em que tomou nome ou pouco depois, era propriedade de um tal Amarellu, isto é de um senhor Amaru tratado pelo diminutivo (como ainda há bem pouco era costume tratar os ricos no norte de Portugal e na Galiza).
as terras ou villae com esse nome eram, pois, propriedade do Amarinho. esse Amarinho ou tinha muitas propriedades entre o rio Douro e a Corunha, ou era senhor de um nome relativamente frequente entre os homens ricos da época, pois que há Amarelhe na Corunha, em Ponte Vedra, em Baião e em Vila Verde (pelo menos).
Anelhe
Argoncilhe - topónimo curioso. é genitivo de Dragoncelu, "dragãozinho", nome do proprietário da villa rústica. "deveria" pois chamar-se Dragoncilhe. evolução: Dragoncelli; Dragoncilhe; Dargoncilhe; d' Argoncilhe; (de) Argoncilhe.
Baroncelhe (Gz.) - graf. altern. Baroncelle
Bivilhe (Gz.) - graf. altern. Biville
Boelhe (Pt. e Gz.) - graf. altern. (Gz.): Boelle. de Boneliu
Caçarilhe
Corvelhe (Gz.) - graf. altern. Corvelle
Esmelhe (Gz.) - graf. altern. Esmelle
Lagostelhe (Gz.) - graf. altern. Lagostelle
Lobelhe (Pt. e Gz.) - graf. altern. Lobelle (Gz.). de Leobeliu ou Lobeliu
Lobelhe do Mato
Lovelhe
Marcelhe (Gz.) - graf. altern. Marcelle. de Marcellu
Marselho (Gz.) - graf. altern. Marselle
Merilhe (Gz.) - graf. altern. Merille
Morcelhe (Gz.) - graf. altern. Morcelle. variante dialectal de Marcelhe
Mourilhe - "propriedade de Mauriliu"
Ourilhe (Pt. e Gz.) - "propriedade de Aureliu(?)". ou de Auriliu (?). graf. altern. (Gz.): Ourille
Ouselhe (Gz.) - graf. altern. Ouselle
Pendilhe -
Recelhe (Gz.) - graf. altern. Recelle
Regoelhe (Gz.) - graf. altern. Regoelle
Revelhe
Ruílhe - "propriedade de Rodilu ou Rodelu"
Sabadelhe (Gz.) - graf. altern. Sabadelle. de Sabaticulu, diminut. de Sabatu
Sebadelhe - variante de Sabadelhe, com a qual alterna
Sendelhe (Gz.) - graf. altern. Sendelle
Sernancelhe - "propriedade de Seniorcelo". Seniorcelu: "senhorinho"
Sezelhe (Pt.)
Toubilhe (Gz.) - graf. altern. Toubille
Viladonelhe (Gz.) - graf. altern. Viladonelle
Vilamelhe (Gz.) - graf. altern. Vilamelle
Vilamerelhe (Gz.) - graf. altern. Vilamerellhe
Vilar de Ortelhe (Gz.) - graf. altern. Vilar de Ortelle
Amarelhe - Amarelhe é um genitivo do nome de um proprietário, indicando que a terra, habitualmente a villa (propriedade rústica, quinta), ao momento em que tomou nome ou pouco depois, era propriedade de um tal Amarellu, isto é de um senhor Amaru tratado pelo diminutivo (como ainda há bem pouco era costume tratar os ricos no norte de Portugal e na Galiza).
as terras ou villae com esse nome eram, pois, propriedade do Amarinho. esse Amarinho ou tinha muitas propriedades entre o rio Douro e a Corunha, ou era senhor de um nome relativamente frequente entre os homens ricos da época, pois que há Amarelhe na Corunha, em Ponte Vedra, em Baião e em Vila Verde (pelo menos).
Anelhe
Argoncilhe - topónimo curioso. é genitivo de Dragoncelu, "dragãozinho", nome do proprietário da villa rústica. "deveria" pois chamar-se Dragoncilhe. evolução: Dragoncelli; Dragoncilhe; Dargoncilhe; d' Argoncilhe; (de) Argoncilhe.
Baroncelhe (Gz.) - graf. altern. Baroncelle
Bivilhe (Gz.) - graf. altern. Biville
Boelhe (Pt. e Gz.) - graf. altern. (Gz.): Boelle. de Boneliu
Caçarilhe
Corvelhe (Gz.) - graf. altern. Corvelle
Esmelhe (Gz.) - graf. altern. Esmelle
Lagostelhe (Gz.) - graf. altern. Lagostelle
Lobelhe (Pt. e Gz.) - graf. altern. Lobelle (Gz.). de Leobeliu ou Lobeliu
Lobelhe do Mato
Lovelhe
Marcelhe (Gz.) - graf. altern. Marcelle. de Marcellu
Marselho (Gz.) - graf. altern. Marselle
Merilhe (Gz.) - graf. altern. Merille
Morcelhe (Gz.) - graf. altern. Morcelle. variante dialectal de Marcelhe
Mourilhe - "propriedade de Mauriliu"
Ourilhe (Pt. e Gz.) - "propriedade de Aureliu(?)". ou de Auriliu (?). graf. altern. (Gz.): Ourille
Ouselhe (Gz.) - graf. altern. Ouselle
Pendilhe -
Recelhe (Gz.) - graf. altern. Recelle
Regoelhe (Gz.) - graf. altern. Regoelle
Revelhe
Ruílhe - "propriedade de Rodilu ou Rodelu"
Sabadelhe (Gz.) - graf. altern. Sabadelle. de Sabaticulu, diminut. de Sabatu
Sebadelhe - variante de Sabadelhe, com a qual alterna
Sendelhe (Gz.) - graf. altern. Sendelle
Sernancelhe - "propriedade de Seniorcelo". Seniorcelu: "senhorinho"
Sezelhe (Pt.)
Toubilhe (Gz.) - graf. altern. Toubille
Viladonelhe (Gz.) - graf. altern. Viladonelle
Vilamelhe (Gz.) - graf. altern. Vilamelle
Vilamerelhe (Gz.) - graf. altern. Vilamerellhe
Vilar de Ortelhe (Gz.) - graf. altern. Vilar de Ortelle
Topónimos Terminados em "-ande"
estes topónimos também reflectem a distribuição da propriedade agrícola medieval. são igualmente genitivos dos nomes dos proprietários
Astande (Gz.)
Bande (Pt. e Gz.) - de villa Bandi: "propriedade rural de Bando". antropónimo germânico
Britiande (Pt.)
Cernande (Gz.)
Espasande (Gz.)
Espasande de Baixo (Gz.)
Fernande (Gz.)
Friande (Pt.)
Gresande (Gz.)
Guisande - de villa Guisandi: "propriedade (rural) de Guisando". antropónimo germânico
Grixoa de Esternande (Gz.)
Nande (Gz.)
Ouçande (Gz.) - graf. altern. Ouzande
Rande (Pt.)
Sande (Pt. e Gz.) - "propriedade de Sando". Sando é antropónimo germânico
Senande (Gz.)
Sernande (Pt.)
Trasande (Gz.)
anomalias:
Vila Fernando (Pt.) - está por Vila Fernande. de villa Ferdinandi
Vila Mendo (Pt.) - está por Vila Mende. de villa Mendi
Astande (Gz.)
Bande (Pt. e Gz.) - de villa Bandi: "propriedade rural de Bando". antropónimo germânico
Britiande (Pt.)
Cernande (Gz.)
Espasande (Gz.)
Espasande de Baixo (Gz.)
Fernande (Gz.)
Friande (Pt.)
Gresande (Gz.)
Guisande - de villa Guisandi: "propriedade (rural) de Guisando". antropónimo germânico
Grixoa de Esternande (Gz.)
Nande (Gz.)
Ouçande (Gz.) - graf. altern. Ouzande
Rande (Pt.)
Sande (Pt. e Gz.) - "propriedade de Sando". Sando é antropónimo germânico
Senande (Gz.)
Sernande (Pt.)
Trasande (Gz.)
anomalias:
Vila Fernando (Pt.) - está por Vila Fernande. de villa Ferdinandi
Vila Mendo (Pt.) - está por Vila Mende. de villa Mendi
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Topónimos Terminados em "-monde" e "-munde"
são topónimos de origem germânica, no genitivo latino. sentimos, ao longo de toda esta compilação de genitivos na toponímia galego-portuguesa, quão estranhos nos soam os nomes dos senhores das terras na Idade Média. mas não podemos sentir o mesmo com os nomes das pessoas que todos os dias se levantavam co'as galinhas e se deitavam ao sol-pôr. dessas pessoas, salvo rarissimas excepções, não reza a Toponímia. e quando reza não é por grande coisa.
Ansemonde (Gz.)
Baamonde (Gz.) - (?)
Bamonde (Gz.)
Freamunde - "propriedade de Fredmundus"
Friamonde (Gz.) - variação dialectal de Freamunde
Gemunde - "propriedade de Iemundo ou Gemundo"
Gilmonde
Gimonde - variação dialectal de Gemunde
Gueimonde (Gz.)
Hermunde (Gz.)
Recemonde (Gz.)
Remonde (Gz.)
Salamonde - "propriedade de Salamundo"
Samonde - variação dialectal de Salamonde
Sermonde
Sesmonde (Gz.) - "propriedade de Segismundo"
Ansemonde (Gz.)
Baamonde (Gz.) - (?)
Bamonde (Gz.)
Freamunde - "propriedade de Fredmundus"
Friamonde (Gz.) - variação dialectal de Freamunde
Gemunde - "propriedade de Iemundo ou Gemundo"
Gilmonde
Gimonde - variação dialectal de Gemunde
Gueimonde (Gz.)
Hermunde (Gz.)
Recemonde (Gz.)
Remonde (Gz.)
Salamonde - "propriedade de Salamundo"
Samonde - variação dialectal de Salamonde
Sermonde
Sesmonde (Gz.) - "propriedade de Segismundo"
Topónimos Terminados em "-ide" e "-ite"
também em -ide e -ite há topónimos que são genitivos do nome de antigos proprietários. referem-se, portanto, a quintas, sítios ou herdades agrícolas (villae). a existência de topónimos idênticos em França e na Suíça italiana parece significar que a data destes topónimos remonta a uma época de pouca diferenciação das línguas novilatinas.
Ataíde
Belide
Caíde - também se encontra a variante Caído
Campolide - (?) origem controversa
Caparide
Carnide
Carvide
Colaride
Corvite (Pt. e Gz.)
Covide
Espite - (?) não tem nada que ver com os restantes. deriva de hospite, pousada.
Margaride (Pt. e Gz.)
Maside (Gz.)
Meixide (Pt. e Gz.)
Melide (Gz. e CH) - no cantão suíço de Ticino, de língua italiana, há também Melide. é genitivo de Mellitus: "propriedade de Mellitus"
Povolide
Seide - (?) também aparece grafado Ceide
Semide (Pt. e Fr.) - em França, nas Ardenas, há também Semide
Sunhide (Gz.) - graf. altern. Suñide
Teibilide (Gz.)
Verride
Vide (Pt. e Gz.) - de Vitus ou Vito, nome do proprietário da respectiva villa
Vilanuíde (Gz.)
Vilavide (Gz.) - de villa Viti: "quinta de Vito"
Viloíde (Gz.)
Ataíde
Belide
Caíde - também se encontra a variante Caído
Campolide - (?) origem controversa
Caparide
Carnide
Carvide
Colaride
Corvite (Pt. e Gz.)
Covide
Espite - (?) não tem nada que ver com os restantes. deriva de hospite, pousada.
Margaride (Pt. e Gz.)
Maside (Gz.)
Meixide (Pt. e Gz.)
Melide (Gz. e CH) - no cantão suíço de Ticino, de língua italiana, há também Melide. é genitivo de Mellitus: "propriedade de Mellitus"
Povolide
Seide - (?) também aparece grafado Ceide
Semide (Pt. e Fr.) - em França, nas Ardenas, há também Semide
Sunhide (Gz.) - graf. altern. Suñide
Teibilide (Gz.)
Verride
Vide (Pt. e Gz.) - de Vitus ou Vito, nome do proprietário da respectiva villa
Vilanuíde (Gz.)
Vilavide (Gz.) - de villa Viti: "quinta de Vito"
Viloíde (Gz.)
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Topónimos Terminados em "-ede"
já falámos de uma série de topónimos derivados de genitivos latinos e associados a villae, quintas ou herdades agrícolas. há-os terminados em "-ães", "-ende", "-im", "-inde", "-iz", "-ufe", "-ulfe" e agora chegou a vez dos terminados em "-ede" (pronunc.: "êde"). têm estes a característica de se situarem na margem norte do Baixo Mondego, numa faixa de terrenos férteis, propícios à agricultura, e que se estende da Mealhada à Figueira da Foz.
o facto de o genitivo ser latino não significa que o proprietário fosse romano ou que o seu nome fosse latino. em posts anteriores já vimos a quantidade de nomes germânicos, no genitivo latino, que povoam a Toponímia Galego-Portuguesa.
a novidade dos topónimos terminados em "-ede" está, com muito poucas excepções, na sua concentração nesta faixa geográfica.
Ancede - não se localiza na faixa norte ribeirinha do Baixo Mondego. situa-se no concelho de Baião, Douro Litoral. grafia alternat.(mais correcta?): Ansede - ver Comentº de Calidonia
Ansede (Gz.) - ver Ancede.
Antuzede - genitivo de um antropónimo germânico. J. P. Machado (2003) prefere "Antosede", mas não sei porquê
Arazede - genitivo de Araceto ou Aracedo, antropónimo de origem desconhecida
Cantanhede - é genitivo do antropónimo, Cantonieto ou Cantoniedo, de origem desconhecida. há quem admita que é genitivo de "canteira" ou "pedreira": villa da pedreira. mas a analogia com topónimos em -ede próximos, faz-me inclinar para a primeira hipótese.
Lemede - genitivo de Lameto ou Lamedo. ver Comentário de João.
Murtede
Somede (Gz.)
Tavarede - genitivo de Tavareto ou Tavaredo. a pronúncia é tâ-vâ-rêde e não tà-và- rêde, como exigiria a tese de Talavareto ou Talavaredo por analogia com os topónimos Tavares, Taveira e Taveiro
Xafede - (?) este topónimo aparece nos concelhos da Mealhada e de Viana do Castelo (Chafé)
o facto de o genitivo ser latino não significa que o proprietário fosse romano ou que o seu nome fosse latino. em posts anteriores já vimos a quantidade de nomes germânicos, no genitivo latino, que povoam a Toponímia Galego-Portuguesa.
a novidade dos topónimos terminados em "-ede" está, com muito poucas excepções, na sua concentração nesta faixa geográfica.
Ancede - não se localiza na faixa norte ribeirinha do Baixo Mondego. situa-se no concelho de Baião, Douro Litoral. grafia alternat.(mais correcta?): Ansede - ver Comentº de Calidonia
Ansede (Gz.) - ver Ancede.
Antuzede - genitivo de um antropónimo germânico. J. P. Machado (2003) prefere "Antosede", mas não sei porquê
Arazede - genitivo de Araceto ou Aracedo, antropónimo de origem desconhecida
Cantanhede - é genitivo do antropónimo, Cantonieto ou Cantoniedo, de origem desconhecida. há quem admita que é genitivo de "canteira" ou "pedreira": villa da pedreira. mas a analogia com topónimos em -ede próximos, faz-me inclinar para a primeira hipótese.
Lemede - genitivo de Lameto ou Lamedo. ver Comentário de João.
Murtede
Somede (Gz.)
Tavarede - genitivo de Tavareto ou Tavaredo. a pronúncia é tâ-vâ-rêde e não tà-và- rêde, como exigiria a tese de Talavareto ou Talavaredo por analogia com os topónimos Tavares, Taveira e Taveiro
Xafede - (?) este topónimo aparece nos concelhos da Mealhada e de Viana do Castelo (Chafé)
domingo, 28 de outubro de 2007
Mafra
apesar dos esforços de bons eruditos para lhe atribuir uma origem árabe, Mafra (que, ao longo do tempo foi sendo Mafarã, Malfora e Mafora) continua um topónimo solteiro e enigmático.
a atribuição de origem árabe, através de mahfara, "cova", não acerta com as características do local, nem com as formas anteriores do topónimo.
não sendo de origem árabe, a estrutura da palavra remete-nos para uma origem pré-latina.
ora, segundo se diz, o rei Dom João V, terá mandado construir esse convento colossal com a receita do ouro do Brasil e o motivo de tão magnânimo empreendimento estaria relacionado com o cumprimento de uma promessa à Mãe-de-Deus, caso lhe fosse concedida a graça de ter filhos herdeiros, pois que filhos não herdeiros os tinha ele aos centos. em especial de freiras, o que, entre outros cognomes, lhe mereceu o epíteto de "O Freirático".
se assim fosse - e não é certo -, o Convento de Mafra seria a actualização setecentista de um culto pagão ancestral à mater genetrix, "a mãe geradora", Senhora do Ó, Ísis e assim por diante. certo é que o culto à Senhora do Ó está ainda hoje vivo na Região Saloia, no próprio concelho de Mafra.
é aqui que entra a origem pré-latina para o topónimo.
segundo uns, a origem é fenícia; segundo outros, a origem é turânica. e a voz original estaria relacionada com um significado religioso, compatível com o culto da deusa-mãe.
seja como for, nada está definitivamente resolvido e Mafra continua um topónimo obscuro.
a atribuição de origem árabe, através de mahfara, "cova", não acerta com as características do local, nem com as formas anteriores do topónimo.
não sendo de origem árabe, a estrutura da palavra remete-nos para uma origem pré-latina.
ora, segundo se diz, o rei Dom João V, terá mandado construir esse convento colossal com a receita do ouro do Brasil e o motivo de tão magnânimo empreendimento estaria relacionado com o cumprimento de uma promessa à Mãe-de-Deus, caso lhe fosse concedida a graça de ter filhos herdeiros, pois que filhos não herdeiros os tinha ele aos centos. em especial de freiras, o que, entre outros cognomes, lhe mereceu o epíteto de "O Freirático".
se assim fosse - e não é certo -, o Convento de Mafra seria a actualização setecentista de um culto pagão ancestral à mater genetrix, "a mãe geradora", Senhora do Ó, Ísis e assim por diante. certo é que o culto à Senhora do Ó está ainda hoje vivo na Região Saloia, no próprio concelho de Mafra.
é aqui que entra a origem pré-latina para o topónimo.
segundo uns, a origem é fenícia; segundo outros, a origem é turânica. e a voz original estaria relacionada com um significado religioso, compatível com o culto da deusa-mãe.
seja como for, nada está definitivamente resolvido e Mafra continua um topónimo obscuro.
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Gente de Coimbra
outra gente que deixou marcas na Toponímia foi a gente de Coimbra. mais que uma vez na História, o então excedente populacional desta região foi empregue no povoamento ou repovoamento de outras regiões, quer em Portugal quer na Galiza.
a distribuição geográfica destes topónimos vai do Alentejo às províncias galegas de Lugo e da Corunha, sendo a maior concentração nas regiões nortenhas.
exemplos:
Coimbra (Pt. e Br.) - no caso português, a repetição do nome Coimbra significa o mesmo que "segunda Coimbra", "nova Coimbra". no caso brasileiro, ou é a transposição do topónimo português, ou é um antropónimo.
Coimbrã - aldeia de gente coimbrã
Coimbrão - povoado de gente de Coimbra
Coimbrãos - gentes de Coimbra
Coimbró - diminutivo de Coimbra
Coimbrões - o mesmo significado que Coimbrãos
Cruceiro de Cumbraos (Gz.)
Cumbrao (Gz.) - ver Coimbrão e Cumbraos
Cumbraos (Gz.) - o mesmo significado que Coimbrãos e sua variante dialectal
Cumbraos de Abaixo (Gz.)
Torre de Cumbraos (Gz.)
a distribuição geográfica destes topónimos vai do Alentejo às províncias galegas de Lugo e da Corunha, sendo a maior concentração nas regiões nortenhas.
exemplos:
Coimbra (Pt. e Br.) - no caso português, a repetição do nome Coimbra significa o mesmo que "segunda Coimbra", "nova Coimbra". no caso brasileiro, ou é a transposição do topónimo português, ou é um antropónimo.
Coimbrã - aldeia de gente coimbrã
Coimbrão - povoado de gente de Coimbra
Coimbrãos - gentes de Coimbra
Coimbró - diminutivo de Coimbra
Coimbrões - o mesmo significado que Coimbrãos
Cruceiro de Cumbraos (Gz.)
Cumbrao (Gz.) - ver Coimbrão e Cumbraos
Cumbraos (Gz.) - o mesmo significado que Coimbrãos e sua variante dialectal
Cumbraos de Abaixo (Gz.)
Torre de Cumbraos (Gz.)
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
O Grove (Gz.)
talvez seja mais conhecida a vizinha ilha termal de A Toxa - que os portugueses teimam em conhecer por La Toja. pessoalmente, prefiro O Grove marinheiro-marisqueiro. nom polo marisco, que será do melhor que existe sobre a Terra, mas pola paisage ao redor.
tal como é hoje A Toxa, O Grove foi em tempos uma ilha na junção das Rias de Arousa e Pontevedra.
é conhecida a existência dos grovii no tempo dos romanos, constituindo um ramo não-celta da tribo dos Calleci Bracari. a sua origem étnica e proveniência geográfica são desconhecidas. ocupavam o vale do Baixo Minho, de uma e de outra banda, tinham Tui por cidade principal e pelo menos alguns deles ocupavam-se na mineração do estanho e produção de bronze. o seu deus dos deuses era Turiacus, o que traduzido para Galego-Português significa Senhor, Rei. afinal de contas, o mesmo nome que tem hoje.
as voltas e revoltas da História terão feito dispersar este povo, que aparece na Toponímia Galego-Portuguesa desde o Norte da Galiza ao Centro de Portugal, sob a forma Grove e derivados. certo é que poucos povos, tribos ou clãs se poderão gabar de ter deixado tantos vestígios toponímicos.
curiosamente, existe no léxico português o adjectivo "esgroviado", o que sugere que a memória que ficou desse povo é a de gente com ar desalinhado e cabelo desgrenhado... o que não corresponde, nem de perto nem de longe, aos groveiros de hoje em dia.
bom, é claro que se diz por aí hoje que a relação etimológica entre O Grove e os grovii é uma mera coincidência fonética. mas eu prefiro esta estória. e tenho comigo Emilio Nieto Ballester (1997). sempre é alguma cousa.
outras terras de gróvios:
A Groba (Gz.)
A Grova (Gz.)
As Encrobas (Gz.)
Costa da Groba (Gz.)
Groba (Pt. e Gz.)
Grobas (Gz.)
Groias (Pt.)
Groiva (Pt)
Grova (Gz.)
Grovas (Gz.)
Grova Fragosa (Gz.)
Grove (Pt. e Gz.)
Grovela (Pt.) - diminut. de Grova
Grovelas (Pt.) - diminut. de Grovas
Groves (Gz.)
Gróvia (Pt.)
Grovos (Pt.)
Serra da Groba (Gz.)
tal como é hoje A Toxa, O Grove foi em tempos uma ilha na junção das Rias de Arousa e Pontevedra.
é conhecida a existência dos grovii no tempo dos romanos, constituindo um ramo não-celta da tribo dos Calleci Bracari. a sua origem étnica e proveniência geográfica são desconhecidas. ocupavam o vale do Baixo Minho, de uma e de outra banda, tinham Tui por cidade principal e pelo menos alguns deles ocupavam-se na mineração do estanho e produção de bronze. o seu deus dos deuses era Turiacus, o que traduzido para Galego-Português significa Senhor, Rei. afinal de contas, o mesmo nome que tem hoje.
as voltas e revoltas da História terão feito dispersar este povo, que aparece na Toponímia Galego-Portuguesa desde o Norte da Galiza ao Centro de Portugal, sob a forma Grove e derivados. certo é que poucos povos, tribos ou clãs se poderão gabar de ter deixado tantos vestígios toponímicos.
curiosamente, existe no léxico português o adjectivo "esgroviado", o que sugere que a memória que ficou desse povo é a de gente com ar desalinhado e cabelo desgrenhado... o que não corresponde, nem de perto nem de longe, aos groveiros de hoje em dia.
bom, é claro que se diz por aí hoje que a relação etimológica entre O Grove e os grovii é uma mera coincidência fonética. mas eu prefiro esta estória. e tenho comigo Emilio Nieto Ballester (1997). sempre é alguma cousa.
outras terras de gróvios:
A Groba (Gz.)
A Grova (Gz.)
As Encrobas (Gz.)
Costa da Groba (Gz.)
Groba (Pt. e Gz.)
Grobas (Gz.)
Groias (Pt.)
Groiva (Pt)
Grova (Gz.)
Grovas (Gz.)
Grova Fragosa (Gz.)
Grove (Pt. e Gz.)
Grovela (Pt.) - diminut. de Grova
Grovelas (Pt.) - diminut. de Grovas
Groves (Gz.)
Gróvia (Pt.)
Grovos (Pt.)
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