Irivo é um dos muitos topónimos da região do vale do Sousa cuja origem se perde na mais remota antiguidade. Machado (2003, v. 2) regista-o com a grafia "Erivo", embora se conheça registada a forma "Eriva". documento do séc.18 refere que "esta freguezia de São Vicente de Eriva fica na província de Entre Douro e Minho pertence ao Bispado do Porto, he da comarca de Penafiel, termo da mesma cidade[...] Passa pelo meyo desta freguezia o rio chamado Sousa cujo nascimento tem para as partes de Basto perto da Lixa, que daqui dista quatro legoas, e meya pouco mais ou menos". o topónimo tem uma sonoridade pré indo-europeia, o que na linguística hispânica pode significar uma afinidade com o euskera.
bem-vindo!.....por que é que a sua terra se chama...?..(blogue de apontamentos).........................direitos reservados. proibida a cópia ou reprodução sem autorização expressa do autor.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
baracha
por "baracha" entende-se cada uma das covas ou caldeiras de uma marinha de sal. também designa cada um dos taludes de terra batida ou travessões de lama que separam as divisões numa marinha de sal. por isso, estes topónimos indicam a presença atual ou remota de uma atividade salineira.
em Portugal:
Herdade da Baracha
em Portugal:
Herdade da Baracha
sábado, 5 de setembro de 2009
suevos
povo originário do norte da Europa, das margens do Báltico, ou Mare Suevorum, os Suevos estabeleceram-se no Noroeste Peninsular, no séc V, fundando um reino sobre o tradicional território da Galécia, ou seja, das Astúrias até (quase) ao rio Tejo. ao todo os suevos nom ultrapassavam 30 000 almas. espalharam-se pelo reino, entre senhores e labregos, deixando memória toponímica, de uns de outros. sobre os nomes de proprietários suevos que deixaram marca toponímica já deixei registo anterior.
outro legado suevo terá sido a posterior divisão da Galécia em duas partes, separadas polo baixo Minho, pois por aí se dividiram as duas tribos: os Quados e os Marcomanos.
cabe agora falar das aldeias cujo povoamento se deve a colonos suevos. há vários povoados na Galiza com esse topónimo: "Suevos". e tamém "Sueve", à letra: "do suevo", sem outra designação.
outro legado suevo terá sido a posterior divisão da Galécia em duas partes, separadas polo baixo Minho, pois por aí se dividiram as duas tribos: os Quados e os Marcomanos.
cabe agora falar das aldeias cujo povoamento se deve a colonos suevos. há vários povoados na Galiza com esse topónimo: "Suevos". e tamém "Sueve", à letra: "do suevo", sem outra designação.
domingo, 7 de junho de 2009
arrabalde (Pt. e Gz. e Br.)
"arrabalde" era a parte da cidade árabe que ficava extra-muros, ou seja, "de fora" (como "S. Vicente de Fora, Lisboa).
tal como as "medinas" ou "almedinas", que constituíam a parte intra-muros da cidade, a sua localização está hoje meio escondida, neste caso sob o nome de uma rua, de uma fonte, de uma casa, de uma quinta ou de uma ponte. curiosamente, a sua difusão geográfica é superior à das "medinas", estendendo-se a norte até Chaves e Vinhais (em Portugal), à província de Ourense (na Galiza), e até Zamora e Oviedo. porém, nem todos os "arrabaldes" são de origem árabe. há casos em que "arrabalde" pode ser o genitivo de Ravaldu, indicando uma propriedade ou villa Ravaldi. a sua localização ajuda a diferenciá-los, bem como a ausência do artigo definido "o", dizendo-se "arrabalde" em lugar de "o arrabalde".
na toponímia brasileira, "arrabalde" ficou com a sentido moderno de "arredores", "cercanias", "redondezas".
tal como as "medinas" ou "almedinas", que constituíam a parte intra-muros da cidade, a sua localização está hoje meio escondida, neste caso sob o nome de uma rua, de uma fonte, de uma casa, de uma quinta ou de uma ponte. curiosamente, a sua difusão geográfica é superior à das "medinas", estendendo-se a norte até Chaves e Vinhais (em Portugal), à província de Ourense (na Galiza), e até Zamora e Oviedo. porém, nem todos os "arrabaldes" são de origem árabe. há casos em que "arrabalde" pode ser o genitivo de Ravaldu, indicando uma propriedade ou villa Ravaldi. a sua localização ajuda a diferenciá-los, bem como a ausência do artigo definido "o", dizendo-se "arrabalde" em lugar de "o arrabalde".
na toponímia brasileira, "arrabalde" ficou com a sentido moderno de "arredores", "cercanias", "redondezas".
alguns Arrabaldes:
Arrabal (Águeda) - forma apocopada de "arrabalde"
Arrabal (Leiria)
Arrabal (Porto de Mós)
Arrabal (Seia)
Arrabalde (Barcelos)
Arrabalde (Cela Nova)
Arrabalde (Marco de Canaveses)
Arrabalde da Ponte (Leiria)
Arrabalde d'Aquém (Leiria)
Arrabalde de Baixo (Vila Real)
Arrabalde de São João (Br.) - topónimo de Porto Alegre, hoje extinto, deu origem ao atual Bairro de São João
Arrabaldes (Lamego)
Arrabaldo (Ourense)
Beco do Arrabalde de S. João de Fora (Ponte de lima) – curiosa redundância
Casa de Arrabalde (Ponte de Lima)
Largo do Arrabalde (Chaves)
Novo Arrabalde (Br.) - topónimo hoje extinto, substituído por Bairro da Praia do Canto, em Vitória, ES
Quinta de Arrabalde (Marco de Canaveses)
Rua do Arrabalde (Oliveira do Hospital)
Rua do Arrabalde (Palmela)
Rua do Arrabalde (Tabuaço)
Rua da Muralha do Arrabalde (Alfaiates)
Arrabal (Águeda) - forma apocopada de "arrabalde"
Arrabal (Leiria)
Arrabal (Porto de Mós)
Arrabal (Seia)
Arrabalde (Barcelos)
Arrabalde (Cela Nova)
Arrabalde (Marco de Canaveses)
Arrabalde da Ponte (Leiria)
Arrabalde d'Aquém (Leiria)
Arrabalde de Baixo (Vila Real)
Arrabalde de São João (Br.) - topónimo de Porto Alegre, hoje extinto, deu origem ao atual Bairro de São João
Arrabaldes (Lamego)
Arrabaldo (Ourense)
Beco do Arrabalde de S. João de Fora (Ponte de lima) – curiosa redundância
Casa de Arrabalde (Ponte de Lima)
Largo do Arrabalde (Chaves)
Novo Arrabalde (Br.) - topónimo hoje extinto, substituído por Bairro da Praia do Canto, em Vitória, ES
Quinta de Arrabalde (Marco de Canaveses)
Rua do Arrabalde (Oliveira do Hospital)
Rua do Arrabalde (Palmela)
Rua do Arrabalde (Tabuaço)
Rua da Muralha do Arrabalde (Alfaiates)
almedina (Pt.)
ainda no ciclo dos topónimos da região moçárabe, aparece "Almedina", que significa "a cidade". refere-se à cidade dentro das muralhas, sendo "arrabalde" a parte da cidade que fica de fora da cerca.
após séculos de evolução histórica, já não há muitos lugares com este nome. mas a cidadela árabe ou moçárabe está lá escondida sob o nome de uma rua, de uma fonte, de um arco, etc.
a freguesia urbana de Almedina, em Coimbra, engloba terrenos que faziam parte do arrabalde árabe.
imagem: junta de freguesia de Almedina
a freguesia urbana de Almedina, em Coimbra, engloba terrenos que faziam parte do arrabalde árabe.
imagem: junta de freguesia de Almedina
sábado, 6 de junho de 2009
almagreira (Pt.)
por sua vez, "Almagro", do Árabe al-magr, significa "ocre", um tipo de argila de cor avermelhada, utilizada na indústria, em pinturas rústicas, em pinturas rupestres, nos adornos corporais rituais ditos "primitivos" e na arte sagrada em geral desde a mais remota antiguidade.
nem só do Árabe surgiram topónimos referentes à abundância desta argila. em França e na Itália há, respetivamente, Saint-Martin-sur-Ocre (na Borgonha) e San Martino d'Ocre (nos Abruzos). a ligação a S. Martinho não é casual. refere-se à presença de cultos e crenças seculares, quase sempre megalíticos, cristianizados por Martinho de Tours ou seus seguidores.
"almagreira", "almagreiro" e "almagro" tamém podem estar presentes na Toponímia não para apontar uma colonização por almagrenhos, mas para exprimir a abundância de ocre. e aí surgem sobretudo como orónimos e hidrónimos.
nem só do Árabe surgiram topónimos referentes à abundância desta argila. em França e na Itália há, respetivamente, Saint-Martin-sur-Ocre (na Borgonha) e San Martino d'Ocre (nos Abruzos). a ligação a S. Martinho não é casual. refere-se à presença de cultos e crenças seculares, quase sempre megalíticos, cristianizados por Martinho de Tours ou seus seguidores.
"almagreira", "almagreiro" e "almagro" tamém podem estar presentes na Toponímia não para apontar uma colonização por almagrenhos, mas para exprimir a abundância de ocre. e aí surgem sobretudo como orónimos e hidrónimos.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
bendafé (Pt.)
topónimo de origem árabe, a sua pronúncia tem dado azo às grafias mais delirantes.
costuma ser escrito "Bem da Fé", sem qualquer sustento etimológico.
é, quase seguramente, um antropónimo do proprietário que lhe deu o nome, um tal Ambi ben Dafer, a crer na grafia do século XII.
bem entendido, essa grafia reproduz distorções dialetais do nome em árabe escorreito.
costuma ser escrito "Bem da Fé", sem qualquer sustento etimológico.
é, quase seguramente, um antropónimo do proprietário que lhe deu o nome, um tal Ambi ben Dafer, a crer na grafia do século XII.
bem entendido, essa grafia reproduz distorções dialetais do nome em árabe escorreito.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
tunes (Pt.)
arzila (Pt.), arzila (Mar.)
freguesia moçárabe do concelho de Coimbra, deve o nome à cidade marroquina de Arzila ou Asilah, de cujo termo terão vindo os seus povoadores. as primeiras notícias escritas datam do séc. XII, mas isso apenas significa que não houve nenhum facto antes que justificasse a menção de Arzila em testamentos ou contratos de notário.por não ter senhor donatário, por exemplo.
no séc. XII passou a tê-lo, nas pessoas do conde de Óbidos e seus descendentes.
a sua principal notoriedade passa pela Reserva Natural do Paul, protegida pelo dec. lei nº 219/88, de 27 de junho.
no séc. XII passou a tê-lo, nas pessoas do conde de Óbidos e seus descendentes.
a sua principal notoriedade passa pela Reserva Natural do Paul, protegida pelo dec. lei nº 219/88, de 27 de junho.
a Arzila marroquina tem tido uma História entrecruzada com a banda de cá do mar. diz-se que no tempo dos romanos a sua população original foi expulsa, tendo sido substituída por povoadores ibéricos. e posteriormente foi alvo da conquista portuguesa no tempo de D. Afonso V.
Malga (Pt., Gz. e E.)
dos microtopónimos não costuma rezar a História. porém, um topónimo não é micro ou macro em função do seu merecimento linguístico, mas por meros circunstancialismos mutáveis com o tempo e a fortuna.
encontrámos esta "malga" sob a forma de uma aldeia ou lugar da freguesia de Sernache, concelho de Coimbra. Malga essa que, tal como Almalaguês, nos testemunha a imigração de naturais do termo de Málaga para esta região moçárabe.
e temos, mais longe daqui, em Évora, o Bairro da Malagueira.
também há várias "Malga" em Espanha e, designadamente, na Galiza.
e temos, mais longe daqui, em Évora, o Bairro da Malagueira.
também há várias "Malga" em Espanha e, designadamente, na Galiza.
terça-feira, 2 de junho de 2009
alcarraques (Pt.)
ainda no roteiro moçárabe, aparece-nos Alcarraques, aldeia da freguesia de Trouxemil, concelho de Coimbra. o antropónimo refere-se à família dos "Alcarracs", alcunha que significa "os fabricantes de alpergatas" ou "alpergateiros". destes, conhecemos:em 1094: João Pires, tamém conhecido por Galib Alcarrac, e seu irmão homónimo João Pires, conhecido por Soleima ou Salomão Alcarrac. em 1127: Salvador Alcarrac. em 1162: Omar Alcarrac.
é possível que a alcunha fosse herdada de um antepassado comum e já se não referisse a qualquer actividade profissional.
ao que parece, os proprietários "Alcarraques" eram de etnia mourisca, mas cristãos de confissão religiosa.
imagem: verbaudet
segunda-feira, 1 de junho de 2009
alcabideche e alcabideque (Pt.)
"cabideche" e "cabideque" são apenas duas pronúncias diferentes, dialetais, da expressão latina caput acquae: "mãe d'água", "manancial", "nascente" ou, simplesmente, "fonte". assim, traduzindo completamente Alcabideche e Alcabideque, temos "A Fonte".
conheço muito melhor "Alcabideque", uma aldeia ou lugar da freguesia e concelho de Condeixa-a-Nova.
para abastecer de água a cidade conhecida por Conímbriga, os romanos serviram-se da mãe d'água de Alcabideque, construindo ali uma torre de captação e elevação, tamém chamada castellum, e um tanque coletor, de onde levavam a água, em aqueduto de três quilómetros, até à cidade imperial. e pelo caminho, através de um sistema de canais irrigação, fertilizavam os terrenos adjacentes.caída a cidade às mãos dos suevos em 464, e dos visigodos mais tarde, "a fonte" continuou a ser a causa da fertilidade dos terrenos agrícolas. chegados os árabes, já se tinha perdido o nome da cidade ou al-medina. mas a caput acquae permanecia lá. em território moçarábico, levou um pequeno verniz de língua árabe e ficou "alcabideque" até aos nossos dias.
domingo, 31 de maio de 2009
botão (Pt.)
freguesia do concelho de Coimbra, teve estatuto de concelho, confirmado por foral de D. Manuel I, de 1514.a villa rústica de Botão é muito antiga. o seu nome é pré-romano. provém do indo-europeu bhodh, palavra relacionada com a água, servindo para designar água corrente, caneiro.
assim, é de crer que a ribeira de Botão esteja na origem do nome do povoado e não o contrário. a aldeia de Botão aparece registada já em 934, na escritura de partilhas entre os filhos herdeiros de Guterre Mendes Árias e Ilduara Eriz, tendo cabido em sorte a Rosendo, que seria canonizado santo. em 942, S. Rosendo faz doação da villa ao mosteiro de Celanova (Gz.). a ligação de Botão a Celanova perde-se em 987, com a reconquista árabe de Coimbra.
Em 1510, D. Catarina, da linhagem de Eça (Gz.), abadessa de Lorvão, mandaria fazer à sua custa o Paço de Botão, tamém chamado "mosteiro", por se destinar a residência abacial.
hoje, a freguesia de Botão parece talhada para acolher as instalações da nova cadeia de Coimbra.
topónimos relacionados:
Marmeleira do Botão
Pampilhosa do Botão
alcalamouque (Pt.)
topónimo do filão moçárabe das proximidades de Coimbra, "alcalamouque", de al-qal'â e al-moka, significa, em árabe, "castelo ou castro [em terreno planáltico] junto a uma escarpa". é o que acontece com esta aldeia da freguesia de Alvorge, concelho de Ansião, que aparece referenciada em 1142 e 1182, a propósito de doações de propriedades feitas ao Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra.
pela sua localização, constitui um belo miradouro sobre o lugar de Pombalinho, os montes de Vez, Ateanha, Juromelo e Rabaçal. ao fundo da escarpa, nos olhos d'água, nasce a ribeira do mesmo nome.
pela sua localização, constitui um belo miradouro sobre o lugar de Pombalinho, os montes de Vez, Ateanha, Juromelo e Rabaçal. ao fundo da escarpa, nos olhos d'água, nasce a ribeira do mesmo nome.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
almalaguês (Pt.)
este é outro topónimo da região de Coimbra que se reporta ao período moçárabe.
está relacionado com a cidade andaluza de Málaga, de onde houve várias importações de povoadores ou colonos, como agora se diz.
está relacionado com a cidade andaluza de Málaga, de onde houve várias importações de povoadores ou colonos, como agora se diz.
porém, aqui não é certa a etimologia direta:
será um antropónimo, proveniente de um tal Suleiman al-Malaquí, traduzível por Salomão de Málaga, ou Salomão-o-malaguês;
ou será um topónimo de origem geográfica, referindo-se, pois, a um povo ou povoado de gente oriunda de Málaga, de que o senhor Salomão seria apenas um dos muitos "malaquís" ou "malagueses"?
será um antropónimo, proveniente de um tal Suleiman al-Malaquí, traduzível por Salomão de Málaga, ou Salomão-o-malaguês;
ou será um topónimo de origem geográfica, referindo-se, pois, a um povo ou povoado de gente oriunda de Málaga, de que o senhor Salomão seria apenas um dos muitos "malaquís" ou "malagueses"?
e quanto a uma origem antroponímica:
-não tenho visto traduzir "malaqui" por "malaguês", mas não vejo como se possa traduzir de outro modo, se "malaqui" for palavra oxítona ("malaquí");
- é mais frequente que o topónimo registe o nome próprio, em vez do apelido. logo, de Suleiman não poderia resultar Almalaguês.
brasfemes (Pt.)

convivendo paredes-meias com topónimos nativos, celtas, latinos e germânicos, a toponímia de origem árabe é muito frequente na região de Coimbra. dos séc. IX a XII predominou aqui uma forma de integração política, linguística, cultural e religiosa a que chamamos moçarabismo.
uma das mais curiosas consequências do moçarabismo é a canonização popular do Profeta Muhammad, sob a forma de "São Mamede".
de entre os múltimos topónimos de origem árabe, ressalto hoje a villa abrahemi, ou seja, a propriedade ou quinta ou herdade de um tal "Abraão".
a evolução linguística do topónimo não é francamente regular, desde logo pela interposição do "s" e pela terminação tamém em "s". talvez tenha ocorrido uma "contaminação" por outros topónimos ou por analogias com outras palavras.
terça-feira, 26 de maio de 2009
fajoses (Pt.)
o concelho de Vila do Conde (Pt.) é típico do que poderíamos chamar um concelho litoral galaico-duriense, onde a agricultura namora com a vida do mar, mas não se ajunta co ela.
o verde dos campos vai até onde chega o borrifo das ondas. e antes da chegada dos parques industriais, da indústria de laticínios, dos centros comerciais e das fábricas têxteis e de confeções ainda era mais assim do que que ainda é hoje.
a toponímia de vila do Conde é muito maioritariamente rural e só esporadicamente marítima. para cada "caxinas" ou "árvore" há dezenas de "vilares", "vilas", "aveledas", "outeiros" e "rios maus", além dos infalíveis nomes de proprietários germânicos medievais.
e assim chegamos a "Fajoses". acredito que chegámos a "Fajoses" e não a "Fajozes". porque "Fajoses" será um plural redundante de "Fajós", que já de si é plural de "Fajó". penso que assim, redundando-se a noção de plural, se dá uma ideia de compartimentação em pequenas parcelas. não por vontade dos homens mas por caprichos da natureza local.
não creio que "fajó" tenha que ver com feijões, embora não seja proibido semear feijões numa fajó.
antes creio que "fajó" é o diminutivo de "fajã". e aqui a coisa compõe-se: porque "fajã" é uma "pequena parcela de terreno plano, propício à agricultura, habitualmente situada junto ao mar".
nos Açores, na Madeira e em Cabo Verde, para onde levamos o jeito de dizer as coisas, abundam as "fajãs" - com caraterísticas muito próprias, por via da sua natureza vulcânica.
o verde dos campos vai até onde chega o borrifo das ondas. e antes da chegada dos parques industriais, da indústria de laticínios, dos centros comerciais e das fábricas têxteis e de confeções ainda era mais assim do que que ainda é hoje.
a toponímia de vila do Conde é muito maioritariamente rural e só esporadicamente marítima. para cada "caxinas" ou "árvore" há dezenas de "vilares", "vilas", "aveledas", "outeiros" e "rios maus", além dos infalíveis nomes de proprietários germânicos medievais.
e assim chegamos a "Fajoses". acredito que chegámos a "Fajoses" e não a "Fajozes". porque "Fajoses" será um plural redundante de "Fajós", que já de si é plural de "Fajó". penso que assim, redundando-se a noção de plural, se dá uma ideia de compartimentação em pequenas parcelas. não por vontade dos homens mas por caprichos da natureza local.
não creio que "fajó" tenha que ver com feijões, embora não seja proibido semear feijões numa fajó.
antes creio que "fajó" é o diminutivo de "fajã". e aqui a coisa compõe-se: porque "fajã" é uma "pequena parcela de terreno plano, propício à agricultura, habitualmente situada junto ao mar".
nos Açores, na Madeira e em Cabo Verde, para onde levamos o jeito de dizer as coisas, abundam as "fajãs" - com caraterísticas muito próprias, por via da sua natureza vulcânica.
domingo, 24 de maio de 2009
lorvão (Pt.)
"Lorvão", pequena vila do concelho de Penacova, é um dos topónimos mais antigos da região de Coimbra. a sua origem linguística e, consequentemente, o seu significado, permanecem uma arreliadora incógnita.
tem registadas as formas anteriores Lurbine e Laurbanum.
os primeiros documentos escritos que se referem a Lorvão (Lurbine) remontam aos finais do séc. VI, sendo o seu conteúdo e motivação de natureza religiosa.
de facto, é quase impossível pensar em Lorvão sem vir à mente o seu mosteiro. daí que as tentativas de interpretação do topónimo tenham sido feitas a partir de uma paróquia sueva e, depois, a partir do mosteiro. assim, em busca de um pressuposto fundador, encontrou-se em Lurbino ou Laurbanum um hipotético antropónimo de origem latina, derivado de "louro" ou "loureiro". é uma teoria muito incómoda porque tamém muito arrevesada.
comecemos pelo princípio: o que existia primeiro: o local, a paróquia ou o mosteiro? como a resposta é óbvia, vejamos o local: é um sítio fundo, tranquilo, bem servido de águas e recolhido, propício à busca de meditação e retiro.
primeiro o lugar, depois a sua função.
sendo topónimo muito antigo, é pouco provável que a sua origem seja latina ou mesmo celta.
mais para trás teremos que recorrer à língua basca. e por este caminho chegamos a "lur" (terra) e "be" (em baixo): "terra baixa", "lugar fundeiro". com paralelos em "Lorbé" (Corunha, Galiza) e Lurbe (Béarn, País Basco Francês). o que, sem dúvida, convém mais a "Lorvão" do que todas as teorias conhecidas.
os primeiros documentos escritos que se referem a Lorvão (Lurbine) remontam aos finais do séc. VI, sendo o seu conteúdo e motivação de natureza religiosa.
de facto, é quase impossível pensar em Lorvão sem vir à mente o seu mosteiro. daí que as tentativas de interpretação do topónimo tenham sido feitas a partir de uma paróquia sueva e, depois, a partir do mosteiro. assim, em busca de um pressuposto fundador, encontrou-se em Lurbino ou Laurbanum um hipotético antropónimo de origem latina, derivado de "louro" ou "loureiro". é uma teoria muito incómoda porque tamém muito arrevesada.
comecemos pelo princípio: o que existia primeiro: o local, a paróquia ou o mosteiro? como a resposta é óbvia, vejamos o local: é um sítio fundo, tranquilo, bem servido de águas e recolhido, propício à busca de meditação e retiro.
primeiro o lugar, depois a sua função.
sendo topónimo muito antigo, é pouco provável que a sua origem seja latina ou mesmo celta.
mais para trás teremos que recorrer à língua basca. e por este caminho chegamos a "lur" (terra) e "be" (em baixo): "terra baixa", "lugar fundeiro". com paralelos em "Lorbé" (Corunha, Galiza) e Lurbe (Béarn, País Basco Francês). o que, sem dúvida, convém mais a "Lorvão" do que todas as teorias conhecidas.
topónimos relacionados:
Figueira de Lorvão
Sazes de Lorvão
em Lorvão, no lugar onde outrora foi mosteiro, houve um hospital psiquiátrico, recentemente desqualificado e transformado em asilo de mentes e dementes, que, finalmente, encerrou de vez.
lordemão (Pt.)
lugar da freguesia de São Paulo de Frades, concelho de Coimbra, o seu nome deriva de "nordman", que significa "homem ou povo do norte [da Europa]", forma latinizada para "nordemanum" ou "lordemanum". o mesmo que "normando".aponta, pois, para um povoamento viking.
a "gente do norte" viajava por mar, nos seus famosos barcos - os "drakkar" ou "dragões".
nos séculos IX e X a navegabilidade do Baixo Mondego era muito diferente da atual, de que são testemunho os topónimos que se espalham da Figueira da Foz a Coimbra com o significado de "porto". pelo que não era difícil chegar de barco até bem perto da atual Lordemão.
a "gente do norte" viajava por mar, nos seus famosos barcos - os "drakkar" ou "dragões".
nos séculos IX e X a navegabilidade do Baixo Mondego era muito diferente da atual, de que são testemunho os topónimos que se espalham da Figueira da Foz a Coimbra com o significado de "porto". pelo que não era difícil chegar de barco até bem perto da atual Lordemão.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
modivas (Pt.)
aparentemente estranho, este topónimo tinha no séc. XI a forma "Mola de Olibas". sendo "mola" a forma anterior de "mó", "moinho", e supondo-se "olibas" o mesmo que "olivas" (azeitonas), o nome desta villa rústica [ou parte dela] do concelho de Vila do Conde poderá traduzir-se por "lagar de azeite".pronúncia: "mòdivas".
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