quinta-feira, 4 de julho de 2019

Mesão

Resultado de imagem para a mansio romanaMesão – "mesão" vem do latim "mansio" ("pousada", "albergaria"), lugar de repouso oficial para gente credenciada que fazia caminho pelas vias romanas. havia uma "mansio" de 45 em 45 quilómetros, aproximadamen-
te.
em redor destas pousadas cresceram, com o tempo, povoados que chegaram até hoje.

algumas dessas albergarias seriam pouco requintadas e, por exemplo, não teriam lareira acesa, tendo os frequentadores que prover ao seu próprio aquecimento. daí os vários "Mesão Frio" que se encontram pelo norte de Portugal.

domingo, 5 de maio de 2019

Fogueira

Fogueira é uma aldeia da freguesia de Sangalhos, distrito de Aveiro. o seu estranho nome tem-me despertado curiosidade, já que, para a "fogueira" corresponder ao que parece e merecer lugar na toponímia, deveria ter um caráter permanente e ser coisa digna de se ver.
parece-me mais uma caraterística dialetal da região, com alternância do "i" e do "o", tal como sucede com o rio Cértima, que ora é assim escrito, ora se escreve Cértoma quando se respeita a fala da região.
assim sendo, atrevo-me a considerar que "Fogueira" está por "Figueira".
se assim for, fazem todo o sentido os próximos lugares de "Casaínho" e as três Póvoas: Póvoa do Mato, Póvoa do Castelo e Póvoa do Salgueiro.
veja-se a entrada "Figueira".

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Leça (Pt.), Leza (Cast.)

é mais um hidrónimo comum a Portugal e à região nordeste da Península, indicando a extrema antiguidade do estabelecimento do seu nome.
Leça / Leza (a pronúncia é a mesma) é um hidrónimo comum a Portugal e às regiões de La Rioja e Euskadi, cuja etimologia é paleoeuropeia (le(i)-k-) e se refere à ideia de "verter", "fluir", "es-correr" - como um rio ou ribeiro, córrego, corgo (rio Corgo), corvo (rio Corvo) ou corrente.


Fonte: Onomástica Galega II: onimia e onomástica prerromana e a situación linguística  do noroeste peninsular. Actas do Segundo Coloquio de Leipzig, 17 e 18 de outubro de 2008, edición a cargo de Dieter Kremer, Verba, Anuario Galego de Filoloxia, Anexo 64.

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Ega

outra curiosa coincidência entre a toponímia e hidronímia basco-navarra e a portuguesa é o topónimo e hidrónimo Ega. em Navarra, o Ega é um dos afluentes do Ebro. em Portugal, o rio Ega é um afluente da margem esquerda do Mondego e dá nome a uma freguesia do concelho de Condeixa-a-Nova, freguesia essa antigo território, vila e concelho, pertença dos Templários.
há quem diga que o hidrónimo não é euskera, mas sim latino. a ser latino, é parente dos "Égua", cuja etimologia nos remete para "Água".

terça-feira, 23 de abril de 2019

Nafarros, Navarra

Nafarros é uma povoação da freguesia de São Martinho, do concelho de Sintra. o seu significado não oferece grande dúvida, já que se refere a um povoamento levado a cabo por gente oriunda de Navarra (Nafarroa, na língua euskera).
por sua vez, Navarra, freguesia do concelho de Braga, refere-se igualmente a um povoamento por gente oriunda da mesma região da Ibéria.

domingo, 21 de abril de 2019

Cidacos

Cidacos é um hidrónimo. a sua forma é desinencial, provavelmente genitiva, e indica um nome singular.
em Portugal só tenho ouvido falar de Cidacos em Oliveira de Azeméis, sob a forma de lugar, de ribeira (Ribeira de Cidacos) e respetivo vale (Vale de Cidacos).
o topónimo é estranho e tem uma sonoridade arcaizante. alguns querem ver nele uma origem árabe, mas é sempre melhor procurar topónimos iguais por outras paragens, para se evitar os romanismos e arabismos excessivos.e despropositados. em geral, os rios, lugares, aldeias e cidades têm o nome que lhes foi posto pela língua dos seus primeiros frequentadores. é o que acontece na Europa, na Ásia, na América e na Oceania.
o hidrónimo Cidacos aparece como afluente do Ebro em La Rioja - e com o respetivo Valle del Cidacos; e em Pamplona, Navarra, onde dá nome a um ribeiro - o Zidacos (em castelhano) ou Zidakos (em euskera), afluente do rio Aragão, por sua vez afluente do Ebro. a localização destes Cidacos ou Zidacos / Zidakos (a pronúncia das três grafias é basicamente a mesma) nos extremos nordeste da Península não auguram grande sorte à tese arábica, mas também tornam a decifração da sua origem e significado um bom bocado problemática. pode adiantar-se, sem medo de errar, que o significado, tendo em conta que nenhum dos Cidacos é rio principal, será, então, "ribeiro" ou "ribeira". a sua filiação linguística é que é obscura, pois os bascos têm outras palavras para dizer o mesmo. é, seguramente, um nome pré-romano e a sua antiguidade candidata-o a núcleo humano mais antigo de Oliveira de Azeméis.
outra questão é saber como aparece em Oliveira de Azeméis um ribeiro com um nome igual aos do outro canto da Península.

segunda-feira, 25 de março de 2019

Bóina

Bóina é um hidrónimo. refere-se a um rio do Algarve, localizado junto a Portimão, atualmente na bacia do rio Arade, de que é afluente.
o nome da ribeira de Bóina faz, inevitavelmente, lembrar o do rio Boyne ou An Bóinn, da Irlanda, cuja etimologia remete para uma divindade feminina celta, Boann, que personifica a água e a fertilidade.

sábado, 4 de agosto de 2018

Salazar

"Salazar" é um topónimo leonês, mas de origem linguística euskera. composto de duas partes; Sala e 'zar. "sala", de origem germãnica, mas também presente no euskera, significa "casa", "lugar de reunião",  "monte" (no sentido alentejano do termo). e o "zahar", "'zar", ou "azar", basco, significa "velho". 
"Salazar" é, pois o mesmo que o galego "Saavedra" ou "Savedra" e o português alentejano "Monte Velho".

domingo, 10 de dezembro de 2017

Coselhas, Portela da Cobiça e Calhabé (Coimbra)

a toponímia serve também para congelar formas dialetais. o que hoje nos soa como estranho e até engraçado era a maneira como se falava numa determinada região, concelho, cidade ou freguesia, à data da formação do topónimo. é o caso de "Coselhas", que significa "Caselhas", casas pequenas ou casebres. corresponde às castelhanas "Casillas".
também me causava alguma curiosidade a "Portela da Cobiça", ponto alto da cidade de Coimbra, onde se chega por uma ladeira bastante inclinada. afinal de contas, a "Cobiça" não passa de uma "Cabeça", ponto alto ou lugar alto. a pronúncia da época, na região, fez o resto.
Quanto a Calhabé, o lugar ou zona da cidade de Coimbra, junto ao estádio Cidade de Coimbra, deve o seu nome a uma personagem popular do século XVIII, por alcunha "O Calhabé", conhecido pela sua devoção a Dionisos e que frequentava um pequeno templo, quero dizer taberna, que por ali havia naquela altura. diga-se que, então, o lugar ficava um bom bocado afastado da cidade.
embora os habitantes de Coimbra ainda saibam onde é o Calhabé, esta zona, hoje da cidade, alargou-se e tomou o nome da igreja, e depois freguesia, de São José.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Pedrógão

o topónimo "Pedrógão", antigamente "Pedrógam", tem origem incerta. porém, já é menos incerto que a sua origem esteja relacionada com a presença de algum tipo de pedreiras, rochas ou "pedras", seja a sua origem etimológica celta ou latina.


Pedrógão de São Pedro - curioso pleonasmo, na medida em que o santo patrono já indica a presença de "pedras" especiais.

Pedrógão do Alentejo
Pedrógão Grande
Pedrógão Pequeno
Praia de Pedrógão

existem, ainda,os relacionados:

Pedrogo
Pedrogos

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Coitadinha

em Noudar, concelho de Barrancos, existe a Herdade da Coitadinha. mas, na verdade, não vive lá, nem nunca viveu, nenhuma coitadinha (pelo menos, que se saiba). o nome é uma variante de Coutadinha, ou seja, "pequena coutada".

sábado, 3 de junho de 2017

Bainharia

ao contrário do que muita gente apressada poderia pensar, "Bainharia" não tem nada que ver com "banhos". refere-se à presença de uma oficina ou fábrica ou grupo de manufaturas que produzem bainhas para armas brancas, como espadas e punhais. a sua origem é medieval.
há uma rua da Bainharia na cidade do Porto.


segunda-feira, 8 de maio de 2017

Ana Loura

Ana Loura São Bento e Ana Loura São Domingos são duas povoações do concelho de Estremoz.

evidentemente, o nome delas está deturpado por assimilação fonética, dado ter-se perdido o significado original. o de uma mulher loira chamada Ana é que não é seguramente.
entretanto, "Ana Loura" está constituída por dois hidrónimos, um Ana (como em Guadiana) e o outro Loura (como em rio Louro, Louriçal, Loureiro). é, pois, como tão frequentemente acontece na Toponímia, um pleonasmo, que significa, tal como em Guadiana, "rio"+"rio". estes pleonasmos devem-se à substituição de um sistema linguístico por outro, em que o segundo ou terceiro "traduz" sem o saber o nome anterior: mais uma vez, o exemplo "Rio Guadi Ana", isto é, "rio+"rio"+"rio"

junto a Ana Loura corre, de facto, um ribeiro com esse nome: "Ana Loura".
o nome "Ana" é tipicamente do sul, enquanto que "loura" / "louro" aparece mais no norte.

em minha opinião, dado que o nome nada tem a ver com a cor dos cabelos do rio Ana, deveria escrever-se Analoura.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Alfafar

o topónimo "Alfafar" existe em Portugal, na freguesia de Podentes, concelho de Penela, e no sul de Espanha, num município de Valência.
a sua origem é árabe e significa "olaria".

Lenteiro


a palavra "lenteiro" refere-se a um terreno húmido e pantanoso, o mesmo que lameiro, pântano.

conheço alguns  topónimos portugueses:
Lenteiro (Baião)
Lenteiro (Barcelos) - em "Citânia de Lenteiro".
Lenteiro do Rio (São Pedro do Sul) 
Rua do Lenteiro (Santa Maria da Feira)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Almaraz (Pt.)

não se trata da Almaraz na bacia do rio Tejo espanhol, na província de Cáceres, junto à fronteira da Beira Baixa, nem de Almaraz de La Mota, perto de Valhadolid. trata-se da Quinta de Almaraz, em Almada, local arqueológico de relevo.
de acordo com Fernando Branco Correia (2016), o topónimo relaciona-se com a eventual presença de uma torre de vigia.

sábado, 22 de outubro de 2016

lugares onde se atravessava os rios a pé

os lugares que contenham os termos "Barca", "Barco" e variantes, "Couço" e variantes,  "Pessegueiro" e "Vau" são geralmente lugares de travessia de rios.

exemplos:

Barca
Barca d'Alva
Barco
Barquinha
Barcouço (pleonasmo: Barco+Couço)
Coiço
Couce
Couço
Pessegueiro
Pessegueiro do Vouga
Vau
Vila Nova da Barquinha

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Páramo, Paramos, Paraimo, Parâmio

"Páramo" e derivados (Paraimo, Parâmio, Páramos) é um vocábulo derivado do latim "paramus", que se refere a una superfície plana, pouco fértil ou desértica; charneca. também designa sítios que não oferecem proteção ou abrigo.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Misarela ou Mijarela

lendo o terceiro volume de "Investigação da Etymologia ou Proveniência dos Nomes das Nossas Povoações", de Pedro Augusto Ferreira, "bacharel formado Teologia, continuador de Portugal Antigo e Moderno, e abbade de Miragaia aposentado", de 1915, vejo, a propósito de Misarela:
"todas as nossas Misarellas e Mijarellas são quedas d'agua naturaes — algumas lindissimas, de grande altura e grande força".
nem tudo o que o autor escreve se diz, mas aqui parece-me ter razão. as Misarelas ou Mijarelas relacionam-se com quedas de água. é como se a Natureza mijasse. e, então, a grafia deverá ser "Misarela", com um "s" viseense, e não "Mizarela".
assim, na Serra da Freita, na montante das águas do rio Caima, há uma queda de água de grande altura (60 metros) a que chamam a "Frecha da Mijarela" ou "Frecha da Misarela".
havia até uma cantiga popular que rezava assim:

"a Frecha da Mijarela
tão alta está ela,
deixai-a lá 'star.
q' os fidalgotes do Porto
por ser água boa,
q'riam-na encanar".

domingo, 22 de maio de 2016

Arco do Cego

vou frequentemente a Lisboa e não raramente estaciono no Jardim do "Arco do Cego". sempre me fez espécie tal nome. onde estaria esse arco, que já lá não está, e que cego tão famoso seria esse?
do arco há notícia. não do seu nascimento, mas da sua morte.
em setembro de 1742 foi ali demolido um arco para que pudesse passar a carruagem do rei D. João V, em viagem para as Caldas da Rainha, onde iria curar-se a banhos termais.
o arco foi demolido mas o rei acabou por preferir um bergantim e ir rio acima até Vila Nova da Rainha, no concelho da Azambuja, e daí seguir para as Caldas as 28 milhas restantes..

do "cego" é que não há notícia, pelo menos de que eu tenha conhecimento. da última vez que lá estacionei verifiquei uma pequena diferença na designação do parque. em lugar de "Arco do Cego" dizia agora "Arco Cego".
pensei: "é dessas modernidades de tirar os 'des' às palavras compostas, tão do agrado das parangonas de jornais e telejornais.
"nã !" - pensei, depois, melhor. isto até que faz sentido: "arco cego" existe, "arco do cego" é que é mais difícil.
e então o que vem a ser um "arco cego"? é um arco que por necessidade posterior à sua constrção, ou por qualquer outro motivo, foi fechado com pedra ou qualquer outro material de construção, de jeito que já nada se pode ver através dele.
fica também mais compreensível por que houve que o demolir para passar o rei, que, afinal de contas, não passou.
e serve esta estória para compreender as voltas que os nomes dão. sobretudo quando a sua história já não é conhecida das pessoas residentes.
hemos de convir que "Arco do Cego" tem mais poesia, mais magia, sei lá. mas "Arco Cego" é o que faz sentido prático.