bem-vindo!.....por que é que a sua terra se chama...?..(blogue de apontamentos).........................direitos reservados. proibida a cópia ou reprodução sem autorização expressa do autor.
quarta-feira, 18 de outubro de 2023
Vila Pouca (Pt. e Gz.)
de acordo com os dicionários disponíveis, "Vila Pouca" refere-se a uma "pequena villa", quinta de pequenas dimensões (comparada com outras maiores).
exemplos:
Vila Pouca (Pt. e Gz.),
Vila Pouca da Beira,
Vila Pouca de Aguiar,
Vila Pouca de Salzedas,
Vila Pouca de Sernache,
Vila Pouca do Campo
sexta-feira, 17 de junho de 2022
as "sepulturas antropomórficas"
a ciência é feita de provas, de números, de comparações. mas terá que haver um lugar para a intuição, que permita elaborar teorias e pô-las à prova.
a ciência não pode ser feita de aparências tidas por realidades, por mais "óbvia" que a aparência se apresente.
vem isto a propósito das impropriamente chamadas "sepulturas antropomórficas", que de sepulturas apenas têm uma aparência, ainda por cima pouco óbvia.
o tema tem sido alvo de extensíssima literatura e investigação, quase sempre, senão sempre, voltadas para a sua vocação necropólica. mas será assim?
de facto, se de sepulturas se tratasse, eram sepulturas de tamanho pequeno, abaixo da média das estaturas adultas, mais próximas do tamanho de crianças crescidas, digamos, de 8 a 12 anos de idade. por outro lado, nenhuma dessas "sepulturas" tem profundidade que chegue para acolher por inteiro um cadáver, deixando de fora o peito e a barriga, quando não parte da cabeça.
ainda por outro lado, em algums locais, são tantas que certamente excedem o número de famílias e pessoas do lugar (indicando talvez uma dimensão "diocesana"), enquanto que noutros lados são claramente poucas para a população existente (mais próprias de uma dimensão "paroquial").
para concluir o puzzle, as "sepulturas antropomórficas" não têm (ou talvez raramente tenham tido, temporariamente), cobertura, de terra, de barro, de madeira ou de pedra, pelo que os cadáveres ficariam expostos à chuva, ao vento, à trovoada, aos bichos predadores e à predação dos homens.
essas "sepulturas antropomórficas" deixam de lado os adultos, sendo certo que a imensa maioria delas não permite lá deitar quem tenha mais que 1,20 m, no máximo 1,50 m.
eu tenho seguido em especial dois lugares de "sepulturas antropomórficas": São Pedro de Lourosa e Penela, sabendo que também existem junto à Sé Velha de Coimbra.
sei que há muitas outras, da Galiza e do Entre-Douro-e-Minho às Beiras, e, curiosamente, quase todas têm ao lado uma velhíssima igreja ou vestígios de cultos ancestrais. e, mais curioso ainda, muitas dessas igrejas têm por orago São Pedro - o que, de imediato, chama mais a atenção para a pedra ou penedo ("tu és Pedro e sobre essa pedra fundarei a minha igreja") do que para um local de inumação.
ainda mais estranho, não há por perto cemitério algum, que ateste a vocação do lugar para intervenções fúnebres.
no caso de São Pedro de Lourosa, há uma grande laje com dezenas dessas ditas "sepulturas", sobre parte das quais se ergue a velhíssima igreja suevo-moçarábico-românica.
no caso de Penela, o orago é São Miguel, a igreja adjacente está referenciada pelo menos desde a época românica (séc. XI). o orago aponta para um culto mais orientado para coisas etéreas ou celestiais do que para temáticas fúnebres.
além disso, e muito mais significativo, as ditas "sepulturas" estão colocadas num penedo bastante abrupto, com algumas dessas cavas desprotegidas, "abertas" de um dos lados, o que torna o enterramento verdadeiramente impossível, permitindo apenas a colocação da criança viva por algum tempo.
tudo isto me leva a concluir que tais lugares, longe de serem locais de sepultura são locais de cerimónias de iniciação ou de passagem, da idade infantil para a idade adulta, durante as quais é necessário "morrer" para "renascer" (ao "terceiro dia"?) sob outra qualidade.
daí a continuidade da santidade do lugar com a respetiva igreja.
ainda, e finalmente, é estranho que um método de "inumação" como este só tenha lugar em certos locais e não noutros da mesma área geográfica, sociológica e cultural.
a propósito, resta-me exprimir o meu completo ceticismo relativamente à atribuição maioritária destes monumentos à Idade Média. não parece coisa desse tempo. o que é seguramente desse tempo, numa exensão que vai do período suevo e visigótico (século V) até ao período borgonhês (século XI), é a sua cristianização total ou parcial, com a construção da respetiva igreja anexa e a constituição da paróquia ou da diocese.
e, claro, as suas primeiras referências escritas.
segunda-feira, 4 de outubro de 2021
Fontoura
são muitas as aldeias com este nome, nas Astúrias, na Galiza e em Portugal. o seu nome pode significar "fonte da colina" ("tor", palavra celta)".
porém, o termo euskera "itur" significa "fonte", pelo que também não é de excluir que se trate de um pleonasmo frequentíssimo em toponímia: no caso, "Fonte-fonte", como acontece com o consabidíssimo Rio Guadiana: "rio-rio-rio", e Abade de Neiva: "ribeiro do ribeiro".
quarta-feira, 29 de setembro de 2021
Mafamude
Mafamude foi freguesia, hoje incluída na União de Freguesias de Mafamude e Vilar do Paraíso, do concelho de Vila Nova de Gaia. deve o seu nome a um dissidente do Reino de Córdova, o berbere Mahmüd ben Abd al-Djabbar, que chefiou em Mérida um movimento fracassado contra o rei omíada cordovês. foi acolhido por D. Afonso II de Astúrias, que lhe concedeu um feudo (as terras de Mahmud - ou seja, "Mahmudi", no genitivo latino) junto à margem sul do troço final do rio Douro. Mahmüd tornou-se, assim, um precioso e ativo auxiliar do monarca asture, até que, arrependido das suas escolhas, voltou a estabelecer relações com Abd al-Rahman II, rei de Córdova.
face à traição do seu vassalo e protegido, Afonso II atacou-o no castelo do Douro, prendeu-o e mandou executá-lo, em maio de 840. Mahmüd não terá permanecido no seu refúgio mais do que dois anos, dado que tinha sido proscrito de Córdova em 838.
créditos: Joseph M. Piel, in Revista Portuguesa de História, tomo V, 1951, Coimbra, pp. 283-286.
terça-feira, 31 de agosto de 2021
topónimos portugueses transpostos no Brasil
muitas adeias, vilas e cidades de Portugal partilham o seu nome com aldeias, vilas e cidades brasileiras, por simples transposição, possivelmente, em muitos casos, por iniciativa dos seus primeiros povoadores, oriundos de terras com o mesmo nome. entre parêntesis a sigla do repetivo Estado:
Abrantes (BA),
Alcobaça (BA),
Alenquer (PA),
Amarante (PI),
Almeirim (PA),
Almofala (CE),
Alvarenga(MG),
Anadia (AL),
Arouca (SP),
Aveiro (PA),
Baião (PA),
Barcarena(PA),
Barcelos (AM),
Batalha (PI),
Belmonte (BA),
Bom Jesus(PI),
Borda do Campo (PR),
Braga (RS)
Bragança (PA),
Campo Maior(PI),
Cantanhede (MA),
Carvalhos(MG),
Caxias (MA),
Chaves (PA),
Cintra (MG) (graf.),
Coimbra (MG),
Colares (PA),
Crato (CE),
Curvelo (MG),
Extremoz (RN)(graf.),
Faro (PA),
Fátima (BA),
Ferreiros(PE),
Fundão (ES),
Gavião (BA),
Gouveia (MG),
Granja (CE),
Guimarães(MA),
Jales (SP),,
Jerumenha(PI)(graf.),
Lajes (RN),
Linhares (ES),
Lisboa (SC),
Melgaço (PA),
Messejana(CE),
Mirandela(BA),
Monção (MA),
Monte Mor(SP)(graf.),
Nazaré (BA),
Óbidos (PA),
Oeiras (PI),
Ourém (PA),
Pedralva (MG),
Pinhão (PR),
Pinhel (PA),
Pombal (PB),
Portalegre (RN),
Portel (PA),
Porto (PI),
Porto de Moz(PA)(graf.),
Queluz. (SP),
Resende (RJ),
Sagres (SP),
Santarém (PA),
Sardoal (RJ),
Sobral (CE),
Soure (PA),
Trancoso (BA)
Valença (RJ),
Viana (MA), (ES),
Vila Boa (GO),
Vila Flor(RN),
Vista Alegre(RS),
Viseu (PA)
domingo, 29 de agosto de 2021
Ceará (Br.)
Ceará é um topónimo de origem tupi-guarani, e, de entre as hipóteses até hoje formuladas, a mais credível é a que indica o significado de "(terra do) canto das araras".
de notar que um dos primeiros nomes do Brasil foi o de "terra dos papagaios".
créditos:
Laura de Mello e Souza (2001), O nome do Brasil, Revista de História, n. 145, USP.
Joana Angélica Santos Lima (2011). Os topônimos dos Estados Nordestinos Brasileiros, Anais do XV Congresso Nacional de Linguística e Filologia, Cadernos do CNLF, Vol. XV, Nº 5, t. 3. Rio de Janeiro: CiFEFiL
segunda-feira, 16 de agosto de 2021
Pacatuba (Br.)
"Pacatuba", pequena cidade da região de Fortaleza, no Ceará, é uma expressão tupi que significa "(lugar onde há) muitas (tuba) pacas (roedores noturnos da região).
quarta-feira, 11 de agosto de 2021
Itaipava (Br.) e Coiço / Couço (Pt.)
Itaipava é um toponimo de origem tupi-guarani e refere-se a uma fieira de pedras (itá: pedra; í. água, rio; pava: elevação) que permite a travessia de um rio de um lada ao outro, por vezes provocando uma pequena cachoeira.
o topónimo português de significado mais próximo de Itaipava é Coiço ou Couço, onde não raro se estabelecem as barragens hidroelétricas.
segunda-feira, 14 de junho de 2021
Mexilhoeira Grande
Mexilhoeira Grande situa-se no concelho algarvio de Portimão. aqui, sim, o nome é claro: "mexilhoeira", lugar onde abundam ou abundavavam os mexilhões. a existência de vestígios de grandes depósitos de conchas aponta mais para a existência de comemorações rituais em determinado período do ano do que, propriamente, para o consumo diário. algo muito parecido aconteceu na Ilha da Toja, no concelho do Grove,na Galiza, só que na Galiza a festa era com vieiras e o lugar permanece ligado à celebração religiosa primordial, com a Capela das Conchas.
quinta-feira, 3 de junho de 2021
Cordovão
este topónimo aparece na freguesia de Eiras, concelho de Coimbra, dando nome a uma quinta. significa o topónimo que tal quinta ou lugar foi pertença de alguém oriundo de Córdova, tal como Almalaguês (Al-Malaguês) se refere a alguém oriundo de Málaga.
tempos do convívio moçárabe com o império das Arábias.
sexta-feira, 31 de julho de 2020
Senhor Roubado
o "Senhor Roubado" é um local e um monumento situado na antiga estrada real que ligava Loures a Lisboa, numa bifurcação "em que a via esquerda ligava à Póvoa de Santo Adrião, Mealhada, Loures e Torres Vedras, enquanto a via da direita, atual Rua do Senhor Roubado, ligava à vizinha povoação de Odivelas". nessa bifurcação situa-se um monumento interessante de planta trapezoidal, onde se ergue um padrão.
"vários autores encaram o monumento do Senhor Roubado (construído em 1744) como uma consequência natural e linear de um roubo cometido em 1671".
"na manhã do dia 11 de maio de 1671 o pároco da Igreja Matriz de Odivelas deparou-se com a sua igreja roubada e profanada. o sacrário, local mais importante da igreja, havia sido violado bem como roubadas as hóstias consagradas, consideradas corpo e sangue de Jesus.
além deste crime, o ladrão mostrara o mais perfeito desrespeito para com as imagens, principalmente para com a Virgem e o Menino Jesus, já que as despiu.
este ato de desrespeito originou um grande sentimento de revolta (...). os roubos às igrejas eram frequentes, mas os ladrões ficavam-se apenas pelas esmolas e pelos candelabros e outras peças de ourivesaria sem grande importância religiosa".
o culpado confesso terá sido "António Ferreira, um trabalhador agrícola, que foi apanhado a roubar galinhas no Convento de Odivelas. encontraram no bolso uma cruz que logo os padres da Paroquial e uns ourives declaram ser de um dos vasos furtados. sob tortura confessou o crime e declarou que não havia mais cúmplices para além dele, ilibando desta forma os judeus (que até aí eram apontados como os verdadeiros autores). confessou também onde tinha escondido o remanescente do furto que foi de imediato resgatado".
(o texto baseia-se na obra "O Monumento do Senhor Roubado em Odivelas, de João Miguel Simões, 2000, in: https://www.academia.edu/1785295/O_Monumento_do_Senhor_Roubado_em_Odivelas?email_work_card=view-paper).
(a foto é da Câmara Municipal de Odivelas).
sábado, 11 de julho de 2020
Nogueira e os pseudo-fitotopónimos.
"Nogueira" é um orónimo, associado a elevações de maior ou menor importância. embora a sua origem resida em Nugaria, não é crível que tenha que ver com nozes nem com a árvore que as produz.
na verdade, todas as "Nogueiras" que eu conheço e seus diminutivos (como Nogueiró) se localizam em pontos de elevação relativa, a começar pela Serra de Nogueira, no distrito de Bragança.
há "Nogueiras" em Portugal e na Galiza (exemplo: Nogueira de Ramuim ou Ramuín).
na verdade, todas as "Nogueiras" que eu conheço e seus diminutivos (como Nogueiró) se localizam em pontos de elevação relativa, a começar pela Serra de Nogueira, no distrito de Bragança.
há "Nogueiras" em Portugal e na Galiza (exemplo: Nogueira de Ramuim ou Ramuín).
segunda-feira, 30 de março de 2020
Neiva, Abade, Ribeira
estes topónimos são hidrónimos e significam exatamente a mesma coisa: ribeira, pequeno rio.
curiosamente, surgem muitas vezes emparelhados, formando redundâncias ou pleonasmos, como Ribeira de Abade e Abade de Neiva.
isto permite-nos seriar os termos por ordem cronológica de aparecimento linguístico. assim, creio não me enganar muito se disser que "Neiva" é a palavra mais antiga, "Abade" a intermédia e "Ribeira" a mais recente.
a ordem de formação destes hidrónimos redundantes ou pleonásticos é colocar em primeiro lugar o termo mais recente e em último lugar o termo mais antigo, como em Rio Guadiana: Rio - Guadi - Ana.
a ordem de formação destes hidrónimos redundantes ou pleonásticos é colocar em primeiro lugar o termo mais recente e em último lugar o termo mais antigo, como em Rio Guadiana: Rio - Guadi - Ana.
terça-feira, 31 de dezembro de 2019
Coruche
Coruche é uma vila e concelho do distrito de Santarém. a sua origem etimológica é muito controversa e tem sido alvo das mais díspares (e disparatadas) hipóteses. sabe-se que as primeiras referências escritas designam Coruche como "Culuchi" e "Coluchi", já num período de disputas e alternâncias entre o domínio arábico e romãnico-medieval, o que significa que foi transposto de uma pronúncia moçarábica.
não vou aqui referir as hipóteses e perplexidades com que autores diversos trataram este topónimo. desde ponto alto até algo relativo a corujas e mesmo a um antropónimo Cruch ou Cruz, tudo foi aventado.
ora, Coruche é o quê? é, em primeiro lugar, um antigo e importante cruzamento de vias ancestrais. será portanto, um "Cruze" ou "Cruce", "Cruz" (cruzeiro ou cruzamento), pronunciado de acordo com o falar dos seus naturais quando lhe deram o nome. e se assim for fica muito bem.
domingo, 29 de dezembro de 2019
Gibraltar
Gibraltar vem do árabe Djebel al Tárik: "o Rochedo de Tárik", pelo que a pronúncia correta é "Gibraltár" e nunca "Gibráltar", é um lugar da freguesia de Ponte do Rol, no município de Torres Vedras.
depois de muito procurar, continuo a desconhecer a origem histórica do nome deste lugar, cuja ligação ao outro Gibraltar é evidente (eu digo sempre que nada é evidente), mas não me admiraria que resultasse da deslocação de algum ou alguns gibraltinos para esta região saloia.
em www.pontedorol.pt pode ler-se este pequeno dislate: "bem perto da zona marítima, naquela que era então a foz do Rio Sizandro, os romanos fizeram crescer uma vila de certa importância económica a que chamaram de Gibraltar". ora como Tárik viveu entre 670 e 720, e já não havia romanos há muito, esta explicação é realmente difícil...
sabe-se que em Gibraltar (de Ponte do Rol) existe um poço mourisco, o que pode ajudar a decifrar a origem deste topónimo.
em www.pontedorol.pt pode ler-se este pequeno dislate: "bem perto da zona marítima, naquela que era então a foz do Rio Sizandro, os romanos fizeram crescer uma vila de certa importância económica a que chamaram de Gibraltar". ora como Tárik viveu entre 670 e 720, e já não havia romanos há muito, esta explicação é realmente difícil...
sabe-se que em Gibraltar (de Ponte do Rol) existe um poço mourisco, o que pode ajudar a decifrar a origem deste topónimo.
sábado, 28 de dezembro de 2019
Malga
há mais que um topónimo "Malga". conheço um deles, bem perto de Coimbra, na freguesia de Sernache. o seu nome não oferece dúvida quanto à origem e significado: alguém da região de Málaga veio povoar o lugar e dar-lhe nome.
outros dois topónimos "Malga" situam-se um em Sobral de Monte Agraço, outro em Cabeceiras de Basto
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consulta:
pág. 123
e
http://cvc.instituto-camoes.pt/hlp/biblioteca/mocarabismo.pdf
pág.6
Casconha
como muitos topónimos terminados em "onha", como "Bretonha", "Bergonha", "Borgonha" ou "Vergonha", "Casconha" é um lugar que foi povoado por gente oriunda de outras terras. no caso, Casconha refere-se ao País Basco. a sua forma mais antiga era Gasconie, coisa que não deixa grandes dúvidas sobre a origem dos povoadores que deram nome ao lugar.
há pelo menos, em Portugal, duas Casconhas, uma em Sernache (Coimbra), outra em Sobreira (Paredes).
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consulta:
http://www.patrimoniocultural.gov.pt/static/data/publicacoes/ta/trag_arqueologia_38visitacaodoslugaresarrumadosporfolhasdacartamilitardeportugal.pdf há pelo menos, em Portugal, duas Casconhas, uma em Sernache (Coimbra), outra em Sobreira (Paredes).
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consulta:
pág. 123
segunda-feira, 16 de dezembro de 2019
Fermelã
freguesia que faz atualmente parte da União de Freguesias de Canelas e Fermelã, do concelho de Estarreja, distrito de Aveiro.
o seu nome remete-nos para Fermelana, "aldeia de gente oriunda de Fermelo".
o nome de Fermelana ou Fermelane já existe registado desde o século XI, anterior, portanto, às arremetidas de Afonso Henriques, e, mais ainda, anterior ao Tratado de Alcanizes (ou Alcañices), de 1297, com o qual Dom Dinis estabeleceu com Fernando IV de Leão e Castela, os limites de fronteira leste entre os dois reinos. no que aqui nos importa, trata-se da atribuição a Portugal das terras de além Côa, ou seja, Almeida, Alfaiates, Castelo Bom, Castelo Melhor, Castelo Rodrigo, Monforte, Sabugal e Vilar Maior.
ora, Vilar Maior é uma das circunscrições religiosas medievais que, embora pertencentes a Portugal pelo Tratado de Alcanizes de 1297, continuavam sob a hégide da Sé de Cidade Rodrigo, e continha as seguintes freguesias: São Pedro e Santa Maria de Vilar Maior, São João de Malhada Sorda, Santa Maria de Besmula, São Bartolomeu de Nave de Haver e São João de Fermelo.
Deste Fermelo, em época de transições ou estabelecimento de soberanias, podem ter migrado populações que deram origem a Fermelã, uma vez que é o que Fermelã quer dizer.
Quanto à etimologia de Fermelo, essa é outra questão. há quem a relacione com o francês "ferme", fazenda, granja, aceção próxima do inglês farm. será ou não. e sendo, nesse caso, "Fermelo" seria um diminutivo, uma pequena "ferme".
não encontrei outro Fermelo senão esse.
...........
Consulta bibliográfica: História Religiosa de Portugal, Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa, Vol. 1, Direção de Carlos Moreira Azevedo, Formação e limites da cristandade, Coorden. de Ana Maria C. M. Jorge e Ana Maria S. A. Rodrigues, Círculo de Leitores, 2000.
Deste Fermelo, em época de transições ou estabelecimento de soberanias, podem ter migrado populações que deram origem a Fermelã, uma vez que é o que Fermelã quer dizer.
Quanto à etimologia de Fermelo, essa é outra questão. há quem a relacione com o francês "ferme", fazenda, granja, aceção próxima do inglês farm. será ou não. e sendo, nesse caso, "Fermelo" seria um diminutivo, uma pequena "ferme".
não encontrei outro Fermelo senão esse.
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Consulta bibliográfica: História Religiosa de Portugal, Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa, Vol. 1, Direção de Carlos Moreira Azevedo, Formação e limites da cristandade, Coorden. de Ana Maria C. M. Jorge e Ana Maria S. A. Rodrigues, Círculo de Leitores, 2000.
terça-feira, 3 de dezembro de 2019
Golegã
"Golegã" deriva de "Galegana", o mesmo que "aldeia galega" ou "aldeia da galega".
pode ter sido mais um povoamento de raiz galega, ou dever o nome a alguma galega que se destacasse do comum dos mortais, ao ponto de dar o nome à povoação. o que, diga-se, de um modo ou do outro, terá sempre que ver com a Galiza.
diz-se que no local teria havido uma taberna propriedade de uma galega. e daí o nome.
pode ter sido mais um povoamento de raiz galega, ou dever o nome a alguma galega que se destacasse do comum dos mortais, ao ponto de dar o nome à povoação. o que, diga-se, de um modo ou do outro, terá sempre que ver com a Galiza.
diz-se que no local teria havido uma taberna propriedade de uma galega. e daí o nome.
quarta-feira, 13 de novembro de 2019
Lourinhã
Lourinhã é uma vila e concelho do noroeste do distrito de Lisboa. povoada e repovoada várias vezes ao longo da Pré-história e da História. não deverá ter ido buscar o seu nome aos celtas, túrdulos, fenícios, gregos e cartagineses, nem aos romanos, mas sim aos seus últimos povoadores.
a etimologia que se costuma atribuir à Lourinhã é de uma hipotética ligação a um hipotético romano, hipoteticamente senhor de uma villa, ou propriedade rústica, de seu suposto nome Laurinius.
a etimologia que se costuma atribuir à Lourinhã é de uma hipotética ligação a um hipotético romano, hipoteticamente senhor de uma villa, ou propriedade rústica, de seu suposto nome Laurinius.
não acredito. nunca ninguém descobriu esse Laurinius, nem vivo nem morto.
mas contígua à Lourinhã fica a freguesia de São Bartolomeu de Galegos. e isso faz-me voltar à questão dos movimentos populacionais de norte para sul, chamando galegos para repovoar terras abandonadas ou esvaídas de população.
assim sendo, por que razão haveria Galegos mesmo juntinho à Lourinhã, sem que a Lourinhã tivesse algo que ver com a Galiza?
Lourinhã pressupõe a forma Louriniana, significando uma terra com designação derivada de uma Lourinia. em galego-português, Lourinia é Lourinha ou, se quiserem, Louriña.
ora, onde é Lourinha ou Louriña? em primeiro lugar, Lourinha deriva do nome do rio Louro, no sul da Galiza, Província de Pontevedra, o qual corre pelo Vale da Lourinha.
(a propósito, também cá temos um rio Louro, na região de Vila Nova de Famalicão).
portanto, não custa muito supor que a Lourinhã deva o seu nome a gente que veio do Vale da Lourinha. e então teremos os galegos da Lourinha que deram o nome à Lourinhã e os galegos de qualquer outro lado, se não o mesmo, que deram o nome à contígua freguesia de São Bartolomeu de Galegos.
(a propósito, também cá temos um rio Louro, na região de Vila Nova de Famalicão).
portanto, não custa muito supor que a Lourinhã deva o seu nome a gente que veio do Vale da Lourinha. e então teremos os galegos da Lourinha que deram o nome à Lourinhã e os galegos de qualquer outro lado, se não o mesmo, que deram o nome à contígua freguesia de São Bartolomeu de Galegos.
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