quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

covas, covinhas e covões

a toponímia regista os acidentes topográficos como fatores suficientemente distintivos para distinguir pelo nome lugares que, provavelmente e de início, nada mais tinham que os distinguisse dos outros.


As Covas (Gz.) - particularismo desaconselhável. está por "Covas"

Cobelo (Gz.) - particularismo desaconselhável. está por "Covelo". ou será "Cubelo" (pequena torre de fortificação)?

Cova (Pt., Gz. e Br.) – gruta?
Cova da Beira -
Cova da Iria –
Cova da Lapa -
Cova da Loba -
Cova da Moura –
Cova da Piedade -
Cova da Raposa -
Cova de Alvito -
Cova de Dominique – por “Cova Dominica”? cf. “Covadonga”
Cova de Lobos (Gz.) -
Covada -
Covadela -
Covadinhas –
Cova do Barro –
Cova do Bicho -
Cova do Inferno -
Cova do Ouro -
Cova do Pico (Md.)-
Cova do Vapor -
Cova do Viriato -
Cova-Gala -
Covais -
Coval (Pt. e Gz.)-
Covalhão -
Coval Quente –
Covanca (Pt. e Br.) -
Covão –
Covão do Lobo –
Covas (Pt., Gz. e Br.)–
Covas da Raposa –
Covas do Rio –
Covela (Pt. e Gz.)
Covelas – diminut. de “Covas”
Covelha -
Covelho - ver "Covelo"
Covelinha (Pt. e Gz.) - duplo diminutivo de "Cova"
Covelinhas – duplo diminutivo de “Covas”
Covelinho - ver "Covelo"
Covelo (Pt. e Gz.) – ver "Cobelo"
Covelo do Gerês –
Covelos (Pt. e Gz.) –
Covetas -
Covetinhas -
Covide –
Covilhã – cf. “Convilhana”
Covinha (Pt. e Gz.) -
Covinhas (Pt. e Br.) -
Covita -
Covões -
Cubelo (Gz.) - ver "Cobelo"
Eira Cova -
Eira de Vilacoba ou Eira de Vila Cova (Gz.)-
Lagoa Cova -
Penacova -
San Paio de Vilacoba ou São Paio de Vila Cova (Gz.)-
São Pedro da Cova -
Vila Cova (Pt. e Gz.)-
Vila Cova a Coelheira -
Vila Cova da Lixa -
Vila Cova de Carros -
Vila Cova de Cima -
Vila Cova de Perrinho -
Vila Cova de Tavares -
Vila Cova do Alva -

Vila Cova do Covelo - uma curiosa redundância, ou Covelo está por "Cubelo"?

domingo, 30 de janeiro de 2011

chousa e derivados

chousa é uma porção de monte cerrado e acoutado; herdade ou horto fechado, que se destina a diversos cultivos e onde também existem árvores; tapada, terreno cercado ou murado, grande área com bosques, campos e água corrente, murada em toda a volta e destinada à criação e preservação da caça para gozo de particulares; conjunto cercado de leiras pertencentes a um mesmo dono.

já pouco usada no português de Portugal, a palavra "chousa" e suas derivadas estão presentes na toponímia galego-portuguesa de inspiração rural:

Choso
Chousa
Chousais
Chousal
Chousalinho
Chousa Nova
Chousas
Chousa Velha
Chousela
Chouselas
Chouselinha - duplo diminutivo de Chousa
Chousinha
Chouso
Chousos
Souselas

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

topónimos híbridos românico-arábicos

os topónimos híbridos românico-arábicos testemunham a presença de populações de fala romance (neste caso dialetos galaico-portugueses), sob domínio arábico. o fenómeno de hibridação ocorre sempre que a língua autótone está sob domínio estranho, como no caso da toponímia africana, americana e asiática que tenha sofrido hibridação com línguas europeias, designadamente o português.
a hibridação românico-arábica traduziu-se, em geral, na aposição do artigo "al" a topónimos que traduzissem substantivos e num certo grau de alteração da fonética original.


exemplos de topónimos híbridos românico-arábicos:

Alapraia - de al- A Praia
Albandeira - de al-Bandeira
Albarquel - de al-Barquel
Albogas - de al-Bogas
Alboritel - de al-Portel (?)
Alcabideche - de al-caput acqua
Alcabideque - o mesmo que Alcabideche
Alcabrichel - de al-Caprichel
Alcamim - de al-Caminho
Alcanede - de al-Canetu
Alcanena - ver Alcanede
Alcaraboiça - de al-Caraboiça
Alcarapinha - de al-Carapinha
Alcava - de al-Cava
Alcolombal - de al-Colombal
Alcongosta - de al-Congosta
Alcôrrego - de al-Côrrego (córrego, corgo) (hidrónimo)
Alcoruchel - de al-Coruchel (cf. Coruche=cruze, cruz, cruzamento)
Alenquer - de al-Enquer (hidrónimo) - do grupo "ank-"

Alfarelos - do árab al-fakhkhar + sufixo diminut. românico -elos. neste caso, não parece um topónimo moçarábico mas antes mudéjar.

Alfeite - de al-Feite (feto)
Alfeiteira - de al-Feiteira
Alfontes - de al-Fontes
Alfornelos - de al-Fornelos ("pequenos fornos")
Almalaguês - de al-Malaguês (?)
Almendra - arabização de amindula (amêndoa)

Almoçageme - "os [mouros] estrangeirados". referir-se-ia a mouros cristianizados, logo, mudéjars. totalmente arábico, não é um topónimo híbrido. é, a título de curiosidade, uma designação que denota como os mouros de território mourisco viam os mouros de território cristão ou cristianizados.

Almonda - de al-Monda (hidrónimo)
Almoster - de al-Monasteriu
Almourol - de al-Mourol
Almortão - de al-Motão
Alpalhão - de al-Palhão (o mesmo que Paleão / Palião?)
Alpedrede - al-Pedrede
Alpedreira - de al-Pedreira
Alpedrinha - de al-Pedrinha
Alpendorada - de al-Pendorada (relação com pendor?)
Alpedriz - de al-Pedriz
Alpiarça - de al-Peaça
Alpoim - de al-Podium
Alviela - de al-Veela (veio de água) (hidrónimo)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

matafolhada ou matafojada?

na região do Eo-Navia, da Galiza Exterior, também chamada Irredenta, existe um topónimo que por força dos castelhanizantes era escrita "Matafoyada". o ressurgimento galego, que se tem ocupado de repor a toponímia na nossa Língua e com ortografia portuguesa, corrigiu para Matafolhada. discordo, pois creio que, neste caso, a "versão" castelhana reproduzia melhor a palavra que admito como a original, "Mata Fojada", do que propriamente "Matafolhada" ("Mata Folhada"). além dos segundos sentidos que tem, Mata Folhada não faz sentido nenhum. mas se for Mata Fojada já significa que é uma mata onde há fojos (certas armadilhas para caçar animais).
pode dizer-se, numa abordagem evidentista, que Mata Folhada é uma mata cheia de folhas, mas nesse caso não valeria a pena chamar-lhe uma coisa que é própria de todas as matas... já Mata Fojada, de fojo (foxo), é muito mais distintivo, porque nem todas as matas têm fojos.
de qualquer modo, vale a pena investigar melhor o assunto.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Malga (Pt., Gz. e E.)

este topónimo, cujo primeiro contacto me ocorre aqui perto de Coimbra, evoca-me um outro, aqui próximo também: Almalaguês. tal como este último, Malga, que é a forma sincopada de Málaga (Mal'ga), refere-se a um povoamento por gente vinda daquela cidade e região do sul da Península.
há também Malga em Cabeceiras de Basto e em Sobral de Monte Agraço.
o topónimo ocorre em Espanha e, designadamente, na Galiza.

égua, éguas

já me referi a este(s) hidrónimo(s). por evidente que seja a relação entre eles e a presença de ribeiros, riachos e pequenos cursos de água em geral, ainda se encontra quem defenda que eles se referem à(s) fêmea(s) do(s) cavalo(s). mas, na verdade, a sua origem está nas falas dialetais para a palavra "água" (acqua), curiosamente numa forma muito semelhante a formas encontradas na Provença.
ainda mais curiosa é a sua presença no Brasil, em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Paraná. mas esta curiosidade só pode estranhá-la quem não conhece o caráter conservador do Português do Brasil.
em Portugal, conheço:

Chãs d' Égua
Éguas
Fonte das Éguas (Gz.)
Foz d' Égua
Monte da Égua
Portas d' Égua
Vale de Água


sexta-feira, 25 de junho de 2010

bande (Pt. e Gz.), bandoiva (Pt.), bandova (Pt.), banduagem (Pt.)

estes topónimos parecem estar associados às águas serranas e, através delas, à sua divinização sob a forma céltica Band- e suas variantes (Bandi, Bandio, Bandua, Bandoga). a divinização das águas através do teónimo Band- é muito frequente no norte de Portugal e da Galiza, pelo que não admirará que tenha permanecido na toponímia, quer diretamente quer influenciando a inflexão de palavras semelhantes de outra origem. de facto, não é seguro que "Bande" derive diretamente das águas divinizadas dos celtas do noroeste peninsular. pode resultar das tradicionais villae de proprietários rurais com nomes como Vanatus ou Bandus no genitivo. mas a influência do teónimo parece incontornável.
acresce dizer que Bandova é o nome de um ribeiro de montanha afluente do Mondego.
ver também Banduagem (Comentº de Anónimo).

sábado, 10 de abril de 2010

marinha

em países à beira mar é normal que os homens se aglomerassem em torno de lugares ricos em sal, as "marinhas" ou salinas. essas populações dedicavam-se originariamente à extração desse produto, tão essencial à vida humana que foi um dos primeiros determinantes da necessidade de comerciar. o seu valor chegou a ser utilizado como forma de pagamento de serviços, originando o termo e o conceito de "salário", ou seja, a quantidade de sal recebida mensalmente pela prestação de um serviço, habitualmente de natureza militar. a localização atual das "Marinhas", devido à modificação da linha de costa com o decorrer dos séculos, indica que no tempo em que lhe foi dado o nome chegava lá a água do mar, muitas vezes através de esteiros ou rias suficientemente amplos para permitirem a evaporação da água do mar e o depósito do sal.

Marinha (Gz.)
Marinha das Ondas
Marinha Grande
Marinhais
Marinhal
Marinha Pequena
Marinhas (Pt. e Gz.)

mas há Marinhas, Marinhelas, Marinhos e Marinhões que pela sua localização requerem outra origem etimológica.

segunda-feira, 29 de março de 2010

admeus e adpropeixe

desafia-me Rui C. Barbosa para esclarecer a origem dos topónimos Admeus e Adpropeixe, em Vilar da Veiga, Terras de Bouro, região da serra do Gerês. conheço bem a região, mas não encontro caminho andado que me permita chegar seguramente ao significado dos referidos topónimos. posso tentar uma proposta de "decifração". admitamos que Admeus e Adpropeixe estão pela forma "A de Meus" e "A de Propeixe", formas vulgares na toponímia para designar "a [aldeia] de...". nesse caso, resta-nos "decifrar "Meus" e "Propeixe". quanto a "Propeixe", parece admissível a evolução a partir de um antropónimo "Propitius" (Propício) na forma genitiva "propitii". referir-se-ia, assim, a uma aldeia, herdade ou território que teria pertencido a alguém com esse nome, "Propício". teríamos de admitir, no entanto, um duplo genitivo, já que Propitii já quer dizer "[propriedade] de Propitius". mas isso é relativamente comum. significaria, simplesmente que a forma "Propeixe" estava já estabilizada quando lhe foi acrescentado o indicativo "a de".
quanto a "Meus", a interpretação é mais difícil, podendo apenas admitir-se uma relação com a apicultura e a extração de "mel".
que a significação destes lugares se relacione com propriedades rústico-agrícolas em tempos remotos não me parece nada de extraordinário, tanto mais que no século XIII era já essa a vocação atestada daquele território.
mas, seja como for, não passa de uma proposta de decifração. a seu tempo voltarei ao assunto.

sábado, 16 de janeiro de 2010

calheta

tal como "angra", "calheta" é um topónimo que os portugueses espalharam pelas costas oceânicas e que também é praticamente inexistente em Portugal Continental. apenas conheço uma "rua da Calheta", na freguesia da Luz, Praia da Luz, concelho de Lagos, Algarve. o topónimo encontra-se sobretudo nos Açores, na Madeira e em Cabo Verde. tem, pois, que admitir-se que faria parte do léxico próprio dos marinheiros dos séculos xiv a xvi, o que nos remete para contributos exteriores, nomeadamente da náutica catalã.
"calheta" é uma pequena angra, portinho ou praia que permite a arribação de barcos em costas de mar bravo ou de recifes. do catalão "cala". de notar que existe o topónimo "Cala" na ilha do Pico, Açores. e "cala" é uma enseada estreita entre margens alcantiladas e rochosas que tem condições para servir de abrigo às embarcações.
o elemento "cala" é de origem celta ou pré céltica e está muito difundido nas costas europeias atlânticas e mediterrânicas, como em "Calábria", "Calais", "Cale" (Portucale) e nas incontáveis "Cala" das costas de fala catalã.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

âncora, ancoradouro

"âncora" parece, aqui, uma forma arcaica de "angra". entra em topónimos junto ao mar, em lugares que são ou já foram propícios à aportagem de embarcações; o mesmo que "abrigo", "refúgio". Vila Praia de Âncora, na região de Entre Douro e Minho, é uma povoação de pescadores. os derivados são naturais, como "ancoradoiro" / "ancoradouro".

Âncora (*)
Ancoradoiro
Ancoradouro
Porto do Ancoradoiro (Gz.)
Praia do Ancoradoiro (Gz.)
Riba d' Âncora
Vila Praia d' Âncora (*)

por uma daquelas coincidências vulgares na toponímia, em Vila Praia de Âncora desagua o rio Âncora, que nasce 19 km antes na serra d'Arga. a etimologia do hidrónimo contém a raiz "ank-"/"ant-", frequente em hidrónimos como Ançã, Anços, Antuã...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

angra

o topónimo Angra, que os portugueses espalharam pelas costas oceânicas, é praticamente inexistente em Portugal Continental. apenas conheço duas "Angrinhas", no Algarve. as "Angras" são frequentes nos Açores e no Brasil. há um rio Angra, na costa africana ocidental, o que prova que o seu nome foi dado "de fora para dentro", isto é, de quem chegou a terra ido do mar. aliás, todos os topónimos "Angra" foram criados por quem entra em terra ido do mar.
"angra", que parece provir do lat. ancora, é uma reentrância do mar entre duas pontas de terra, mais adentrada que porto e menos que baía; o mesmo que "calheta", "pequena enseada"; ancoradouro".
em latim, ancora/ae, tanto significa "âncora" como "refúgio", "amparo".
o facto de este topónimo praticamente não existir em Portugal Continental faz pensar que terá entrado para a Língua através de um léxico marinheiro importado. é sabido que muitos dos marinheiros das descobertas portuguesas eram de outras proveniências, como a Galiza, o País Basco, a Catalunha, Veneza, Florença e Génova.

angra dos reis

uma das mais antigas cidades do Brasil, Angra dos Reis, e seu atual município, foi descoberta por Gonçalo Coelho, em 06 de janeiro de 1502, dia de Reis, dois anos após o "achamento" do Brasil. no entanto, a região já era habitada pela tribo Goionás. em 1556 chegaram os primeiros colonizadores europeus, que se fixaram junto a uma enseada, de onde surgiria a povoação que se viria a tornar vila em 1608, com o nome de "Vila dos Reis Magos da Ilha Grande". em 1853, Angra dos Reis foi elevada a cidade.
ao largo de Angra há 365 ilhas, das quais se destacam, pelo interesse que despertam nos turistas, a ilha dos Porcos, as ilhas Botinas, a ilha de Itanhangá e a ilha Grande.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

irivo

Irivo é um dos muitos topónimos da região do vale do Sousa cuja origem se perde na mais remota antiguidade. Machado (2003, v. 2) regista-o com a grafia "Erivo", embora se conheça registada a forma "Eriva". documento do séc.18 refere que "esta freguezia de São Vicente de Eriva fica na província de Entre Douro e Minho pertence ao Bispado do Porto, he da comarca de Penafiel, termo da mesma cidade[...] Passa pelo meyo desta freguezia o rio chamado Sousa cujo nascimento tem para as partes de Basto perto da Lixa, que daqui dista quatro legoas, e meya pouco mais ou menos". o topónimo tem uma sonoridade pré indo-europeia, o que na linguística hispânica pode significar uma afinidade com o euskera.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

baracha

por "baracha" entende-se cada uma das covas ou caldeiras de uma marinha de sal. também designa cada um dos taludes de terra batida ou travessões de lama que separam as divisões numa marinha de sal. por isso, estes topónimos indicam a presença atual ou remota de uma atividade salineira.

em Portugal:
Herdade da Baracha

sábado, 5 de setembro de 2009

suevos

povo originário do norte da Europa, das margens do Báltico, ou Mare Suevorum, os Suevos estabeleceram-se no Noroeste Peninsular, no séc V, fundando um reino sobre o tradicional território da Galécia, ou seja, das Astúrias até (quase) ao rio Tejo. ao todo os suevos nom ultrapassavam 30 000 almas. espalharam-se pelo reino, entre senhores e labregos, deixando memória toponímica, de uns de outros. sobre os nomes de proprietários suevos que deixaram marca toponímica já deixei registo anterior.
outro legado suevo terá sido a posterior divisão da Galécia em duas partes, separadas polo baixo Minho, pois por aí se dividiram as duas tribos: os Quados e os Marcomanos.
cabe agora falar das aldeias cujo povoamento se deve a colonos suevos. há vários povoados na Galiza com esse topónimo: "Suevos". e tamém "Sueve", à letra: "do suevo", sem outra designação.

domingo, 7 de junho de 2009

arrabalde (Pt. e Gz. e Br.)

"arrabalde" era a parte da cidade árabe que ficava extra-muros, ou seja, "de fora" (como "S. Vicente de Fora, Lisboa).
tal como as "medinas" ou "almedinas", que constituíam a parte intra-muros da cidade, a sua localização está hoje meio escondida, neste caso sob o nome de uma rua, de uma fonte, de uma casa, de uma quinta ou de uma ponte. curiosamente, a sua difusão geográfica é superior à das "medinas", estendendo-se a norte até Chaves e Vinhais (em Portugal), à província de Ourense (na Galiza), e até Zamora e Oviedo. porém, nem todos os "arrabaldes" são de origem árabe. há casos em que "arrabalde" pode ser o genitivo de Ravaldu, indicando uma propriedade ou villa Ravaldi. a sua localização ajuda a diferenciá-los, bem como a ausência do artigo definido "o", dizendo-se "arrabalde" em lugar de "o arrabalde".
na toponímia brasileira, "arrabalde" ficou com a sentido moderno de "arredores", "cercanias", "redondezas".

alguns Arrabaldes:

Arrabal (Águeda) - forma apocopada de "arrabalde"
Arrabal (Leiria)
Arrabal (Porto de Mós)
Arrabal (Seia)
Arrabalde (Barcelos)
Arrabalde (Cela Nova)
Arrabalde (Marco de Canaveses)
Arrabalde da Ponte (Leiria)
Arrabalde d'Aquém (Leiria)
Arrabalde de Baixo (Vila Real)

Arrabalde de São João (Br.) - topónimo de Porto Alegre, hoje extinto, deu origem ao atual Bairro de São João

Arrabaldes (Lamego)
Arrabaldo (Ourense)

Beco do Arrabalde de S. João de Fora (Ponte de lima) – curiosa redundância

Casa de Arrabalde (Ponte de Lima)
Largo do Arrabalde (Chaves)

Novo Arrabalde (Br.) - topónimo hoje extinto, substituído por Bairro da Praia do Canto, em Vitória, ES

Quinta de Arrabalde (Marco de Canaveses)
Rua do Arrabalde (Oliveira do Hospital)
Rua do Arrabalde (Palmela)
Rua do Arrabalde (Tabuaço)
Rua da Muralha do Arrabalde (Alfaiates)


almedina (Pt.)

ainda no ciclo dos topónimos da região moçárabe, aparece "Almedina", que significa "a cidade". refere-se à cidade dentro das muralhas, sendo "arrabalde" a parte da cidade que fica de fora da cerca.


após séculos de evolução histórica, já não há muitos lugares com este nome. mas a cidadela árabe ou moçárabe está lá escondida sob o nome de uma rua, de uma fonte, de um arco, etc.

a freguesia urbana de Almedina, em Coimbra, engloba terrenos que faziam parte do arrabalde árabe.



imagem: junta de freguesia de Almedina

sábado, 6 de junho de 2009

almagreira (Pt.)

de Almagro, cidade espanhola da província de Ciudad Real, comunidade autónoma de Castilla-La Mancha. diz-se que "Almagreira", freguesia do concelho de Pombal, foi fundada por agricultores-livres "almagreiros", ou seja, colonos oriundos do termo de Almagro, que vieram sem sujeição a nenhum feudo ou senhorio.

por sua vez, "Almagro", do Árabe al-magr, significa "ocre", um tipo de argila de cor avermelhada, utilizada na indústria, em pinturas rústicas, em pinturas rupestres, nos adornos corporais rituais ditos "primitivos" e na arte sagrada em geral desde a mais remota antiguidade.
nem só do Árabe surgiram topónimos referentes à abundância desta argila. em França e na Itália há, respetivamente, Saint-Martin-sur-Ocre (na Borgonha) e San Martino d'Ocre (nos Abruzos). a ligação a S. Martinho não é casual. refere-se à presença de cultos e crenças seculares, quase sempre megalíticos, cristianizados por Martinho de Tours ou seus seguidores.
"almagreira", "almagreiro" e "almagro" tamém podem estar presentes na Toponímia não para apontar uma colonização por almagrenhos, mas para exprimir a abundância de ocre. e aí surgem sobretudo como orónimos e hidrónimos.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

bendafé (Pt.)

a mais pequena freguesia do concelho de Condeixa, está em risco de extinção.
topónimo de origem árabe, a sua pronúncia tem dado azo às grafias mais delirantes.
costuma ser escrito "Bem da Fé", sem qualquer sustento etimológico.
é, quase seguramente, um antropónimo do proprietário que lhe deu o nome, um tal Ambi ben Dafer, a crer na grafia do século XII.
bem entendido, essa grafia reproduz distorções dialetais do nome em árabe escorreito.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

tunes (Pt.)


freguesia do concelho de Silves, Algarve, o seu nome resulta da transposição do topónimo Tunis do norte de África, na atual Tunísia, de onde vieram os seus povoadores.

arzila (Pt.), arzila (Mar.)

freguesia moçárabe do concelho de Coimbra, deve o nome à cidade marroquina de Arzila ou Asilah, de cujo termo terão vindo os seus povoadores. as primeiras notícias escritas datam do séc. XII, mas isso apenas significa que não houve nenhum facto antes que justificasse a menção de Arzila em testamentos ou contratos de notário.

por não ter senhor donatário, por exemplo.

no séc. XII passou a tê-lo, nas pessoas do conde de Óbidos e seus descendentes.
a sua principal notoriedade passa pela Reserva Natural do Paul, protegida pelo dec. lei nº 219/88, de 27 de junho.

a Arzila marroquina tem tido uma História entrecruzada com a banda de cá do mar. diz-se que no tempo dos romanos a sua população original foi expulsa, tendo sido substituída por povoadores ibéricos. e posteriormente foi alvo da conquista portuguesa no tempo de D. Afonso V.

Malga (Pt., Gz. e E.)

dos microtopónimos não costuma rezar a História. porém, um topónimo não é micro ou macro em função do seu merecimento linguístico, mas por meros circunstancialismos mutáveis com o tempo e a fortuna.


encontrámos esta "malga" sob a forma de uma aldeia ou lugar da freguesia de Sernache, concelho de Coimbra. Malga essa que, tal como Almalaguês, nos testemunha a imigração de naturais do termo de Málaga para esta região moçárabe.
e temos, mais longe daqui, em Évora, o Bairro da Malagueira.
também há várias "Malga" em Espanha e, designadamente, na Galiza.

terça-feira, 2 de junho de 2009

alcarraques (Pt.)

ainda no roteiro moçárabe, aparece-nos Alcarraques, aldeia da freguesia de Trouxemil, concelho de Coimbra. o antropónimo refere-se à família dos "Alcarracs", alcunha que significa "os fabricantes de alpergatas" ou "alpergateiros". destes, conhecemos:
em 1094: João Pires, tamém conhecido por Galib Alcarrac, e seu irmão homónimo João Pires, conhecido por Soleima ou Salomão Alcarrac. em 1127: Salvador Alcarrac. em 1162: Omar Alcarrac.
é possível que a alcunha fosse herdada de um antepassado comum e já se não referisse a qualquer actividade profissional.
ao que parece, os proprietários "Alcarraques" eram de etnia mourisca, mas cristãos de confissão religiosa.

imagem: verbaudet

segunda-feira, 1 de junho de 2009

alcabideche e alcabideque (Pt.)

o contacto de duas línguas tem destas coisas. tal como no Brasil, ao contacto do Tupi-Guarani com o Português, surgiram inúmeros topónimos "híbridos", como Itabela, por exemplo, que significa "pedra bela", tamém aqui temos dois topónimos irmãos que são híbridos: "al-cabideche" e "al-cabideque".

"cabideche" e "cabideque" são apenas duas pronúncias diferentes, dialetais, da expressão latina caput acquae: "mãe d'água", "manancial", "nascente" ou, simplesmente, "fonte". assim, traduzindo completamente Alcabideche e Alcabideque, temos "A Fonte".
conheço muito melhor "Alcabideque", uma aldeia ou lugar da freguesia e concelho de Condeixa-a-Nova.
para abastecer de água a cidade conhecida por Conímbriga, os romanos serviram-se da mãe d'água de Alcabideque, construindo ali uma torre de captação e elevação, tamém chamada castellum, e um tanque coletor, de onde levavam a água, em aqueduto de três quilómetros, até à cidade imperial. e pelo caminho, através de um sistema de canais irrigação, fertilizavam os terrenos adjacentes.
caída a cidade às mãos dos suevos em 464, e dos visigodos mais tarde, "a fonte" continuou a ser a causa da fertilidade dos terrenos agrícolas. chegados os árabes, já se tinha perdido o nome da cidade ou al-medina. mas a caput acquae permanecia lá. em território moçarábico, levou um pequeno verniz de língua árabe e ficou "alcabideque" até aos nossos dias.

domingo, 31 de maio de 2009

botão (Pt.)

freguesia do concelho de Coimbra, teve estatuto de concelho, confirmado por foral de D. Manuel I, de 1514.
a villa rústica de Botão é muito antiga. o seu nome é pré-romano. provém do indo-europeu bhodh, palavra relacionada com a água, servindo para designar água corrente, caneiro.
assim, é de crer que a ribeira de Botão esteja na origem do nome do povoado e não o contrário. a aldeia de Botão aparece registada já em 934, na escritura de partilhas entre os filhos herdeiros de Guterre Mendes Árias e Ilduara Eriz, tendo cabido em sorte a Rosendo, que seria canonizado santo. em 942, S. Rosendo faz doação da villa ao mosteiro de Celanova (Gz.). a ligação de Botão a Celanova perde-se em 987, com a reconquista árabe de Coimbra.
Em 1510, D. Catarina, da linhagem de Eça (Gz.), abadessa de Lorvão, mandaria fazer à sua custa o Paço de Botão, tamém chamado "mosteiro", por se destinar a residência abacial.
hoje, a freguesia de Botão parece talhada para acolher as instalações da nova cadeia de Coimbra.

topónimos relacionados:

Marmeleira do Botão
Pampilhosa do Botão

alcalamouque (Pt.)

topónimo do filão moçárabe das proximidades de Coimbra, "alcalamouque", de al-qal'â e al-moka, significa, em árabe, "castelo ou castro [em terreno planáltico] junto a uma escarpa". é o que acontece com esta aldeia da freguesia de Alvorge, concelho de Ansião, que aparece referenciada em 1142 e 1182, a propósito de doações de propriedades feitas ao Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra.
pela sua localização, constitui um belo miradouro sobre o lugar de Pombalinho, os montes de Vez, Ateanha, Juromelo e Rabaçal. ao fundo da escarpa, nos olhos d'água, nasce a ribeira do mesmo nome.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

almalaguês (Pt.)

este é outro topónimo da região de Coimbra que se reporta ao período moçárabe.
está relacionado com a cidade andaluza de Málaga, de onde houve várias importações de povoadores ou colonos, como agora se diz.

porém, aqui não é certa a etimologia direta:
será um antropónimo, proveniente de um tal Suleiman al-Malaquí, traduzível por Salomão de Málaga, ou Salomão-o-malaguês;
ou será um topónimo de origem geográfica, referindo-se, pois, a um povo ou povoado de gente oriunda de Málaga, de que o senhor Salomão seria apenas um dos muitos "malaquís" ou "malagueses"?

e quanto a uma origem antroponímica:
-não tenho visto traduzir "malaqui" por "malaguês", mas não vejo como se possa traduzir de outro modo, se "malaqui" for palavra oxítona ("malaquí");
- é mais frequente que o topónimo registe o nome próprio, em vez do apelido. logo, de Suleiman não poderia resultar Almalaguês.

brasfemes (Pt.)


convivendo paredes-meias com topónimos nativos, celtas, latinos e germânicos, a toponímia de origem árabe é muito frequente na região de Coimbra. dos séc. IX a XII predominou aqui uma forma de integração política, linguística, cultural e religiosa a que chamamos moçarabismo.


uma das mais curiosas consequências do moçarabismo é a canonização popular do Profeta Muhammad, sob a forma de "São Mamede".
de entre os múltimos topónimos de origem árabe, ressalto hoje a villa abrahemi, ou seja, a propriedade ou quinta ou herdade de um tal "Abraão".
a evolução linguística do topónimo não é francamente regular, desde logo pela interposição do "s" e pela terminação tamém em "s". talvez tenha ocorrido uma "contaminação" por outros topónimos ou por analogias com outras palavras.

terça-feira, 26 de maio de 2009

fajoses (Pt.)

o concelho de Vila do Conde (Pt.) é típico do que poderíamos chamar um concelho litoral galaico-duriense, onde a agricultura namora com a vida do mar, mas não se ajunta co ela.
o verde dos campos vai até onde chega o borrifo das ondas. e antes da chegada dos parques industriais, da indústria de laticínios, dos centros comerciais e das fábricas têxteis e de confeções ainda era mais assim do que que ainda é hoje.
a toponímia de vila do Conde é muito maioritariamente rural e só esporadicamente marítima. para cada "caxinas" ou "árvore" há dezenas de "vilares", "vilas", "aveledas", "outeiros" e "rios maus", além dos infalíveis nomes de proprietários germânicos medievais.
e assim chegamos a "Fajoses". acredito que chegámos a "Fajoses" e não a "Fajozes". porque "Fajoses" será um plural redundante de "Fajós", que já de si é plural de "Fajó". penso que assim, redundando-se a noção de plural, se dá uma ideia de compartimentação em pequenas parcelas. não por vontade dos homens mas por caprichos da natureza local.
não creio que "fajó" tenha que ver com feijões, embora não seja proibido semear feijões numa fajó.
antes creio que "fajó" é o diminutivo de "fajã". e aqui a coisa compõe-se: porque "fajã" é uma "pequena parcela de terreno plano, propício à agricultura, habitualmente situada junto ao mar".
nos Açores, na Madeira e em Cabo Verde, para onde levamos o jeito de dizer as coisas, abundam as "fajãs" - com caraterísticas muito próprias, por via da sua natureza vulcânica.

domingo, 24 de maio de 2009

lorvão (Pt.)


"Lorvão", pequena vila do concelho de Penacova, é um dos topónimos mais antigos da região de Coimbra. a sua origem linguística e, consequentemente, o seu significado, permanecem uma arreliadora incógnita.
tem registadas as formas anteriores Lurbine e Laurbanum.
os primeiros documentos escritos que se referem a Lorvão (Lurbine) remontam aos finais do séc. VI, sendo o seu conteúdo e motivação de natureza religiosa.
de facto, é quase impossível pensar em Lorvão sem vir à mente o seu mosteiro. daí que as tentativas de interpretação do topónimo tenham sido feitas a partir de uma paróquia sueva e, depois, a partir do mosteiro. assim, em busca de um pressuposto fundador, encontrou-se em Lurbino ou Laurbanum um hipotético antropónimo de origem latina, derivado de "louro" ou "loureiro". é uma teoria muito incómoda porque tamém muito arrevesada.
comecemos pelo princípio: o que existia primeiro: o local, a paróquia ou o mosteiro? como a resposta é óbvia, vejamos o local: é um sítio fundo, tranquilo, bem servido de águas e recolhido, propício à busca de meditação e retiro.
primeiro o lugar, depois a sua função.
sendo topónimo muito antigo, é pouco provável que a sua origem seja latina ou mesmo celta.
mais para trás teremos que recorrer à língua basca. e por este caminho chegamos a "lur" (terra) e "be" (em baixo): "terra baixa", "lugar fundeiro". com paralelos em "Lorbé" (Corunha, Galiza) e Lurbe (Béarn, País Basco Francês). o que, sem dúvida, convém mais a "Lorvão" do que todas as teorias conhecidas.

topónimos relacionados:

Figueira de Lorvão
Sazes de Lorvão

em Lorvão, no lugar onde outrora foi mosteiro, houve um hospital psiquiátrico, recentemente desqualificado e transformado em asilo de mentes e dementes, que, finalmente, encerrou de vez.

lordemão (Pt.)

lugar da freguesia de São Paulo de Frades, concelho de Coimbra, o seu nome deriva de "nordman", que significa "homem ou povo do norte [da Europa]", forma latinizada para "nordemanum" ou "lordemanum". o mesmo que "normando".
aponta, pois, para um povoamento viking.

a "gente do norte" viajava por mar, nos seus famosos barcos - os "drakkar" ou "dragões".
nos séculos IX e X a navegabilidade do Baixo Mondego era muito diferente da atual, de que são testemunho os topónimos que se espalham da Figueira da Foz a Coimbra com o significado de "porto". pelo que não era difícil chegar de barco até bem perto da atual Lordemão.


sexta-feira, 22 de maio de 2009

modivas (Pt.)

aparentemente estranho, este topónimo tinha no séc. XI a forma "Mola de Olibas". sendo "mola" a forma anterior de "mó", "moinho", e supondo-se "olibas" o mesmo que "olivas" (azeitonas), o nome desta villa rústica [ou parte dela] do concelho de Vila do Conde poderá traduzir-se por "lagar de azeite".

formas intermédias: "moa d'oívas", "moodoyvas".
pronúncia: "mòdivas".

terça-feira, 21 de abril de 2009

as pedras na toponímia galego-portuguesa e brasileira

os topónimos que se referem às pedras são inúmeros e provêm de muitas linhagens linguísticas. não é raro que se multipliquem topónimos com idêntico significado na vizinhança uns dos outros, mas de origem linguística diferente. a tarefa de os reunir é imensa. ainda assim, aqui vão alguns exemplos:

A Carra (Gz.)
A Fraga da Vela (Gz.)
A Pedreira (Gz.)
A Peroxa (Gz.)
Almourol
Amarante
Amarela - orónimo
Amareleja
Amora
Arga - orónimo
Arganil
Baião
Baiona (Gz.)
Boiaca
Boial
Boialvo - ver post boi morto boi posto"
Boi de Canto (Gz.) - um curioso pleonasmo
Boimonte
Boimorto (Gz.) - outro pleonasmo
Bois de Gures (Gz.)
Cabo Carvoeiro
Cabo da Roca
Cabral - ver post cabras e cabreiras
Cabrão - hidrónimo
Cabreira (Pt. e Gz.) - orónimo
Cacabelos (Gz., Le.)
Cachopo
Caminho do Calhau
Canda (Gz.)- orónimo
Candal
Candeeiros - orónimo
Candosa
Candoso
Cantanhede
Cantareira
Cântaro
Caralho - hidrónimo
Caramos
Caramulo - orónimo
Carantonha - ?
Carapinha
Carapinheira
Carbalho (Gz.)
Carcavelos
Carenque
Carinho (Gz.) - graf altern: Cariño
Carneiro
Carnide
Carnota (Pt. e Gz.)
Cárquere
Carragal (Gz.)
Carral (Gz.)
Carrapatelo
Carrapichana
Carrapito
Carrara (It.) - famosa pela sua pedra... de mármore
Carrazeda
Carrazeda de Ansiães
Carreço
Carregal
Carragal do Sal
Carregaleira
Carregosa
Carregosela
Carriço
Carritos
Carvalheira
Carvalho
Carvalhos
Carvalhosa
Carvide
Carvoeira
Carvoeiro
Cascalhal
Cascalheira (Br.)
Cascalheiro (Br.)
Cascalho (Br.)
Cascalho Rico (Br.)
Casconha - ?
Castanheira de Pera
Castro de Boi
Corcubióm (Gz.)
Corme (Gz.)
Corrubedo (Gz.)
Cruz da Pedra
Eira Pedrinha
Encosta do Calhau
Estaca de Bares (Gz.)
Falperra
Fragosela
Fragoso
Itá... (Br.) - sobre topónimos tupi-guaranis para "pedra" ver aqui

Itabela (Br.) - topónimo híbrido tupi-português, significando "pedra bela"

Lage (Pt. e Gz.) - graf. altern: Laxe. tamém graf. Laje
Lageosa do Dão
Lageosa do Mondego
Laje
Laje da Raza (Br.)
Lajedo (Pt., Br.)
Lajedo do Tabocal (Br.)
Lajes
Lajes da Cevada
Lajes da Freiria
Lajes da Marambaia (Br.)
Lajes das Flores
Lajes do Pico
Lapa
Lapa dos Esteios - dupla referência a pedras
Lapedo
Lapela
Lapinha
Lavadores (Pt. e Gz.)
Leixões
Lena - hidrónimo
Marão - orónimo
Marco dos Pereiros
Moledo
Mora
Mora
Moroiços
Morouços
Mós
Moura
Mora da Serra
Mourais
Moura Morta - pleonasmo
Mouro
Mouronho
Mouros
Mu
O Seixal (Gz.)
Pederneira
Padrela - orónimo
Pedra Bela
Pedra do Sino
Pedra Escusa
Pedra Figueira (Gz.) - graf- altern: Pedrafigueira
Pedra Furada
Pedralva
Pedra Maria - pleonasmo
Pedra Regadas
Pedras Ásperas
Pedras Salgadas
Pedrecas
Pedregais
Pedregal
Pedreira
Pedrigueira
Pedrógão
Pedrógão Grande
Pedrógão Pequeno
Pedrosa - ver post pedra, pedrinha, pedrosa
Pedroso
Pedrouços (Pt. e Gz.) - graf. altern: Pedrouzos
Pedrulha
Peneda - orónimo
Penedo
Penedo da Meditação
Penedo da Saudade
Peniche
Pera - hidrónimo
Perafita
Pereira
Pereira do Campo
Pereiro
Pereiró - diminut. de Pereira
Perelhal
Perosinho
Ponta do Calhau
Porto do Mós
Praia da Fragosa
Praia da Rocha
Praia de Pedrógão
Quinta da Pedriga
Ribeirão Cascalheiro (Br.)
Rocha - orónimo
Rocha Nova
Rocha Velha
São Bento das Peras
São Martinho de... - associado a vestígios megalíticos
São Martinho de Candoso
São Pedro de...
São Pedro de Lourosa

São Pedro de Moel - um dos muitos pleonasmos ou redundâncias de que a toponímia é feita

Seixal
Seixas (Pt. e Gz.)
Seixo (Pt. e Gz.)
Seixo Branco (Gz.)
Seixo da Beira
Seixos Alvos
Senhor da Pedra
Vale da Pedra
Vale de Cântaro
Vale de Pedras
Vilar de Mouros

Vilar de Perdizes (aqui há a coincidência de existirem no local esculturas pré-históricas que lembram perdizes)

carnota (Pt. e Gz.)

o topónimo Carnota é aparentado a topónimos das ilhas britânicas que contenhem o tema precelta karn/kern/korn, que significa "pedra, lugar abundante em pedras, pedregal".
as pedras (1) (2) são, de longe, o motivo mais frequente dos topónimos. não é raro que a mesma paisagem dê origem a topónimos vizinhos provenientes de línguas diferentes, mas com igual significado. e com isso sabemos a antiguidade relativa de cada um deles e, até, a gente que os batizou.

Carnota (Gz.) - concelho de Carnota (Sam Mamede de Carnota)
Carnota (Pt.) - concelho de Alenquer (Sant'Ana da Carnota)
Quinta da Carnota de Baixo (Pt.) - concelho de Vila Franca de Xira

segunda-feira, 16 de março de 2009

sabugal, sabugo, sabugosa, sabugueiro

estes fitotopónimos referem-se à presença do arbusto "sabugueiro" (lat. sambucus), são comuns em Portugal, na Galiza, nas Astúrias e em León.

Sabugal (Pt.)
Sabugo (Pt., Le. e As.)
Sabugos (Gz.)
Sabugosa (Pt.)
Sabugueira (Gz.)
Sabugueiras (Gz.)
Sabugueiro (Pt. e Gz.)
Sabugueiros (Gz.)
Sabugueses (Pt.) - aldeia de gente oriunda de Sabugo (As.?)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

rossio

por "rossio" entende-se: um espaço aberto, fora da cerca urbana, onde há feiras e eventos especiais, servindo como ponto de reunião de moradores e forasteiros; um terreiro ou praça fruído em comum pelo povo (em contraste, por exemplo, com o Terreiro do Paço).

Casal do Rossio
Cerro do Rossio
O Rossio (Gz.) - graf. altern: O Rosío. ver Comentº de Anónimo
Quinta do Rossio
Rossio
Rossio ao Sul do Tejo
Rossio da Sé
Rossio da Trindade
Rossio de Santa Clara
Rossio de São Brás
Rossio do Carmo
Rossio dos Olivais
Rossio Grande (Br.) - no Rio de Janeiro. atual Praça Tiradentes
Rossio Pequeno (Br.) - no Rio de Janeiro. atual Praça Onze

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

restelo e restinga

no século XV, à falta de uma infraestrutura portuária em Lisboa, usava-se acostar no Restelo, já então "lugar de ancoragem antiga", no dizer de João de Barros. mas o que significa "restelo"?

o Boletim Municipal da Câmara Municipal da Amadora, edição especial de 15 de agosto de 2003, usa a palavra "restelo" como equivalente de "pilar".
os dicionários portugueses, brasileiros e galegos dão como significados de "restelo": subst. m.: pente de ferro que serve para restelar o linho; o mesmo que restolho; (alent.) azeitona que cai das oliveiras antes de varejadas; azeitonas espalhadas pelo chão, por descuido dos trabalhadores; (gz.) castanha que ao amadurecer cai espontaneamente do ouriço.
segundo outros, “restelo” viria de "restar", ou "ficar". a acreditar neles, os barcos, antes de chegar ao cais, abandonavam no "restelo" os doentes graves que eventualmente transportassem.
parece assim, pois, que estamos longe do significado que terá dado origem ao topónimo, já que nenhum dos conhecidos e mencionados é plausível.

porém, a semelhança de "restelo" com "restinga", que é palavra de origem castelhana, e a conformação geográfica do local, parecem conduzir-nos por um caminho mais viável. é possível que "restelo" seja uma variante ou regionalismo local bastante antigo contendo a ideia de "restinga".
e "restinga" (subst. fem.) é "um baixio de areia ou de pedra que se prolonga da costa pelo mar dentro"; "cabedelo"; "pequeno matagal à margem de um rio ou em terreno fértil". esta última acepção assenta que nem uma luva naquilo que era antigamente o "restelo" lisboeta.
assim, parece que ao topónimo "Restelo" se associa um tipo específico de terreno com determinadas caraterísticas de vegetação.
"restinga do Restelo" não é nada que não tenha já lido e ouvido.

na toponímia brasileira e africana abundam as "Restinga":

alguns exemplos:

Bairro da Restinga (Br.)
Ponta da Restinga (Ang.)
Restinga da Marambaia (Br.)
Restinga de Jurubatiba (Br.)
Restinga de Maricá (Br.)
Restinga de Massambaba (Br.)
Restinga de Ofir (Pt.)
Restinga do Lobito (Ang.)
Restinga Sêca (Br.)
Restinga Verde (Br.)
Vila Flor da Restinga (Br.)
Vila Restinga Nova (Br.)
Vila Restinga Velha (Br.)

exemplos de "Restelo":

Restelo (Pt.)
Restelo (Gz.) - em Vilabol de Lamas, Província de Lugo.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

leiras e leirados

"leira", do lat. glarea, é uma jeira ou courela em tabuleiro ou plataforma, podendo formar socalcos quando se sucedem umas às outras no declive de um monte; porção de terra cultivada, herdade, lavradio. é a terra que nos pertence e que lavramos.
a tradição galego-portuguesa de uma ancestral ruralidade espelha-se na abundância de topónimos em "leira" e derivados:

As Leirinhas (Gz.) - graf. altern: As Leiriñas
Leira (Pt. e Gz.)
Leirada
Leiradas
Leira de Arriba da Balsa (Gz.)
Leiradela
Leiradelo
Leirado (Gz.)
Leirados
Leira Longa (Pt. e Gz.)
Leirão
Leira Pequena
Leiras (Pt. e Gz.)
Leiras de Abaixo (Gz.)
Leiras de Arriba (Gz.)
Leiras de Costeira
Leiras de Trás
Leiras Novas
Leirinha (Pt. e Gz.) - graf. altern: Leiriña
Leirinhas (Pt. e Gz.) - graf. altern: Leiriñas
Leiró - diminut. de Leira
Leiroinha - duplo dimint. de Leira: Leira-Leiró-Leiroinha
Leirós - diminut. de Leiras
Leirosa
Póvoa das Leiras
Praia da Leirosa
Rego da Leirosa

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

légua

estes topónimos referem-se a uma antiga medida itinerária, de diferente valor consoante os usos e costumes, oscilando entre os 4 e os 7 km. são topónimos viários, já que não há légua sem caminho que valha a pena percorrer e medir. colocam estes topónimos uma questão: a "légua" é contada a partir de onde? muitas vezes, o ponto de referência parece ter desaparecido na voragem do tempo e do esquecimento. outras vezes está lá mesmo, no local, como em "Marco de Légua".

As Léguas (Gz.) - ver Comentº de Calidonia
Cachoeira da Meia Légua (Br.)
Casal da Légua
Cruz da Légua
Légua

Légua da Póvoa - entre a Póvoa de Varzim e Laúndos. na realidade, esta é uma "légua velha", aproximadamente légua e meia atual. pela sua extensão, "uma légua da Póvoa" passou para a linguagem popular da região como significando uma distância acima da conta, um caminho bem comprido.

Légua Dreita (Gz.) - ver Comentº de Gabs

Marco de Légua - este tipo de monumento indicava o ponto onde terminava uma légua e começava a seguinte. um deles passou a topónimo por se ter reunido uma população ao seu redor. em Portugal, os marcos de légua mais conhecidos são do séc. XVIII, da Rainha D. Maria I.

Meia Légua
Padrão da Légua
Praia da Légua
Terreiro da Légoa


domingo, 28 de dezembro de 2008

topónimos terminados em -imbra

como os anteriores, estes topónimos referem-se tamém à terminação pré-latina briga, significando "monte fortificado", "monforte". tal como os terminados em -obra, não são muitos.

Coimbra (Pt.)
Oimbra (Gz.)
Sesimbra (Pt.)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

topónimos terminados em -obra

estes topónimos representam uma variação da terminação celta -briga, como os terminados em -obre. não conheço muitos. aí vão estes:

Anobra (Pt.)
Biobra (Gz.) - ver Comentº de Pablo
Boidobra (Pt.)

domingo, 14 de dezembro de 2008

topónimos terminados em -obre

são topónimos pré-latinos cuja terminação, pelo menos, é celta. indica que o local foi um castro ou povoado fortificado (-briga).
no território da Fala, os topónimos em -obre são praticamente exclusivos da Galiza, sobretudo da área das Rias de Betanços, Ares e Ferrol, onde se falou um mesmo dialeto comum de uma língua celta. assim se explica a concentração da terminação -obre numa área geográfica relativamente pequena, entre uma série de alternativas em -abre, -bra, -bre, -ebre, -ibre, -obra, -ubre e formas metatésicas, que ocorrem em toda a área peninsular da Fala.


Alcolobre - ver "Calhobre". híbrido: árab. "Al"+ célt. "Colobre".

Ançobre (Gz.) - graf. altern: Anzobre. significa "Castro ou Monte da Curva(tura)", "Castro Curvo", "Moncorvo" (?)

Anhobre (Gz.) - graf. altern: Añobre
Baiobre (Gz.) - ver Comentº de Pablo
Banhobre (Gz.) - graf. altern: Bañobre

Baralhobre (Gz.) - graf. altern: Barallobre. significa "Castro ou Monte da Paliçada"

Caiobre (Gz.) -
Calhobre (Gz.) - graf. altern: Callobre

Cançobre (Gz.) - graf. altern: Canzobre. significa "Castro das Cem [casas?]"

Cezobre (Gz.) - significa "Castro do Bosque"
Cilhobre (Gz.) - graf. altern: Cillobre. ver Comentº de Pablo
Ciobre (Gz.) - ver Comentº de Pablo. significa "Castro Bom"
Fiobre (Gz,) - significa "Castro do Mato"
Ijobre (Gz.) - graf. altern: Ixobre.
Ilhobre (Gz.) - graf. altern: Illobre
Inhobre (Gz.) - graf. altern: Iñobre. ver Comentº de Pablo
Jobre (Gz.) - graf. altern: O Xobre.
Lajobre (Gz.) - graf. altern: Laxobre. ver Comentº de Pablo. "castro das lajes"?
Landobre (Gz.) -
Maiobre (Gz.) - significa "Castro Mor" ou "Montemor"
Pantinhobre (Gz.) - graf. altern: Pantiñobre. ver Comentº de Pablo
Peçobre (Gz.) - graf. altern: Pezobre
Ranhobre (Gz.) - graf. altern: Rañobre. significa "Monte Calvo"
Sansobre (Gz.) -
Silhobre (Gz.) - graf. altern: Sillobre. significa "Castro do [rio] Sil"
Talhobre (Gz.) - graf. altern: Tallobre. ver Comentº de Pablo

há quem veja nestes topónimos uma etimologia linguística do ramo etrusco, em que a terminação teria um significado idêntico: "monte". pelo que, seja como for, é de "monte" que se trata.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

topónimos terminados em -inho

são diminutivos de outros topónimos, umas vezes por proximidade, outras vezes por derivação populacional.

Adinho - de Adão (hidrónimo)
Agrinho (Pt, e Gz.) - graf. altern: Agriño. de Agro
Algarinho (Pt.) - de Algar. ver Comentº de SM
Almarginho - de Almargem
Alvarinho - de ... Alvar? Álvaro?
Avinho (Gz.) - graf. altern: Aviño. ver Comentº de Calidonia
Azinhalinho - de Azinhal
Bastavalinhos (Gz.) - graf. altern: Bastavaliños. de Bastavales
Brejinho - de Brejo
Carbalhinho (Gz.) - graf. altern: Carballiño. de Carbalho ou Carballo
Carçãozinho - de Carção
Carvalhinho - de Carvalho
Casalinho (Pt. e Gz.) - graf. altern: Casaliño. de Casal
Castelinho - de Castelo
Charquinho - de Charco
Chelinho - de Chelo
Currinho (Gz.) - graf. altern: Curriño. de Curro
Escarabotinho (Gz.) - graf. altern: Escarabotiño. de Escarabote
Fabarrelinho - duplo diminutivo (de Fabarro?)
Folgosinho - de Folgoso
Gosendinho - de Gosende
Lameirinho - de Lameiro
Laminho (Gz.) - graf. altern: Lamiño. ?
Malaqueijinho - de Malaqueijo
Marouquinho - ?
Matinho - de Mato
Monfortinho - de Monforte
Moninho - ?
Montinho - de Monte
O Agrinho (Gz.) - graf. altern: O Agriño. ver Agrinho
O Assadinho (Gz.) - graf. altern: O Asadiño
O Cantinho (Gz.) - graf. altern: O Cantiño. de Canto
O Carbalhinho (Gz.) - ver Carbalhinho
O Cotinho (Gz.) - graf. altern: O Cotiño. de Coto. ou de Couto?
O Curraínho (Gz.) - graf. altern: O Curraíño. de Curral?
O Furinho (Gz.) - graf. altern: O Furiño. de Furo
O Lourinho (Gz.) - graf. altern: O Louriño. de Louro
O Matinho (Gz.) - graf. altern: O Matiño. ver Matinho
O Montinho (Gz.) - graf. altern: O Montiño. ver Montinho
O Petaínho (Gz.) - graf. altern: O Petaíño
O Porrinho (Gz.) - graf. altern: O Porriño. de Porro?
O Portinho (Gz.) - graf. altern: O Portiño. ver Portinho
Ortonhinho (Gz.) - graf. altern: Ortoñiño. de Ortonho
O Tojinho (Gz.) - graf. altern: O Toxiño. ?
Outeirinho - graf. altern: Outeiriño. de Outeiro
O Valinho (Gz.) - graf. altern: O Valiño. ver Valinho
Pacinho (Gz.) - graf. altern: Paciño. de Paço
Palvarinho - ?
Perosinho - ?
Perrinho - de Perre
Pinheirinho - de Pinheiro
Pombalinho - de Pombal
Pocinho - de Poço
Portelinho - de Portelo, diminut. de Porto
Portinho (Pt. e Gz.) - graf. altern: Portiño. de Porto
Povoínho - de Povo (povoado)
Pumarinho (Gz.) - graf. altern: Pumariño. de Pumar ou Pomar
Rodinho Grande (Gz.) -graf. altern: Rodiño Grande. de Rodo?
Rodinho Pequeno (Gz.) - graf. altern: Rodiño Pequeno. ver Rodinho Grande

Sam Miguelinho (Gz.) - graf. altern: San Migueliño. de São Miguel ou Sam Miguel

Silveirinho - de Silveiro
Sobralinho (Pt.) - de Sobral
Soitinho - de Soito
Soutinho - de Souto
Tibaldinho - de Tibalde
Valinho (Pt. e Gz.) - graf. altern; Valiño. de Vale
Vilarinho (Pt. e Gz.) - graf. altern: Vilariño. de Vilar
Zambujinho -



não são deste grupo, não são diminutivos:

Andorinho
Belinho - ?
Caminho
Carinho (Gz.) - graf. altern: Cariño. ?
Casacaminho (Gz.) - graf. altern: Casacamiño

Chamosinho (Pt. e Gz.) - graf. altern: Chamosiño. de Chamoso ou de Chamosa(Gz.). o mais provável é que se refira a alguém ou a um povo oriundo de Chamoso ou de Chamosa(Gz.).

Espinho
Larinho (Pt. e Gz.) - graf. altern: Lariño
Marinho
Minho (Pt. e Gz.)
Moinho ou Muinho
Montezinho - ?
O Brinho (Gz,) - graf. altern: O Briño. ?
O Passarinho (Gz.) - graf. altern: O Paxariño. ?
Paramuinho - ?
Remoinho (Gz.) - graf. altern: Remuíño
Sobrecaminho (Gz.) - graf. altern: Sobrecamiño.
Tominho (Gz.) - graf. altern: Tomiño. ver Comentº de Calidonia

Valdovinho (Gz.) - graf. altern: Valdoviño. ver Comentº de Calidonia. a possibilidade erudita de Valdovinho ter origem em Baldovinu (Balduino) esbarra em Balduvino não ser um genitivo. se a razão do topónimo fosse "terra ou propriedade de Balduino", a forma seria Valdovin ou Valdovim. vou por Calidonia

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

camarinhas e caraminhas

as camarinhas são pequenos frutos brancos em forma de contas de cristal, de sabor adocicado, produzidos por um arbusto espinhoso, a camarinha ou camarinheira, que nasce em terrenos dunares atlânticos próximos do mar. vêem-se muito na costa do centro e norte de Portugal e da Galiza. a garotada das colónias balneares adora colher camarinhas enquanto caminha para a praia.

de "camarinha" (Pt. e Gz.) surge tamém "caraminha", por metátese.
as camarinhas estão presentes na toponímia galego-portuguesa do litoral, sob diversas formas, que se incluem na classe dos fitotopónimos:
no entanto, em alguns casos, sobretudo se no singular, a origem do topónimo pode ser outra: de "Câmara"?


A Camarinha (Gz.) - graf. altern.: A Camariña
A Pobra do Caraminhal (Gz.) - graf. altern.: "A Pobra do Caramiñal". ver "Camarinhal"

Camarinha (Pt. e Gz.) - graf. altern: Camariña. de Câmara?
Camarinhais (Pt.) -
Camarinhal (Pt.) - lugar onde abundam as camarinhas ou camarinheiras.

Camarinhas (Pt. e Gz.) - graf. altern.: "Camariñas"
Camarinheiras (Pt.) -
Caraminhais (Pt.) -
Caraminhal (Pt. e Gz.) -
Casal das Caraminheiras (Pt.)
Pico das Camarinhas (Aç.) -
Reguengo da Camarinha (Pt.) -
Ribeira das Caraminheiras (Pt.) -

e reencontramo-las no sul da Península, na Andaluzia, perto de Gibraltar: o Cabo Camariñal ou Punta Camariñal.



imagem: www.ideotario.com

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

boidobra

a antiguidade desta vila do concelho da Covilhã fez esquecer a origem e o significado do seu nome, o qual, pela pronúncia que hoje tem, em língua alheia à original, dá azo a explicações mais ou menos arbitrárias. a terminação -bra implica uma origem celta em briga, que significa "castro ou fortificação no alto". a primeira parte, boido, é também celta e refere-se ao divino Boduus. a "tradução" talvez se torne óbvia: Boidobra: "o castro ou fortaleza de Boduus". é, pois, um caso de "monte santo".

terça-feira, 11 de novembro de 2008

agrolongo, longos, longos vales, longroiva, monte longo

trata-se de etnotopónimos, que se reportam aos "Longos", "Lónicos", "Luancos" ou "Lyncos", tribo proto-histórica cujo animal totémico era o lince. a sua divindade principal era Deo Vestio Lonico, "o divino Vestio dos Longos". a notícia epigráfica e toponímica deste povo estende-se da bacia do Douro português até às províncias galegas do sul.


no caso de "Longroiva" (Longobriga), o topónimo significa "o castro ou fortaleza dos Longos" - indicando, pelas suas particularidades linguísticas, a presença dos Longos já no período celta.
todos estes topónimos estão em cima ou junto de castros pré-romanos. no caso de Santa Cristina de Longos, concelho de Guimarães, o castro é o de Sabroso, notável pelo aparelho das muralhas, de uma precisão milimétrica.
a memória dos Longos e de Vestio Lonico parece persistir no culto de "São" Longuinhos, no escadório do Bom Jesus do Monte, em Braga. segundo uma lenda, Longuinhos (Longuinus) teria sido o soldado romano a quem coube a tarefa de dar o golpe de misericórdia na execução de Jesus-o-Cristo. sendo, pois, uma personagem do pré-cristianismo, Longuinus é o pagão que se converte, incorporando-se pacificamente na nova religião. é representado na figura equestre de um centurião romano.
o seu culto tem aspetos muito arcaicos, ligados à fertilidade. no Brasil, São Longuinhos é o patrono dos objetos perdidos ("São Longuinhos, São Longuinhos, me ajude a achar a minha chave e eu darei três pulinhos").

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

adorigo

no concelho de Tabuaço (Pt.), Adorigo é mais um antropotopónimo de origem germânica. porém, diferentemente da grande maioria deles, não é um genitivo. por isso, refere-se mais ao senhor que à sua propriedade. de "Adericus".

valdigem

o nome desta vila do concelho de Lamego (Pt.) deve ser incluído na antropotoponímia germânica. representa o genitivo do nome de um senhor feudal, um tal Baldoigius (forma latinizada de Balthweigs), que teria sido bispo de Cuenca e detentor da posse da terra a que deu o nome.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

brasília



inaugurada em 21 de abril de 1960, Brasília é o resultado do cumprimento de uma promessa eleitoral de Juscelino Kubistchek cinco anos antes.


segundo se diz, a capital foi planeada com requintes tais que se chegou à análise do seu horóscopo e a precisões de orientação simbólica.

seja como for, o mapa da cidade assemelha-se a um urubu de asas abertas, com a cabeça voltada a oriente. uma cidade pensada para tudo menos para quem lá mora e a visita. cidade mais desumana não conheço: é tudo longe de tudo. é tudo imenso e vazio. procura-se uma ágora, uma praça, onde se junte gente fazendo aquele barulho da vida das cidades. não tem. e pode ser que um dia Brasília tenha uma rede de metro, uma ciclovia, uma teia de bondes, sei lá, qualquer coisa que permita a um ser humano ir daqui para ali sem ter de comprar um carro, chamar um táxi ou alugar uma vanete.
mas talvez o segredo de tudo esteja no mausoléu de Kubistchek. afinal de contas, Brasília é uma cidade faraónica.

o nome é de extração óbvia, pensado para a capital do Brasil. e os habitantes de Brasília chamam-se brasilienses.
e é aqui que começa uma estória de pasmar. num grande congresso internacional, um importante senhor, que saberá mais do seu ramo específico de ação do que de filologia e de história, lembrou-se de exarar, com ares de quem sabe, que "Brasília" veio dar aos seus habitantes o nome gentílico ("brasilienses") que caberia a todos os brasileiros. dizia ele que "brasileiro" se inclui no grupo de nomes acabados em "-eiro", como "pedreiro", "carpinteiro", "mineiro", "padeiro", ou seja, indicaria uma profissão. e vai daí, a profissão dos "brasileiros" teria sido a de trabalhar o pau-brasil - por isso o nome que deram aos habitantes do Brasil, aos que trabalhavam no pau e aos outros.
todos, naquele congresso, de boca aberta com a ignorância que levaram e a sabedoria que traziam.
mas a realidade das cousas é bem diferente: o gentílico "brasileiro" é de origem galego-portuguesa. a terminação "-eiro" aplica-se aos habitantes de certas vilas, cidades ou regiões do litoral galego-português, como "fangueiro", "poveiro", "vareiro" e "penicheiro". tamém oiço chamar "camacheiros" aos madeirenses da Camacha.
e daí o "-eiro" dos habitantes do Brasil.

domingo, 26 de outubro de 2008

pirenópolis (Br.)

Pirenópolis deve o seu nome à Serra dos Pirenéus, contraforte do Planalto Central do Brasil, no estado de Goiás. desde a sua fundação em 1727 até 1890, o seu nome era Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte, passando então a chamar-se Pirenópolis.

a sua população europeia é quase toda oriunda do norte de Portugal e da Galiza.

sábado, 25 de outubro de 2008

sumé (Br.)

Sumé é uma cidade do sul do estado da Paraíba. o seu nome deriva de "çumé" ou "tsumé", uma entidade mítica do folclore de várias tribos tupi do Brasil, um ser de cara branca, misto de semi-deus, curandeiro e sábio, dotado de poderes sobrenaturais, que praticava o bem e os teria iniciado nas artes da agricultura e nas regras morais.

atribui-se a sumé a autoria de escritos gravados em pedra (petroglifos), onde estarão consignados os seus ensinamentos. os missionários jesuítas da Paraíba rapidamente se aperceberam das semelhanças do mito com o do apóstolo Tomé, pelo que o lugarejo de então passou a chamar-se de "São Tomé", bem como o rio que o atravessa.
em 1951, "São Tomé" adquire o estatuto de cidade e, havendo já outras "São Tomé", decidiram os seus habitantes dar -lhe o nome cariri de "Sumé".

chainça

este topónimo aparece na Galiza e em Portugal. faz parte do grande grupo de topónimos simples ou compostos que indicam terreno plano, planície ou chã, tais como "Chã", "Chaira", "Chairo", "Chão", "Chãs", "Cheira", "Cheirinha", "Chelas", "Chelinho", "Chelo", "Chenlo".
"Chainça", graf. altern, "Chainza" (Gz.). conheço uma em Abrantes (Pt.), uma em Leiria (Pt.), uma em Penela (Pt.), uma em Rio Maior (Pt.) e outra em Noia (Gz.). tem a mesma etimologia de "planície", do lat planitia.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

almacave

"Almacave", é uma palavra árabe que significa "túmulo(s)", "cemitério". como tomou o nome durante o domínio árabe, a conclusão é que esse(s) "túmulo(s)" ou "cemitério" data(m), pelo menos, do domínio árabe na região.

mas a presença de uma igreja românica importante nessa freguesia de Lamego aponta para a presença de um espaço sagrado antigo, já que os beneditinos se esforçaram por cristianizar, na Idade Média, locais já sagrados há muitos séculos.
tomava-se por "túmulos" as chamadas "sepulturas antropomórficas", cavadas na rocha, por vezes de dimensões mais próprias para crianças ou adolescentes e cuja função não está ainda perfeitamente esclarecida, apesar de serem conhecidas por "sepulturas". é o caso de S. Pedro de Lourosa, de Penela e de muitos outros lugares. para mim, são lugares iniciáticos, onde se praticariam cerimónias de passagem da infância à idade adulta, coisa que é suficiente para justificar a cristianização quer no período visigótico, quer, depois, no período baixo-medieval.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

praia da falésia (Pt.), praia da ribanceira (Br.)

muitas praias mereceriam estes nomes. no entanto, pelo menos em língua decifrável, são poucas as que fazem alusão às falésias e ribanceiras que as rodeiam e protegem.

Praia da Falésia (Pt. - Alg.)
Praia da Ribanceira (Br. - SC)
Praia de Muro Alto (Br. - PE) - praia rodeada por um paredão de areia de cerca de 3 metros de altura

sábado, 27 de setembro de 2008

conraria

"conraria" era a dependência ou oficina do cónego conreário ou conreeiro, o qual tinha por função guardar e gerir o que pertencia aos cónegos e à sua mesa comum. "conraria" é variante de "conrearia".


o topónimo existe na margem esquerda do Mondego, na freguesia de Castelo Viegas, arredores de Coimbra, onde encontramos:


Estrada da Conraria
Quinta da Conraria
Volta da Conraria

este topónimo coimbrão deve ter vindo ao mundo solteiro, pois não conheço outro exemplo.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

sumes, súmio

estes topónimos referem-se a lugares onde há sumiço de águas.

relativamente ao "Lugar de Sumes", freguesia de Gondar, concelho de Guimarães, região granítica por excelência, cito o Pe. António Ferreira Caldas (1996, 2ª ed., pág. 143): "[ao rio Selho] depois de um percurso aproximado a um quilómetro, no lugar do Reboto, junta-se-lhe o riacho de nome Selhinho, e assim reunidos escondem-se debaixo da terra no lugar de Sumes, freguesia de S. João de Gondar, correndo ocultos por espaço de mais de seiscentos metros até à freguesia de Serzedelo [...], indo em seguida confundir-se no [rio] Ave".


Cañón de Sumideiro (Mx) - no Estado de Chiapas
Casal de Suimo - ?
Castro de Sumes (Pt.)
Monte Suimo
Suimo - ver Comentº
Sumes (Pt.)
Sumideiro (Pt.)
Sumidoiro (Pt.) - é hidrónimo
Santiago de Sumio (Gz.) - no concelho de Carral.
Sumidouro (Br.) - no Estado de MG
Sumidouro de Cima (Br.) - no Estado de SP



"súmio" é uma fenda ou greta da terra por onde as águas se somem.

domingo, 7 de setembro de 2008

a sionlha (Gz.)

a primeira noite que passei em Santiago de Compostela, há uma boas décadas atrás, foi dentro de uma tenda, no parque da Sionlha. um topónimo estranho, como tantos outros sem significado na língua vernácula. se trago aqui à baila o parque de campismo, lugar de pernoita e estadia temporária, é porque "A Sionlha" parece derivar de Asseconia, uma mansio ou pousada romana na via XIX de Braga a Astorga.
deveria, pois, ser "Assionlha" e não "A Sionlha", mas a transformação do "A" inicial no artigo definido "A" é um fenómeno muito comum na toponímia galego-portuguesa escrita.
derive de Asseconia ou não, é um topónimo muito antigo, pré-romano, cujo significado me escapa.
certo é que Sionlha é tamém um hidrónimo ou nome de rio, mas talvez o nome do ribeiro derive do nome povoado e não o inverso.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Senhor Roubado

este é o nome de uma estação de Metro de Lisboa. localiza-se junto ao pequeno largo do mesmo nome, à saída da Calçada de Carriche, na estrada de Odivelas. nesse largo encontra-se um padrão datado de 1744.
foi construído em memória de um roubo sacrílego ocorrido em 1671 na igreja matriz de Odivelas. o autor confesso do roubo de peças sacras, o infeliz António Ferreira, acabaria condenado pela Inquisição, arrastado e levado à praça do Rossio, onde lhe deceparam as mãos e lhas queimaram à vista, após o que o assaram vivo - numa manifestação eloquente do mais sacrílego fundamentalismo político-religioso.
o monumento ao Senhor Roubado compõe-se de um recinto quadrangular trapezoidal, de dez metros de comprido por oito de largura, a modo de templo descoberto. 12 quadros, de 72 azulejos cada, contam as peripécias de um roubo que daria nome ao lugar.
ali os fiéis vinham encomendar-se ao Senhor e pedir perdão pelos seus pecados.




(ver notícia original em http://odivelas.com/2010/01/14/sr-roubado-historia/)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

bairros dos sonhadores ou os excessos poéticos

é natural que se goste de morar num bairro com um nome bonito, até poético. o pior é que a realidade nem sempre dá pelo nome que lhe chamam.
alguns destes bairros têm nome de inspiração religiosa (r).

Bairro Alto da Maravilha (Br.)
Bairro Boa Esperança (Br.)
Bairro da Alegria
Bairro da Amizade (Br.)
Bairro da Bela Vista
Bairro da Boa Viagem (Br.)
Bairro da Boa Vista
Barro da Boavista
Bairro da Consolação - (r)
Bairro da Fraternidade
Bairro da Graça (Pt. e Gz.) - (r)
Bairro da Juventude (Br.)
Bairro da Liberdade (Pt. e Br.)
Bairro da Luz
Bairro da Nova Imagem (Pt.)
Bairro da Paciência (Br.)
Bairro da Paz
Bairro da Piedade (Br.)
Bairro da Rosa
Bairro da Saúde (Br.)
Bairro da União (Br.)
Bairro da Vista Alegre (Pt., Gz. e Br.) - ver Comentº de Calidonia
Bairro da Vitória (Br.)
Bairro do Bom Pastor - (r)
Bairro do Paraíso (Br.)

não conheço este costume na Galiza. os bairros que eu conheço tenhem um nome mais distanciado desses sentimentos e aspirações. ex: "Bairro da Madalena", "Bairro de Canido", "Bairro de Sam Lázaro", "Bairro do Esteiro",...

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

bairro da solum, bairro do brinca

a curiosidade destes dois topónimos da cidade de Coimbra reside no facto de o seu nome derivar das respetivas sociedades construtoras. o seu caráter eufónico e a falta de mais imaginada alternativa fez com que vingassem na linguagem quotidiana. a gente nascida depois dos anos 70 fala do Bairro do Brinca e do Bairro da Solum sem fazer ideia da origem desses nomes.
isso faz entender melhor como se perdem tão depressa as referências etimológicas dos topónimos e como tão rapidamente surge a necessidade de lhes dar as mais desencontradas explicações, fonte de lendas, palpites e teses de mestrado.
o Bairro da Solum ("da" porque se refere à sociedade "Solum"), começou a desenvolver-se no final dos anos 60 e é hoje a parte mais nobre e aprazível da cidade. digo eu...

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nb: solum (lat.): "solo", "chão". embora a palavra latina seja paroxítona, em Coimbra "A Solum" é pronunciada com acentuação na segunda sílaba: "sòlúm".

domingo, 17 de agosto de 2008

alhos e bugalhos

1. "alhos" é a designação de alguns topónimos curiosos, pela confusão que podem criar com o alho das cozinhas. a questão é que essa pretensa etimologia não me convence, dada a ubiquidade da planta em causa.
alius
, em latim significa "outro", "alguém que não é dos nossos", "estrangeiro", "de fora de aqui", "de fora parte", "de outro lado", "de outro lugar".
coisa que nem sequer seria de estranhar numa região que sempre conheceu repovoamentos por "gente de fora".

a palavra latina alius//aliunde entronca numa raiz indo-europeia que deu em grego allòs ("outro") e no celta allo (o numeral "dois" e o adjetivo "diferente", "outro", "segundo"). assim, não é de estranhar a presença de topónimos franceses de origem celta como "Col d'Allos, "La Foux d'Allos", "Val d'Allos".

2. mas outra explicação pode ser encontrada no latim alodis, que deu Alleu, Alleux (Fr.) na Toponímia Francesa, e tem sido associado tamém à etimologia de Allos (Fr.): trata-se de uma propriedade, ou "alodio", livre das obrigações da feudalidade, sem encargos nem direitos senhoriais, o que não deixa de ser, na qualidade de excepção a uma regra, uma excelente razão para ter ficado cristalizada sob a forma de topónimo, tal como "Foros". esta explicação contém, no entanto, algumas dificuldades de natureza fonética, pelo menos no nosso idioma.

sendo assim, qual a etimologia mais adequada para topónimos raros, como "Alhos Vedros" e "Sernache dos Alhos"?

os topónimos "Alli", "Allin", "Allo", Alloz" ocorrem em Navarra. e All na Catalunha.

o topónimo "Alhos Vedros", se se tratar de "estrangeiros velhos", de duas uma: ou indica que se trata de "gente que veio de fora antes de outras", ou indica que, na época em que se dizia "vedros" em lugar de "velhos", haveria outro povoado com o nome de "Alhos", menos antigo. e significa também que os "alhos" já eram "velhos" nessa época.
quanto a "Sernache dos Alhos", o cheiro do condimento popular acabou por reduzir o nome para apenas "Sernache".

porém, se a etimologia for alodium, os "estrangeiros" saem de cena, ficando apenas uma realidade rústica medieva do que terá sido uma ou mais que uma "propriedade livre".


Alhões - aqui pode significar "aldeia de gente originária de "Alho" ou de "Alhos"

Alhos Vedros
Sernache dos Alhos

outras alhadas:

A-do-Alho - não acredito nesta grafia. será "Adualho" - de "adua" (árab: addua)?

Alhadas -
Alhais -
Alheira - ver "Alhões"
Alheiro - ver "Alhões"
Alho -
Alhos -
Torre do Alho (Gz.) - ver Comentº

quanto aos Bogalhos, são muitos e mais nortenhos:

A Bugalha (Gz.) - graf. altern: A Bugalla
Bogalheira
Bogalho
Bugallha (Pt. e Gz.) - graf. altern. Bugalla
Bugalhães - originários de Bugalha?
Bugalhal (Pt. e Gz.) - graf. altern: Bugallal
Bugalhão / Bugalhóm (Pt. e Gz.)
Bugalhas
Bugalheira (Pt. e Gz.) - graf. altern: Bugalleira
Bugalheiras (Gz.) - graf. altern: Bugalleiras
Bugalheirinha

Bugalho - em italiano Bugaglio é hidrónimo: "Cavo Bugaglio", "Rio Bugaglio"

Bugalhos
Bugalhós - diminut. de Bugalhas
Bugalhosa
Mina da Bugalha
Os Bugalhales (Gz.) - graf. altern: Os Bugallales
Quinta da Bugalha

sábado, 2 de agosto de 2008

as pontes que nos unem

a ponte estabelece uma ligação entre dois mundos. no plano material, liga duas margens de um rio, de um vale profundo ou de um braço de mar, permitindo ou facilitando a comunicação entre povos e realidades até então separados. no plano simbólico, que noutras eras acompanhava e revestia o mero plano material, esta ligação adquiria propriedades re-ligiosas: o construtor de pontes ligava terra com terra, terra com céu, matéria com espírito. a sua função era assimilada à de um sacerdote, a que os romanos chamavam pontifex, "pontífice", "fazedor ou construtor, de pontes". ele formava o elo de ligação entre a vida de Aquém e de Além. os pontífices romanos constituíam-se em colégio ou ordem sacerdotal, com funções religiosas e jurídicas (direito divino), segundo a máxima, transposta para o cristianismo, "o que ligares na terra será ligado nos céus". ao colégio dos pontífices, ou "colégio pontifício", presidia o "sumo pontífice" ou pontifex maximus, eleito vitaliciamente pelos seus pares. após uma profunda crise religiosa e vagando o lugar de sumo pontífice, César assume a função e incorpora-a no exercício do poder imperial. com a queda do Império, a designação e a função são assumidas pelo Papado de Roma.
na Idade Média, a "congregação dos irmãos pontífices" do século XII, sob a regra beneditina, encarrega-se da construção de pontes e calçadas. certas lendas, como a de São Gonçalo de Amarante, atribuem ao mestre construtor a função de estabelecer "pontes" também a outros níveis, como a função de "casamenteiro das velhas" (ou seja, das "antigas mulheres"), talvez, dada a configuração do culto, pela adição de funções religiosas pagãs anteriores relativas ao chamado "culto da fertilidade". mas a verdade é que a própria ponte em si se pode relacionar com esse "culto da fertilidade", pois casos há em que nelas se realizam rituais destinados a favorecer a gravidez e o seu bom termo.
certas pontes, pela especial sensação de dificuldade que a sua arquitetura inspira, são conhecidas por "ponte do diabo", pois só o diabo, ou alguém que lhe conheça as artes, seria capaz de as construir. são assim conhecidas, entre outras, a Ponte da Mizarela (Pt), a Ponte de Martorell (Cat.), as ruinas da Ponte de Liédana (Na.) e as Pontes de Olvena (Arag.). as "pontes do diabo", com a respetiva lenda, existem também em França e na Itália.
às vezes, a palavra "ponte" é substituída por "arco", "arcos" ou "arquinho", que reportam à arquitetura da construção.

os topónimos que se seguem relacionam-se com pontes que estiveram na origem do desenvolvimento do respetivo povoado, vila ou cidade:

Alcântara

Alcantarilha - na realidade, "alcantarilha" é uma espécie de "ponte ao contrário", ou seja, uma "construção destinada a permitir que um pequeno canal cruze uma estrada por baixo".

Aldeia da Ponte

Arcos de Valdevez - está por "Arcos de Vale de Vez", sendo "Vez" o rio transposto pela ponte

Brugg (CH)
Cambridge (GB) - "ponte sobre o rio Cam", ou "Ponte de Cam"
Innsbruck (A.) - "ponte sobre o rio Inn", ou "Ponte de Inn"
Most (Cs.)
Mostar (BiH)
Ponferrada (Le.)
Ponteceso (Gz.)
Ponte Barxas (Gz.) - "barxas" por "várzeas"?

Ponte Cesures (Gz.) - há dúvidas sobre "Cesures" ou "Sezures". as duas grafias surgem tamém em Portugal

Ponte da Barca - como "barca" já significava "passagem", "ponte da barca" é uma redundância

Ponte da Mucela
Ponte da Pedra
Ponte das Três Entradas - pela sua forma em "Y"
Ponte de Lima
Ponte de Sor
Ponte d' Eume (Gz.)

Ponte do Arquinho - uma espécie de pleonasmo, já que "arquinho" é a própria ponte

Ponte do Bico
Ponte dos Arcos (Br.) -
Ponte do Sótão - "Sótão" é hidrónimo
Pontela
Pontelha (Pt. e Gz.)
Pontelinha

Ponte Pedrinha (Pt. e Gz.) - topónimo muito frequente, indica construção romana (?). a estas pontes, tal como às "pontes do diabo", associa-se uma lenda segundo a qual teriam sido construídas durante a noite, ficando no final uma "pedrinha" por colocar, para que não pudessem ser dadas por concluídas. umas vezes é o diabo que as constrói pela noite, outras vezes são os mouros. a "pedrinha" em falta é um artifício para ludibriar o diabo, que estabelece um "preço" pela sua colaboração na obra: a morte dentro de um ano para o primeiro que a atravesse depois de pronta. o diabo sai sempre enganado, pois que o primeiro ser vivo que a atravessa é um gato, um cão ou um porco. é possível que estas lendas estejam associadas aos sacrifícios humanos ou de animais que outrora se fazia para propiciar o bom curso de uma construção.

Ponte Vedra (Gz.) - ponte medieval, como indica a forma "vedra", para designar "velha"

Ponte Sezures - ver "Ponte Cesures" (Gz.)
Pontezela - pequena ponte medieval, como indica o diminutivo "cella"
Pontezinha
Pontilhão / Pontilhóm (Pt. e Gz.)
Pontinha (Pt. e Gz.)
Puente la Reina (Na.)
São João da Ponte (Pt. e Br.)


(nota: aqui se retoma e amplia um tópico já publicado)
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nota: sobre o simbolismo da ponte, ver Jaime Cobreros (1991), El Puente, Ediciones Obelisco, Biblioteca de los Símbolos, nº 2, Barcelona. ver tamém Jean Chevalier e Alain Gheerbrant (1982), Dictionnaire des Symboles, Robert Laffont/Jupiter, Paris, pp. 777-778.