sábado, 22 de outubro de 2016

lugares onde se atravessava os rios a pé

os lugares que contenham os termos "Barca", "Barco" e variantes, "Couço" e variantes,  "Pessegueiro" e "Vau" são geralmente lugares de travessia de rios.

exemplos:

Barca
Barca d'Alva
Barco
Barquinha
Barcouço (pleonasmo: Barco+Couço)
Coiço
Couce
Couço
Pessegueiro
Pessegueiro do Vouga
Vau
Vila Nova da Barquinha

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Páramo, Paramos, Paraimo, Parâmio

"Páramo" e derivados (Paraimo, Parâmio, Páramos) é um vocábulo derivado do latim "paramus", que se refere a una superfície plana, pouco fértil ou desértica; charneca. também designa sítios que não oferecem proteção ou abrigo.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Misarela ou Mijarela

lendo o terceiro volume de "Investigação da Etymologia ou Proveniência dos Nomes das Nossas Povoações", de Pedro Augusto Ferreira, "bacharel formado Teologia, continuador de Portugal Antigo e Moderno, e abbade de Miragaia aposentado", de 1915, vejo, a propósito de Misarela:
"todas as nossas Misarellas e Mijarellas são quedas d'agua naturaes — algumas lindissimas, de grande altura e grande força".
nem tudo o que o autor escreve se diz, mas aqui parece-me ter razão. as Misarelas ou Mijarelas relacionam-se com quedas de água. é como se a Natureza mijasse. e, então, a grafia deverá ser "Misarela", com um "s" viseense, e não "Mizarela".
assim, na Serra da Freita, na montante das águas do rio Caima, há uma queda de água de grande altura (60 metros) a que chamam a "Frecha da Mijarela" ou "Frecha da Misarela".
havia até uma cantiga popular que rezava assim:

"a Frecha da Mijarela
tão alta está ela,
deixai-a lá 'star.
q' os fidalgotes do Porto
por ser água boa,
q'riam-na encanar".

domingo, 22 de maio de 2016

Arco do Cego

vou frequentemente a Lisboa e não raramente estaciono no Jardim do "Arco do Cego". sempre me fez espécie tal nome. onde estaria esse arco, que já lá não está, e que cego tão famoso seria esse?
do arco há notícia. não do seu nascimento, mas da sua morte.
em setembro de 1742 foi ali demolido um arco para que pudesse passar a carruagem do rei D. João V, em viagem para as Caldas da Rainha, onde iria curar-se a banhos termais.
o arco foi demolido mas o rei acabou por preferir um bergantim e ir rio acima até Vila Nova da Rainha, no concelho da Azambuja, e daí seguir para as Caldas as 28 milhas restantes..

do "cego" é que não há notícia, pelo menos de que eu tenha conhecimento. da última vez que lá estacionei verifiquei uma pequena diferença na designação do parque. em lugar de "Arco do Cego" dizia agora "Arco Cego".
pensei: "é dessas modernidades de tirar os 'des' às palavras compostas, tão do agrado das parangonas de jornais e telejornais.
"nã !" - pensei, depois, melhor. isto até que faz sentido: "arco cego" existe, "arco do cego" é que é mais difícil.
e então o que vem a ser um "arco cego"? é um arco que por necessidade posterior à sua constrção, ou por qualquer outro motivo, foi fechado com pedra ou qualquer outro material de construção, de jeito que já nada se pode ver através dele.
fica também mais compreensível por que houve que o demolir para passar o rei, que, afinal de contas, não passou.
e serve esta estória para compreender as voltas que os nomes dão. sobretudo quando a sua história já não é conhecida das pessoas residentes.
hemos de convir que "Arco do Cego" tem mais poesia, mais magia, sei lá. mas "Arco Cego" é o que faz sentido prático.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Buçaco

Buçaco é uma floresta montanhosa da freguesia do Luso, concelho da Mealhada. no século X, em doação de Gundesindo ao mosteiro de Lorvão, era grafado como "Mons Buzaco" e "monte Buzacco" - "o monte Buçaco". diz-se na doação que o monte era "nuncupato Buzacco", isto é, "oralmente chamado Buçaco".
a sua etimologia tem sido alvo das mais cómicas invenções, que me abstenho de mencionar.
um dia. em passeio pela França do sudoeste, encontrei dois topónimos "Bussac", na Dordogne: Bussac-sur-Charante e Bussac-Forêt. na origem destes topónimos está um termo celta (um povo ou uma pessoa) com a terminação genitiva (Bucci-acum): "terra de..." ou "terra dos...". e, apesar de a etimologia pedir um "ç" ou um "z", também em França, como em Portugal, a grafia nem sempre segue a etimologia.
certo é que Buçaco é um topónimo muito antigo em Portugal, mesmo dos mais antigos.
e não há dúvida de que, se a etimologia for também a de Bucci-acum, a grafia adequada deve ser Buçaco.

sábado, 7 de maio de 2016

Reguenga, Reguengo, Reguengos

Reguenga, Reguengo, é uma terra ou lugar que está diretamente na dependência do rei, que pertence ao rei, propriedade real.
Há inúmeros Reguengos em Portugal:

O Reguengo
Reguenga
Reguengo (Pt. e Gz.)
Reguengo da Parada
Reguengo de Oeiras
Reguengo do Alviela
Reguengo do Fetal - pronuncia-se "Reguengo do Fètal"
Reguengos de Monsaraz
Reguengo Grande
Reguengo Pequeno



Em 1832 Mouzinho da Silveira extinguiu todos os reguengos em Portugal, ficando para sua memória os topónimos.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

"na toponímia, a palavra "Pé" aparece com dois significados: "sopé", "parte de baixo", como em

Pé da Cabeça do Bom Dia,
Pé da Costa - o mesmo que "sopé da encosta"
Pé da Ladeira,
Pé da Serra,
Pé do Cerro,
Vinha do Pé;

e "junto de", "ao pé de", como em

Pé da Cruz,
Pé da Igreja
Pé da Veiga.

há ainda o topónimo "Pé de Cão", em Coimbra e em Torres Novas, o qual, provavelmente, não tendo que ver nem com uma coisa nem com outra, se deve a uma deturpação gráfica: será "Pèdecão"? outro tanto se diga da "Quinta do Pé à Mão". será "Pèàmão"?