sábado, 2 de setembro de 2006

Portugal e Galiza: a Razão dos Nomes

até que se escreva coisa melhor sobre o assunto, remeto os frequentadores e amigos deste blogue para o Portal Galego da Língua (agal-gz.org), ano V, época 2006/2007, e o notável artigo de Luís Magarinhos Igrejas.
porque o saber ocupa menos lugar do que as certezas.




nota: podem também dar uma espiada no blogue gémeo, posts de 17/03/2006.

7 comentários:

Jo Lorib disse...

Olá amigo viajante, fui lá ver o Magarinhos e achei brilhante e plausivél a explicação para a origem dos nomes Portugal e Galicia. Me preocupa, no entanto, o final do artigo. Será necessário dividir Portugal em regiões autonomas como se fez na Espanha? abraços desde São Paulo.

o viajante disse...

benvindo a bordo de novo, Jo!
a tese de Mangarinhos não é, em si mesma, substancialmente original. mas o artigo está muito bem escrito e brilhantemente defendido.foi por isso que lhe dei o destaque.
vamos por partes: a origem do nome Portugal, é mais ou menos pacífico, está em "Portucale", reunião do topónimo latino "Portus" (porto) com o topónimo céltico "Cale". esta "Cale" tem sido identificada na extremidade sul da ponte D. Luís, ou seja, no Mosteiro do Pilar, em Gaia."Gaia" essa que, como a Galiza,parece derivar de "Cale" também. Mangarinhos coloca "Cale" na extremidade norte da ponte D. Luís, ou seja, na zona velha da cidade do Porto. para mim é indiferente, uma vez que Gaia e o velho Porto sempre estiveram indissoluvelmente ligadas e a sua origem "Calaica" é comum. no entanto, colocar "Cale" na margem sul "sempre serviria" para suavizar a afirmação de que a Galiza termina no rio Douro - coisa que a Feira, Ovar, S. João da Madeira, Lamas, Castelo de Paiva, Resende e outras vilas e cidades a sul do Douro se encarregam de desmentir, pelas suas características históricas, etnográficas, culturais e linguísticas. em minha opinião, os rios juntam, não dividem nem separam. o Douro pode prenunciar uma fronteira mas não é a fronteira.os Estados é que gostam de fazer passar as fronteiras pelos rios, o que é outra coisa.
quanto à questão que me coloca, o problema não está em "dividir em" regiões, mas em "reconhecer" essas regiões. a Espanha não se "dividiu em" regiões, pela simples razão de que a Espanha é uma realidade histórica, cultural e linguística múltipla que, por mais que seja reprimida, como foi no tempo dos Reis Católicos e mais recentemente, sempre reaparece e sempre se renova.
o que a Espanha de hoje fez foi assumir essa diversidade, embora com aquelas alterações ao real que convêm ao Estado. separar Navarra do País Basco e as Ilhas Baleares e Valência da Catalunha foi um mero exercício de dividir para reinar em povos já de si divididos entre a França e a Espanha.
...quanto a Portugal...,
o que fazer da nossa afinidade histórica, étnica, cultural e linguística com a Galiza? não se trata de uma pretenciosa questão expansionista ou hegemónica, de parte a parte. hoje, no seio da União Europeia, essa questão nem se põe.
o que se põe - e creio que é esse o fundamento da política europeia de "regionalização" - é reunir o que é afim, reconstruindo regiões divididas pelas vicissitudes da História.
nesse sentido, Portugal não é "regionalizável" porque não chega a ser uma "região". para que constitua uma Região necessita de se reunir com a Galiza. e não faria sentido, e nem Magarinhos o diz, que essa "Portugaliza" expulsasse do seu seio a componente "lusitana", ou seja, o que está a sul do Douro ou um pouco mais a sul. afinal, desde o século XIII, a língua a sul do Douro é a mesma que a norte do Douro.
não sei se fui demasiado palavroso. prometo voltar ao assunto.
aquele abraço

Nóbrega disse...

É, de facto, espantoso como a consciência de um povo pode ser afectada por interesses que não os seus em detrimento de uma causa que, apesar de também sua, não lhe é benéfica e lhe trai a sua identidade.
Com o tempo deixámos de ser galegos para sermos "os do norte". Deixámos de ser uma região com um nome para sermos a "Região Norte". Dividiram essa região norte em duas para criar sentimentos de diferença onde eles não existiam. Fizeram com que as províncias a sul do Douro mais próximas deste e com uma identidade cultural igual e identificada com as terras a norte do Douro passassem a ser terras do centro, mais relacionadas com as beiras, portanto. A ideia é o Portugal uno e a renegação de identidade galega que une os povos galegos de ambas as margens do Minho, até às terras a sul do Douro. A ideia que Portugal sempre existiu e que não é um produto derivado da Galiza.
Porque a Galiza é sempre conotada com a região espanhola. Quando a Galiza é bem mais que isso... A Galiza abrange todo o Norte de Portugal e partes de Leão e das Astúrias. No Berço, fala-se galego. O próprio falar asturiano subdivide-se em asturiano-galego e asturiano-leonês. Mais: a Galiza não é aquele pequeno pedaço de terra reduzido a quem os espanhóis chamam de Comunidade Autónoma de Galicia. Nem o que os portugueses, por força de falta de informação e por força de contra-informação do poder central, também se habituaram a chamar e a identificar como a única Galiza. Porque Galiza é Espanha. Quando a Galiza foi e sempre será Galiza. Criada no espaço que hoje corresponde o norte do país chamado Portugal, até à Crunha. Onde foi baptizada por força do povo celta que habitava esta região.

lúa disse...

para ler con calma é o artigo do magarinhos.

iso si, é moi interesante. aínda que me desequilibra un tanto a orixe céltica do nome.

queda para unha lectura mais tranquila.

por certo, xa entrarei para roubarche as 3 bandeiriñas que mostras no teu blog. :-p

beijos.

o viajante disse...

Mangarinhos é certamente para ler com calma. muito bom artigo. sobre a nossa origem celta comum, bom, é a história e o jeito que temos para os mistérios...
as bandeirinhas...ofereço-tas, com um "biquinho".
e sobre o nome do teu blogue, "A Tola do Monte": tem uma ressonância muito especial. lembra-me os tempos de infância passados no Norte de Portugal. estórias de encantar, que já já nom há ninguém que as conte

lúa disse...

muito obrigada polas bandeirinhas.... e polo biquinho. :-)

estaría encantada de escoitar-ler esas historias da infancia.

beijinhos.

o viajante disse...

bonito!
bom, eu nom sou um grande contador (escritor) de histórias de infância. o poder que elas tenhem em mim é o de nom estarem escritas. mas cando as topo nos escritores galegos - que são os que nom tenhem medo nem vergonha delas -, dá-me um baque no coração (éh, afinal inda sou desses que o tenhem). nom imaginas o que eu senti quando li "os biosbardos" (piospardos ou gambosinos), do Blanco-Amor...
mas "a tola do monte" andava por lá, na minha infância, do lado de fora de casa, em todo o sítio e em sítio nenhum. nom sei que mais "che" diga.