sexta-feira, 11 de novembro de 2005

Rio Homem, Rio Dão

certos rios podem ter destas coisas. podem ter nomes que os faz parecer estranhos entre si, mas um exame mais atento mostra que, afinal, são rios da mesma criação. é o caso do Homem e do Dão .
"Om" é o nome de origem de ambos os rios, que apenas estão separados pela pronúncia. o segundo nasalou e ficou "Ão". o primeiro não e ficou "Ome". e agora entra em cena uma outra operação: ao "Ome" botaram-lhe um h no começo e um m no fim, porque parecia mal dizer "home" em vez de "homem". o "Ão" levou um D no início porque se esqueceram do apóstrofo e não soa bem dizer "...de Ão". por exemplo, Santa Comba d'Ão que era, ficou Santa Comba Dão. a pronúncia é igual, a escrita é que mudou.
bem perto de Santa Comba d'Ão existe uma Várzea do Homem, testemunha fiel da existência do tal "Om" - que quer simplesmente dizer, na sua antiquíssima língua, "fonte", "manancial", "água corrente". ou seja, rio.

estes hidrónimos multiplicam-se por toda a Galiza e em Portugal. as muitas teorias em que a Toponímia se deleita e compraz não afastam o parentesco "Ão"/"Home" - nem poderiam.

e um outro rio, aliás parceiro do Homem na bacia do Cávado, tem no seu nome a palavra "Ão": o rio Rabagão, de "raba-g-ão".que entra tamém para a família dos hidrónimos em "raba-", como Rabaçal.



2 comentários:

Seven disse...

É sempre bom descobrir "coisas" sobre a nossa terra, as nossas raízes. Conheci hoje este "blog" e terei muito prazer em fazer uma ligação a partir do meu Voz do Seven.
Um abraço até Coimbra (com especal carinho à BRIOSA) desde São Paulo/Brasil.

o viajante disse...

aquele abraço para Voz do Seven, São Paulo