quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Para que Serve um Glossário de Topónimos

um glossário de topónimos serve para mostrar como a mesma origem fonética e linguística pode tomar diversas variantes. destas variantes, algumas esclarecem-nos sobre a forma primitiva da palavra, pondo de lado certas hipóteses ou mesmo explicações que nunca teriam passado pela mente dos eruditos, se as tivessem conhecido. é apenas um caminho, um caminho por entre um rôr de outros. além disso, põe em pé de igualdade os macro e os microtopónimos, sendo certo que o facto de serem macro ou micro não é uma qualidade de origem nem um destino perpétuo, mas, apenas, um circunstancialismo histórico, por isso mesmo variável. alguns lugares há pouco tempo pequenos, ou mesmo insignificantes, são hoje cidades que rivalizam com as principais do nosso país. e cidades outrora importantes são hoje pouco mais que lugarejos menores, designados por aquilo a que se chama microtopónimos.
o presente Glossário é um trabalho de meia dúzia de lustres, cada lustre cinco anos, disperso por várias bases de dados, umas escritas, outras já electrónicas. baseia-se numa teimosia e num gosto pessoal , que me levou a apontar obsessivamente os lugares por onde ia passando e passo. a minha profissão é uma fonte inesgotável de topónimos, de todos os tamanhos e feitios. e de lendas e lengalengas explicativas, que têm a piada que têm mas não explicam nada. salvo algumas lendas propriamente ditas, ou dignas desse nome: essas têm um fundo de verdade. como distinguir umas das outras, essa é a arte do artista, como soe dizer-se.
não tenho a pretensão ou pesporrência (sic) dos que fazem disto um canudo académico, daqueles de fazer ver, nem vim ao mundo de propósito para corrigir os erros dos outros. como, afinal, os há por aí nascidos. e quem vai corrigir os deles? eu não serei, certamente. não tenho feitio que chegue.
com aquelas regras mínimas, que consistem em ressalvar o seu a seu dono, é assim que ponho os meus apontamentos à disposição da rede.



6 comentários:

Calidonia disse...

Seria uma perda enorme para os seus leitores, entre os quais me conto, deixares de deitar na rede as suas ricaces reflexons. O factor humano, mais em uma materia como a toponímia, é mais importante do que muitas bibliografias. Afinal som os erros, o esquecemento e a sabedoria a ignorância das pessoas as que tornam os velhos nomes dos lugares no que hoje som. Uma outra vez, parabèns, esta vez polos 30 anos de esforço.

Gundibaldo disse...

Viajante,

Continue o seu caminho!

Se os cânones académicos prevalecessem, Piódão (1) não existiria, o país estava cheio de urbanizações como a da Forca (2) e o Sol ainda se cansaria à volta da Terra. Nem os dicionários de José Pedro Machado teriam visto a sua luz!

Mas o mais impressionante é mesmo a quantidade de informação encerrada nas "universidades", "academias" e "centros de estudos” oficiais, fartamente alimentados pelo Orçamento do Estado e por Bruxelas. Estudos que no caso geral, geralíssimo, apenas servem para engordar currículos e vaidades pessoais. Por vezes nem nas respectivas bibliotecas podem ser consultados!

Quanto ao resto, tenha paciência, que a coisa poderia ser muito pior: imagine as invectivas assanhadas que teria de suportar se usasse sotaina e trabalhasse na Diocese de Aveiro...

Saudações atlânticas

Gundibaldo



(1) Aldeia da serra do Açor. Etimologia: De *Pedonatu (Machado, 2003) ou de *podium (cf. Oliveira - http://toponimialusitana.blogspot.com/2006/01/os-ninhos-do-aor_21.html)?

(2) Lugar da cidade de Aveiro, vítima da arquitectura e do urbanismo esclarecidos do final do séc. XX. Etimologia? (o melhor é não citar o Gaspar).

o viajante disse...

Calidónia,

obrigado polo seu apoio desde a primeira hora. graças a si e a outros patrícios como você [deixe-me chamar-lhe assim, pois me chamam "patrício" muitas vezes na sua terra] ,consto do Blogomillo numa posição honrosa, que tudo farei para manter (ou até para pular mais uns vinte lugarinhos...)
um grande abraço desde Coimbra para Fene.
Nota: não me esqueci de Pantom, que é terra de muitas augas. dê-me tempo.

o viajante disse...

Gundibaldo,
vejo que aprecia a obra de José Pedro Machado. e acho que faz muito bem, pois sem dúvida que, na dobra destes dois séculos, é um marco no estudo das palavras em geral e dos topónimos em particular. mas não é a Bíblia nem goza da infalibilidade de quem a escreveu. erra sobretudo quando diz que a origem de um grande número de topónimos "é evidente". e falha quando não dá importância aos microtopónimos ou aos topónimos compostos. aí onde eu acho que muita coisa se decide. mas é só a minha opinião.
além disso, sei de umas boas dúzias de topónimos que José Pedro Machado não elencou até ao dia de hoje. e não é objectivo dele cuidar dos galegos nem dos brasileiros em par de igualdade com os topónimos portugueses.
mas, no resto, que é muito, faz muito bem em ler José Pedro Machado.
aquele abraço desde Coimbra.

lúa disse...

aiii... non sabes como agradezo esta explicación.

estaba eu perdida entre tanto topónimo e non sabía que dicir.

non teño moito que aportar, tan só soplar ánimos e enviarche forzas para que continúes no mesmo camiño e coa mesma determinación.

noraboa!!

o viajante disse...

lua, lua, luneira,
lua feiticeira,
ai de quem de mim te escondeu...
obrigado polo teu apoio.